Eu vi o cartaz desse filme na internet e de início não reconheci o Hugh Jackman, só vi depois em um vídeo sobre o filme. E não pesquisei mais nada. E fui assistir. Meia hora depois, eu ainda não tinha reconhecido o Bill Skarsgård. O Noah Jupe eu reconheci só não lembrava o nome. E era impossível reconhecer o Murray Bartlertt como um misterioso paladino leproso encapotado deixando só os olhos visíveis. E quando apareceu sem as ataduras o rosto estava todo tomado e deformado pela doença. Todo mundo nesse filme está irreconhecível e isso causou uma certa libertação em relação a história em si.
Ao entender um pouco o enredo eu tive a impressão de ser inspirado nos filmes do Robert Eggers, quase uma cópia, mas o diretor e roteirista era o Michael Sarnoski que fez Um lugar Silencioso: Dia Um que eu não assisti. E também tive a impressão que reaproveitaram o roteiro de Logan, que por sinal é com o próprio Jackman, ele parece nesta produção revisitar os mesmos sentimentos, de uma forma menos pausteurizada para agradar os produtores. Aqui o filme conta com a produção da A24 e a Ryder Picture Company que não faço ideia quem seja ainda.
Aqui o reoteirista diretor propõe uma visão mais realista, até certo ponto, de como seria ser um fora da lei do porte do lendário Robin Hood. E, como é uma lenda, se contam inúmeras histórias exageradas, outras amenizadas, e nessa tese e antítese se cria uma síntese que é o que chegou até nós. Então, imagine, se você realmente roubou dos ricos e deu para os pobres, com certeza, no meio do caminho aconteceu muitas mortes e você e seus comparsas seriam perseguidos por onde quer que fossem. Afinal, para quem está no poder "bandido bom, é bandido morto". Ainda mais se for um "bandido" que humilhasse as instituições sagradas do feudalismo do século XII. Então, sendo perseguido por todos os poderosos ele foge para um lugar ermo para viver em paz. Porém, há os filhos, netos, parentes no geral dos que matou. Eles o caçam e o acham de qualquer forma em qualquer lugar.
E nessa vida "loka" o Pequeno John volta, raptaram sua esposa, e precisa da ajuda do velho amigo. E, obviamente que há um derramaento de sangue e Robin é levado para cuidar dos ferimentos graves e se curar, afinal já está velho e cansado e remoído, não pelo remorso das mortes que acumulou em sua jornada, ele é sempre obrigado a lembrar que matou alguém que sequer se recordava, e aí acontece o seu pesar. Enfrenta a consequência do ciclo sem fim da vingança familiar que o persegue através de vários rostos que sequer viu na vida.
Acolhido por uma espécie de freira que não é explicada como ela chegou ali, está cuidando de uma abadia, é responsável por todos, está numa ilha, é conhecedora de curas de sua época, mas falta algo ali, um melhor entendimento do que foi Igreja Católica na Idade Média. Liberdades poéticas do roteirista e diretor que não concordo muito, como por exemplo, no meio do absoluto nada colocar essa mulher "santa" se recolhendo para uma capela numa caverna para bater uma siririca. E também eu achei a limpeza de um javali só exagerada e sanguinolenta demais. Quando criança eu vi muitos porcos sendo mortos e limpos e nenhum ficava com aquele sangue nas tripas. O meu avô drevava tudo antes de abrir o animal. E outra coisa que me incomodou foi a violência gráfica, pelo menos tiveram a descência de usar bastante efeitos práticos. Pelo menos pareceu.
Como disse, vou jogar tudo nas costas da liberdade póetica, e a violência nitidamente é para dar uma contrabalançada no dramalhão dessa história. Se não colocar víceras estripadas os "machos heteros tops" não assistem. E desconfio que a siririca é por causa deles também. Uma pena. No geral gostei do Logan Hood, digo Robin Hood, parece que o Jackman tem acertado bem nas escolhas que anda fazendo para filmes.

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