Eu odeio filmes de terror. Dito isso, eu odeio hipocrisia religiosa cristã. Dito isso, que conveniente que no Brasil, assolapado por um horda de pessoas com Bíblias na mão e com cadeiras cativas por votos questionáveis no congresso e grupos religiosos despejando seu jorro fétido de ódio gratuito à minorias, principalmente os LGBTQIAPN+, não tenha conseguido distribuição para passar nos cinemas.
Quem tem amigo tem poder de quebrar barreiras de dificuldades, o que é basicamente a mensagem do filme. Eu tenho uns amigos pelo mundo e obviamente eles me contaram como a história é. Então, translitero o que me disseram a respeito. Afinal, NÃO TEM COMO ASSISTIR NO BRASIL, dito isso, todo mundo vai dar seu jeito. Bem sabemos.
Dito isso tudo acima, segundo meus amigos que moram por aí, o filme é M-A-R-A-V-I-L-H-O-SO! Correndo riscos de entregar um ou outro spoilers, vou realmente tentar não fazer, vemos um jovem que está descobrindo o que é o amor com um colega da escola. Se fosse um casal heterossexual o filme iria para outra seara. Contudo, magistralmente, o diretor Adrian Chiarella transforma tudo o que se sucede em um terror tenso e, contrariando o estilo, otimista. Não estou defendendo finais felizes em Terror, defento finais coerentes com o restante que foi passado. Depois que o Brian De Palma fez aquele final demoníaco em Carrie de 1976 todo mundo soca um fim trágico em tudo. Tem morte em fim de filme que não faz sentido. O filme ser de roteirista e diretor australiano ajudou muito no desenrolar do que acontece no filme. A Austrália ser do Hemisferio Sul só trás luz solar às produções.
Foi simplificado por aqui que o filme seria sobre uma cura gay. Como disse acima, vemos dois jovens Naim (Joe Bird) e Ryan (Stacy Clausen) começando os trelelês gostosos da juventude pouco depois de uma cena estranha de uma garota ser pega por alguém e aparentemente morta em um banheiro próximo a uma pscina. E descobrimos depois mais sobre isso. A mãe de Naim era de outra cidade e decidiu morar por aquele lugar para buscar paz. E ela acha que o filho tem que ter a mesma paz, e consequentemente salvação. E ele só quer viver a vida sem o peso da religião dizendo que o que ele faz é errado. Porém, ele pega seu interesse amoroso com outro garoto, filho do pastor onde sua mãe congrega, Hunter (Jeremy Blewitt) se agarrando no meio do quintal. E conta para o pastor. Isso faz os pais, preocupados com aquele pecado, chamarem um missionário que faz um ritual, na frente de toda a comunidade, de exorcismo. Contudo, ele não exorcisa nenhum demônio, ele atrai um demônio para o encalço dos jovens. E depois da morte um tanto estranha de Hunter, Naim é obrigado pela mãe a fazer o mesmo ritual. E lógico que o capeta do preconceito cristão contra gay vira a vida dele de ponta cabeça. É prudente eu parar de contar a história aqui para não entregar mais nada que não deva.
Existe sim uma criação intensional de suspense com cenas de vivencias juvenis corriqueiras e suas descobertas. E esse medo que o grupo religioso coloca é bem trabalhado. Eu estou fazendo um curso de roteiro para entender melhor os filmes e séries que tanto gosto e vi uma construção consistente. E coisas que eu acharia falhas de roteiro anteriormente eu percebi que são escolhas para justamente causar o efeito desejado. Uma coisa é a falta de conhecimento básico que os personagens demonstram. Eu achava isso ruim e besta, mas é o contraste para mostrar que algumas coisas só o conhecimento consegue te livrar de certas situações, e num filme isso deve pelo menos demora até o fim para acontecer, se acontecer. E é interessante ao público se achar mais inteligente que os personagens, isso causa um efeito que ajuda na tensão da cena.
Como disse acima, digo, meus amigos gostaram muito do filme e é uma pena, coincidentemente, com um tema desses, não ter sido lançado por aqui. O que tenho certeza não vai ser problema para ninguém.
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