Gente, eu não tenho assistido nada nesses dias. Como eu descobri o Substack eu tenho dado uma atenção a ele. Caso queiram dar uma olhada o meu é este https://substack.com/@vigamo. E até este momento ele tem contemplado meus desejos de escrever várias coisas diferenciadas em uma plataforma não muito defasada. Também tenho feito um curso online de escrita de roteiro e, pasmem, estou lendo compulsivamente. Algo que estava emperrado desde que voltei a morar no interior de São Paulo. Só para ter uma noção, estou planejando ler Torto Arado desde ano passado e só agora consegui. E em janeiro iniciei ler A Cabeça do Santo. Finalizei semana passada. e o livro tem menos de 180 páginas. Mas minha saúde mental não estava das melhores. Não que esteja totalmente recuperado. mas melhorei.
E outra coisa que ando bem desgostoso aqui é que não consigo monetizar o conteúdo. Li todas as regras e eu não entendo por qual motivo não libera a monetização. São 14 anos aqui, por mais que tenha os hiatos de tempo sem postar, não são dois meses. E o Substack dá para monetizar, ou melhor, ter assinaturas e ajudas ao escritor. Algo que já tentei aqui de outra forma, e não houve adesão. Nem retorno nenhum de alguma crítitica ou comentário que ajudaria num retorno e melhora pessoal eu consigo. Virou apenas a um lugar que as pessoas acessam, comentam e, se interessarem, ajudam o escritor de alguma forma. Pelo menos há a possibilidade.
Estou pensando ainda o que fazer. Possivelmente deixarei de base para continuar postanto os meus conteúdos de filmes e talvez coloque alguma coisa ou outra neste blog. Meu maior interesse era ter um meio de me manter escrevendo e treinar a escrita e esse blog ajudou muito. E convenhamos, tenho mais de 500 postagens aqui, se considerar os que eu desvinculei da época que escrevia sobre minha vida pessoal num contexto específico. De filmes e séries são mais de 350. E como quero ganhar para escrever e viver de escrtia, um sonho meio difícil de concretizar aqui, e no Brasil, eu pretendo realmente focar nesses recursos. Eu também estou postando sobre filmes no https://letterboxd.com/vigamo500/, contudo percebi que lá é um tanto obscuro. Então possivelmente vou postar concomitantemente nos dois lugares os mesmo textos sobre os filmes. Série lá não contempla.
E também culpo a safra atual de produções. Supergirl, Obsessão e Minions e os Monstros estão na fila, contudo, realmente não consegui me convencer a assistí-los. Série piorou. Acho que isso me empurrou, óh que vida cruel, para a leitura. E vou admitir um novo vício aqui, estou adorando assistir react de gringos assistindo coisas brasileiras, de shows, clips de músicas a filmes. Nossa me deu um vigor novo. É interessantíssimo perceber o quanto nossa cultura é admirada fora do Brasil. Algumas vezes assisto algo nosso com a tendência de não dar o valor real, se é nosso desvalorizamos pelo viés do complexo do vira-latas. Querendo ou não ainda nos influencia essa forma de menosprezo de nossa cultura. E como é nossa cultura nem sempre enxergamos algo como que chame tanta atenção, pois é como se fosse tão comum que não causa emoção. Só um exemplo foi assistir reacts sobre músicas da Marília Mendonça. Não acho que o sertanejo atual tome os melhores caminhos artísticos possíveis, sendo que dinheiro e patrocínio eles possuem para fazê-lo, e não fazem por comodismo. É um gênero que ficou raso e comercial de uma forma escancarada. Contudo, não tem como esquecer que os profissionais lá são bons, tirando um ou outro, mas no geral são vozes muito boas, e nem toda música é tão ruim assim, não tem muita diversidade. Então amortecido emocionalmente eu assistia uma coisa ou outra sem nenhuma comoção e ver um gringo de boca aberta com nossa saudosa cantora de sertenejo, a Marília, é muito interessante. É como se eu reconhecesse a emoção que eu deveria ter pelos olhos do outro. E, as vezes é isso, estamos amortecidos e precisamos ver outra pessoa para entender o que deveríamos sentir. E com isso assisti reacts de gringos assistinto Central do Brasil, Lisbela e o Prisioneiro, Auto da Compadecida, Tropa de Elite, Ainda Estou Aqui e outros. E foi muito interessante perceber a emoção do pessoal assistindo. Uma emoção que nem sempre eu tive, sendo eu brasileiro. Ainda não supereei esse novo interesse. Logo, como outros, ele vai parar, mas no momento essa prática tira o tempo de assistir outras coisas. Também estou assistindo Beta Boechat e seu programa no meio do dia. Nem só de filme vive um ser humano.
E também não estou trabalhando e isso me deixa um pouco angustiado, pois os boletos chegam. Também estou morando no interior e eu odeio aqui. Só não mudei daqui pois estou esperando vender a casa que estou morando para poder comprar o meu "quitineti" dos sonhos em São Paulo, ou outro lugar que decidir morar. Tenho estudado para concursos, bom, essa parte eu admito que tenho me enganado bastante, mas a bendita matemática que não entra nessa cachola de uma pessoa das Linguagens me deixa patinando nos estudos.
Bom, é isso. Aqui abaixo vou colocar o primeiro texto ficcional que estou postando no Substack, já estou no quanto texto, são curtos e tentam contar uma hitórinha simples. É um experimento para me testar e sentir o que os leitores acham. E é justo postar algo de lá aqui, pois vários textos daqui foram para lá.
Segue o texto.
Projeto: A Cidade Amaldiçoada - I - O Começo (1)
Eu não lembro de minha infância, quer dizer, tenho reminiscências vagas. Se isso fosse uma sessão psicanalítica saberia dizer pouco a respeito. Tenho clarões de momentos, um aniversário, uma roupa que eu gostava muito de usar, um passeio para ir tomar sorvete, dias sentado em carteiras duras de sala de aula. Lembro muito dos conteúdos das aulas, principalmente das matérias que eu gostava dos professores. Da minha casa lembro de tudo que tinha nela, lembro dos cheiros, texturas e cores de objetos, livros, plantas. Lembro das comidas, isso eu amava. Passava um tempo brincando com a comida. Fazia uma boa argamassa com o feijão, arroz, o molho da carne cozida com as batatas que eram esmagadas para fazer parte de forma uniforme. Essa massa de comida era moldada no formato mais redondo possível e alto que eu pudesse fazer. A carne era mantida de lado como uma preciosa prenda final. Somente depois de satisfeito com a execução dessa obra que eu me permitia comer. Em casa não se comia na mesa, se comia com o prato na mão sentado no sofá assistindo televisão. Eu pegava uma mesa de centro que ficava de castigo num canto da sala e era usada só por mim para o que quer que eu precisasse. E as relações em casa eram calmas. Dificilmente acontecia uma briga, então aproveitava minha paz e assistia televisão ou brincava. Eu realmente entrava em um mundo só meu nesses momentos. Da TV evoluí para filmes e séries que ainda estão bem presentes em minha vida me levando por uma janela para lugares variados. Da brincadeira eu só tenho a sensação de missão cumprida. Eu gastei meus brinquedos. Eu tenho os poucos remanescentes ainda comigo e existe sim um desgaste do tempo que passou guardado, mas o encardume é de uso intensivo.
Começo a ter mais lembranças relevantes da minha adolescência. Foi quando meus avós morreram. Eu senti falta deles, mas entendi. Eles foram com poucos dias de diferença e continuaram presentes nos meus sonhos por anos. Não fui um garoto rebelde, mas fui bem mal humorado em casa, na rua com os amigos era até engraçadinho demais. Tive vários amigos na escola e depois prestei serviço militar e basicamente conhecia todo mundo da minha cidade que era relevante. Admito que até uns bem irrelevantes de outras idades também. Tirando os dramas adolescentes, tudo normal. Até senti em algum momento que pudesse ser algum tipo de escolhido ou um ser iluminado. A realidade mostrou veementemente que não. Eu tive curiosidade por algumas coisas que hoje entendo como esotéricas. Não foi nada religioso em si ou sobrenatural. O único lugar que via algo sobrenatural era nos filmes. Na época a internet não era opção para pesquisas, não tinha o uso difundido ainda. Então tudo era muito limitado. Ou se tinha material próprio em casa, ou ia-se na biblioteca, se houvesse algo lá, ou então se dependia de bancas de jornais e revistas. Eu mesmo nunca tive coragem de comprar alguns livros que apareceram aleatoriamente por lá. Eu acabava pegando coisas mais leves, segundo meu julgamento. Então li muito sobre signos. Achava seguro o suficiente para não causar medo. E eu não entendia direito o que era o medo então o evitava. Até que, anos depois, eu li um livro que falava melhor sobre como os sentimentos humanos tinham origem na necessidade de sobrevivência e como precisaríamos controlar essas emoções a nosso favor. Ajudou muito, pois joguei tudo na conta dessa ideia. Me apeguei o quanto pude a ela.
Minha família não tinha tantas condições e mesmo assim eu dei um jeito de sair daquela cidade. Consegui uma bolsa de estudos paga com minha saúde mental. Não estava preparado para a pressão que foi. Fiquei 12 anos enrolado com essa tentativa que claramente não deu certo. Parecia que vivia internado num sanatório. Só parecia, a verdade era até pior, eu estava vivendo a vida real de bolsista que tinha que dar conta do que estava estudando. E eu não gostava do que tinham me dado para estudar. Aquela situação parecia tentáculos lovecraftianos me puxando e segurando e direcionando para uma boca tentando me devorar e eu relutando até que, quando finalmente cedi, eu fui cuspido para fora. Quando decidi seguir aquele caminho foi encerrada minha bolsa sem nenhuma justificativa válida, eu só não tinha mais o perfil que eles procuravam. Foi o que disseram fechando as portas e guardando os apêndices grotescos que me seguravam. Eu desmoronei, mas não voltei para a cidade da minha família. Eles me apoiaram no que puderam, puderam pouco. E eu fui tentar viver o que queria viver à força. Como se eu laçasse um boi bravo sem saber como. Com custo, esforço, quebrando a cara aqui e ali eu fui me estabelecendo e me ajeitando. Arrumei uma dúzia de empregos bostas, para um dia conseguir um emprego bom, para logo perder esse emprego e tentar outras coisas. Consegui um financiamento do governo e fui estudar o que tanto queria, bom não queria tanto, mas dentre as possibilidades é o que apareceu: História. Achei que estudar a história do mundo poderia preencher as lacunas que julgava ter sobre a minha própria história. Acordava às cinco horas da manhã para estar no trabalho às sete horas e de saída às 17 horas. A faculdade era às 19 horas e nesse meio tempo eu aproveitei fazer musculação, tomava banho na academia e ia para a aula sempre atrasado. E foram quatro anos com cinco dias por semana nessa toada. Sábado desmaiava até o almoço e aproveitava com o que conseguia o restante do fim de semana. Quando me formei as coisas ficaram um pouco mais confortáveis. Comecei a dar aulas em escolas mais próximas a minha casa e o salário deu uma melhorada, bastava para aquele momento. Alguns anos me ajeitando aqui e ali.
Minha vida amorosa era tenebrosa. Quase não me apegava a ninguém tempo suficiente e quando apegava eu era obrigado a desapegar compulsoriamente. Sofria pois ninguém me queria, perceba o drama de novo, mas sofria pois eu não queria ninguém também. Namorei uma, duas vezes... Na sexta vez até pensei em morar junto, mas não deu certo. Eram tantas incompatibilidades reais e inventadas que não tinha pressa, estava novo. Era só uma falsa sensação de que eu teria todo o tempo do mundo por ser jovem, mesmo quando me dei conta do meu aniversário de 40 anos. Só que essa jovialidade era contestada o tempo todo por minha coluna e joelhos desde os 26, mas na minha cabeça eu era o moçoilo pimpão. Iludido.
A vida de professor de História de ensino público não foi tão fácil. E alguns sinais começaram a aparecer. Na verdade, escarafunchando minhas lembranças, o que não é tão simples para mim, imagino que já havia sinais bem antes do trabalho e eu nunca percebi. E veio o que ninguém esperava: 2020.
E eu colapsei.
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