Vou por aqui a segunda parte da história que estou escrevendo no Substack, não sei se colocarei todas as partes aqui. Vai depender de muita coisa. O link está no fim do texto.
Projeto: A Cidade Amaldiçoada - I - O Começo (2)
Quando saía da escola, no fim do expediente, após pegar o ônibus e chacoalhar por uns quinze minutos de pé mesmo, chegava no meu ponto descia e em alguns dias passava na padaria que havia na esquina. Comprava uns pães, bolo ou quaquer coisa que crescia meus olhos. E em um dias desses comprei um rocambole que fez não só meu olho crescer como encheu minha boca de água. Eu já tinha comido uma vez então sabia que era muito bom. Todas as coisas ali eram gostosas. Ele veio na minha sacolinha junto com presunto, queijo e pães de leite. Tinha acabado de atravessar a rua e desci a quadra para poder ir para minha casa que era em um predinho de de quatro andares sem elevador com quatro apartamentos por andar. Minha cabeça trocava o tempo todo de ideia para não focar na vontade que estava de comer aquele quitute. Senão iria comer ali mesmo, tacar a mão na sacola e abrir a embalagem de plástico rígido e pegar um naco com os dedos. O que era fácil de acontecer, mas queria comer algo salgado primeiro. Para afastar a comida da cabeça pensei nas provas que precisava eleborar, nos gatos do vizinho que eram fofinhos, no cachorro da casa que estava passando em frente, mal encarado, mas balançava o rabinho. A fome fazia meu estômago roncar. O dia foi corrido e eu não consegui comer direito, só uma coxinha e um caçulinha e durante todo o período três litros de café. Teria dificuldade de dormir foi o que pensei. Quando escutei uma pancada e buzina.
Escuro, só escuro.
Eu sei que tentei abrir os olhos sem entender o que aconteceu e uma mulher idosa me olhava, vagamente familiar e me disse:
“Você vai ficar bem e vai enxergar o que não via.”
- Ãh? - estava difícil de conseguir falar e eu estava no chão e até pensei que pudesse ter desmaiado e debilmente tentei sentir a sacola na mão - E meu rocambole?
A senhora não respondeu e parecia estranhamente distante. Escurei vozes entrecortadas, uma bagunça e algo pesava na minha cabeça, alguém chegou perto e tentou encostar em mim e eu tentei protestar pois não achei adequado aquilo naquele momento. Outra pessoa chegou e falou bem alto e dessa vez não ouvi nada.
Escuro de novo.
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