segunda-feira, 20 de abril de 2026

Meus primórdios neste blog






Meus primórdios neste blog


Todos sabem que escrevo sobre filmes e séries neste Blog. Tudo começou em 2012. De início, não usei esse tema. Na verdade, escrever sobre os filmes que assistia, ou séries, era um exercício para ganhar fluência na escrita. O real motivo inicial do meu Blog era “vomitar” o fel que tinha dentro de mim. Uma forma de processar algo que eu não conseguia naquela época. Daria certo se não esbarrasse em uma outra característica minha: morrer de vergonha de me expor. O que é uma besteira, pois isso é mais uma narrativa inventada por mim mesmo do que realidade. O que me ajudou muito a entender um pouco esas questões foi a terapia que iniciei em 2023. Essa narrativa, ter vergonha de me expor, me impede de evoluir em muitas coisas, e estou justamente tentando romper essa amarra que existe só em minha cabeça. Faz um tempo que ensaio escrever mais e fazer uns cursos de escrita criativa ou mesmo roteirização, mas fico me limitando por esses entraves que criei na minha cabeça. Por isso ando escrevendo textos mais pessoais quando possível. O último que o diga...

Eu postava os textos no mesmo Blog, contudo percebi que havia dois grupos distintos de leitores e decidi separar os assuntos. Isso foi dois anos depois. Os dois assuntos eram muito diferentes, e eu comecei a ter facilidade em escrever sobre produções audiovisuais. Já o outro assunto era pesado e, por vezes, dolorido. Saía cheio de veneno e realmente acabava me deixando mal. Faltava terapia.

E qual assunto tenebroso me fazia sentir mal só de recordar? O problema não foi o assunto em si. Foi ter me desvencilhado, de forma compulsória, dele três vezes, em três lugares e tempos diferentes. Simplificando: eu fui seminarista católico por cerca de oito anos não consecutivos. Eu tentei mesmo e achei que era um vocacionado, chamado por Deus, o que talvez fosse, pois a espiritualidade continuou me surpreendendo de maneiras muito assustadoras em vários outros momentos depois que abandonei de vez a possibilidade de voltar. Tanto que tentei três vezes. Três! Eu não achava justo sair do jeito que saí. Etodas as dificuldades provindas disso me deixaram muito amargo. E escrever sobre isso me parecia mesquinho e uma forma de machucar todos que me abandonaram de alguma forma. Nessas horas, o amor cristão falha. Agora, depois de tanto tempo, acho que estou conseguindo me acalmar sobre essa parte da vida e revendo muita coisa. E tenho certeza: foi a melhor coisa ter saído e não ser padre hoje em dia. A vida não está fácil, passo por um turbilhão de situações que preciso resolver. E se fosse sacerdote hoje isso seria muito negativo. Se é que eu seria feliz ou, pior, faria outros serem infelizes. As histórias que conheço me provam que meu caminho foi melhor. Mesmo que eu esteja numa pindaíba desabençoada.

Resolvi reler o meu primeiro texto e corrigir uma coisa ou outra. Precisava mesmo de uma boa edição, eu sou péssimo nisso. Como exercício de escrita e como exercício de superação de limitações, resolvi repostar. Vamos ver o que acontece. Quem sabe, se houver algum interesse, eu volte a postar os outros. Ou mesmo me anime a fazer algum outro projeto só com isso. Ando pensando muito no que fazer. Estou numa encruzilhada e tentando escolher qual caminho tomar. E olhar o passado talvez seja necessário.

Segue abaixo o texto integral que foi inicialmente postado em dezembro de 2012 e, depois, em novembro de 2015, retirei deste Blog e postei em outro, que estagnou e foi sendo esquecido. Mesmo assim conto, somando este, com cinquenta histórias escritas. E não escrevi nem metade do que passei em oito anos de seminarista.


Chatos


Estava cursando o terceiro ano de filosofia e o meu tédio crescia espantosamente. No meu caso, o tédio não era só um “não ter o que fazer”, que me deixava aborrecido, ou fazer algo chato que me deixava nesse estado de ânimo. Lá a conotação era mais específica. Algo que vinha do âmago, do interior de minhas capacidades de não suportar algumas atitudes humanas, juntamente com uma enorme tendência a não me surpreender com nada. Não me recordo ao certo, mas nesse período estava com uns 23 anos e julgava já ter visto de tudo (se achava!) e passado por várias situações. E o que não vivi tinha lido a respeito ou visto na internet. Já tinha estabelecido uma fama, ou melhor, um rótulo que acompanharia todo o período em que durasse o seminário. Ou você é o estudioso, ou o inteligente, ou o esforçado, ou o desmiolado, ou ainda o carismático (não de carisma pessoal, mas pertencente à Renovação Carismática). O meu rótulo era ser o “descolado”, o que para a Igreja era quase uma ofensa gravíssima. É, não era uma boa coisa para se ser num seminário.

Um dia desses, estava eu em um de meus surtos de tédio. E o mais sensato foi ficar no meu quarto tentando me entreter com algo legal, o que era quase impossível, ainda não tinha internet disponível nos quartos. Um dia vivi sem internet e não morri. Hoje, só cinco minutos longe de uma tela de qualquer coisa, serve até calculadora, e minha boca já começa a espumar e meus olhos insistem em girar nas órbitas. Não é preocupante até este estágio. Se eu alcançar o estágio “Megan”, de O Exorcista, saia correndo de perto o mais rápido possível. Se os sintomas forem mais para “Emily Rose”, então é tranquilo. Eu não arriscaria, mas é tranquilo. Resolvo dar uma voltinha pela casa. Vou ao quarto de Babychicken (os nomes estão alterados... Não sei se perceberam) e começo a jogar papo fora.

Uma coisa que percebi naquela época de seminário é que ninguém quase nunca ia ao meu quarto; eu ia ao quarto dos outros. Por isso consegui um brilho de dar inveja no meu chão: nenhum taco reluzia mais que os meus naquele lugar. Outra coisa que percebia é que todas as vezes que eu ia ao quarto alheio as pessoas estavam estudando. Nunca entendi como o povo estudava tanto. Eu, sem me esforçar muito, conseguia garantir minha média 8,5. Se estudasse como eles, tiraria 11 sempre. Como cada um é cada um, eu ficava na minha. Só de vez em quando fazia questão, junto com a Reginíssima (gordíssima, por isso o superlativo, porém já aviso que hoje, 2012, ela está finérrima, à base de sibutramina, diz ela que só, sem cirurgia nenhuma de redução, mas continua superlativa em tudo... Até no uso de Bala e Cetamina em boates que começou a frequentar assiduamente em São Paulo), de esfregar as nossas notas na cara da Fredina, “a magrela que se achava a filósofa” e dizia estudar horas e horas. E nós dois (apesar de achar que da parte de Reginíssima era um "trucão" enorme, pois ela estudava escondido), sem esforço e dormindo muito, conseguíamos mais nota que a magrela ou, no mínimo, a mesma nota sem estudar nada.

Com a Babychicken (apelido dado pelo próprio reitor do seminário), iniciei as conversas de sempre. Nem imaginem o que era esse “de sempre”. E conversa vai, conversa vem, ela diz que estava com uma coceira no saco, coisa que nem de longe pensei ouvir naquela hora. Eu, sem muita atenção, perguntei o que tinha, e ela disse que ter raspado todos os pelos e eles estarem pinicando. Achei estranho aquilo. Por mais asseada que a Babychicken fosse, ela não fazia o estilo de alguém que fizesse “brasileirinha” ou “bigodinho”. A conversa morreu por ali, mas eu zoei muito ela antes de sair.

Uma explicação, essa parte é da edição de agora, 2026, os tratamentos eram no feminino mesmo, pelo menos por trás da pessoa. Tinham alguns seminaristas que assumiam o alter ego feminino abertamente e só o dissimulava perto de quem fosse problemático. A mim mesmo me chamavam no feminino quando conversavam entre si, nunca na minha frente. Quando o faziam era de forma brincalhona para me irritar. Na época não gostava muito disso, achava desrespeitoso com as mulheres. E realmente era e continua sendo, mas, talvez fale algo polêmico aqui, havia uma misoginia bem pesada entre gays seminaristas que era reflexo dos padres. Quanto mais "assumido" mais misógino era o jeito de se expressar. Achei que era só dentro do contexto eclesiástico e seminarístico isso, estava bem enganado. Deixo isso para outro momento ou quem sabe outro projeto/texto.

Um dia depois, estava eu conversando com outra seminarista, da minha classe, e ela soltou que estava com o cú pinicando.

— Vai dizer que você raspou os pelos do cu, Cira? — disse na lata. Sutileza com as palavras nunca foi o meu forte, vocês perceberão.

Ela deu uma desculpinha e disse que resolveu raspar tudo. Naquele momento, somei dois mais dois e guardei o resultado no coração para confirmar em outro momento. Só para entenderem como meus neurônios reagiram, vou dar só esta informação: a Babychicken e a Cira (é a Cira que já veio com esse codinome de outro seminário) eram um dos casais constituídos dentro do seminário. Naquela época chegou ao número de três casais que todos tinham conhecimento, inclusive o reitor. Então imagine eu descobrir que uma raspou os pelinhos do saco e a outra, mais tarde, me fala que raspou os pelos do cu. Fiquei passado.

Sem interesse nenhum, fui à noite ao quarto de Babychicken de novo, e é verdade isso, pois era levemente, talvez um pouco mais que levemente, egocêntrico nessa época. Nada que não me afetasse diretamente eu considerava da minha conta. A não ser que fosse um bafão muito grande, pelo simples interesse da curiosidade pela vida alheia, o que era bem raro acontecer comigo. 

Outro fato para ajudar a entender melhor: desde o primeiro ano no seminário, eu mesmo lavava minhas cuecas, pois um dia desci até a lavanderia e vi que a funcionária colocava todas, eu repito, todas as cuecas em uma única bacia. Imagine o sopão, o caldo Knorr que virava. Eca! Para meu horror, vi umas “calcinhas” antes de serem colocadas na bacia. Eu não acreditava que uma virilha pudesse ser tão suja a ponto de encardir tanto umas peças íntimas como algumas estavam. Depois desse choque, nunca mais mandei cuecas e meias para a lavanderia. Eu mesmo lavava, e as outras roupas eu mandava com receio. Como não dava para eu lavar tudo, me resignei a dar jeito no que era possível.

A conversa com Babychicken se estendeu um pouco e, mais uma vez, ela fez menção à coceira que os pelos raspados causavam.

— Baby, como você raspa assim, sem mais nem menos, os pelos do saco, se sabe que ia pinicar? — joguei como se nada desconfiasse.

A Babychicken soltou uma risadinha, e tive certeza de que havia algo. Aguardei ela dizer:

— Não! Olha você, se eu te contar uma coisa, não fala para ninguém? — como éramos amigos, eu conhecia o tom com que ela estava falando; a coisa era séria.

— Claro! Não se preocupe. — Até senti a aréola brilhar neste momento em meu cocoruto, mas, no geral, sempre fui de guardar os segredos dos amigos. Vocês percebem por esses textos que escrevo.

— Eu não sei o que aconteceu e como foi — disse, justificando-se e com vergonha —, mas me deu uma carga de chato que eu não sei de onde peguei.

Como todo amigo que se preza, fiz o óbvio: comecei a gargalhar. Não me continha. Com a Babychicken também não tinha muito tempo ruim; ela começou a gargalhar também. E disse que a Cira também tinha pego e então ela raspara os pelos. Eu já sabia disso, mas não comentei. Como chato é uma coisa perniciosa, que se pega até sentado num lugar em que alguém empestiado tenha ficado, nem questionei a fidelidade de um dos lados. Pois já sabia que tanto a Babychicken quanto a Cira não eram tão fiéis uma à outra. Fiquei até sabendo mais tarde que havia um triângulo amoroso ali. O cateto oposto da hipotenusa do triângulo retângulo era uma primeiranista chamada Pãocomovo ou Durinha. Falo sobre ela em outro momento. Haverá oportunidades. 

Voltando ao meu quarto mais tarde, já pensei que, se dois estavam com chato, era possível que mais pessoas pudessem ter contraído. E nem fui maldoso achando que havia um troca-troca generalizado entre os seminaristas, coisa que havia de fato, e que um tinha passado para o outro.

Na verdade eu pensei, mas minhas preocupações foram em relação às roupas. E lembrei do sopão de cuecas, calcinhas e meias da lavadeira. Eu sabia, era evidente, que a lavadeira passava as calças, camisetas e outras peças. E passava muito bem. Ela era melhor passadeira que lavadeira. Porém, não sabia se ela passava as cuecas e, assim que tive oportunidade, conversei com ela, que me disse que não passava.

Aqui abro um parêntese: eu não era um compulsivo em ficar escarafunchando as coisas que aconteciam na casa. Pode parecer. Mas não era assim. Eu tinha, sim, a malícia de fazer uma pergunta certa, jogar um verde de vez em quando. Grande parte dos fatos chegava até mim sem meu esforço. E muitas vezes as informações vinham fragmentadas e por pessoas diferentes. Como uma contava o fato X, outra o fato Y e outra o fato Z, eu simplesmente juntava e tirava minhas conclusões. Essa vez, por exemplo, em que fui falar com a lavadeira não foi planejado. Eu precisei buscar as minhas roupas passadas e sempre dava uma palavrinha com ela. A L., usando abreviado o nome, era brava, mas comigo sempre foi simpática. E eu me lembrei dos acontecimentos e só perguntei, pois ela estava justamente naquele momento separando meias e cuecas e, não esqueçam, as “calcinhas”, para pôr nos montes de roupas prontas de cada seminarista.

Elementar foi eu achar que não seria impossível um surto geral de chatos. Se dois tinham, mais poderiam ter. A equação era clara para mim. Como disse acima, eu era egocentrado em mim mesmo, desculpem a redundância, e como eu me ocupava de minhas cuecas não havia perigo. Eu não estava com chato até aquele momento, então concluí que, se algum desses repugnantes seres grudentos agarrasse nas calças ou, num extremo de desespero por comida, nas camisetas, eles não sobreviveriam aos poderosos e vaporosos métodos de passar da L. Pronto: em minha cabeça, problema resolvido, problema esquecido. Bola pra frente.

Outra coisa interessante a se contar é que a cadeia dos fatos, boatos e fofocas girava em um esquema lógico. Ou melhor: seminaristicamente lógico. O que quer que acontecesse com um indivíduo, este, na sua inocência, contava para aquele que julgava ser seu melhor amigo. Este, que não o considerava amigo suficiente para guardar seu segredo, comentava com o seu suposto melhor amigo, outro. Em determinado momento, o ocorrido caía nos ouvidos de algum que tinha o prazer de informar a todos na casa. E alguns ainda tinham o disparate de não só contar, mas incriminar o seu informante. E todos, até o reitor, ficavam sabendo do ocorrido e ainda o culpado por espalhar a informação, que nunca era o verdadeiro propagador, mas o besta que contava e este.

Os eixos da fofoca eram conhecidos. De pouco mais de vinte seminaristas naquele ano, uns quatro eram ardilosamente perigosos com sua língua ferina: Reginíssima; Cira, com a alcunha de “Sua Vaca”, que contava tudo diretamente ao reitor; Mariajo, uma “loka” tresloucada que foi expulsa do seminário e, dizem, que começou a se prostituir em Araraquara após se entender como mulher transsexual. E alguns diziam que Vini Boy ou Garoto Vini, apelido dado pelo reitor também, era o outro. Se não perceberam, o Garoto Vini sou eu. E não era bem assim. Eu não contava as coisas aos outros. Eu apenas, enfatizo bem o “apenas”, soltava uma chicotada bem certeira quando alguém tentava me zoar ou então dar alguma alfinetada maldosa. Eu não deixava por menos e, na frente de todos que estivessem ali, soltava alguma pérola do bendito. E geralmente era sempre algum segredo que não devia ser exposto, ou ainda, algo que todos sabiam e só o dono do fato achava que não.

Lembro que toda vez que eu falava, em legítima defesa sempre, rasgava-se o véu do templo com todo o alvoroço que se fazia em torno disso. Praticamente seminaristas e padres são as piores pessoas para se contar um segredo. Tem uns que salvam, poucos, bem poucos. É que a confissão, se for quebrado o sigilo, tem punições severas; o padre pode até perder o seu estado clerical. Porém isso não impede a maioria dos padres de contar segredos de confissão em aulas ou conversas sem “identificar” os pecadores, pois assim é permitido falar do pecado alheio... “desde que não identifique” o pecador. 

Cerca de uma semana depois de minhas conjecturas, estava eu mais uma vez em meu quarto tentando afogar meu tédio no travesseiro quando ouço alguém bater à minha porta. O que era raridade. Poucos se atreviam a fazer isso com bobagens, pois eu colocava mesmo para correr. Atendi com meu tédio transformado em ódio; eu estava quase dormindo. Era a Reginíssima com uma cara preocupadíssima:

— Vinícius Motta, você já está sabendo da última? — quando me chamavam pelo nome completo, eu ficava sempre em sobreaviso.

— Depende de qual. — disse cinicamente, pois eram tantos acontecimentos que eu até me perdia.

— Você sabia, Vini, que há um surto de chato pela casa? — não sei se a intenção dele era me deixar indignado ou chocado.

— Sabia há umas semanas. — frustrei ela.

Reginíssima gaguejava um pouco quando o assunto era sério, antes de conseguir falar:

— Vo-você sabia, Vi-Vinícius Mo-Motta???? — sem esperar que eu respondesse. — Você sabia e não me contou nada? Por quê?

“Por saber que, se te contasse, a casa toda já estaria sabendo e eu levaria a fama de linguarudo no seu lugar”, apenas pensei.

— Eu soube, mas nem me preocupei muito — continuei abafando o pensamento. — Eu lavo minhas próprias cuecas. — E expliquei brevemente minha teoria das “calcinhas” e cuecas não passadas e das roupas passadas.

— Onde vamos parar desse jeito? — farfalhou pomposamente Reginíssima, concordando comigo e ficando mais tranquila, pois ele também lavava suas calcinhas, digo, cuecas, ou melhor, calçolas enquanto tomava banho. Demorava horrores só nessa função.

Virou as costas e foi em direção do seu quarto, ao lado do meu, e continuou:

— Onde vamos parar assim?

— Eu não faço ideia. Mas eu vou é para a minha cama agora. — Fechando a porta, ouvi abafado:

— Vai, viado... Vai dormir... Eu também vou... Só assim mesmo... Para “aguentar o tranco”.


Bom, retornando ao tempo presente de minha escrita. Esse foi o primeiro texto que resolvi contar sobre o seminário. Por mais que haja uma ordenação ficcionada os acontecimentos são os que me lembrei. Tem mais camadas que por cuidado não coloquei. E nem sempre ao se escrever nós lembramos de todos os meandros dos acontecimentos. Era relativamente recente minha última saída, então, tudo andava bem fresco em minha memória. O último texto sobre minha vida no seminário que postei foi em janeiro de 2019. Eu já dava sinais de minha ansiedade estar começando e o ritmo vertinginoso de minha vida não deixava muito tempo para escrever. E logo veio o divisor de águas mundial, a pandemia. Aí deixei tudo mesmo de lado até ano passado. 




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sexta-feira, 17 de abril de 2026

Manual Prático da Vingança Lucrativa: e a mim me cabe esperar





 Manual Prático da Vingança Lucrativa: e a mim me cabe esperar


 Os filmes de que eu mais gosto são aqueles sobre os quais não temos expectativa nenhuma e, “do nada”, eles nos divertem. Manual Prático da Vingança Lucrativa ou, em inglês, Huntington, foi um desses para mim. E outra coisa de que gosto muito é descobrir que ele tem algo mais interessante por trás.

 A primeira coisa que adorei foi o final, quando sobem os créditos. Uma música um tanto diferente do que eu esperava apareceu. Era o refrão de uma melodia bem divertida e animada, até que veio uma voz masculina, levemente conhecida de um passado distante: “Take Me Back to Piauí”. Para o resto do mundo, não sei como soa ouvir essa música, mas, sendo brasileiro, é uma pincelada de brasilidade que nunca se espera num filme desses. Era Juca Chaves. Para quem não conhece, foi um grande compositor, cantor e humorista brasileiro. O nome completo dele era Jurandyr Czackes Chaves. Será que temos aí o primeiro "Jurandir" da história? Talvez uma leve inspiração, tanto que ele mesmo usava, em suas piadas, o fato de ser feio. Se me lembro bem. Isso estou falando de memória, que não anda lá essas coisas. Ele foi alcunhado de Menestrel Maldito pelo poeta Vinícius de Moraes. E, segundo minha memória nada confiável, ele tinha muito cara de anos 1970. Não o achava engraçado. Era o verniz da infância que me impedia de entender a ironia e o sarcasmo sofisticados que ele colocava em suas composições. Hoje, como adulto, entendo melhor seu legado. Dentre várias músicas, ele tem uma pérola: “Presidente Bossa Nova”. Nessa música, que rasgava Juscelino Kubitschek, presidente do Brasil de 1956 a 1961, em crítica feroz. Então, ouvi-lo numa produção da A24, que é uma comédia misturada com suspense, ou um thriller, é muito, por falta de palavra apropriada, legal. E a música tem muita sintonia com o que o filme é.

 A segunda coisa que tornou o filme mais interessante foi que soube depois, em pesquisa aleatória, que ele é baseado em um filme de 1949, As Oito Vítimas. Infelizmente, não vou conseguir assistir no momento. E acho isso por considerar que me parecia faltar algo no enredo. Saber que se trata de uma adaptação deixou tudo muito coerente. Como, por exemplo, a pena de morte ser tão rápida e existir, sendo que tudo se passa no estado de Nova York. Contudo, tenho que me chamar atenção o tempo todo: liberdade narrativa serve para filmes também. É óbvio, contudo sempre esqueço.

 Na história, acompanhamos Becket Redfellow (Glen Powell), que está na cela onde aguarda sua pena de morte. Conta como chegou até ali para um padre que o conforta em seus últimos momentos. Sua mãe foi deserdada por não aceitar tirá-lo ainda na gestação e foi expulsa da família pelo patriarca, e ele acabou perdendo o direito à herança. Em promessa à mãe, de lutar pelo que é dele por direito, ele começa uma inusitada campanha de assassinatos por sua rede genealógica. E tudo descamba numa situação que o leva parar ali. Eu realmente não sei como esse filme vai afetar outras pessoas e admito que ele é muito divertido, mas comigo pegou em outra coisa bem específica e intimamente pessoal.

 Deixando bem claro: eu jamais pretendo matar alguém na minha vida. Ainda mais por dinheiro, mas assistir a esse filme neste momento da minha vida foi muito ironicamente inusitado. Sem dar muitos detalhes, eu tenho mais de 40 anos... E fui a vida toda “filho de mãe solteira”. E quem é sabe o peso que isso pode ter na vida. Minha mãe não queria contar quem é o pai, sei lá os motivos, o que é errado, pois era meu direito saber assim que me tornasse maior de idade. Em certo momento da minha infância, isso perdeu a importância e deixei para lá. Conforme fui crescendo, estudando e entendendo a vida, questão de classe social e questões financeiras, com a ajuda de um amigo entendi que era meu direito, sim, saber, por tudo que está envolvido, e deveria retomar essa questão. E comecei uma campanha para tirar essa informação de minha mãe. E ela era veemente em não querer me contar. Até achei que eu era fruto de uma traição escandalosa na microssociedade municipal do lugar em que ela sempre viveu. E não era. Depois de uns dez anos tentando, ela contou: sou fruto de um trelelê de carnaval com um cara que, um tempo depois, começou a namorar outra mulher e acabou se casando com ela. E eu só consegui, este ano, fazer os exames para confirmar o DNA. Como ela apontou só um homem, estou na expectativa de ser ele. E pode não ser também. Estou na espera dos resultados, que saem em duas semanas talvez; hoje é dia 17 de abril de 2026. Então, achei que o “destino” foi um pouco afrontoso em me dar esse filme justo nessa semana. Às vezes, Deus escreve torto mesmo ele estando certo nas linhas tortas dele. Enfim, não haverá uma herança milionária no meu caso. Essa sincronização dos acontecimentos de nossas vidas com coisas aleatórias me deixa um pouco espantado e reflexivo, para falar o mínimo. Vou levar no bom humor e seguir a vida. Afinal, o resultado pode dar negativo. A mim me cabe esperar.


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English


The original text was written without the use of any AI tools; however, the translation was carried out by ChatGPT, as the author does not yet master English grammar. Perhaps one day.

If there is anything that may be difficult to understand or that seems unclear to the reader, this may be due to certain textual constructions, sentence structures, or even references specific to regional Brazilian Portuguese and the culture of Brazil.

All subsequent texts will include this notice.

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How to Make a Killing: and all I can do is wait


 The films I like the most are the ones we have absolutely no expectations for and that, out of nowhere, end up entertaining us. How to Make a Killing was one of those for me. And another thing I really enjoy is discovering that it has something more interesting beneath the surface.

 The first thing I loved was the ending, when the credits roll. A song quite different from what I expected started playing. It was the chorus of a very fun and lively melody, until a male voice appeared, faintly familiar from a distant past: “Take Me Back to Piauí.” For the rest of the world, I don’t know how hearing that song sounds, but for a Brazilian, it is a touch of Brazilianness you would never expect in a film like this. It was Juca Chaves. For those unfamiliar with him, he was a great Brazilian composer, singer, and humorist. His full name was Jurandyr Czackes Chaves. Could this be the first “Jurandir” in history? Maybe a slight inspiration, especially since he himself used, in his jokes, the fact that he was unattractive. If I remember correctly. I’m saying all this from memory, which hasn’t been too reliable lately. He was nicknamed the Accursed Minstrel by the poet Vinícius de Moraes. And, according to my highly unreliable memory, he had a very 1970s kind of face. I didn’t find him funny back then. It was the varnish of childhood that kept me from understanding the irony and sophisticated sarcasm he put into his compositions. Today, as an adult, I understand his legacy much better. Among many songs, he has a gem: “Presidente Bossa Nova.” In that song, he tore into Juscelino Kubitschek, president of Brazil from 1956 to 1961, in a fierce critique. So hearing him in an A24 production, which is a comedy mixed with suspense, or a thriller, is very—lacking a better word—cool. And the song is deeply in tune with what the film is.

 The second thing that made the film more interesting was learning later, through random research, that it is based on a 1949 film, Kind Hearts and Coronets. Unfortunately, I won’t be able to watch it right now. And I say that because I felt something seemed to be missing from the plot. Knowing it is an adaptation made everything feel much more coherent. Like, for example, the death penalty being so swift and existing at all, considering everything takes place in New York State. Still, I have to remind myself all the time: narrative freedom applies to films too. It is obvious, yet I always forget.

 In the story, we follow Becket Redfellow (Glen Powell), who is in a prison cell awaiting execution. He tells a priest, who comforts him in his final moments, how he ended up there. His mother was disinherited for refusing to terminate her pregnancy with him and was cast out of the family by the patriarch, and he ended up losing his right to the inheritance. In a promise to his mother, to fight for what is rightfully his, he begins an unusual murder campaign throughout his family tree. And everything spirals into a situation that leads him there. I truly do not know how this film will affect other people, and I admit it is very entertaining, but with me it touched on something else, something deeply personal.

 To make one thing clear: I have absolutely no intention of killing anyone in my life. Especially not for money. Watching this film at this moment in my life was ironically unusual. Without giving too many details, I am over forty years old... And my whole life I have been the “child of a single mother.” And those who are know the weight that can carry in life. My mother did not want to tell me who my father was, for whatever reasons, which was wrong, because it was my right to know as soon as I became an adult. At a certain point in my childhood, it lost importance and I let it go. As I grew older, studied, and came to understand life, social class, and financial issues, with the help of a friend I realized it was indeed my right to know, because of everything involved, and that I should revisit the matter. So I began a campaign to get that information from my mother. And she was adamant about not telling me. I even thought I was the result of some scandalous affair in the tiny municipal micro-society of the place where she had always lived. But I wasn’t. After about ten years of trying, she finally told me: I was the result of a Carnival “trelelê” (a casual fling / romantic entanglement) with a man who, some time later, started dating another woman and eventually married her. And only this year was I able to take the tests to confirm the DNA. Since she named only one man, I am hoping it is him. But it may not be as well. I am waiting for the results, which may come out in two weeks; today is April 17, 2026. So I thought “fate” was being a bit provocative in giving me this film at exactly this week. Sometimes God really does write crooked, even while being right in His crooked lines. Anyway, there will be no millionaire inheritance in my case. This synchronization between the events of our lives and random things leaves me a little astonished and reflective, to say the least. I will take it in good humor and move on with life. After all, the result may come back negative. All I can do is wait.


quarta-feira, 15 de abril de 2026

Filmes antigos e vida que segue





 Filmes antigos e vida que segue


Acho que estou passando por uma ressaca cinematográfica. Faz um tempo que não me animo a assistir a nada. O último que assisti, um pouco “forçado”, foi A Noiva!, pois estava bem curioso desde o momento em que soube de sua divulgação. Fiz a resenha anterior sobre esse filme para quem quiser dar uma conferida. Geralmente, quando estou em entressafra de produções, eu aproveito e assisto a uma série de várias temporadas e também deixo uma novela brasileira como opção: Padre Brown e Sassaricando. São leves, sem grandes enredos e, cada uma ao seu modo, divertidas. Tem resenha também sobre as duas obras no blog.

Basicamente, faz uns oito dias que não assisto a nada e, principalmente, não escrevo aqui. Tenho escrito para um concurso de contos do qual vou participar. Não estou colocando muita esperança. Meu objetivo é me testar. Contudo, mesmo eu estando em um espaço de tempo sem um interesse específico em algo que estreia, ou que me desperte atenção, acabei assistindo a filmes mais antigos nesses últimos quarenta dias. Teve uma época em que estava assistindo a filmes “pipoca” da década de 1980. E me espantei ao perceber que os filmes ainda possuíam o poder de me divertir, mesmo que parecessem toscos diante dos efeitos especiais de hoje.

Não vou falar deles; vou falar dos filmes que assisti que são bem mais antigos. Dentre eles, o mais “novo” foi All That Jazz – O Show Deve Continuar (1979). Eu tinha visto um vídeo de uma influenciadora de cinema que falou dele. Eu já sabia da existência desse filme e ele estava na minha lista informal e inefável mental de obras a se assistir em um futuro indefinido. E eu consegui achá-lo para assistir. E é muito bom. Um musical que acompanha a vida — ou melhor, o fim dela — de um diretor e coreógrafo que está produzindo seu novo espetáculo. E que cara, ao mesmo tempo, charmoso e escroto. O diretor, desse filme, é Bob Fosse e, acreditem, esse é o primeiro dele que prestigio. Eu nunca tinha conseguido achar para assistir. E já emendei Cabaret e entendi o que é ser a grandiosa Liza Minnelli. Ela está fantástica nesse filme, mereceu tudo o que ganhou por ele. E muito me chamou a atenção o maravilhoso coadjuvante Joel Grey, que faz o Mestre de Cerimônias mais andrógino e imprevisível que já vi, dando o apoio na medida exata que a Liza precisa para fazer desse musical o que ele é, grandioso. E também mostra algo que Hollywood adora varrer para debaixo do tapete: a bissexualidade e a homossexualidade. A música Money, Money é uma das mais irritantes que eu já tinha ouvido — até assistir à cena contextualizada dentro da produção. É outro nível.

Como também estava disponível Festim Diabólico, resolvi reassistir. A primeira vez foi quando eu tinha meus 10 anos, na televisão, em um horário impróprio para uma criança. E dessa vez eu fiquei escandalizado, porque sempre me gabava de que minha memória sobre os filmes que assisti na infância era boa. O final que eu guardei com tanto carinho na minha memória afetiva — os dois camaradas que eram secretamente um casal se safavam do crime e a câmera focava no baú com o corpo do amigo deles, que tinham matado no começo do filme, enquanto uma poça de sangue escorria de um canto do móvel — simplesmente não existe. Eu sou uma fraude: esse não é o final do filme e nunca foi. Concluí que devo ter dormido e sonhado. Só pode. Contrariado depois de assistir ao final “novo”, para mim, fui dormir. 

Tentei, em outro dia, assistir a Os Pássaros, mas não finalizei. Preciso voltar e concluir. Em outra madrugada insone, encontrei Relíquia Macabra, ou como também é chamado, O Falcão Maltês. E achei bom, mesmo com algumas coisas que hoje soam bobas, mas dei um bom desconto, pois o filme é de 1941. Humphrey Bogart faz o esperto detetive Sam Spade, que dá nó em pingo d’água. Tonta a mocinha que cai na lábia dele — mas tudo certo, pois ela também estava tentando dar um golpe nele. Chumbo trocado não dói. Lembrei logo em seguida, assim que esse filme acabou, de um comentário do canal do YouTube Sociocrônica que falava de um subtexto um tanto inusitado de Casablanca. E, realmente, quando assisti pela primeira vez, não me dei conta de que a frase final do filme não é do Bogart com a Ingrid Bergman, e sim do Bogart com Claude Rains: “...acho que este é o começo de uma bela amizade.” Eu lembro que, quando trabalhei em uma locadora na adolescência, uma senhora sempre pegava filmes antigos e ela adorava Casablanca, achava tão romântico. Um filme em que o casal não fica junto no final, pois para eles "sempre haverá Paris."

E, por fim, assisti, dois dias atrás, Cléo das 5 às 7, da diretora Agnès Varda. E literalmente acompanhamos duas horas da vida da protagonista. Esse é o tempo que ela espera para ir atrás do resultado de um exame. Há uma suspeita de câncer, então nessas duas horas se condensa a angústia da espera em um dia totalmente comum em uma Paris de 1962. Fiquei chocado com a aparente normalidade dessas horas em que Cléo espera e vai fazer suas coisinhas de francesa pela cidade. É assustador e, ao mesmo tempo, inusitado. Uma das cenas mais nojentas que vi este ano foi justamente nesse filme. E olha que é em preto e branco e deveria causar menos impacto. UUUh!

Eu acabo assistindo a muito mais coisas do que reporto aqui no blog. Nem sempre quero escrever ou mesmo tenho tempo. E esses dias foram um pouco difíceis também. Existencialmente, foi tenso. Vida que segue — um filme ou episódio de série por vez.

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English


The original text was written without the use of any AI tools; however, the translation was carried out by ChatGPT, as the author does not yet master English grammar. Perhaps one day.

If there is anything that may be difficult to understand or that seems unclear to the reader, this may be due to certain textual constructions, sentence structures, or even references specific to regional Brazilian Portuguese and the culture of Brazil.

All subsequent texts will include this notice.

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Old Movies and Life Goes On


I think I’m going through a bit of a cinematic hangover. It’s been a while since I’ve felt excited to watch anything. The last thing I watched — somewhat “out of obligation” — was The Bride!, mostly because I’d been curious ever since it was announced. I wrote a review about it earlier for anyone who wants to check it out. Usually, when I hit a dry spell like this, I turn to long-running series, and I also keep a Brazilian soap opera as a backup: Father Brown and Sassaricando. They’re light, not too plot-heavy, and each one is entertaining in its own way. I’ve reviewed both of them on the blog as well.

Basically, it’s been about eight days since I last watched anything — and more importantly, since I last wrote here. I’ve been working on a short story for a contest I’m planning to enter. I’m not getting my hopes up too much. The goal is just to challenge myself. Still, even though I haven’t been particularly interested in any new releases lately, I ended up watching older films over the past forty days. At one point, I was on a streak of ‘80s popcorn movies, and I was honestly surprised by how entertaining they still are, even if their special effects look pretty dated by today’s standards.

I won’t talk about those, though — I want to focus on the even older films I watched. The most “recent” one among them was All That Jazz (1979). I came across it through a video by a film influencer. I’d already known about it — it had been sitting somewhere in my vague, ever-growing mental watchlist — and I finally managed to track it down. And it’s really good. A musical that follows the life — or rather, the end of it — of a director and choreographer working on his latest show. And what a character: charming and completely awful at the same time. The film is directed by Bob Fosse and, believe it or not, this was my first time watching one of his films. I’d never been able to find one before. Right after that, I watched Cabaret and finally understood what makes Liza Minnelli so extraordinary. She’s incredible in that film — absolutely deserving of every award she won. And Joel Grey really stood out to me as well, playing one of the most androgynous and unpredictable Emcees I’ve ever seen, supporting Liza’s performance with perfect precision. The film also brings to the surface something Hollywood has always preferred to sweep under the rug: bisexuality and homosexuality. And the song Money, Money — which I used to find incredibly annoying — hits on a completely different level when you see it in context.

Since Rope was also available, I decided to rewatch it. The first time I saw it, I was around 10 years old, watching it on TV at an hour that was definitely not meant for kids. And this time, I was shocked — because I’ve always prided myself on having a good memory for the movies I watched as a child. The ending I remembered so vividly — where the two friends, secretly a couple, get away with the crime, and the camera lingers on the chest holding their victim’s body while blood slowly drips from the corner — simply does not exist. I am a fraud. That’s not the ending, and it never was. I must have fallen asleep and dreamed it. That’s the only explanation. Frustrated after watching this “new” ending (at least new to me), I just went to bed.

On another day, I tried watching The Birds, but didn’t finish it. I need to go back and complete it. During another sleepless night, I found The Maltese Falcon (also known as Relíquia Macabra in Portuguese). I liked it, even if some elements feel a bit dated today — but I gave it a pass, considering it’s a 1941 film. Humphrey Bogart plays the sharp-tongued detective Sam Spade, who’s always one step ahead. The female lead falls for his charm — foolishly, perhaps — but fair enough, since she’s also trying to outplay him. Fair game.

Right after it ended, I remembered a comment from the YouTube channel Sociocrônica about a rather unusual subtext in Casablanca. And it’s true — when I first watched it, I didn’t realize that the film’s final line isn’t between Bogart and Ingrid Bergman, but between Bogart and Claude Rains: “...I think this is the beginning of a beautiful friendship.” I remember that when I worked at a video rental store as a teenager, there was a woman who would always come in to rent classic films, and she loved Casablanca. She thought it was so romantic — a film where the couple doesn’t end up together, because, for them, “we’ll always have Paris.”

And finally, two days ago, I watched Cléo from 5 to 7, directed by Agnès Varda. We literally follow two hours in the life of the protagonist. That’s how long she waits before going to get the results of a medical exam. There’s a suspicion of cancer, so within those two hours, all the anxiety of waiting is condensed into what otherwise seems like an ordinary day in 1962 Paris. I was struck by the apparent normalcy of it all — Cléo just going about her little routines around the city. It’s unsettling and, at the same time, oddly fascinating. One of the most disturbing scenes I’ve seen this year was in that film — and it’s in black and white, which you’d think would soften the impact. Nope.

I end up watching far more than I actually write about on the blog. Sometimes I just don’t feel like writing — or I don’t have the time. These past few days have also been a bit rough. Existentially speaking, things got heavy. But life goes on — one film, or one episode at a time.

segunda-feira, 6 de abril de 2026

A Noiva!: o monólogo inicial me fisgou






A Noiva!: o monólogo inicial me fisgou


Quando escutei pela primeira vez que Jessie Buckley estava no filme Hamnet: A Vida Antes de Hamlet e era a mais cotada para todos os prêmios possíveis, eu fiquei interessado, obviamente. Logo, li que Maggie Gyllenhaal ia dirigir um filme sobre a noiva de Frankenstein. Eu até pensei que fosse uma regravação do clássico de 1935. De certa forma é, e homenageia no que dá esse filme; contudo, não podia ser mais diferente ao mesmo tempo. E li também que o monstro de Frankenstein seria feito por Christian Bale e se passaria na década de 1930, numa Chicago cheia de gangsters. Eu fiquei esperando, não muito animado, por toda essa premissa, desacreditanto.

Como ando com uma ressaca de filmes e séries, ando assistindo só Padre Brown, milhões de temporadas de investigação, e, por nostalgia, a novela brasileira Sassaricando, quando me animo a me colocar diante de alguma tela. E, do nada, assisti A Noiva! — tipo, tropecei e caí sentado na poltrona — e, quando vi, deu início ao monólogo inicial que me fisgou. Maggie Gyllenhaal, que também assina o roteiro, fez uma bela de uma salada — no bom sentido — numa trama que é até convencional, mas com um texto bem experimental.

De início, vemos um fantasma ilustre: a própria Mary Shelley, que se acha injustiçada por ter morrido sem poder falar tudo o que queria — no caso, escrever. Eu não entendi muito essa reivindicação dela, pois ela morreu com mais de cinquenta anos e já tinha escrito vários livros. Fiquemos com a licença poética. E, nessa vontade de voltar, ela precisa de alguém para ser um bom receptáculo de sua alma. Alguém que esteja quebrada por dentro. E vemos, então, uma jovem que está numa mesa, num bar-restaurante de pessoas não muito adequadas — mesmo ela sendo uma dessas pessoas. No caso, Ida, que até então não sabemos, mas ela está quebrada justamente por algo relevante e só revelado mais para o fim. Então esse espírito erudito aproveita e, já na mesa, toma posse do corpo de Ida, que, por falar demais o que não devia, é morta pelo acompanhante “gente boa” que estava com ela, sendo empurrada da escada. Nazareth Tedesco ficaria com inveja dessa queda de escada. É das boas.

Corta, e aparece um fedido, mutilado, costurado, pregado e grampeado monstro de Frankenstein (Bale), atrás do doutor Euphorius, que se mostra uma linda e charmosa mulher, Annette Bening. E a convence de fazer uma noiva para ele. E daí é só ladeira abaixo — no bom sentido. No meio do caminho que o novo casal de pombinhos segue, através de um itinerário baseado nos filmes do ator favorito da criatura — que é feito por Jake Gyllenhaal —, eles vão deixando para trás um rastro de baderna, sangue e revolução, pois muitas mulheres começam até a imitar a estranha maquiagem da agora não mais Ida, mas Penélope. E, além da polícia, dois detetives estão atrás do casal redivivo: um babaca, Peter Sarsgaard, e uma séria, que busca reconhecimento pelo trabalho duro que faz, Penélope Cruz.

Em determinado momento, a trama é tão cheia de coisas que a própria denominada Penélope, pela criatura, assume o nome de Noiva. E tudo culmina para o trágico. Seria muito óbvio — coisa que o roteiro não é. As melhores falas estão na boca de Mary Shelley e da Noiva, que se interpelam, se misturam e causam uma espécie de síndrome de Tourette de palavras eruditas. Eu descobri palavras em inglês que não esperava ouvir na vida. A cada confusão que a personagem tem, e o espírito toma a vez, ela solta um monte de palavras que remetem ao momento vivido na tela.

E que papel difícil: fantasma, moça viva e depois morta que foi revivida. Cada uma tem suas nuances, e cada uma é bem orquestrada pela maestria da direção e da atriz Jessie Buckley. Perto do que ela faz com sua Noiva, dá vergonha de recordar que Emma Stone venceu o Oscar por uma personagem de inspiração similar. Não sei se não vem pelo menos outra indicação aí para essa atriz fenomenal, a Jessie.

Tem uma coisa no filme que eu não sei explicar direito: ele parece ser sério, porém não se leva tão a sério. Acaba sendo uma boa paródia e homenagem a vários filmes e, ao mesmo tempo, se mostra bem experimental. Eu acho que vai dividir muitas opiniões. Eu mesmo não sei se gostei ou não quando chegou ao final. Como disse, as falas colocadas no roteiro me deixaram bem entretido. Nem todo mundo será fisgado por elas como eu. Tem bastante ação, um certo mistério, umas pisadas em cabeça que ficam nojentas — tem quem adore isso — e um romance meio torto, mas está lá.

E o principal é que é um filme feito por mulher, respeitando as personagens femininas e dando protagonismo a praticamente todas. Quando a gente pensa que está mostrando muita coisa da coxa e virilha de uma mulher, e um homem está lambendo os beiços, alguém fala: “Dá uma licença, vai.” Um filme feito por homens é capaz de mostrar a mulher toda quebrada ainda sensualizando para o homem, que é capaz de a possuir ali mesmo, na frente de todo mundo. Até hoje eu tenho uma vergonha alheia da cena de sexo oral em A Senha: Swordfish, com Hugh Jackman. Só um homem punheteiro teria aquela ideia — não assistam.

Eu ainda não sei se gostei. Eu sei que o filme é bem escrito, dirigido e atuado, mesmo não gostando muito do abobalhado Frankenstein do Bale. Os demais personagens estão bem construídos e atuados. A direção de arte é ótima, a maquiagem também. É que é um filme que causa uma estranheza, então eu ainda não consigo julgá-lo como bom. Me agradou mais do que desagradou. Talvez o que me falte seja alguma chave de leitura que estou perdendo. Uma hora eu descubro e volto aqui para falar para vocês. Essa última frase é só para fazer média, não volto não. 

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The Bride!: the opening monologue hooked me


            When I first heard that Jessie Buckley was in Hamnet and was the frontrunner for pretty much every possible award, I was obviously interested. Soon after, I read that Maggie Gyllenhaal was going to direct a film about Frankenstein’s bride. I even thought it might be a remake of the 1935 classic. In a way, it is — and it pays homage to that film where it can — yet at the same time it couldn’t be more different. I also read that Frankenstein’s monster would be played by Christian Bale and that it would be set in 1930s Chicago, full of gangsters. I wasn’t exactly excited about that premise, to be honest — a bit skeptical, even.

            Since I’ve been going through a bit of a burnout with movies and TV shows, I’ve mostly been watching Father Brown, countless seasons of investigations, and, out of nostalgia, the Brazilian soap opera Sassaricando, whenever I feel like sitting in front of a screen. And then, out of nowhere, I watched The Bride! — I basically stumbled into it, fell into my chair — and before I knew it, the opening monologue had started, and it hooked me instantly. Maggie Gyllenhaal, who also wrote the screenplay, made quite a mess — in a good way — within a plot that is somewhat conventional, but carried by a very experimental script.

            At first, we see an illustrious ghost: Mary Shelley herself, who feels wronged for having died without being able to say everything she wanted — meaning, to write it. I didn’t quite get that complaint, since she died in her fifties and had already written several books. Let’s chalk it up to poetic license. In her desire to return, she needs someone to serve as a proper vessel for her soul — someone who is broken inside. And so we see a young woman sitting at a table in a bar-restaurant filled with rather questionable people — even though she herself is one of them. That would be Ida, though we don’t know it yet; what we do see is that she is broken for reasons that only become clear later on. This erudite spirit seizes the opportunity and, right there at the table, takes possession of Ida’s body. Ida, who talked more than she should have, is then killed by her “nice guy” companion, who pushes her down the stairs. Nazareth Tedesco would be jealous of that fall. A good one.

            Cut to a filthy, mutilated, stitched, nailed, and stapled Frankenstein’s monster (Bale), who goes after Dr. Euphorius — revealed to be a beautiful and charming woman, played by Annette Bening — and convinces her to create a bride for him. From there on, it’s all downhill — in the best possible way. As this new lovebird couple follows an itinerary inspired by the films of the creature’s favorite actor — played by Jake Gyllenhaal — they leave behind a trail of chaos, blood, and revolution. Many women even begin to imitate the strange makeup of the one who is no longer Ida, but Penelope. And besides the police, two detectives are after the revived couple: a jerk, played by Peter Sarsgaard, and a serious one seeking recognition for her work, played by Penélope Cruz.

            At a certain point, the plot becomes so packed with ideas that the one the creature calls Penelope takes on the name Bride. Everything builds toward tragedy. That would be the obvious route — which the script deliberately avoids. The best lines belong to Mary Shelley and the Bride, whose voices overlap, intertwine, and create something akin to a Tourette-like burst of erudite vocabulary. I came across English words I never expected to hear in my life. Every time the character gets confused and the spirit takes over, she unleashes a flood of words that reflect whatever is happening on screen.

            And what a demanding role: ghost, living woman, dead woman brought back to life. Each layer has its own nuance, and each is masterfully conducted by both the direction and Jessie Buckley’s performance. Compared to what she does with her Bride, it almost feels embarrassing to remember that Emma Stone won the Oscar for a similarly inspired character. I wouldn’t be surprised if Buckley lands at least another nomination — she’s phenomenal.

            There’s something about the film that’s hard to explain: it feels serious, yet it doesn’t take itself too seriously. It works as both a parody and a homage to many films, while also being highly experimental. I think it will divide audiences. I myself don’t even know if I liked it by the end. As I said, the dialogue kept me thoroughly entertained. Not everyone will be hooked by it the way I was. There’s plenty of action, a bit of mystery, some pretty nasty head-stomping — which some people love — and a slightly crooked romance, but it’s there.

            Most importantly, it’s a film made by a woman, respecting its female characters and giving almost all of them a sense of protagonism. Just when you think the film is about to indulge in the usual display of a woman’s body — thighs and all — with a man practically drooling over her, someone steps in and says, “Excuse you.” A film made by men might have that same broken woman still being sexualized for a man who could take her right then and there, in front of everyone. To this day, I still cringe at the oral sex scene in Swordfish, with Hugh Jackman. Only a horny man would come up with something like that — don’t watch it.

            I still don’t know if I liked it. What I do know is that the film is well written, directed, and acted, even if I’m not particularly fond of Bale’s somewhat goofy Frankenstein. The rest of the characters are well constructed and performed. The production design is excellent, as is the makeup. It’s just one of those films that creates a sense of strangeness, and I’m not yet able to fully judge it as “good.” It pleased me more than it displeased me. Maybe what I’m missing is some key to interpreting it. One day I’ll figure it out and come back here to tell you all about it. That last sentence is just for show — I’m not coming back.

domingo, 5 de abril de 2026

Se é terça-feira... É assassinato: meu cortizol

 




Se é terça-feira... É assassinato: meu cortizol



Desde que li Um Crime Adormecido, de Agatha Christie, e conheci a senhorinha simpática, com um brilho muito vivo no olhar, Miss Marple, eu me apaixonei por esse gênero: romance policial ou investigativo. Gosto desses "ingênuos"; digo isso por mais retratarem costumes sociais, um pouco da hipocrisia de uma classe social, geralmente um pouco mais abastada, que pode ou não estar falida, ou mesmo uma classe média acaba entrando em baila. E o enredo é bem conhecido de todos nós: um grupo onde todos têm algum motivo, aparentemente, para matar a pessoa que aparece morta em algum momento; há uma investigação, geralmente conduzida por um detetive profissional, particular ou algum leigo interessado, e, no fim, tudo é resolvido.

Dessa base, o gênero se ramificou e foi para inúmeras vertentes. O escritor Edgar Allan Poe é o pioneiro do gênero que, apesar de fazer uma variação inusitada dessa base, e em Os assassinatos da Rua Morgue nos deu o primeiro detetive que usava um método para resolver um crime aparentemente insolúvel: Auguste Dupin, em 1841. Sherlock Holmes só foi apresentado por Arthur Conan Doyle, em 1887. Esse gênero sempre teve apelo popular por agradar muito o público.

E lá fui eu me enveredar nesta série produzida pela Disney espanhola: Se é terça-feira... É assassinato. Nela, o enredo mostra um grupo bem peculiar de turistas que são obrigados a ficar num hotel caindo aos pedaços e, após uma noite aparentemente normal, um dos turistas aparece morto na banheira. Quatro deles se metem a investigar e, para variar, cada um tem seu segredo a esconder.

A série visita vários clichês do gênero e, o que mais gostei, foi o uso, como pano de fundo, de uma cidade pouco explorada, mas que tem uma riqueza histórica absurda: Lisboa. E usam justamente os fatos históricos para encorpar a trama. É uma delícia acompanhar os personagens pelos pontos turísticos e suas histórias. Contudo, a trama não empolga tanto. Falta alguma coisa, talvez alma. Muitos detetives da literatura são citados como uma espécie de reverência. Quanto aos atores, só posso dizer que todos que desconheço todos. 

São sete episódios em que não só vemos uma investigação bem macarrônica, como também uma caça a um tesouro que, supostamente, teria sido o motivo do crime. As peculiaridades dos improváveis detetives e dos outros turistas transformam a série numa comédia que peca um pouco pela ineficácia de algumas cenas em provocar riso.

Realmente, a falta de brilho na história me deixou um pouco aborrecido, e a narrativa se arrasta até o final. Contudo, ando meio azedo com alguns acontecimentos em minha vida, e talvez isso interfira numa tentativa de imparcialidade do meu julgamento. Como a imparcialidade narrativa é um mito, fico pensando que a série é só ruim mesmo, para além do meu azedume — que é real e está acima do que é aconselhável manter —, por causa do cortisol.


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If It’s Tuesday... It’s Murder: My Cortisol


Ever since I read Sleeping Murder, by Agatha Christie, and met that kindly elderly lady with a very lively sparkle in her eyes, Miss Marple, I fell in love with this genre: detective or investigative fiction. I enjoy these “naive” stories; I say that because they tend to portray social customs, a certain hypocrisy within a social class—usually a somewhat wealthier one, which may or may not be in decline, though even the middle class sometimes comes into play. And the plot is familiar to all of us: a group in which everyone has, apparently, some motive to kill the person who ends up dead at some point; there is an investigation, usually led by a professional or private detective, or even an interested amateur, and, in the end, everything is resolved.

From this foundation, the genre branched out into countless variations. The writer Edgar Allan Poe is the pioneer of the genre who, despite offering an unusual variation of this structure, gave us—in The Murders in the Rue Morgue—the first detective to use a method to solve an apparently unsolvable crime: Auguste Dupin, in 1841. Sherlock Holmes was only introduced later by Arthur Conan Doyle, in 1887. This genre has always had popular appeal, as it greatly pleases audiences.

And so I ventured into this series produced by the Spanish branch of Disney: If It’s Tuesday... It’s Murder. In it, the story follows a rather peculiar group of tourists who are forced to stay in a run-down hotel, and, after what seems like a normal night, one of them is found dead in the bathtub. Four of them decide to investigate and, as expected, each has their own secret to hide.

The series revisits several clichés of the genre, and what I liked most was its use of a relatively underexplored city as its backdrop—one with an astonishing historical richness: Lisbon. The historical elements are used precisely to enrich the plot. It is a delight to follow the characters through tourist landmarks and their stories. However, the plot does not quite engage. Something is missing—perhaps soul. Many detectives from literature are referenced as a form of homage. As for the actors, I can only say that they are all unfamiliar to me.

There are seven episodes in which we see not only a rather clumsy investigation, but also a treasure hunt that supposedly serves as the motive for the crime. The peculiarities of these unlikely detectives, along with the other tourists, turn the series into a comedy that falls somewhat short due to the ineffectiveness of some of its attempts at humor.

Truly, the lack of brilliance in the story left me somewhat annoyed, and the narrative drags itself to the end. However, I have been somewhat sour lately due to certain events in my life, and perhaps that interferes with any attempt at impartial judgment. Since narrative impartiality is a myth, I find myself thinking that the series is simply bad, beyond my own sourness—which is real and above what would be advisable to maintain—because of cortisol.

sábado, 4 de abril de 2026

Sobre filmes e sonhos: quer comprar uma casa?



Imagem meramente ilustrativa, não sou tão magro assim. 




 Sobre filmes e sonhos: quer comprar uma casa?

 Eu adoraria dizer que eu faço coisas louváveis, inspiradoras e que agregam ao meu arcabouço epistêmico informações enriquecedoras e elevadas. Adoraria... Contudo, estamos no início do mês de abril, e minha vida deu uma desacelerada de uma forma que fiquei indignado, estupefato, atônito e, por que não, paralisado pela falta de vigor que fui acometido.

 Eu estava bem animado num primeiro momento, porque em fim de feverereiro consegui uma vaga para Educador Social numa ONG que abriria aqui na cidade, e eu não precisaria encarar uma sala de aula da escola pública. Lembro a vocês que foi uma sala de aula com uma "gestão" não amistosa que me adoeceu, junto ao contexto de vida que passava, a ponto de estar, desde 2023, afastado desse tipo de trabalho. Contudo, as contas não esperam, e vi na tal ONG, na cidade em que estou morando atualmente, uma tábua de salvação. Contudo, muitas coisas não condiziam com o que eu lembrava ao ter trabalhado em uma outra ONG em 2012 na cidade de Campinas. Resumidamente, a vaga de Educador Social era na verdade para ser Cuidador Social, nenhum trabalho ligado à educação. E ao me posicionar, com respaldo de uma lei que orienta a situação,  fui só desligado, e sem direito nenhum.

 Enfim, como já havia mandado currículos para outros lugares, e o único que tinha chamado era uma empresa que o serviço era carregar caixas de 20 kg de uma esteira para um palete todo escangalhado. Achei estranho eles me chamarem, pois meu currículo não tinha esse perfil, estava bem claro que não era para aquele tipo de serviço. Contudo, o desespero para contratar pessoas para um emprego ruim é tamanho que eles atiram para todo lado. E como eu precisava, fui. Quem não aceitou muito bem essa labuta foi minha coluna. E minha ansiedade, que estava um tempo adormecida, acordou em uma noite qualquer algumas semanas após começar, e passando mal fui embora, e meu desespero era tão grande que não quis ir para o hospital, fui direto para casa. Realmente só percebi que era a ansiedade atacando depois que já estava calmo. Tomei os remédios que estavam comigo e, lógico, o RH, além de perceber o grande erro em me contratar, me desligou, pois não fui ao hospital. E realmente fico pensando: com o meu currículo lá, com o diploma de Letras, como alguém pode ter olhado e falado: "Hum, ele é ótimo para empilhar caixas de 20 kg de qualquer gosma que nós encaixotamos por aqui! Contratado!". E olha que fiz umas boas amizades e fazia uma coisa que me falta por aqui: conversar. 

 Nem falo que também enviei sistematicamente currículos, omitindo a faculdade ou não, para todas as possíveis vagas que pudessem aparecer, e, sistematicamente, fui esnobado. Dois lugares me chamaram para entrevista e, até hoje, as vagas estão lá disponíveis; eu e ninguém parece ser digno de tamanha honraria que são esses trabalhos. Aqui, eles anunciam as vagas de emprego ou no PAT, ou num perfil do Facebook que fizeram para isso.

 E estou eu, então, sendo sensato, parando de ser birrento e admitindo que devo voltar para a sala de aula, e enfrentar uma sala na escola pública do Estado de São Paulo. Como não sou concursado, eu tenho que esperar abrir um cadastro que é emergencial. E olha como as coisas são: praticamente desde meados de fevereiro, abriram em várias regiões do estado de São Paulo, inclusive na região onde eu trabalhava e morava antes, na própria capital inúmeros cadastros. E onde foi que não abriu esse abençoado até esta semana? Sim, na região à qual a cidade que estou morando pertence.

 Com o ímpeto que eu tive em achar que ia trabalhar de Educador Social na ONG, eu também me animei a impulsionar minha carreira — piada — como produtor de conteúdo digital. E o negócio não está fácil: além de uma enorme vergonha em fazer vídeos, eu estou com um celular que era da minha finada mãe, estava guardado desde que ela se foi há dois anos. O celular quebra o galho. E só.

 Aí, me pego pensando justamente em minha mãe, que morou nessa cidade a vida toda e foi podada, pois era uma mulher solteira que ousou ter um filho sem pai e só decaiu dos empregos que teve até que, para cuidar de mim com o mínimo de dignidade, virou empregada doméstica. Por sorte meu avô e meu tio ajudaram muito e tínhamos casa própria. Ela ficou uns 18 anos com os mesmos patrões, cuidou mais do casal de filhos deles do que de mim, pois, sendo "quase da família", lógico, antes das leis que regularizaram um pouco a vida das empregadas domésticas, ela ficava no trabalho 10, 12 e, às vezes, até mais horas por dia lá. Sendo "quase da família" quando precisaram mandaram ela embora e fizeram sem pestanjar. Não se importanto muito com a idade que ela já tinha, ou se ela teria condições de continuar trabalhando, pois ela já estava com uns sintomas de algumas doenças que ela desenvolveu com a idade. Só mandou embora.  Essa cidade, que não vou falar o nome, pois é melhor evitar, mas é um poço de destruição de sonhos e esperanças, sempre me pareceu judiar muito da minha família. 

 E aí entra em outra reviravolta na minha vida. Minha mãe, antes de morrer, disse um nome do meu suposto pai. E só consegui ir atrás no fim do ano passado, já fiz as coletas para o exame de DNA, então estou esperando para ver se o homem indicado é ou não meu genitor. E olha que ironia: ele tem um sobrenome de um parente importante batizando uma rua do centro da cidade. E eu, com minha ansiedade, estamos aqui esperando o resultado, que virá só em maio. E ainda corre o risco desse indivíduo não ser meu genitor. Eu estou quase torcendo para não ser mesmo.

 Junto a isso, tenho uma casa com um terreno para vender, sendo que 1/3 é do meu tio, que é difícil de lidar, para não dizer muito mais. Também é melhor não cutucar esse vespeiro. E, vendendo essa casa, eu poderia ir embora daqui mais tranquilo. Senão, o plano B é trabalhar, guardar um dinheiro e só depois ir. Percebe como, como disse, ainda não consegui trabalhar estavelmente em lugar nenhum? Então, tudo está se arrastando.

 E nem falo do tanto de outras coisas que estão me atormentando: minha filhota com uma alergia que não cura, um monte de gatos para cuidar. Preciso até ver se consigo uma instituição para deixá-los, pois aqui não tem nada do tipo. Eu realmente não tenho como cuidar deles. Se eu gostasse daqui e não quisesse desesperadamente voltar a morar em São Paulo, eu juro que ficava com todos eles nesta casa mesmo. O que não consigo, é impossível ficar num lugar que, aos meus olhos, maltratou tanto minha mãe e a mim. E minha mãe vivia uma espécie de síndrome de Estocolmo; quando propus vir morar comigo em São Paulo, ela surtou. Não queria ir de jeito nenhum. Eu respeitei e não insisti mais. 

 E, por menos que o tipo de governo municipal estimule a cultura, temos um cinema aqui. Parece algo meio comum, mas aqui é praticamente a única luz de arte que se avista ao fim de um longo e escuro túnel. Comercial hollywoodiano, mas arte. No geral, temos muitas quermesses descaracterizadas de igrejas, uma festa de peão, shows só de bandas desconhecidas. O Carnaval de rua foi tão suprimido e inibido por tanto tempo que estão tentando reanimar, com muito custo. Anos de descaso com a cultura deram a alma dessa cidade uma aridez pobre. Mas a arquitetura "greco-goiana" está em alta aqui.

 E, por mais uma das ironias da vida, foi aqui que eu reacendi meu gosto pelo cinema. Desde a pandemia, eu estava bem desanimado e, mesmo em streaming, assistia pouca coisa, seja filmes ou séries. Foi assistindo Deadpool & Wolverine que eu lembrei o quanto gostava de cinema e, consequentemente, de filmes e séries. E foi com esse filme que eu comecei a retomar aos poucos as resenhas aqui no blog. E, para minha surpresa, têm aumentado as visualizações. E eu sei que o formato de blog é um tanto ultrapassado, e textos grandes acabam não tendo tanta procura, e o caminho mais proveitoso seria fazer vídeos para redes sociais. Estou tratando, na terapia, esse constrangimento que tanto me inibe ficar diante de uma câmera. 

 Outra coisa que tentei também foi retomar a leitura, e estou falhando miseravelmente. Lembra lá no começo do texto que eu gostaria de estar fazendo coisas louváveis? Então, fico horas nos "arrastas para cima" infinitos de vídeos curtos e maniacamente comentando tudo que acho pertinente comentar, dando migalhas ao meu ego, que fica encantado de ter comentários com quase 9 mil curtidas, até este momento, em um vídeo aleatório de alguém que nem conheço. E fico lá, tentando outro e outro para coletar um coração virtual que não faz real diferença, sendo que eu poderia estar produzindo o que tanto almejo: um livro, ou estudando o que quero, ou mesmo criando meus conteúdos.

 Ah, e, no meio disso tudo, estou devaneando que vou conseguir estudar para concurso para não mais trabalhar como professor e trabalhar em alguma função subalterna que ganha um pouco mais, contudo, num trabalho burocráticom,  que vai me matar por dentro de forma bem lenta e sofrida. Cadê que eu aqueço minha alma, liberando o que acho que tenho dentro de mim: a arte de escrever?

 Só acho, pois, além das resenhas do blog, não tenho nada pronto, um conto, um ensaio, quiçá um haicai. E ainda digo que almejo ser escritor... E quer saber? Eu vou ser. Pelo menos esse sonho não vai morrer, não. Vou lutar com unhas e dentes para concretizá-lo, mesmo que tenha outras prioridades urgentes no momento: alguém interessado em comprar uma casa, localizada numa avenida de grande fluxo, que está virando local comercial, com  três quartos, sala, cozinha ampla, banheiro, uma área em L com uma área de serviço espaçosa e o terreno de seus 500 m² e uma jabuticabeira solitária? Ela dá frutos duas vezes ao ano ainda. 

Sim estou vendendo, pois ajudaria muito a concretizar meu sonho, não necessariamente neste momento escrever, mas de ir embora o quanto antes daqui. 



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English

The original text was written without the use of any AI tools; however, the translation was carried out by ChatGPT, as the author does not yet master English grammar. Perhaps one day.

If there is anything that may be difficult to understand or that seems unclear to the reader, this may be due to certain textual constructions, sentence structures, or even references specific to regional Brazilian Portuguese and the culture of Brazil.

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About Movies and Dreams: Want to Buy a House?


            I would love to say that I do praiseworthy, inspiring things that enrich my epistemic framework with elevated and meaningful knowledge. I would love to… However, it is the beginning of April, and my life has slowed down in such a way that I found myself indignant, astonished, stunned, and, why not, paralyzed by the lack of vigor that has overtaken me.

            At first, I was quite excited because, at the end of February, I secured a position as a Social Educator at an NGO that was about to open here in the city, and I wouldn’t have to face a public school classroom. I remind you that it was a classroom with an unfriendly “management” that made me ill, along with the life circumstances I was going through, to the point that I’ve been away from this kind of work since 2023. However, bills don’t wait, and I saw that NGO, in the city where I currently live, as a lifeline. Still, many things didn’t match what I remembered from having worked at another NGO back in 2012 in Campinas. In short, the Social Educator position was actually meant to be a Social Caregiver role, with no connection to education whatsoever. And when I took a stand, backed by a law that governs the situation, I was simply dismissed, without any rights.

            Anyway, since I had already sent résumés to other places, the only one that called me was a company where the job consisted of carrying 20 kg boxes from a conveyor belt to a completely wrecked pallet. I found it odd that they called me, since my résumé clearly didn’t fit that profile—it was obvious that I wasn’t suited for that kind of work. However, the desperation to hire people for a bad job is so great that they cast their net everywhere. And since I needed it, I went. The one who didn’t take that labor very well was my spine. And my anxiety, which had been dormant for a while, woke up one random night a few weeks after I started; feeling unwell, I left, and my desperation was so great that I didn’t want to go to the hospital—I went straight home. I only realized it was an anxiety attack after I had calmed down. I took the medication I had with me and, of course, HR, besides realizing the big mistake in hiring me, let me go because I didn’t go to the hospital. And I really wonder: with my résumé there, with a degree in Literature, how could someone have looked at it and said, “Hmm, he’s perfect for stacking 20 kg boxes of whatever goo we package here! Hired!” And yet, I made some good friends and did something I miss around here: talking.

            Not to mention that I also systematically sent out résumés, sometimes omitting my degree, sometimes not, for every possible vacancy that came up—and was systematically snubbed. Two places called me for interviews and, to this day, those positions are still open; apparently, neither I nor anyone else is worthy of the great honor that these jobs represent. Here, they advertise job openings either through the PAT or on a Facebook profile they created for that purpose.

            So here I am, trying to be sensible, stopping being stubborn and admitting that I should go back to the classroom and face a public school in the state of São Paulo. Since I’m not a tenured teacher, I have to wait for an emergency registration to open. And look how things are: practically since mid-February, registrations have opened in several regions of the state of São Paulo, including the region where I used to live and work, even in the capital itself. And where had this blessed registration not opened until this week? Yes, in the region to which the city I currently live in belongs.

            With the momentum I had from thinking I would work as a Social Educator at the NGO, I also got excited about boosting my career—what a joke—as a digital content creator. And things are not easy: besides a huge embarrassment about making videos, I’m using a phone that belonged to my late mother, which had been stored away since she passed two years ago. The phone gets the job done. That’s it.

            Then I find myself thinking about my mother, who lived in this city her whole life and was held back, as she was a single woman who dared to have a child without a father and only declined in the jobs she held until, to take care of me with minimal dignity, she became a housekeeper. Fortunately, my grandfather and uncle helped a lot, and we had our own home. She stayed with the same employers for about 18 years and took care of their children more than she did of me, because, being “almost family,” of course, before the laws that somewhat regulated domestic work, she would stay on the job for 10, 12, sometimes even more hours a day. Being “almost family,” when they needed to, they let her go without hesitation. They didn’t care much about her age or whether she would still be able to work, as she was already showing symptoms of illnesses she developed with age. They just fired her. This city—which I won’t name, better to avoid it—has always seemed like a well of destroyed dreams and hopes, and it has always felt like it treated my family harshly.

            And then comes another twist in my life. Before she died, my mother mentioned the name of my supposed father. I only managed to look into it at the end of last year; I’ve already done the DNA tests, so now I’m waiting to see whether the man indicated is my biological father or not. And here’s the irony: he has the surname of an important relative who lends his name to a street in the city center. And I, along with my anxiety, am here waiting for the result, which will only come in May. And there’s still a chance that this man isn’t my father. I’m almost rooting for that to be the case.

            Along with that, I have a house with a plot of land to sell, one-third of which belongs to my uncle, who is difficult to deal with, to put it mildly. It’s better not to stir that hornet’s nest. By selling the house, I could leave here more peacefully. Otherwise, plan B is to work, save money, and only then leave. Do you see how, as I said, I still haven’t managed to work steadily anywhere? Everything is dragging.

            And I’m not even mentioning the many other things tormenting me: my little daughter with an allergy that won’t go away, a bunch of cats to take care of. I even need to see if I can find an institution to take them in, because there’s nothing like that here. I truly have no way of taking care of them. If I liked it here and didn’t desperately want to move back to São Paulo, I swear I’d keep them all in this house. What I can’t do is stay in a place that, in my eyes, treated my mother and me so badly. And my mother lived in a kind of Stockholm syndrome; when I suggested she come live with me in São Paulo, she had a breakdown. She didn’t want to go at all. I respected that and didn’t insist.

            And, even though the local government does little to encourage culture, we do have a movie theater here. It may sound ordinary, but here it is practically the only light of art visible at the end of a long, dark tunnel. Commercial Hollywood productions, but still art. In general, we have many distorted church fairs, a rodeo festival, and shows only by unknown bands. Street Carnival was suppressed and discouraged for so long that they are now trying, with great effort, to revive it. Years of neglect toward culture have given this city’s soul a kind of barren dryness. But the “Greco-Goiás” architecture is thriving here.

            And, by yet another irony of life, it was here that I rekindled my love for cinema. Since the pandemic, I had been quite unmotivated and, even through streaming, watched very little—whether films or series. It was while watching Deadpool & Wolverine that I remembered how much I loved cinema and, consequently, films and series. It was with this movie that I slowly started returning to writing reviews on the blog. And, to my surprise, the views have been increasing. I know the blog format is somewhat outdated, and long texts don’t attract as much attention, and that the more profitable path would be to make videos for social media. I’m working on this embarrassment that inhibits me so much from being in front of a camera in therapy.

            Another thing I tried was getting back into reading—and I’m failing miserably. Remember at the beginning of the text when I said I’d like to be doing praiseworthy things? Well, I spend hours on endless “scrolling up” through short videos, maniacally commenting on everything I find worth commenting on, feeding crumbs to my ego, which is delighted to have comments with nearly 9,000 likes, as of now, on a random video by someone I don’t even know. And I stay there, trying again and again to collect a virtual heart that makes no real difference, when I could be producing what I so desire: a book, or studying what I want, or even creating my own content.

            Oh, and in the middle of all this, I keep fantasizing that I’ll manage to study for a civil service exam so I no longer have to work as a teacher and can take on some subordinate role that pays a bit more—yet in a bureaucratic job that f