Em 2023, ainda trabalhava de professor, eu tinha sido assaltado pela quarta vez em menos de um ano. E não foi aqueles assaltos que a pessoa fica dando mole com o celular na mão tirando foto de algum lugar e passa alguém de bicicleta e o rouba. Eu fui abordado e em duas situações teve arma apontada para mim. E pelo menos três vezes foram antes das 20h em lugares "tranquilos". Eu morava no cruzamento da Rua Aurora com a Rua do Arouche. Era um lugar que até hoje tenho saudades do apartamento. E como eu estava puto com os roubos, sem dinheiro e as férias iriam começar eu decidi não comprar nenhum celular até voltar ao trabalho de novo. Foram 45 dias mais ou menos sem celular. E foram dias muito produtivos.
Entre minhas propostas estavam turistar no centro de São Paulo para conhecer os lugares históricos, museus, parques, bares, restaurantes e participar de eventos culturais que eu não tivera tempo até então para ir, eu tinha me mudado para ali somente há 7 meses. E também decidi voltar a ler. Devido a intensidade de trabalho não conseguia ler textos mais longos. A jornada de aulas convencionais e a mudança de escola todos os anos era cansativa. E a pandemia não me fez bem e me deixou muito mais ansioso. Voltei a ler da forma antiga, fiz minha fichinha na Biblioteca Mário de Andrade, que era próxima, e fui peganto os livrinhos gostosinhos. Li nesse período, sem o abjeto objeto me tirando a atenção, 8 livros mais várias HQs adultas.
Um desses livros foi um enorme click bait dos infernos. O livro atendia meus requistos, ser de autores novos de nossa literatura nacional e que tinham uma boa repercução pois queria também entender como estavam os textos reconhecidos pela crítica. Em especial um livro vistoso de capa vermelha com um cachorro na capa me chamou a atenção, Até o Dia em que o Cão Morreu. Deixo claro que o livro foi muito bem escrito, mas o enredo me deu nos nervos. Um hetero top de quase trinta anos que não sabe o que fazer da vida e fica enrolando garotas que aparecem na vida dele. Ele trabalha dando aulas de inglês, o que achei um disparate que foi comparado a não fazer nada, e ele ainda não conseguia se manter, precisava da ajuda do pai, e olha que os professores que mais ganham são os de inglês. E o cachorro? Nem para ser um bom coadjuvante ele foi. Mal se falava do bicho E, na adaptação para o cinema que fizeram ficou mais claro que o cachorro era o cara. O filme se chamou Cão sem Dono. Com enredo tão insoso quanto o livro.
E por qual motivo que estou escrevendo tudo isso aqui? É que o autor é o Daniel Galera, um queridinho da literatura nacional contemporânea e mais um livro dele se tornou filme, Barba Ensopada de Sangue. Aqui estou fazendo o caminho inverso. Assisto primeiro o filme e depois tento achar o livro. A biblioteca da cidade que estou morando não é tão atualizada como a Mário de Andrade.
Eu achei o enredo muito melhor dessa vez. Porém, o ritmo do filme é meio arrastado. A atuação do Gabriel Leone é muito boa. Ele teve o cuidado com o sotaque. Me dá ódio de ver outras regiões do país com aquele r escarrdo do ator carioca que não faz seu trabalho de tentar reproduzir a variação linguística da região que seu personagem é. Pelo amor, só ter boa vontade. Isso é algo que critico muito nas produções brasileiras. Já a Thainá Duarte é outa coisa.... O restante do elenco está muito bem no contexto geral. E a história engata na reta final. Acompanhamos um cara chamado Gabriel que após o suicídio do pai vai morar na antiga casa do avô que é em uma praia de passado baleeiro em Florianópolis. Instigado por seu pai, antes do ocorrido, ele fica sabendo que o avô foi assassinado lá. E tenta descobrir o que aconteceu. E tem uma cachorrinha na história, mais atuante que em Até o Dia que o Cão Morreu, a Beta. E imaginem o quanto eu fiquei preocupado com o destino da cachorrinha. E saibam, ela corre muito risco. Primeiro é por ser Florianópolis, sabemos que há moradores, principalmente ricos, que adoram fazer mal a cães. Somos todos Orelha! Segundo, o personagem se mete em complicações por seu avô ter sido odiado por todos. Não me importei muito com o pergonagem humano não. Com a Beta, meu coração apertou em alguns momentos.
Eu geralmente não critico coisas relacionadas ao figurino ou adereços. Não tenho conhecimentos para isso. Me limito a apontar quando algo é muito discrempante ou eu que ache bem legal. Contudo quando um elemento é tão relevante a ponto de estar no título da obra e eu fui tenho que falar sim. E sou um "usuário" de barba e como tal eu entendo muito desse "acessório" masculino. Fizeram um aplique no ator que ficou parecendo aquelas barbas dos bonecos Falcon. Se não conhece dá um Google. Com tanta barba bonita por aí vão fazer aquilo? Tudo bem quererem muito usar o Leone para o papel, mas se não tem barba e ela é importe tente achar alguém com uma adequada. Barba falsa em 2026 não dá. Só isso estragou muito a minha experiência em asssistir esse filme. Só conseguia prestar ateção em quanto estava estranha. Tem quem não vá ligar ou perceber. Sejam felizes. Eu aprecio uma boa barba natural.
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