quinta-feira, 30 de março de 2017

Março - Mês Temático - Filmes de Locadora: Esqueceram de Mim

Esqueceram de Mim






        Terceiro mês de minha empreitada de escrever sobre filmes que assisti de acordo com um tema determinado. Esse “Filmes de locadora” ficou bem desfalcado pois eu assisti muito mais filmes que isso. Só selecionei uns em um recorte de tempo. Alguns marcaram de alguma forma, outros fazem parte de mim da maneira mais estranha possível.  
    “Esqueceram de mim” é um que me fez recordar especialmente momentos com minha família. Geralmente, antes de eu começar a trabalhar, quem pagava pelos filmes era meu tio e algumas vezes minha mãe. E assistíamos juntos, geralmente um sábado, outro domingo. E lembro desse que não dando nada por ele, proporcionou uma percepção de momentos de comunhão familiar. Engraçado que somente senti isso em relação a uns programas infantis que passavam nas tardes de sábado que assistíamos nos invernos, uma série sobre contos de fadas e o extinto “X-Tudo”, ambos na TV Cultura.  
    Esse filme é bobinho, com o então astro-mirim Macalulay Culkin que, esquecido em casa, tem que lidar com dois ladrões residenciais. E mais que depressa ele usa de suas memórias sobre desenhos e filmes para colocar os bandidos nos seus devidos lugares.
      Culkin era uma criança muito bonita e fofa, e para meu espanto, só dois anos mais novo que eu. Hoje um adulto, um tanto quanto esquisito, que faz relativo sucesso em mídias alternativas. Mas ainda me surpreendo saber que mesmo adulto ele continua mais novo que eu e com uma pele melhor que a minha. E olhe que eu não bebo, nem fumo.
    Invejinhas prá lá, mês que vem já está preparada em minha cabeça ensandecida e na minha vida sem tempo. Vou escrever o mais rápido possível por aqui mesmo que tenha que varar a madrugada... Não, varar a madrugada só se for na balada ou em uma festa. 




Direção: Chris Columbus
Música composta por: John Williams
Canção original: Somewhere in My Memory
Roteiro: John Hughes

Elenco: Macaulay Culkin, Daniel Stern, Joe Pesci, Catherine O’Hara, John Heard.

terça-feira, 28 de março de 2017

Março - Mês Temático - Filmes de Locadora: Ghost: Do Outro Lado da Vida

Ghost: Do Outro Lado da Vida









       

        Se eu falei de “Dirty Dance”, “Uma Linda Mulher” e “Instinto Selvagem” eu não poderia deixar passar outro grande clássico, que aluguei na locadora, “Ghost: Do Outro Lado da Vida”. Novamente temos Patrick Swayze, menos rebolativo e com mais roupas, bom, até certo ponto, como Sam. É apaixonado pela Molly, interpretada pela queridinha da época Demi Moore, antes dela apelar demais em alguns papéis. A química do casal é complementada pela esfuziante e ótima Whoopi Goldberg que faz um de seus papéis icônicos, Oda Mae Brown, uma trambiqueira que finge ter poderes mediúnicos e descobre da pior forma, mantendo o contato com um fantasma, que ela possui realmente o dom de falar com os desencarnados.
    O morto é o Sam que por causa de uns paranauês acaba assassinado e morre nos braços de Molly. Ao invés de seguir seu caminho para a luz ele resolve ficar e ajudar sua amada a resolver um mistério que a colocava em risco. Lógico que Molly sendo americana de filme ela não acredita em espíritos. Se ela fosse brasileira com certeza aceitaria de boa as mensagens de Sam via Oda Mae. E ainda iria num centro kardecista, ou na umbanda, ou no candomblé, ou num pastor. Ou pensando bem, como boa brasileira, iria em todos. Não resolvendo, aí procuraria um padre. Enfim.
       O filme tem seu encanto, cairia num dramalhão/suspense quase insuportável não fosse Whoopi. A única que realmente tinha talento e foi agraciada com um Oscar de Atriz Coadjuvante merecido. Pena que também foi subaproveitada em produções bem fuleiras, com algumas exceções, nos anos seguintes.
    E vamos falar, que cena mais absurda é aquela do vaso de argila não? É tipo “Olha, a gente se ama muito e a gente consegue sensualizar com qualquer coisa, mesmo com um punhado de barro gosmento e nem sentimos o desconforto desse barro entrando em lugares que não deveriam...”









Data de lançamento: 27 de setembro de 2014 (Brasil)
Direção: Jerry Zucker;
Canção original: Unchained Melody;
Música composta por: Maurice Jarre, Alex North;
Prêmios: Oscar de Melhor Atriz Coadjuvante e Melhor Roteiro Original.

Elenco: Demi Moore, Patrick Swayze, Whoopi Goldberg, Tony Goldwyn, Rick Aviles,

quinta-feira, 23 de março de 2017

Março - Mês Temático - Filmes de Locadora: Dirty Dancing – Ritmo Quente: "Lindo!"

Dirty Dancing – Ritmo Quente: "Lindo!"







       

            Entre os primeiros filmes que minha mãe solicitou que eu buscasse na locadora “Dirty Dance – Ritmo Quente” foi um dos primeiros. Tinha a promessa de ser “lindo”. Só não falaram que era mais para o gosto de minha mãe que para o meu. Não sei se estava do avesso aquele dia, mas assisti um pouco aborrecido. E pensava sempre “Essa menina é tão feia... Essa menina é tão feia...” e essa menina era a Jennifer Grey, que realmente não era bonita para o padrão da época.
Obrigada pelos pais a ir a um resort passar as férias a personagem de Grey, Frances, se sente entediada com os outros hóspedes exóticos que estão por lá. Até que descobre que o instrutor de dança é um “boy magia” (muito lindo, de tirar o fôlego). E, com os elásticos da calcinha arrebentando, lá vai ela tentar dançar e conquistar o instrutor que é interpretado por Patrick Swayze, que deus o tenha.
  E, para tal, ambos acabam participando de um campeonato de dança e se apaixonam. Com a desenvoltura da moçoila, nem que ela ficasse 8 meses no resort daria conta de dançar bem. Como tudo se trata de um belo conto de fadas e lógico que ela conquista o troféu e de lambuja o amor verdadeiro do personagem de Swayze.
        Canastrice em bicas, porém um filme que mexeu muito com as mulheres. Minha mãe, a vizinha, minhas amigas, todas as mulheres, que eu sabia que tinham assistido, adoraram. E na locadora, praticamente todo final de semana alguém “pegava” o filme. Era de se admirar.



Data de lançamento: 25 de setembro de 1987 (Brasil)
Direção: Emile Ardolino
Música composta por: John Morris
Canção original: (I've Had) The Time of My Life
Figurino: Hilary Rosenfeld

Elenco: Patrick Swayze, Jennifer Grey, Jerry Orbach, Cynthia Rhodes, Kelly Bishop.

quarta-feira, 22 de março de 2017

Séries - Punhos de Aço

Punhos de Aço




        A Marvel Comics anda acertando muito nos filmes. Porém, nas séries nem sempre. Com a estreia de “Punhos de Ferro” na última sexta-feira vemos um exemplo de um produto não muito bem-acabado. Por certo que vários personagens do universo Marvel compartilham de histórias parecidas. E algumas dessas histórias deram certo em no formato de HQ em anos longínquos. Porém, quando se decide fazer uma série para passar na televisão, ou num serviço de streaming, a coisa muda. Alguns furos não são aceitáveis. Eles transforam uma boa premissa em algo caricato e propenso a envelhecer prematuramente.


       
“Punhos de Ferro” tem muito disso, pelo menos nos quatro primeiros episódios que assisti. Não sei se foi correria ou apenas descuido, há cenas sofríveis. Como já no início onde Danny Rand surge do nada, com roupas mais que gastas, em frente de um prédio e anuncia com a ingenuidade mal trabalhada que “Este é meu prédio!”. E ainda  tenta simplesmente conversar com o presidente da empresa sediada lá como se fosse fácil e normal alguém desse tipo atender um qualquer. E os disparates se acumulam. Se entra com facilidade num prédio cheio de tecnologia, se torna amigo de um mendigo que possui um I-Phone com plano de internet funcionando... enfim é algo um pouco além do que uma pessoa atenta pode aturar.
A série pretende fechar o ciclo de heróis para formar um grupo, chamado de “The Defenders” que terá uma série própria. Não assisti “Luke Cage” nem “Demolidor” e “Jessica Jones” só dei conta de um único e solitário episódio, mas o que assisti de “Punhos de Ferro” fez me arrepender de perder meu tempo com esse tipo de história. Alguns amigos do Facebook disseram para eu continuar firme e ir até o fim pois melhora. Ainda ressabiado tenho medo que realmente seja o caso, pois não tem como piorar. E nem vou comentar das atuações... Apesar de uns coadjuvantes de luxo como a Carrie-Ann Moss que vai ajudar o herói em questões burocráticas de graça. O.o

terça-feira, 21 de março de 2017

Março - Mês Temático: Filmes de Locadora - Jean-Claude Van Damme

Jean-Claude Van Damme


       

            É difícil falar dos anos de 1990 sem falar de filmes de luta. Entre tantos um ator que eu gostava muito era o Van Damme.  Ele fazia filmes muito legais para meus 13-16 anos. Mesmo que um de meus filmes preferidos de todo o sempre fosse “...E o Vento Levou” e tentasse desesperadamente achar clássicos e filmes europeus eu tinha meu lado moleque bem presente.  
O quintal de casa era grande, cheio de terra. Eu brincava, subia um pouco em árvores. Tinha carrinhos e bonecos de super-heróis que brincava com alguns poucos amigos que frequentava minha casa.
Lembro que no ensino fundamental o desejo de todos os meus amigos, e o meu, era começar a fazer algum treino de alguma arte marcial. Para mim a ideia era mais interessante que a realidade. Então me contentava com filmes. Apesar de ter feito judô por um bom tempo.
        Os filmes do Van Damme eram fáceis, para não dizer com o mesmo roteiro, mudando apenas a locação, os atores secundários e os nomes dos personagens do astro. E como era legal vê-lo surrando eu adversário, depois de apanhar muito,  e ganhar a luta por pouco. Seu espacate era famoso. Todo filme ele o fazia, quase sempre de cueca. Nunca entendi direito por qual motivo.
        Me decepcionei ao saber que ele era mais baixo que eu. Entre “O Grande Dragão Branco”, “O Desafio do Dragão”, “Leão Branco – O Lutador Sem Lei”, “Garantia de Morte”, “Duplo Impacto”, “O Alvo”, “Soldado Universal”, “Vencer ou Morrer”, “Street Fighter – A Batalha Final”, “Morte Súbta” e tantos outros ele foi perdendo a graça.
        Ele mal falava, ou seja, interpretava. E todos os filmes tinham a mesma base. Um homem bom que por algum motivo na vida aprendeu uma arte marcial mortal e acaba usando para vingar, justiçar ou resgatar alguém, um irmão, irmã, tia, vó, cunhada, amante/namorada, o Toninho do Buteco... E sempre, sempre mesmo, uma luta sangrenta, não antes dele mostrar a bunda numa cueca enorme para nossos padrões abrindo as benditas das pernas no espacate.
        Definitivamente abandonei seus filmes em 1997-1998. Não tive paciência mais. “O Legionário” foi a gota d’água. Nunca mais assisti filmes de luta desse ator. Nem mesmo o recente “Os Mercenários” que juntava um monte de brutamontes das antigas com novos, e que foi gravado aqui no Brasil, precisamente em Mangaratiba-RJ. Bem na época que estava por perto morando em Nova Iguaçu... Quase perto... 
        Como ele marcou muito uma fase bem moleque de minha existência lógico que não podia deixar de citá-lo. Tanto que na minha listagem original dos filmes para esse mês ele não constava. Não tinha como deixa-lo de lado pois se até “Sens8” faz uma homenagem simpática ao grande ator de filmes de lutas dos anos de 1980-1990 quem sou eu para esquecê-lo?




segunda-feira, 20 de março de 2017

Manchester à Beira Mar: Trauma

Manchester à Beira Mar: Trauma 




      

          Patrick é um adolescente comum que é criado pelo pai numa pequena cidade litorânea. Seu tio Lee Chandler mora há alguns quilômetros dali e vive modestamente como “faz-tudo” de um condomínio. Porém o pai de Patrick, Joe Chandler, morre de uma doença que deixa seu coração fraco. Quando diagnosticado, anos antes, teve tempo de ajeitar as coisas para o filho e ainda deixou o irmão como seu tutor legal.
        Porém, quando Lee se vê obrigado a voltar para a cidade onde morou e só saiu devido a um grande trauma que o marcou profundamente as coisas se complicam. Enquanto cuida do funeral do irmão e resolve as pendências legais, Lee se depara com a dificuldade de se criar um adolescente, mas o pior é lidar com esses traumas que o modificaram tanto. Não é fácil para ele. E sem entregar mais do filme, já aviso que nem sempre é possível superar um trauma.
        Com uma penca de indicações ao Oscar, é eu sei que estou um pouco atrasado, acabou abocanhando alguns. No Oscar foi a vez de Casey Affleck tirar o prêmio de atores melhores, como Denzel Washington e Viggo Mortensen. Não que Affleck tenha sido ruim, mas não foi o melhor, só isso. O filme é bem competente, Kenneth Lonergan, que também foi indicado, consegue dirigir os atores tirando interpretações bem pontuais e acertadas.
Mais uma vez Michelle Willians é agraciada com uma indicação de coadjuvante e o “novato” Lucas Hedges recebe sua primeira.
        É um filme bom e considero na categoria de simpático, gostei muito mais da história de “Manchester” do que de “Moonlight”. Opinião exclusiva minha. Mas não vejo grandiosidade nesta obra, apenas competência. Se bem que muitos nem isso têm...

quinta-feira, 16 de março de 2017

Março - Mês Temático - Filmes de Locadora: Instinto Selvagem

Instinto Selvagem






       
Quando a grande motivação de um filme é uma atriz bonita que cruza as pernas sem calcinha julgamos saber o que esperar. E eu me surpreendi um pouco com esse filme. Ia muito além da cruzada famosa de pernas. O filme tem a direção de Paul Verhoeven que consegue dar camadas mais profundas aos seus filmes. E até tira uma boa interpretação de Sharon Stone. E algumas vezes ele faz aparentes fiascos que se tornam cults com o passar de alguns anos. Só para ter noção além de “Instinto Selvagem” ele fez “Showgirls”, a primeira versão de “Robocop” e o mais recente “Ele” com a fabulosa Isabele Rupert.
    A história de “Instinto Selvagem” é um suspense onde uma escritora é acusada de matar seu amante com golpes de quebra gelo. O crime é totalmente baseado em um de seus livros. E o detetive interpretado por Michael Douglas, vai tentar solucionar o crime e, lógico, vai ser seduzido por Sheron Stone. O jogo de “será que ela é assassina” é bem interessante. Só no finalzinho mesmo que temos um vislumbre de uma possível solução para a charada. O filme é bem interessante, e não só pela sensualidade. O roteiro é competente e a direção dá o tom necessário. Os atores principais conseguem um bom entrosamento, mesmo eu achando o Douglas velho para Stone na época e principalmente nem tão bonito assim.
  E ainda assim a cena das pernas se cruzando é o que mais ficou no imaginário popular. E como teve gente pausando exaustivamente o seu aparelho de vídeo cassete para tentar ver algo. 








quarta-feira, 15 de março de 2017

Séries- Feud: Bette e Joan

Feud: Bette e Joan



        Sabe quando você assiste algo e ao final só consegue soltar um “CAR****” ou um “POTALQUILPARILL”? Então esse é o caso. Pelo menos do primeiro episódio. Já estou para ver o segundo e ainda me sinto embasbacado, pasmo, passado, atordoado...
      


     A trama acompanha as picuinhas, brigas e desentendimentos entre dois monstros do cinema no set de filmagem de “O que terá acontecido a Baby Jane”, Bette Davis e Joan Crawford. Sem se darem conta ambas são ardilosamente manipuladas pelo então presidente da Warner, Jack (Stanley Tucci) e pelo próprio diretor do filme Robert Aldrich (Alfred Molina). As duas pegam fogo e nos ensoberbecem com as deliciosas histórias que ficaram para ser contadas.

     Iniciando-se com o depoimento de Olivia de Havilland (Catherine Zeta-Jones) e Joan Blondell (Kathy Bates) para um documentário. O teor confidencial não esconde todo o tom delicioso de fofoca. E isso garante farpas para todos os lados. Não só entre as duas personagens, mas ao diretor do filme, aos homens que comandavam a indústria cinematográfica e também às mulheres que viviam neste contexto. Dá impressão que todas essas informações foram retiradas de uma grande enciclopédia de boatos controversos e verdades comprováveis e colocadas ali de uma forma interessante, que causa um efeito cômico, mesmo que afetado, e nos deixa extasiados.

As falas de Bette e Joan são dignas de divas, que eram, e ainda são. Bette sempre mais desbocada e audaciosa, escondendo sua fragilidade e seus problemas pessoais, contrasta com a falsidade polida e não menos problemática de Joan.

       
E para interpretar com o peso necessário as duas divas do passado escolheram duas divas do presente. Por mais que esteja longe das telas do cinema Jessica Lange provou ser insuperável. Conseguiu ser várias mulheres pérfidas e más nas diferentes temporadas de “American Horror History” que participou. Ela é uma mulher que se reinventou na televisão. Considerada velha para papéis no cinema viu nas séries a oportunidade de brilhar e atuar fazendo seu melhor. Susan Sarandon é a outra diva escolhida. Mesmo que tenha demorado a se render aos encantos dos papéis televisivos ela o faz com magistral desenvoltura e com um papel antológico. Não que não tenha feito nada na televisão, mas não pareceu ser seu foco até agora. E com ela e Lange ganhamos desempenhos assustadores em “Feud: Bette e Joan”. É uma fala mais deliciosa que a outra.

       
Criada e dirigida por Ryan Murphy tem roteiro milimetricamente feito para entreter. A força do primeiro episódio está em apresentar as atrizes que já estava na casa dos 50 anos e sofriam para conseguir papéis mais dignos nas produções da época. Com dificuldades financeiras Joan Crawford resolve procurar uma história em que pudesse atuar e levantar sua carreira sem cair no estereótipo de papeis para mulheres maduras. O livro em que foi baseado “O que terá acontecido a Baby Jane?” cai em suas mãos e ela vê o potencial da obra para a tela. Não contente em estrelar um filme que seria ótimo, em sua previsão, ela escolhe uma “coadjuvante” de luxo para poder lhe auxiliar a brilhar ainda mais: Bette Davis.

É um risco pois o melhor papel é dado a Davis e Joan, só querendo angariar simpatia num papel mais ameno fica com a personagem que julga melhor, Blanche, irmã paralítica de Jane, esta última dá mais recursos para se talhar a personagem pois mostra uma louca amargura pelos erros do passado. As cenas onde se reproduzem  clássicos do cinema são aterradoras de similares aos originais. O foco não é o filme, mas o que acontece nos bastidores. Bette percebe o potencial do roteiro e decide se entregar soberbamente ao personagem. As cenas em que escolhe as paramentas, figurinos, para compor sua personagem são venenosamente hilárias. Tudo é venenoso no filme. Tudo. Como disse acima as farpas são jogadas para todos os lados, são tantas que não sairá apenas essa resenha, terei outras sobre a série.

       
Lembro que começou agora há pouco, estamos apenas no segundo episódio então poderá demorar um pouco o próximo texto. O intuito não é escrever um comentário por episódio... Apesar de achar que renderia...


        Veremos... veremos...  

terça-feira, 14 de março de 2017

Março - Mês Temático: Filmes de Locadora - Uma Linda Mulher

Uma Linda Mulher




        Um conto de fadas moderno. Onde uma prostituta, que foi obrigada a se prostituir, óbvio, pega um homem rico, que por acaso vai atrás de uma prostituta, óbvio, e ele sendo rico e lindo fica com ela, que é mais linda do que qualquer pessoa em um raio de 8.000 km². Por certo que eles se apaixonam, apesar de uns revezes e vivem felizes para sempre.
  Não sei se foi perceptível um certo nível de ironia nesse relato acima. Não que eu ache que prostitutas não devam encontrar o amor e serem felizes. Merecem sim. Mas esse filme força muito a barra. Não sei se consigo expor o que penso da forma correta. Mas é um pouco o que norteia muitos roteiros de Hollywood. A mulher que sai com todo mundo que não lhe dá o devido valor e no fim acaba sendo recompensada com um homem honrado e digno. Isso está presente em vários roteiros. E o mais importante neste filme não é dito, que a mulher é ainda vista como objeto puramente sexual e se ela vai, ou é “obrigada” a ir para a dura vida da prostituição é porque tem um, ou vários, homens que exploram esse fato de forma direta ou indireta.
E há uma glamourização desse tipo de vida. Como se fosse fácil e bom ganhar dinheiro transando com homens velhos, sebosos, nojentos que se satisfazem em 2 minutos sem se preocuparem com o que a mulher sente. É um assunto espinhoso a prostituição que “Uma Linda Mulher” sequer resvala. Lá tudo é lindo, tudo é fantasioso, tudo é perfeito.        Como obra ingênua convence no quesito que é. Um filme pipoca para diversão. E como fez sucesso esse filme. Era difícil encontrá-lo na locadora, mesmo depois de passar na televisão.
     O casal Julia Roberts e Richard Gere foi simplesmente o conceito de beleza e charme postos num único filme. Dificilmente apareceu casal mais perfeito nas telas de lá para cá. No mais, só contos de fadas.  



segunda-feira, 13 de março de 2017

Negação - O Holocausto Judeu Não Existiu...

Negação - O Holocausto Judeu Não Existiu...





Filme de julgamento, baseado em fatos reais, onde David Irving, historiador partidário de Hitler, acusa a historiadora judia americana Deborah Lipstadt de difamação por ela sustentar, em um livro que publicou, que Irving nega a existência do holocausto judaico, de forma especial no campo de concentração de Auschwitz.
Irving sustenta sua hipótese com afinco, nega que os judeus tenham sido executados em câmaras de gás. E, prevendo que o modo de julgamento britânico lhe favorecesse, entra com o processo em Londres. O filme toca em pontos nevrálgicos sobre a questão histórica. O mais chocante é justamente o de se negar o massacre que os alemães promoveram em seus campos de concentração.
Simplesmente, eu como uma pessoa quase leiga e sem pretensão de grandes exercícios intelectuais e acadêmicos a respeito dos males do nazismo, acredito que enfatizam demais o massacre judeu esquecendo-se que outras etnias também foram perseguidos pelos arianos. Sem contar minorias como homossexuais e pessoas portadoras de deficiências de forma geral. Obstante a isso, jamais, com toda minha ignorância, só com as parcas pesquisas que fiz em épocas de minha faculdade, eu negaria um fato tão sério e perturbador da história humana como o Holocausto. A história, como qualquer ciência, é passível de questionamentos, do crivo da dúvida. Porém, os fatos não podem ser deturpados, pode-se dar nova reflexão mediante a análise de evidências, conectando informações e chegando a conclusões. Por certo que essas “conclusões” são fruto de uma realidade contextualizada no tempo em que foi desenvolvida. E o que o Irving faz é distorcer alguns dados a seu favor acadêmico, utilizando-se de retórica, algumas provas contundentes da existência das câmaras de gás, do massacre em Auschwitz e da culpa dos nazistas, e em particular Hitler.
Como se percebe o tema não é simples. Trabalha com informações técnicas que na minha argumentação mais formal não alcanço. Isso transposto a um roteiro pode ser complicado. Mesmo assim, aqui, com atenção e sabendo um mínimo sobre o assunto, conseguimos alcançar a indignação de Deborah Lipstadt. E o mais soberbo é que  um roteiro desses, bem executado, dá margem para os atores brilharem. E como esse elenco brilha.
Irving é interpretado magistralmente por Timothy Spall que atinge um grau de dureza e destreza ao articular sua própria acusação em cima de Deborah. Rachel Weisz faz a acadêmica perplexa, Deborah, que não entende de início o motivo de se tornar ré em um caso sobre a negação do Holocausto judeu. E, indo ao estilo mais mineiro possível, comendo pelas beiradas, temos um Tom Wilkinson que faz o advogado de defesa de Deborah, que aparenta desleixo e até um pouco de preguiça no caso, Richard Rampton.
Seguindo os clichês básicos de filmes de tribunal essa produção já esbarra com um fato contundente, é um filme de tribunal inglês e não americano. Há nuanças, protocolos e pompas a se seguir que nos EUA não existem. E isso, aparentemente dificulta um veredito aos olhos de Deborah. O sistema americano diante do inglês é bem mais simplificado. E isso dá a graça e a revolta aos partidários da historiadora.
Os embates entre Spall e Wilkinson são formidáveis só possíveis diante de dois monstros da atuação. A turma mais nova vai lembrar de Spall na figura patética de Rabicho nos filmes de Harry Potter, e não vão entender a grandiosidade desse ator.
Andrew Scott faz um personagem também instigante, Anthony Julius, uma espécie de consultor intelectual de direito que está acima do advogado. Alguém que pensa o caso, pesquisa e designa o advogado certo para a causa certa. Ele também é conhecido por ter lidado com o caso de divórcio de Diana, a “ex” princesa. Quem não se lembra de Scott ele foi Moriarty na série inglesa “Sherlock”.
Um caso de comoção pública que afeta pontos centrais de conhecimentos históricos mais que aceitos pela maioria e que também faz um questionamento sobre a liberdade de expressão ao qual na voz da própria Debora temos a resposta: “Eu não estou atacando a liberdade de expressão. Pelo contrário, eu estive defendendo-a contra alguém que queria abusar dela. A liberdade de expressão significa que você pode dizer o que quiser. O que você não pode fazer é mentir, e depois esperar não ser responsabilizado por isso. Nem todas as opiniões são iguais e algumas coisas acontecem, exatamente como nós dizemos que acontecem. A escravidão aconteceu. A peste negra aconteceu. A terra é arredondada. As calotas de gelo estão derretendo e Elvis não está vivo.”

segunda-feira, 6 de março de 2017

Março - Mês Temático: Filmes de Locadora - A Volta dos Mortos-vivos 2

A volta dos mortos vivos 2



       Um grande trauma de minha infância. Esse filme foi determinante para eu deixar de gostar de zumbis. Não que um dia tenha realmente gostado. Tudo começa com uns tonéis de metal caindo de caminhões do exército e parando convenientemente perto de um cemitério.
Poha Exercito!!!! Tome mais cuidado com suas coisas tóxicas que fazem os mortos se levantarem.
Para dar continuidade a história, habitantes locais vão lá e abrem os toneis e... BAM!!! Gás tóxico para todos os lados. E os mortos, que repousavam alegremente em sua podridão, voltam putos da vida de seu descanso eterno e com muita fome. Lógico, que na mitologia antiga dos zumbis eles comiam cérebros. Porém acontece de uns nacos de carne ocasionalmente serem bem-vindos. Enquanto os “tóchicos” vão infectando os mortos e os tornam redivivos uma dupla de ladrões entra em ação, pouco antes do ocorrido, para roubar dentes e alianças de ouro dos defuntos. E serem o alívio cômico do filme. 
Ao mesmo tempo um garoto é “bullynado” pelos coleguinhas de bairro e pela irmã, em momentos diferentes. Os mesmos moleques que “bullynam” o garotinho são os que irão deflagrar a névoa dos barris e transformar tudo a sua volta em seres rastejantes.
E começa a ação.
       Hoje tudo isso parece muito besta e tonto. Mas quando se tem cerca de 10 anos e se mora perto de um cemitério isso toma outras proporções. Ok, não era tão perto assim, mas o suficiente para minha imaginação agir e ter pesadelos com uma infestação de zumbis. E para ajudar, depois de ver esse filme pela primeira vez, eu tive que ir para casa ao fim da tarde. Estava vendo o filme na casa do meu amigo chato que ninguém suportava. Só eu... E assim que atravesso a avenida onde morava, era outono, lá na porta do cemitério havia uma névoa. Meu coração até trocou de lado no meu peito. Chegando em casa, com o auxílio da mãe do meu colega, no portão, tenho que enfrentar um corredor muito longo e escuro. Na mesma noite sonho com zumbis, o que era óbvio, e no dia seguinte no almoço havia macarrão, molho de tomate e camarões. Minha imaginação deu forma de cérebro, sangue e larvas... O trauma foi instalado com sucesso.
       Já contei várias vezes essa história e em outras resenhas. Crescido eu reencontrei coragem no fundo do meu âmago, e fui assistir novamente esse filme. Eu ri tanto que não acreditei que me causava medo. Porém não me convidem para assistir “The Walking Dead”.



Data de lançamento: 18 de maio de 1989 (Brasil)
Direção: Ken Wiederhorn
Música composta por: J. Peter Robinson
Cenografia: Suzette Sheets

Série de filmes: Return of the Living Dead





domingo, 5 de março de 2017

Moonlight: Sob a Luz do Luar - Não Sai do Armário

Moonlight – Sob a Luz do Luar




       

        Quando o Oscar erra a repercussão é grande pois é o prêmio é muito aguardado e televisionado pelo mundo. A Rede Globo, na TV aberta, tem os direitos de exibição cabendo passar ou não de acordo com sua vontade. Esse ano não passou, pois a festa do Oscar coincidiu com o Carnaval. E como nossa cultura de “pão e circo” necessita de bundas e paetês no cardápio outro tipo de prato não foi disponibilizado.
        Ano passado tinha esnobado o Oscar. Ainda não me desceu a questão racial e, algo que é pouco divulgado, a questão da única mulher transgênero indicada até agora, através de uma música, não ser chamada para sequer interpretar sua própria música, Anohni. Alegaram que apesar de bonita a música não era “comercial” e por isso não ia ser apresentada.
    Essa grande introdução é justamente para ilustrar como tudo é muito complexo e hipócrita nos grandes meios televisivos. Esse ano, retomei o Oscar, e qual não foi minha surpresa ao ver vários indicados negros. Isso é bom por um lado, mas mostra o quanto a Academia está fora de uma representatividade real, o quanto é mero joguete da opinião pública. Faz só o que é necessário para amainar a crítica e não o que é realmente certo.
        O filme “Moonlight” é um referendo a essa hipocrisia oscarizada. Fala de negros, fala de gays. O filme não chega a sair do armário em uma causa ativista e talvez seja isso que tenha agradado aos votantes. Praticamente nada é consumado. Enquanto em um filme lésbico vemos as mulheres se pegando em cenas tórridas, de forma até gratuita em várias ocasiões, nos filmes com homens tudo é muito velado, muito escondido, insinuado. Por certo que a visibilidade vem melhorando, mas as cabeças das pessoas parecem ainda regredir. Principalmente na Terra de Pindorama.
          Em três atos distintos a história de Moonlight vai seguir o jovem Chiron: i. Little; ii. Chiron; iii. Black. Essas marcações são respectivamente a infância, adolescência e fase adulta. Na infância, cercado pela pobreza e sem referencial paterno, pois a mãe é solteira e viciada em drogas, ele vai conhecer Juan, o traficante do bairro que o adota quase como um filho. Por ironia Juan fornece a droga que a mãe do garoto usa. Mahershala Ali é o ator responsável a dar vida ao paternal traficante. E Naomie Harris a mãe distante e drogada de Chiron. Ambos, sabia e merecidamente, indicados ao prêmio de coadjuvantes, sendo que Ali ganhou.
        É incrível a mudança física de Harris, uma mulher bonita desmazelada pelo vício. Ali só aparece no primeiro ato e marca a trajetória toda da criança. Chiron é interpretado por 3 atores diferentes Alex R. Hibbert, Ashton Sanders e Trevante Rhodes que conseguem passar os sentimentos necessários de cada fase. Uma outra figura emblemática na vida de Chiron vai ser seu colega Kevin. Também interpretado nas diferentes fazes por 3 atores diferentes: Jaden Piner, Jharrel Jerome, Andre Holland. No fundo acaba sendo três histórias bem distintas da mesma pessoa. O que não é ruim. Porém, a história não vai para fora do armário. Pelo contrário. O fim um tanto aberto e indefinido não nos dá real critério para achar que Little/Chiron/Black consegue se reconciliar com sua sexualidade que se manifestava desde a infância através dos coleguinhas que o perseguia com o bordão “FAG” (gay).
    Na fase adulta é imposto ao personagem o celibato e ele se torna o oposto do que deveria. Afinal gay não pode mostrar sua sexualidade ao grande público. Os homens heteros e “xtãos” de plantão não aguentam esse imenso golpe às suas masculinidades frágeis. Então o personagem se isola de um convívio afetivo.  Por certo que o meio acaba influenciando muito a decisão de um indivíduo em manifestar sua sexualidade ou não. Porém, não sei se permitiria que ela fosse totalmente reprimida como acontece no filme na fase jovem de alguém.
Tudo isso dirigido por Barry Jenkis que dá ótima execução ao próprio roteiro baseado na obra de Tarell Alvin McCraney. Também abocanhou o Oscar de Melhor Roteiro Adaptado.
    O filme é muito bom com os limites que comentei que estão mais no campo ideológico do que técnico. Traz um processo narrativo interessante e flerta com filmes mais artísticos e humaniza estereótipos negros, o traficante dono da biqueira.
        As cenas na praia são as mais bonitas, e também significativas. Não sei se merecia o prêmio de melhor filme este ano. Com certeza é melhor e mais encorpado que La La Land, vazio e ingênuo.







quinta-feira, 2 de março de 2017

Março - Mês Temático: Filmes de Locadora - A Hora do Pesadelo

A Hora do Pesadelo




     



      E inicia-se Março com meu tema novo: “Filmes de Locadora”. Para começo de conversa eu sempre fui uma criancinha pobre e depois um adolescente pobre. Em casa o vídeo cassete só chegou em meados dos anos de 1990. O que culminou também com um emprego, nessa época, numa locadora.
Para um adolescente era um emprego bem legal. Mas só eu e os outros funcionários sabemos o que passamos na mão da esposa do dono da locadora que tinha mania de limpeza. Fruto da falta de amor (sexo?) no casamento. Sua crueldade na limpeza não suplantava o que sabíamos: a família toda estava fodida e quase falida. Os lanches que nos traziam à tarde era de amargar. Um pão com uma fatia fina de presunto, ou de mortadela, ou de queijo. Quando não mandavam pão com manteiga “seco”. Sem sequer um café ou leite para acompanhar.
      Contudo os primeiros filmes que assisti de locadora foram via um amigo riquinho que era meu vizinho. Eu hoje sei o motivo de eu ser o único amigo do garoto naquele tempo, ele era chato pra “caráleo”. Ninguém suportava ele, nem mesmo os primos. Ele pertencia a uma família renomada da cidade. Ele e seus pais eram os únicos membros que moravam foram da famosa chácara da família.
   Esse garoto, como todo garoto normal, apesar de chato, gostava de alguns tipos de filmes que descobri não suportar. Entre eles o gênero de Terror. Já tinha assistido alguns filmes na televisão sempre com o mesmo resultado: muito medo e sonhos tenebrosos. E dentre todos os filmes que ele gostava um era frequente “A Hora do Pesadelo”. Acho que graças a esse garoto eu assisti umas 9 vezes as peripécias oníricas de Freddy. Ele era um ou dois anos mais novo que eu e, enquanto as crianças assistiam filmes da Disney exaustivamente, ou He-Man, ele assistia o filme do Freddy Krueger. Ele já sabia as falas decoradas. E eu, mesmo na 7ª vez, vomitava junto com a Nancy, pelo menos em pensamento. Tentava fazer a linha de menino corajoso o que não era muito convincente ao colocar a mão diante dos olhos para não ver algo. Até hoje cenas me assombram: uma garota num saco vomitando uma espécie de centopeia, uma mão cheia de lâminas surgindo no meio da água na banheira, uma coluna de sangue jorrando de um buraco no colchão para o teto.
      Ninguém estava salvo de Freddy. A não ser que não dormisse. E eu sempre dormia demais. Sempre correndo o risco de sonhar com aquele homem repugnante e todo queimado. E pior, pela história ele adorava crianças. Era um pedófilo desgraçado, apesar de não conhecer essa palavra na época, que aterrorizou o bairro atacando criancinhas. Os pais revoltados o queimaram vivo e depois não contente ele volta dos infernos para se “vingar” dos jovens que ele não pegou quando era vivo. Pqp, além de ter problema sérios psicológicos o sem noção, que já era o vilão quando vivo, depois de morto volta dos recônditos dos infernos para se vingar atacando os jovens que não conseguiu pegar quando eram criança?? Freddy seu senso de justiça está um pouco bagunçado...
      Entre tantos filmes esse é um que ainda me trás lembranças de infância, por mais que sejam permeadas de medo...
      Nancy, Gen, Rod e Tina foram as que mais ficaram na memória e os perseguidos pelo vilão. Dirigido pelo saudoso mestre do terror Wes Craven que também assinou o roteiro e contou com os astros desconhecisos Heather Langenkamp, Amanda Wyss, Jsu Garcia o icônico Robert Englund e o mais conhecido de todos Johnny Depp.



Direção: Wes Craven
Música composta por: Charles Bernstein
Série de filmes: A Nightmare on Elm Street

Roteiro: Wes Craven

quarta-feira, 1 de março de 2017

Séries - Eu Tu e Ela - Casal + Um

Eu Tu e Ela




        O mundo da família tradicional anda um pouco chato pelo visto. Enquanto vemos uma onda reacionária atingindo o mundo vemos uma classe artística que anda, como sempre, na contramão. E essa classe artística se estendeu um pouco mais nas últimas décadas e atingiu vários jovens que não querem mais viver como seus pais. Esse novo grupo de jovens veem o amor de forma diferente. Pelo menos um grupo menos massacrado por uma cultura que impõem regras.  E os artistas sentindo essa mudança de paradigma manifestam isso em suas obras.


        Por certo que chamar um roteiro comercial de obra artística já é demais (ou não?). Contudo de onde bebem os artistas, os “produtores comerciais” também o fazem. Tentam ao máximo ficar antenados nas vanguardas comportamentais. Sem falar que, em se tratando de Netflix, temos os algoritmos que dão uma força matemática na produção dos roteiros. Em “Eu tu ela”, sem vírgula mesmo, afinal é um recurso limitante, temos uma tentativa de ir além do mundo chato dos casamentos heterossexuais. Por certo que os punheteiros, quero dizer, os roteiristas insistem em colocar uma mulher no meio do casal “convencional” pois um homem deixaria tudo muito “sujo” aos olhos dos machos cristãos de plantão. É aquilo: homossexualidade é condenada pela escritura, mas o pornozão lésbico pode. Então, há algum tempo, esses roteiristas insistem em inserir, goela a baixo, a ideologia das mulheres “bissexuais”. Algo que mais agrada ao homem padrão do que realmente reflete a realidade. E de certa forma isso vai moldando a cabeça de muita gente para aceitar a nova condição e afaga os egos masculinos que não conseguem admitir que uma mulher pode e consegue sentir felicidade plena e satisfação sexual sem a existência de um pênis. Homem + mulher + mulher = sexo legal. Homem + Mulher + homem= pederastia, deus não quer, aberração.


        Entendendo o preconceito por trás, conseguimos perceber o aumento significativo de histórias com mulheres “versáteis”. No fundo um mecanismo para satisfazer somente os homens. Desconsiderando todas as outras possibilidades de amor. Eu concordo que a Netflix não é tão limitada e tem sim seus meios para nos mostrar algo mais e com certeza está preparando terreno para muitas novidades. Eu acho e espero.


        “Eu tu e ela” mostra um casal que está chegando aos quarenta sexualmente apagados. E com isso decidem apimentar a relação. A ideia parte só do homem num primeiro momento. Porém, ao saber da situação a esposa também se interessa, para pagar na mesma moeda a quase traição do marido.
       

        O casal Emma e Jack querem ter filhos, porém o rendimento sexual anda longe de ser o ideal. Instigado pelo irmão, Jack recorre aos serviços da acompanhante Izzy. Que na sua angustia de iniciante em “traição” consegue estabelecer um vínculo que rompe o mero negócio. Interpretados respectivamente por Rachel Blanchard e Greg Poehler, o casal, e Priscila Faia, a acompanhante, vemos o desdobramento dos mais enrolados e engraçados possíveis. Rachel ao saber pelo próprio marido do ocorrido decide ir atrás para descobrir quem é a “biscate” e com isso o perigoso triangulo amoroso se estabelece. Ambos, sentindo muita atração por Izzy, vão querer, por primeiro separados, provar a nova situação com o “brinquedinho amoroso”. Depois é juntar tudo na mesma cama e só alegria.


        Se fosse sexo casual tudo ficaria bem. Contudo a acompanhante Izzy se apaixona por ambos e uma vizinha enxerida se intromete podendo comprometer a promoção de Jack e os negócios de Emma revelando sua condição amorosa “esquisita”. O que é quase um mantra o “não ser esquisito” na série entre os casais ditos “normais” como se a sexualidade se prendesse ao “normal”. Muito pelo contrário. A cidade onde moram ainda é muito conservadora e um escândalo sexual seria muito ruim para ambos, que ainda se apegam a convenções sociais fortes. Izzy, mais nova e descolada não liga para esse tipo de coisa de “família tradicional e de bem”. Ela quer o imediato, satisfazer suas carências e ser feliz. O que complica o seu lado é que ela tem um pretendente que insiste em enrolar para manter perto de si e uma amiga totalmente liberal que a motiva a ir sempre em frente. Principalmente pela grana.

      
  A graça é a confusão estabelecida entre o casal ao tentar manter tudo em segredo e Izzy fazendo a linha “professora” de novidades sexuais sem realmente saber muita coisa e ao mesmo tempo manter seu crush longe de tudo.

          
Eu não dei muita coisa pelos primeiros episódios. No terceiro já vemos um arco de história formada e o casal se torna muito interessante e a seu modo engraçados. Izzy é meio sem sal o tempo todo, apesar de ser totalmente enrolada e enroladora. Talvez a escolha de uma atriz mais talentosa ajudasse. Nada que atrapalhe de fato o desenrolar da trama. Comédia de subversão de costumes simpática que merece uma certa atenção. Pelo menos enquanto esperamos estreias mais importantes.