terça-feira, 14 de julho de 2026

O Gênio do Crime: Adaptação decepcionante




Quando decidiram adaptar O Escaravelho do Diabo da Lúcia Machado de Almeida eu realmente fiquei animado. Eu li esse livro quando era adolescente e consumia só livros infanto-juvenis e me animei muito por uma história de um asssassino que matava pessoas ruivas. E quando foi para a tela em formato de filme que decepção. Quem quiser a resenha sobre esse filme está aqui:

https://assuntocronicoviniciusmotta.blogspot.com/2016/06/o-escaravelho-do-diabo-adaptacao-que.html

E agora, um outro livro que li nessa fase virou filme e ocorreu o mesmo problema de O Escaravelho do Diabo. Ao tentarem atualizar as histórias para nossos dias eles perderam a grande sacada de fazer o uso do saudosismo de uma época. Foi mais ou menos o que Stranger Things aproveitou muito bem. Apesar da história das mortes de ruivos ser de 1953 e a outra, de um menino que investiga falsificação de figurinhas de futebol, de 1969 se usasse um denominador comum e colocasse no começo da década de 1980 todos ganhariam, principalmente nós. Entendo que uma produção dessas pode ficar com custos muitos altos e nosso cinema carece de maiores incentivos. 

E mais duas coisas que me irritam profundamente, a primeira é a escalação do elenco. As crianças escolhidas não possuem carísma suficiente. Os personagens do Gordo e da Berenice deveriam ser duas crianças encapetadas de espertas e de uma época que celular não existia e eles faziam e aconteciam numa cidade grande, como é São Paulo. Hoje? Os dois alecrins dourados não sairiam de casa e sequer olhariam o que quer que fosse a não ser uma tela de celular.  E aí, vou para outra coisa que me irrita muito mais, sotaque. O audiovisual brasileiro insiste em socar goela abaixo o sotaque carioca em tudo. Eu friso que não assisti a versão nova de Dona Beja por ódio de ouvir o sotaque carioca em todos os personagens. É um sacrilégio não ter o sotaque mineiro. E quando um ator faz um sotaque caricato? É pior, é só usar atores da região, e para isso ter boa vontade. Ou faça um bom treino de variação linguística regional. Há um apagamento sistemático de sotaques que não seja o carioca e o paulistano injustificável. Eu sou caipira de nascença e saí do interior com meus 20 anos e estou de volta agora, os sotaques, quando há, daqui do interior, são muito desleixados e caricatos. 

Bom, não tem muito que falar desse filme, os atores adultos até estão ali no limite da canastrice o que não é tão ruim, estamos acostumados com essa pegada devido as produções típicas de humor da Globo. A história em si não foi bem encaixada e por as figurinhas sendo pirateadas dos jogadores da Copa de 2026 já deixou a história datada em julho, o filme foi lançado em maio. Por sorte que não usaram o "garoto" de 34 anos que não faz nada de bom no campo nem na vida, usaram o Vini Jr. como figurinha mais falsificada da história. Perceba que nem vou dar o resumo da história pois não quero macular a minha memória afetiva referenciando  o filme no livro. Me recuso. 

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