domingo, 16 de agosto de 2026

A Morte de Robin Hood

         


Eu vi o cartaz desse filme na internet e de início não reconheci o Hugh Jackman, só vi depois em um vídeo sobre o filme. E não pesquisei mais nada. E fui assistir. Meia hora depois, eu ainda não tinha reconhecido o Bill Skarsgård. O Noah Jupe eu reconheci só não lembrava o nome. E era impossível reconhecer o Murray Bartlertt como um misterioso paladino leproso encapotado deixando só os olhos visíveis. E quando apareceu sem as ataduras o rosto estava todo tomado e deformado pela doença. Todo mundo nesse filme está irreconhecível e isso causou uma certa libertação em relação a história em si.

Ao entender um pouco o enredo eu tive a impressão de ser inspirado nos filmes do Robert Eggers, quase uma cópia, mas o diretor e roteirista era o Michael Sarnoski que fez Um lugar Silencioso: Dia Um que eu não assisti. E também tive a impressão que reaproveitaram o roteiro de Logan, que por sinal é com o próprio Jackman, ele parece nesta produção revisitar os mesmos sentimentos, de uma forma menos pausteurizada para agradar os produtores. Aqui o filme conta com a produção da A24 e a Ryder Picture Company que não faço ideia quem seja ainda. 

Aqui o reoteirista diretor propõe uma visão mais realista, até certo ponto, de como seria ser um fora da lei do porte do lendário Robin Hood. E, como é uma lenda, se contam inúmeras histórias exageradas, outras amenizadas, e nessa tese e antítese se cria uma síntese que é o que chegou até nós. Então, imagine, se você realmente roubou dos ricos e deu para os pobres, com certeza, no meio do caminho aconteceu muitas mortes e você e seus comparsas seriam perseguidos por onde quer que fossem. Afinal, para quem está no poder "bandido bom, é bandido morto". Ainda mais se for um "bandido" que humilhasse as instituições sagradas do feudalismo do século XII. Então, sendo perseguido por todos os poderosos ele foge para um lugar ermo para viver em paz. Porém, há os filhos, netos, parentes no geral dos que matou. Eles o caçam e o acham de qualquer forma em qualquer lugar. 

E nessa vida "loka" o Pequeno John volta, raptaram sua esposa, e precisa da ajuda do velho amigo. E, obviamente que há um derramaento de sangue e Robin é levado para cuidar dos ferimentos graves e se curar, afinal já está velho e cansado e remoído, não pelo remorso das mortes que acumulou em sua jornada, ele  é sempre obrigado a lembrar que matou alguém que sequer se recordava, e aí acontece o seu pesar. Enfrenta a consequência do ciclo sem fim da vingança familiar que o persegue através de vários rostos que sequer viu na vida.

Acolhido por uma espécie de freira que não é explicada como ela chegou ali, está cuidando de uma abadia, é responsável por todos, está numa ilha, é conhecedora de curas de sua época, mas falta algo ali, um melhor entendimento do que foi Igreja Católica na Idade Média. Liberdades poéticas do roteirista e diretor que não concordo muito, como por exemplo, no meio do absoluto nada colocar essa mulher "santa" se recolhendo para uma capela numa caverna para bater uma siririca. E também eu achei a limpeza de um javali só exagerada e sanguinolenta demais. Quando criança eu vi muitos porcos sendo mortos e limpos e nenhum ficava com aquele sangue nas tripas. O meu avô drevava tudo antes de abrir o animal. E outra coisa que me incomodou foi a violência gráfica, pelo menos tiveram a descência de usar bastante efeitos práticos. Pelo menos pareceu. 

Como disse, vou jogar tudo nas costas da liberdade póetica, e a violência nitidamente é para dar uma contrabalançada no dramalhão dessa história. Se não colocar víceras estripadas os "machos heteros tops" não assistem. E desconfio que a siririca é por causa deles também. Uma pena. No geral gostei do Logan Hood, digo Robin Hood, parece que o Jackman tem acertado bem nas escolhas que anda fazendo para filmes. 

quinta-feira, 13 de agosto de 2026

História de O - Resenha no Substack

 



"E o livro não dá tanta atenção ao ato sexual em si, que é descrito, de forma explicita, contudo sem esmiuçar nada, e sim ao que a pergonagem O sente. Os lugares são muito descritos, e os preparativos, crianco a tensão para o tesão acontecer. E aqui eu vou levantar uma lebre, ou melhor, um rinoceronte, dentro de uma sala cheia de prateleiras de cristais: toda mulher que ousa dizer que é necessário ser feminina e submissa ao marido deveria ler esse livro e se realmente se excitar com o que  acontece com O, aí sim, essa ideologia da submissão serve para essa mulher."

História de O - Restante do texto no Substack, link abaixo: 


https://vigamo.substack.com/p/clube-do-livro-so-comigo-resenha-f3c?r=8mg5iu&utm_campaign=post&utm_medium=web&showWelcomeOnShare=true




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terça-feira, 11 de agosto de 2026

Preta - Eu Não Ando Só




Eu há muito tempo deixei de assistir documentários. Acho que o último que fui assisti no cinema foi A Marcha dos Pinguins em 2005. Eu cresci assistindo Planeta Terra na Cultura ao invés de Faustão e Os Trapalhões. E gostava muito. E depois desse documentário em específico, e com as facilidades da internet, eu achei que não fazia sentido pagar um ingresso de cinema para assistir algo assim, era só esperar que, se o assunto fosse de meu interesse, eu o veria no YouTube e depois o streaming facilitou mais ainda. E como leio muito sobre muitos assuntos, várias coisas que antes só saberia por uma dessas produções ficaram acessíveis, só dar um Google.  Desanimei um pouco com a questão de descobrir que um documentário, assim como um filme, é realizado como uma obra cinematográfica, e na minha ingenuidade, achei que era demais roteirizar, na minha cabeça documentários deveriam ser "verdades jornalísticas". Falta de conhecimento meu, depois descobri que tudo é roteirizado para realizar uma obra audiovisual, não tem como não ser. E quanto a verdade, que verdade não é mesmo? Verdade é de quem constrói uma determinada narrativa segundo um ponto de vista.

Eu acompanhei a trajetória da Preta como uma pessoa que não era um fã. Sabia das notícias e ouvia uma música ou outra. Eu achava que o povo, bem entre aspas esse "povo", entendam, a criticava demais, desnecessariamente. E por motivos preconceituosos. Ela era uma mulher, preta e gorda. E como tal não deveria se expor, segundo o que essas pessoas julgavam. E realmente, temos o peso do padrão imposto no entretenimeno depondo a esse respeito. Só que Preta tinha noção realista de que era uma nepo baby, filha de um monstro da cutura brasileira, Gilberto Gil, afilhada de Gal Costa e sobrinha do Caetano. E, só uma curiosidade, sua mãe teve uma música feita em sua homenagem que é um clássico da MPB, Drão. Que é o apelido que a mãe de Preta leva consigo até hoje.  Ao contrário de outros nepo babys, que nunca saem da sombra de seus pais, Preta percebeu que seu maior capital não era superar seu pai. Era ir para outro lado. Ela entendeu primeiro o poder da internet e das redes sociais que começavam quando ela iniciou sua carreira. Ela, claro que usando todos os privilégios de ser filha de quem era, se fez valer de construir sua carreira com consistência, mirou num público e usou de sua boa articulação para se colocar nos lugares certos, usando as redes sociais a seu favor, e com seu carisma selou o apreço de muitos fãs que conquistou. Isso sendo uma mulher, preta e gorda. E gente, quando você tem dinheiro e relevância social sólida, esse combo só é problema para quem vocifera ódio na internet. Ela foi, peitou e venceu.

Aí veio a doença. E acompanhar isso é difícil para qualquer um. E ela entendendo quem era e resolveu se expor. E quando temos uma pessoa que vive uma persona para o público, e todos os artistas têm isso e fazem uso, e decide mostrar, não tudo, mas mostrar um pouco sua vulnerabilidade, temos que respeitar. Claro, é um documentário, roteirizado, com cenas selecionadas, contudo, ainda há lampejos de uma verdade que a persona não consegue esconder o tempo todo. A vida real é difícil de segurar na persona a todo momento. A fala embarga, o artista desmonta essa máscara, mesmo que em um instante fugaz, e vemos a pessoa real. E várias personalidades do mundo artístico brasileiro já possuem uma espontaneidade conhecida, mesmo assim, eles seguram diante das câmeras. Então, ao ver uma Ivete Sangalo, do porte que é, alguém que a persona é muito transparente, até certo ponto, perdendo o controle do choro, é de assustar. Ela se debatendo em lembrar da amiga e não querer revelar a intimidade da mesma e tendo que dar depoimento diante de uma câmera é de cortar o coração. Se tem algo que eles presam e compactuam é sobre isso, a intimidade um do outro. E não falo como uma crítica, falo que ficou evidente a coisa mais humana que eles escondem com a persona, a contradição. "O que vão pensar?" Isso permeia o artista que se expõe na mídia o tempo todo. Por isso constrói-se uma narrativa, fortalece a persona. E diante da morte isso não importa não é mesmo? Várias vezes percebi que havia uma encenação, contudo, nas entrelinhas, havia uma apreensão em torno de tudo que era filmado. Todos em algum momento percebiam que Preta não estava bem. Para a câmera ela fez o que o profissionalismo pede de um artista, mantinha o próposito e tentou segurar o ânimo, mesmo que os olhos revelassem o cansaço. Um câncer agressimvo é cansativo e  tratar pode virar um suplício. Acomapanhei duas pessoas na família que ficaram um caco devido a mesma doença. E ela tinha todo o aparato médico e rede de apoio familiar e aquele que o dinheiro pode proporcionar. E só vemos, depois no depoimento final,  triste de doer na alma,  Gilberto Gil falando "Puxa vida, minha menina foi embora..." e um riso nervoso "Tenho muita saudade dela..." Não é persona, e ele tenta segurar o que pode, chega a engolir o choro. Mas está lá o sofrimento de um pai que teve sua filha, um furacão, levado dele. 

Nós, que assistimos, nos emocionamos e ficamos admirados com o poder que ela exerceu construindo sua importância no país sendo tudo e mais um pouco do que era, a mulher fantástica que teve oportunidade de ser. 






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sábado, 8 de agosto de 2026

Good Boy - Terapia de Choque





Bom, procurem o que vocês conseguirem achar. Com ajuda do poster talvez. Está confusa a difulgação desse filme. Não sei se eles esbarraram em algum problema, eu acho que "Bom Garoto" como título estaria perfeito, mas temos um deliciosinho filme de terror com esse mesmo título, em português e o equivalente em inglês de um cachorrinho que percebe uma entidade sobrenatural incomodando seu dono. E Terapia de Choque é um título explicativo contudo não atinge a essência do filme. E nesse filme o buraco é mais embaixo.

Eu não sabia muito do filme, e admito, estou com uma fixação, talvez não muito saudável em "correntes" prendendo uma coleira de ferro em um pescoço... Tsc-tsc-tsc-tsc-tsc-tsc-tsc...Como dizia eu me interessei pelo filme por curiosidade ao ver o cartaz pequeninho no menu de escolha do streaming. E depois de acopanhar por uns 10 minutos o Anson Boon interpretando um Tommy que é um adolescente heterossexual escroto demais, bebe, fuma, cheira, toma bala, transa com a amiga da menina que está afim dele na frente dela, mija onde não deve, se masturba no banheiro coletivo do lado de uma garota, vomita, briga, cheira mais, bebe mais, se perde dos amigos que estão indo embora e ele quer curtir mais em outro lugar, acaba cambaleando pela rua sozinho, quase desmaiando e é sequestrado pelo Chris. E foi aqui que vi que seria uma jornada bem interessante. O ator que faz o Chris é Stephen Graham. Não lembra? Ele fez o pai em estado de choque por seu filho adolescente fofo ser acusado da morte de uma menina da turma dele da escola na série Adolescência. Aí eu vi que talvez fosse para outro caminho. E foi. 

Nada é explicado sobre os motivos que Chris tem de levar um adolescente que é uma escória do mundo além de "querer ajudar". Tommy é levado para o porão de uma casa enorme nos interiores de Londres e numa metodologia parecida a de Laranja Mecânica, só que bem amadora, ele é "estimulado" a se recuperar. E isso dentro do seio familiar, um tanto estranho e perturbador, de Chris com sua esposa Kathryn (Andrea Riseborough) que parece ser uma fada frágil e deprimida. Fazia tempo que não via um semblante tão triste e uma alma tão quebrada e em sofrimento quanto essa atriz mostra na sua composição de personagem. Talvez, só em um lugar eu vi alguem nesse estado de penúria existencial, quando olho para o espelho, todos os dias. Em telas faz tempo. E junto a isso um garoto de seus 13 anos todo cuidadoso em ser o melhor filho do mundo, Jonathan (Kit Rakusen) e só sendo o que consegue ser naquele contexto esquisito. Para ajudar, Chris chama uma mulher que parece estar fugindo de algum passado perturbador. E aqui, numas poucas falas percebemos, nunca sabemos nada definitivamente, só percebemos insinuações no roteiro, que eles são de alguma família rica, tradicional e poderosa com contatos no governo. Ele sabe o passado inteiro dessa mulher, Rina (Monika Frajczyk), e a acaba aceitando o trabalho mesmo ela sendo obrigada a assinar um termo de confidencialidade e ficar horrorizada com o garoto no porão preso pelo pescoço. 

E aí você vai ter um suspense dramático com um final um tanto quanto inusitado. Não vou falar muito, mas o filme todo levanta várias questões e muitas destas não há respostas. É quase uma alegoria bem sintomática de nossos tempos. Eu gostaria de apontar uma situação para dizer como a vida do Tommy é miserável, não tem como, daria spoiler. Assista, esse foi um filme que me surpreendeu positivamente. E um aviso, ele é lento. Não espere cortes frenéticos e ação e plots e mais ação. Vá e contemple.  














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quinta-feira, 6 de agosto de 2026

Elize: Sombras de uma Mulher





Eu falo e reafirmo, não tem sentido uma personagem que sua característica está ligada a uma região ter um sotaque de alguém do Leblon. O audivisual  do eixo Rio-São Paulo precisa se organizar para o profissinal da atuação fazer um trabalho de pesquisa de sotaques melhor ou devem contratar um profissional do lugar retratado. Eu amo os sotaques diversificados do Brasil. E, outro problema do audiovisual, essa diversidade não é mostrada quando há a possibilidade. Eu fico pistola que um paranaense, ou alagoano ou um araxaense, um capixaba com sotaque de Dona Helena do Manoel Carlos. Tenham cuidado  e o respeito devido com isso em 2026. As produções correndo o mundo e não mostrando o jeito de nosso povo falar?. "Mas povo de fora não vai saber." O problema é que nós sabemos e eu vou apontar issso só pelo desrespeito que é. 

Dito isso, temos um filme bem aos moldes das produções hollywoodianas pasteurizada pelo streaming. E não estou falando isso como demérito. É que recentemente tivemos a série da Prime Video que já abordou essa personagem de forma ampla e genérica em uma situação mais ligada ao tempo de prisão dela do que o crime em si. Tem resenha aqui https://assuntocronicoviniciusmotta.blogspot.com/2025/11/tremembe-entre-crimes-e-celebridades.html

Nesse filme a bordagem tenta destrinchar a mente dos dois envolvidos diretamente, vítima e assassina, e tembém de algumas figuras importantes que ajudavam a colocar uma camada de pressão na situação toda. No caso as famílias dos dois. Isso é um ponto bem acertado. E aqui eu tento manter um pouco de respeito, não só pelo falecido, mas principalmente pela família que, além da Elize verdadeira, se encontram vivos ainda tocando suas vidinhas de milhonários do ramo alimentício e a Elize, no Uber, dizem. 

Ao mesmo tempo, a personalidade do Marcos (Henrique Kimura) é essencial para entender o que motivou Elize a fazer o que fez do jeito que fez. E, pelo pouco que se percebe, o príncipe dos produtos alimentícios, que tá com amendoim com preço exorbitante, tinha um padrão de comportamento bem delineado, que existia antes com a esposa anterior dele e estava se esboçando ao redor da vida perfeita que Elize achou que conseguira. Lorena Comparato, que é irmã de Bianca Comparato que interpretou a Caroline Jatobá na série, e parecem ter o DNA do crime em suas veias, ou pelo menos na interpretação. Não quero dizer que ela está melhor que a Carol Garcia em Tremembé, comparações são inevitáveis. Bianca teve tempo de apurar sua personagem mais que a Carol, tempo de tela, trablho de roteiro tudo o mais. 

Então vemos uma obra mais complexa nesse filme. Meandros e arestas desenvolvidas e aparadas, lugares cênicos melhor trabalhados. Uma super produção digna do que a Netflix tem buscado. E sabemos que é uma história muito conhecida do grande público. A comoção nacional foi tremenda. Eu duvido muito que algum brasileiro nunca ouviu falar de Elize. Os homens tem pavor que esse mito se fixe no imaginário das brasileiras. E as brasileiras só sorriem de lado com uma certeza... Qual? Não sei, eu sou homem acho que cabe às mulheres em seu universo de verdades secretas discorrerem sobre isso. E para longe de julgamento de certo ou errado, Elize está em liberdade condicional desde maio de 2022 e passou 10 anos presa. Eu trabalhei no sistema prisional como professor, em Santana, e as presas diziam constantemente que saindo dali a dívida estava paga. Então é isso. 

Assistam, se você for dos poucos que não sabe quem é essa Diva do trinchamento esse filme vai te ajudar a entender parte por parte do todo. E quem já conhece a história dela, destrinche e empacote a nova abordagem. Sugiro uma taça de vinho para acompanhar.  


PS: Perdão a demora em postar algo. Não tive tempo de assistir nada nos úlitmos dias  e como esse não é o meu ganha pão, faço por "amor" ao ofício ando meio ocupado com outros afazeres. Mas deixo abaixo meus outros projetos. Ajuda muito entrar lá, curtir, comentar. E realmente ando pensando em parar com esse Blog, não tem me proporcionado nenhum retorno. E estou com ele desde 2012. Nem monetizar eu cosigo pois o AdSense diz que não estou dentro das diretrizes. Mesmo lendo de cabo a rabo e percebendo que estou seguindo tudo o que pedem. Essas BigTechs adoram que produzamos coisas para alimentar os feeds deles, retorno tá difícil. Enfim.

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terça-feira, 4 de agosto de 2026

Snoopy Apresenta - Não Há Nada Como a Nossa Casa, Snoopy





A Apple TV nos presenteou com meia hora de nostalgia alinhada às minhas  memórias afetivas. Eu amo o Snoopy, uma de minhas lembranças mais antigas de algo sendo comprado para mim foi justamente um livreto com desenhos de vários personagens do universo dele. Havia umas bolinhas no meio dos traços para fazer uma aquarela. Um pincel de plástico vinha junto para passar na água e ativar a aquarela no desenho. Eu odiei, pois eu queria algo bem colorido, e a aquarela era tão diluida que ficava uma lembrança de cor no papel. Isso foi em um passeio que fiz para outra cidade com minha mãe quanto eu tinha uns quatro ou cinco anos. Ao chegar em casa, peguei meus lápis de cor e soquei pigmentação naquela bosta pálida. 

A grande santíssima trindade de minha primeira infância era constituida pelo já citado Snoopy, Garfield e Turma da Mônica.  Eu tive os mais diversos produtos dessas três franquias e, se boberar, eu ainda compro algo deles. Eu até hoje leio o que aparece de tirinhas ou mesmo histórias completas. E os desenhos que lançam assisto como e quando posso. Só o filme do Garfield que não gostei tanto. E quando lia jornais físicos, na parte de cultura, eu adorava as tirinhas. E eu me lembro, com carinho e dor ainda hoje, por ocasião do falecimento do Charles M. Schulz, a homenagem do Jim Davis em suas tirinhas, era o Garfield diante da casinha vermelha vazia dando um suspiro. Foi de encher os olhos de lágrimas. 

E é interessante que em Não Há Nada Como a Nossa Casa, Snoopy a casinha vermelha é retomada como simbolo da própria alegria de Snoopy. Sally, irmã de Charlie Brown, decide fazer aquelas vendas de quintal que estadunidense adora e no meio da confusão a casinha é vendida. E, para consolar o seu bichinho de estimação angustiado e triste pelo sumiço de seu aconchego, Charlie vai comprar uma casinha nova. E lógico que não acham uma adequada aos gostos e necessidades do caprichoso cachorrinho que tanto amamos e resolvem procurar a casa original. E descobrem o óbivio, a casa física é uma coisa e o que importa é a pessoa que carrega todas as boas lembranças dentro de si. 

Parece até uma propaganda do governo de lá, já que as coisas estão piorando a ponto de muita gente não ter certeza, ou persperctiva nenhuma, da segurança de um teto sobre a cabeça e até mesmo um prato diário de comida quente em mãos nos próximos anos. O que é bem assustador para o país das oportunidades. Faça a América grande de novo! Olha, estão fazendo. 

Não que aqui esteja as mil maravilhas, mas somos um país diferente, graças a Deus, que por sinal, dizem ser brasileiro. Eu até defenderia a tese do Snoopy ser um cãozinho brasileiro, contudo, se for analizar ele foi o coadjuvante que brilhou mais que o personagem principal. Quem era o "dono" das historinhas era o Charlie Brown e ele realmente não tem como ser brasileiro. Ele é o símbolo da inadequação infantil. Por mais que simpatizasse com ele, eu não me identificava com seu jeito. Só com o fato dele ser uma criança como eu que gostava de cachorro. Dava um pouco de pena dele.  Por mais que vendam esse modelo aos brasileiros ainda não descolamos da imagem do garoto/garota serelepe. Talvez só em centros urbanos maiores as crianças sofram um pouco por viverem em apartamentos e ter pouca ou nenhuma rua segura para brincar. 

Eu gostei que o desenho tem uma textura que deixa mais agradável visualizar a imagem. Não é uma cor chapada. Há um esmero em atingir a sensação do clássico de 1965, O Natal de Charlie Brown. E isso faz muita diferença. É uma história redondinha que não foge da essência dos personagens. E isso, reproduzir algo sem o seu criador por perto, é o que esperamos, por nossas memórias afetivas e pelo respeito por sua obra que tanto amamos. 

sexta-feira, 31 de julho de 2026

Leviticus



Eu odeio filmes de terror. Dito isso, eu odeio hipocrisia religiosa cristã. Dito isso, que conveniente que no Brasil, assolapado por um horda de pessoas com Bíblias na mão e com cadeiras cativas por votos questionáveis no congresso e grupos religiosos despejando seu jorro fétido de ódio gratuito à minorias, principalmente os LGBTQIAPN+, não tenha conseguido distribuição para passar nos cinemas. 

Quem tem amigo tem poder de quebrar barreiras de dificuldades, o que é basicamente a mensagem do filme. Eu tenho uns amigos pelo mundo e obviamente eles me contaram como a história é. Então, translitero o que me disseram a respeito. Afinal, NÃO TEM COMO ASSISTIR NO BRASIL, dito isso, todo mundo vai dar seu jeito. Bem sabemos. 

Dito isso tudo acima, segundo meus amigos que moram por aí, o filme é M-A-R-A-V-I-L-H-O-SO! Correndo riscos de entregar um ou outro spoilers, vou realmente tentar não fazer, vemos um jovem que está descobrindo o que é o amor com um colega da escola. Se fosse um casal heterossexual o filme iria para outra seara. Contudo, magistralmente, o diretor Adrian Chiarella transforma tudo o que se sucede em um terror tenso e, contrariando o estilo, otimista. Não estou defendendo finais felizes em Terror, defento finais coerentes com o restante que foi passado. Depois que o Brian De Palma fez aquele final demoníaco em Carrie de 1976 todo mundo soca um fim trágico em tudo. Tem morte em fim de filme que não faz sentido.  O filme ser de roteirista e diretor australiano ajudou muito no desenrolar do que acontece no filme. A Austrália ser do Hemisferio Sul só trás luz solar às produções. 

Foi simplificado por aqui que o filme seria sobre uma cura gay. Como disse acima, vemos dois jovens Naim (Joe Bird)  e Ryan (Stacy Clausen) começando os trelelês gostosos da juventude pouco depois de uma cena estranha de uma garota ser pega por alguém e aparentemente morta em um banheiro próximo a uma pscina. E descobrimos depois mais sobre isso. A mãe de Naim era de outra cidade e decidiu morar por aquele lugar para buscar paz. E ela acha que o filho tem que ter a mesma paz, e consequentemente salvação. E ele só quer viver a vida sem o peso da religião dizendo que o que ele faz é errado. Porém, ele pega seu interesse amoroso com outro garoto, filho do pastor onde sua mãe congrega, Hunter (Jeremy Blewitt) se agarrando no meio do quintal. E conta para o pastor. Isso faz os pais, preocupados com aquele pecado, chamarem um missionário que faz um ritual, na frente de toda a comunidade, de exorcismo. Contudo, ele não exorcisa nenhum demônio, ele atrai um demônio para o encalço dos jovens. E depois da morte um tanto estranha de Hunter, Naim é obrigado pela mãe a fazer o mesmo ritual. E lógico que o capeta do preconceito cristão contra gay vira a vida dele de ponta cabeça. É prudente eu parar de contar a história aqui para não entregar mais nada que não deva. 

Existe sim uma criação intensional de suspense com cenas de vivencias juvenis corriqueiras e suas descobertas. E esse medo que o grupo religioso coloca é bem trabalhado. Eu estou fazendo um curso de roteiro para entender melhor os filmes e séries que tanto gosto e vi uma construção consistente. E coisas que eu acharia falhas de roteiro anteriormente eu percebi que são escolhas para justamente causar o efeito desejado. Uma coisa é a falta de conhecimento básico que os personagens demonstram. Eu achava isso ruim e besta, mas é o contraste para mostrar que algumas coisas só o conhecimento consegue te livrar de certas situações, e num filme isso deve pelo menos demora até o fim para acontecer, se acontecer. E é interessante ao público se achar mais inteligente que os personagens, isso causa um efeito que ajuda na tensão da cena.

Como disse acima, digo, meus amigos gostaram muito do filme e é uma pena, coincidentemente, com um tema desses, não ter sido lançado por aqui. O que tenho certeza não vai ser problema para ninguém. 



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