terça-feira, 14 de julho de 2026

O Gênio do Crime: Adaptação decepcionante




Quando decidiram adaptar O Escaravelho do Diabo da Lúcia Machado de Almeida eu realmente fiquei animado. Eu li esse livro quando era adolescente e consumia só livros infanto-juvenis e me animei muito por uma história de um asssassino que matava pessoas ruivas. E quando foi para a tela em formato de filme que decepção. Quem quiser a resenha sobre esse filme está aqui:

https://assuntocronicoviniciusmotta.blogspot.com/2016/06/o-escaravelho-do-diabo-adaptacao-que.html

E agora, um outro livro que li nessa fase virou filme e ocorreu o mesmo problema de O Escaravelho do Diabo. Ao tentarem atualizar as histórias para nossos dias eles perderam a grande sacada de fazer o uso do saudosismo de uma época. Foi mais ou menos o que Stranger Things aproveitou muito bem. Apesar da história das mortes de ruivos ser de 1953 e a outra, de um menino que investiga falsificação de figurinhas de futebol, de 1969 se usasse um denominador comum e colocasse no começo da década de 1980 todos ganhariam, principalmente nós. Entendo que uma produção dessas pode ficar com custos muitos altos e nosso cinema carece de maiores incentivos. 

E mais duas coisas que me irritam profundamente, a primeira é a escalação do elenco. As crianças escolhidas não possuem carísma suficiente. Os personagens do Gordo e da Berenice deveriam ser duas crianças encapetadas de espertas e de uma época que celular não existia e eles faziam e aconteciam numa cidade grande, como é São Paulo. Hoje? Os dois alecrins dourados não sairiam de casa e sequer olhariam o que quer que fosse a não ser uma tela de celular.  E aí, vou para outra coisa que me irrita muito mais, sotaque. O audiovisual brasileiro insiste em socar goela abaixo o sotaque carioca em tudo. Eu friso que não assisti a versão nova de Dona Beja por ódio de ouvir o sotaque carioca em todos os personagens. É um sacrilégio não ter o sotaque mineiro. E quando um ator faz um sotaque caricato? É pior, é só usar atores da região, e para isso ter boa vontade. Ou faça um bom treino de variação linguística regional. Há um apagamento sistemático de sotaques que não seja o carioca e o paulistano injustificável. Eu sou caipira de nascença e saí do interior com meus 20 anos e estou de volta agora, os sotaques, quando há, daqui do interior, são muito desleixados e caricatos. 

Bom, não tem muito que falar desse filme, os atores adultos até estão ali no limite da canastrice o que não é tão ruim, estamos acostumados com essa pegada devido as produções típicas de humor da Globo. A história em si não foi bem encaixada e por as figurinhas sendo pirateadas dos jogadores da Copa de 2026 já deixou a história datada em julho, o filme foi lançado em maio. Por sorte que não usaram o "garoto" de 34 anos que não faz nada de bom no campo nem na vida, usaram o Vini Jr. como figurinha mais falsificada da história. Perceba que nem vou dar o resumo da história pois não quero macular a minha memória afetiva referenciando  o filme no livro. Me recuso. 

domingo, 12 de julho de 2026

As Ovelhas Detetives: Ovelhas em Pele de Detetives




Eu acho que estou virando um molengão. Não estou mais me interessando em filmes "pesados" ou "esquisitos" com entidades, maldades demonícas, e roteiros construídos em tacar na nossa fuça um body horror só para chocar. Eu acho que há formas e formas de se contar uma história. Eu ando preferindo assitir coisas fofinhas, leves e divertidas. E As Ovelhas Detetives é bem isso. 

Temos aqui a velha história de detetive com todos os códigos possíveis desse tipo de narrativa. Contudo, o detetive, não é dos mais inteligentes e conta com a ajuda de um grupo inusitado de ovelhas. Ovelhas fofas e medrosas. E é fabuloso. É aquele descanso e sensação de calor no coração que só um final feliz, apesar das adversidades, causam em uma história justa e verossímel do começo ao fim.

Nos primeiros minutos de filme acompanhamos tranquilamente, mas sem nos entediarmos, a vida do pastor de ovelhas George Hardy (Hugh Jackman) que cuida com todo carinho de seu pasto e de seus animais. Dá remédio, tosa, vai na cidade brigar com um ou outro morador local. Aí já vemos umas discrepâncias nessa vida tranquila desse homem. Ao fim da tarde ele lê romances policiais para que suas ovelhas durmam melhor. E elas adoram. Até ficam bravas em um momento por ele parar na melhor parte. Quem nunca teve uma pessoa lendo uma história para você antes de dormir, não sabe como é emocionante. Fizeram um pouco disso em casa, mas isso é para outra história que não cabe aqui no blog. Quem sabe lá no Substack. Após sua noite de sono restaurador as ovelhas encontram o George morto no gramado em frente ao trailer que ele morava. E começa uma investigação muito divertida. As ovelhas se fazem valer dos truques mais engaçados e se metem em situações bem inusitadas. 

Temos um elenco que é uma belezinha. Tanto fazendo os humanos quanto as vozes das ovelhas que nos dá participações especiais bem interessante, pena que se perdem na dublagem. Elas não falam com os humanos, só deixando claro, o que deixa a história mais engraçada. 

Fazia um tempo que não assistia algo tão leve e bobo sem ser idiota. Há sacadas bem inteligentes na construção da história toda. Esse tipo de filme entra naquela categoria que eu mais gosto, puro entretenimento despretencioso, mas que não parte do princípio que somos incapazes de entender algo ou ainda descambando para a idiotice e falta de inteligência dos personagens. Bom, há um bem burrinho, mas é incrível que um livro pode fazer na vida de uma pessoa. 

Aqui temos uma linda e contemporânea fábula "em pele de" história de detetives que enternece e ainda reforça a importancia da leitura de um bom livro. E essa história é uma adaptação de um livro de Leonie Swann. Cada vez mais dá vontade de escrever inspirados em histórias assim. 



https://letterboxd.com/vigamo500/

sábado, 11 de julho de 2026

Substack, Reacts e Livros

             





        Gente, eu não tenho assistido nada nesses dias. Como eu descobri o Substack eu tenho dado uma atenção a ele. Caso queiram dar uma olhada o meu é este https://substack.com/@vigamo.  E até este momento ele tem contemplado meus desejos de escrever várias coisas diferenciadas em uma plataforma não muito defasada. Também tenho feito um curso online de escrita de roteiro e, pasmem, estou lendo compulsivamente. Algo que estava emperrado desde que voltei a morar no interior de São Paulo. Só para ter uma noção, estou planejando ler Torto Arado desde ano passado e só agora consegui. E em janeiro iniciei ler A Cabeça do Santo. Finalizei semana passada. e o livro tem menos de 180 páginas. Mas minha saúde mental não estava das melhores. Não que esteja totalmente recuperado. mas melhorei. 

    E outra coisa que ando bem desgostoso aqui é que não consigo monetizar o conteúdo. Li todas as regras e eu não entendo por qual motivo não libera a monetização. São 14 anos aqui, por mais que tenha os hiatos de tempo sem postar, não são dois meses. E o Substack dá para monetizar, ou melhor, ter assinaturas e ajudas ao escritor. Algo que já tentei aqui de outra forma, e não houve adesão. Nem retorno nenhum de alguma crítitica ou comentário que ajudaria num retorno e melhora pessoal eu consigo. Virou apenas a um lugar que as pessoas acessam, comentam e, se interessarem, ajudam o escritor de alguma forma. Pelo menos há a possibilidade.

    Estou pensando ainda o que fazer. Possivelmente deixarei de base para continuar postanto os meus conteúdos de filmes e talvez coloque alguma coisa ou outra neste blog. Meu maior interesse era ter um meio de me manter escrevendo e treinar a escrita e esse blog ajudou muito. E convenhamos, tenho mais de 500 postagens aqui, se considerar os que eu desvinculei da época que escrevia sobre minha vida pessoal num contexto específico. De filmes e séries são mais de 350. E como quero ganhar para escrever e viver de escrtia, um sonho meio difícil de concretizar aqui, e no Brasil, eu pretendo realmente focar nesses recursos. Eu também estou postando sobre filmes no https://letterboxd.com/vigamo500/, contudo percebi que lá é um tanto obscuro. Então possivelmente vou postar concomitantemente nos dois lugares os mesmo textos sobre os filmes. Série lá não contempla       

        E também culpo a safra atual de produções. Supergirl, Obsessão e Minions e os Monstros estão na fila, contudo, realmente não consegui me convencer a assistí-los. Série piorou. Acho que isso me empurrou, óh que vida cruel, para a leitura. E vou admitir um novo vício aqui, estou adorando assistir react de gringos assistindo coisas brasileiras, de shows, clips de músicas a filmes. Nossa me deu um vigor novo. É interessantíssimo perceber o quanto nossa cultura é admirada fora do Brasil. Algumas vezes assisto algo nosso com a tendência de não dar o valor real, se é nosso desvalorizamos pelo viés do complexo do vira-latas. Querendo ou não ainda nos influencia essa forma de menosprezo de nossa cultura. E como é nossa cultura nem sempre enxergamos algo como que chame tanta atenção, pois é como se fosse tão comum que não causa emoção. Só um exemplo foi assistir reacts sobre músicas da Marília Mendonça. Não acho que o sertanejo atual tome os melhores caminhos artísticos possíveis, sendo que dinheiro e patrocínio eles possuem para fazê-lo, e não fazem por comodismo. É um gênero que ficou raso e comercial de uma forma escancarada. Contudo, não tem como esquecer que os profissionais lá são bons, tirando um ou outro, mas no geral são vozes muito boas, e nem toda música é tão ruim assim, não tem muita diversidade. Então amortecido emocionalmente eu assistia uma coisa ou outra sem nenhuma comoção e ver um gringo de boca aberta com nossa saudosa cantora de sertenejo, a Marília, é muito interessante. É como se eu reconhecesse a emoção que eu deveria ter pelos olhos do outro. E, as vezes é isso, estamos amortecidos e precisamos ver outra pessoa para entender o que deveríamos sentir. E com isso assisti reacts de gringos assistinto Central do Brasil, Lisbela e o Prisioneiro, Auto da Compadecida, Tropa de Elite, Ainda Estou Aqui e outros. E foi muito interessante perceber a emoção do pessoal assistindo. Uma emoção que nem sempre eu tive, sendo eu brasileiro. Ainda não supereei esse novo interesse. Logo, como outros, ele vai parar, mas no momento essa prática tira o tempo de assistir outras coisas. Também estou assistindo Beta Boechat e seu programa no meio do dia. Nem só de filme vive um ser humano. 

    E também não estou trabalhando e isso me deixa um pouco angustiado, pois os boletos chegam. Também estou morando no interior e eu odeio aqui. Só não mudei daqui pois estou esperando vender a casa que estou morando para poder comprar o meu "quitineti" dos sonhos em São Paulo, ou outro lugar que decidir morar. Tenho estudado para concursos, bom, essa parte eu admito que tenho me enganado bastante, mas a bendita matemática que não entra nessa cachola de uma pessoa das Linguagens me deixa patinando nos estudos. 

    Bom, é isso. Aqui abaixo vou colocar o primeiro texto ficcional que estou postando no Substack, já estou no quanto texto, são curtos e tentam contar uma hitórinha simples. É um experimento para me testar e sentir o que os leitores acham. E é justo postar algo de lá aqui, pois vários textos daqui foram para lá. 

    Segue o texto.


 Projeto: A Cidade Amaldiçoada - I - O Começo (1)

Eu não lembro de minha infância, quer dizer, tenho reminiscências vagas. Se isso fosse uma sessão psicanalítica saberia dizer pouco a respeito. Tenho clarões de momentos, um aniversário, uma roupa que eu gostava muito de usar, um passeio para ir tomar sorvete, dias sentado em carteiras duras de sala de aula. Lembro muito dos conteúdos das aulas, principalmente das matérias que eu gostava dos professores. Da minha casa lembro de tudo que tinha nela, lembro dos cheiros, texturas e cores de objetos, livros, plantas. Lembro das comidas, isso eu amava. Passava um tempo brincando com a comida. Fazia uma boa argamassa com o feijão, arroz, o molho da carne cozida com as batatas que eram esmagadas para fazer parte de forma uniforme. Essa massa de comida era moldada no formato mais redondo possível e alto que eu pudesse fazer. A carne era mantida de lado como uma preciosa prenda final. Somente depois de satisfeito com a execução dessa obra que eu me permitia comer. Em casa não se comia na mesa, se comia com o prato na mão sentado no sofá assistindo televisão. Eu pegava uma mesa de centro que ficava de castigo num canto da sala e era usada só por mim para o que quer que eu precisasse. E as relações em casa eram calmas. Dificilmente acontecia uma briga, então aproveitava minha paz e assistia televisão ou brincava. Eu realmente entrava em um mundo só meu nesses momentos. Da TV evoluí para filmes e séries que ainda estão bem presentes em minha vida me levando por uma janela para lugares variados. Da brincadeira eu só tenho a sensação de missão cumprida. Eu gastei meus brinquedos. Eu tenho os poucos remanescentes ainda comigo e existe sim um desgaste do tempo que passou guardado, mas o encardume é de uso intensivo.

Começo a ter mais lembranças relevantes da minha adolescência. Foi quando meus avós morreram. Eu senti falta deles, mas entendi. Eles foram com poucos dias de diferença e continuaram presentes nos meus sonhos por anos. Não fui um garoto rebelde, mas fui bem mal humorado em casa, na rua com os amigos era até engraçadinho demais. Tive vários amigos na escola e depois prestei serviço militar e basicamente conhecia todo mundo da minha cidade que era relevante. Admito que até uns bem irrelevantes de outras idades também. Tirando os dramas adolescentes, tudo normal. Até senti em algum momento que pudesse ser algum tipo de escolhido ou um ser iluminado. A realidade mostrou veementemente que não. Eu tive curiosidade por algumas coisas que hoje entendo como esotéricas. Não foi nada religioso em si ou sobrenatural. O único lugar que via algo sobrenatural era nos filmes. Na época a internet não era opção para pesquisas, não tinha o uso difundido ainda. Então tudo era muito limitado. Ou se tinha material próprio em casa, ou ia-se na biblioteca, se houvesse algo lá, ou então se dependia de bancas de jornais e revistas. Eu mesmo nunca tive coragem de comprar alguns livros que apareceram aleatoriamente por lá. Eu acabava pegando coisas mais leves, segundo meu julgamento. Então li muito sobre signos. Achava seguro o suficiente para não causar medo. E eu não entendia direito o que era o medo então o evitava. Até que, anos depois, eu li um livro que falava melhor sobre como os sentimentos humanos tinham origem na necessidade de sobrevivência e como precisaríamos controlar essas emoções a nosso favor. Ajudou muito, pois joguei tudo na conta dessa ideia. Me apeguei o quanto pude a ela.

Minha família não tinha tantas condições e mesmo assim eu dei um jeito de sair daquela cidade. Consegui uma bolsa de estudos paga com minha saúde mental. Não estava preparado para a pressão que foi. Fiquei 12 anos enrolado com essa tentativa que claramente não deu certo. Parecia que vivia internado num sanatório. Só parecia, a verdade era até pior, eu estava vivendo a vida real de bolsista que tinha que dar conta do que estava estudando. E eu não gostava do que tinham me dado para estudar. Aquela situação parecia tentáculos lovecraftianos me puxando e segurando e direcionando para uma boca tentando me devorar e eu relutando até que, quando finalmente cedi, eu fui cuspido para fora. Quando decidi seguir aquele caminho foi encerrada minha bolsa sem nenhuma justificativa válida, eu só não tinha mais o perfil que eles procuravam. Foi o que disseram fechando as portas e guardando os apêndices grotescos que me seguravam. Eu desmoronei, mas não voltei para a cidade da minha família. Eles me apoiaram no que puderam, puderam pouco. E eu fui tentar viver o que queria viver à força. Como se eu laçasse um boi bravo sem saber como. Com custo, esforço, quebrando a cara aqui e ali eu fui me estabelecendo e me ajeitando. Arrumei uma dúzia de empregos bostas, para um dia conseguir um emprego bom, para logo perder esse emprego e tentar outras coisas. Consegui um financiamento do governo e fui estudar o que tanto queria, bom não queria tanto, mas dentre as possibilidades é o que apareceu: História. Achei que estudar a história do mundo poderia preencher as lacunas que julgava ter sobre a minha própria história. Acordava às cinco horas da manhã para estar no trabalho às sete horas e de saída às 17 horas. A faculdade era às 19 horas e nesse meio tempo eu aproveitei fazer musculação, tomava banho na academia e ia para a aula sempre atrasado. E foram quatro anos com cinco dias por semana nessa toada. Sábado desmaiava até o almoço e aproveitava com o que conseguia o restante do fim de semana. Quando me formei as coisas ficaram um pouco mais confortáveis. Comecei a dar aulas em escolas mais próximas a minha casa e o salário deu uma melhorada, bastava para aquele momento. Alguns anos me ajeitando aqui e ali.

Minha vida amorosa era tenebrosa. Quase não me apegava a ninguém tempo suficiente e quando apegava eu era obrigado a desapegar compulsoriamente. Sofria pois ninguém me queria, perceba o drama de novo, mas sofria pois eu não queria ninguém também. Namorei uma, duas vezes... Na sexta vez até pensei em morar junto, mas não deu certo. Eram tantas incompatibilidades reais e inventadas que não tinha pressa, estava novo. Era só uma falsa sensação de que eu teria todo o tempo do mundo por ser jovem, mesmo quando me dei conta do meu aniversário de 40 anos. Só que essa jovialidade era contestada o tempo todo por minha coluna e joelhos desde os 26, mas na minha cabeça eu era o moçoilo pimpão. Iludido.

A vida de professor de História de ensino público não foi tão fácil. E alguns sinais começaram a aparecer. Na verdade, escarafunchando minhas lembranças, o que não é tão simples para mim, imagino que já havia sinais bem antes do trabalho e eu nunca percebi. E veio o que ninguém esperava: 2020.

E eu colapsei.



sábado, 27 de junho de 2026

Avatar - O Último Mestre do Ar: Aprenda Disney

 



Avatar - O Último Mestre do Ar: Aprenda Disney

Em 2005 eu já estava bem descolado dos programas televisivos e tentando resolver as perebas da vida que não estava nem um pouco fácil de sarar. Se não me engano, eu mesmo só fui ter acesso à animação do Avatar alguns anos depois de sua estreia. E gostei. Uma história de um menino cheio de espíritos ancestrais que auxiliaria o mundo em um momento que o mesmo mais precisaria. E passou um tempo e apareceu o live action fatídico do M. Night Shyamalan que desagradou todo mundo. Eu achei ok, realmente, mas quem sou eu na fila do pão não é mesmo? A história era tão boa que não tinha como deixar o fracasso cinematográfico afundar. Então, entra a Netflix resgata e transforma em formato de série. E deu muito certo. Enquanto o filme escalou  atores brancos como o Jackson Rathbone, bem sem graça em seu Sokka, e errou muito nisso, a série acertou em pegar inúmeros atores e atrizes das mais variadas etnias asiáticas e indígenas. 

A primeira temporada foi o frescor que ajudou a resgatar a história quase perdida pelo filme e agradou bastante. E agora, a segunda temporada tem acertado na escalação e representação de vários outros personagens e em especial de uma muito querida da trama, a Toph, que é feita pela atriz Miya Cech. Se na primeira temporada vemos Sokka (Ian Ousley) e Katara (Kiawentiio) encontrando Aang, o avatar que sumiu misteriosamente (Gordon Cormier), perdido e congelado próximo da aldeia da Tribo da Água do Sul, e o ajudam a retomar sua missão de ser quem é. E nessa empreitada entram em confronto com uma nação inteira que está tentando dominar e se impor ao restante do mundo. 

Toda a produção não só convence como entrega o delicioso fan service necessário para acalmar e vibrar todos que amam essa história como é bem feita e bem atuada, guardadas as devidas limitações que é normal devida a experiência dos atores mais novos. É incrível ver as roupas tão bem traspostas e sendo elaboradas de forma "real" com atores de carne e osso e com cenários e animais fantásticos de CGI  de forma satisfatoria. Appa, o bisão voador e Momo, o lêmure voador, eram fundamentais na história toda e estão bem executados. E os lugares estão muito fiéis e com lindas cenas das paisagens que nem sempre existem no mundo real. 

E agora entro na minha maior bronca com as séries, continuidade e finalização. E sim, a terceira temporada além de estar confirmada já foi gravada. Então teremos uma finalização dessa história que é tão querida e simpática a todos nós. No original da animação houve um final, então, tudo está pronto no canal de origem, a Nickelodeon. E assim fico feliz com essa que história vai ter um final, o que tanto desejo sempre nas séries. E será que teremos Avatar: A Lenda de Korra em live action? Queremos também, afinal somos insaciáveis com as adaptações bem feitas de nossas histórias favoritas. Aprenda Disney. 



E estou escrevendo no Substack coisas que não estarão necessariamente aqui. Filmes continuam aqui e no LetterBoxd. 

https://letterboxd.com/vigamo500/


Quem quiser dar uma olhada lá, tenho pouca coisa ainda publicada. Por enquanto. 

https://substack.com/@vigamo



domingo, 21 de junho de 2026

Dia D: ET...Telefone...Minha Casa, Não Péra!

 






Dia D: ET...Telefone...Minha Casa, Não Péra!


Esses dias fiz um listamento comentado de dois diretores, Quentin Tarantino e Francis Ford Coppola, e aproveitei para preparar a do Steven Spielberg e me assustei bastante com o tanto de filmes que assisti desse diretor e ao mesmo tempo o quanto que ainda não assisti. O último visto por mim foi Lincoln em 2013, incluive tem resenha aqui no Blog. Depois eu não me interessei por nenhum até o momento. 

E também não estava tão animado por este, admito. E fui olhar os vídeos de dois críticos, de quem gosto muito, que tiveram opiniões tão opostas que me causou curiosidade e decidi assisti. E como 'é notório' o gosto do diretor, produtor e roteirista pelo tema de extraterrestres. Dos que assiti, Contatos Imediatos do Terceiro Grau e E.T. O Extraterrestre são mais inspirados que este, mas não deixa de ser divertido. Guerra dos Mundos  achei muito impessoal comparados a esses três por sua vez. 

O enredo direciona a uma hipotética revelação sobre a presença de seres que não são da Terra pelos canais televisivos. Para isso haverá uma grande corporação ligada ao governo tentando impedir que isso ocorra. Algumas coisas ficam um pouco estranhas, na época da Inteligência Artificial isso nem ser cogitado, tudo ir para a televisão primeiro e só depois para a internet e o velho colonialismo, "U-S-EI"  mostrado como o centro pleno da existência do universo e tudo acontece lá. Estamos precisando de uma nova revolução copernicana tirando o EUA do centro de todo o universo e dos multiversos. Enquanto eles não recebem esse chá revelação, o silêncio da China é ensurdecedor sobre esse tema, nós colonizados vamos consumindo o que eles produzem com  ou sem senso crítico e está tudo bem. Cada qual com cada seu. 

O filme devolve um pouco a sensação de diversão pipoca que, por sentir falta, talvez tenha me desanimado e afastado dos outros filmes que citei acima. Vou retomar principalmente por haver alguns títulos que me causaram uma certa curiosidade. Principalmente por esse diretor ser tão essencial e fundamental para o cinema atual. 

quarta-feira, 17 de junho de 2026

O Segredo de Widow's Bay: O Responsável Foi o Rhys




O Segredo de Widow's Bay: O Responsável foi o Rhys

Ano passado eu assisti Towards Zero uma minissérie da BBC One que é baseada no livro de mesmo nome da Agatha Christie, no Brasil A Hora Zero. E eu sou muito fã dessa autora contudo sempre achei ela bem rasa nos dramas humanos que colocava em seus livros. Até um dia ler algo que me fez mudar de perspectiva. Ela acaba sim suavizando alguns problemas sociais de sua época, mas várias críticas estão lá. Eu que não percebia tanto. Foi somente em uma matéria sobre uma adaptação de a Mansão Hollow que notei que nem tudo nos livros dessa autora era tão leve. Tudo que estava na sociedade de sua época ela tentou abordar, mulhers submissas, traições, ganâncias, paixões e ambições avassaladoras. Restrita por seu gênero literário ela só não pesou nos contornos desses assuntos. E, mesmo havendo uma mudança bem significativa na adaptação em Hora Zero para a série, o que mais me chamou a atenção, para além da história, foi a interpretação do Matthew Rhys fazendo o Inspetor Leach que, já no começo, tenta suicídio se jogando ao mar de um penhasco e graças a isso acaba por resolver o  assassinato da história. O peso dramático nos ombros do personagem me deixou muito admirado. E Rhys foi o reponsável.

Eu particularmente não gosto muito de terror por vários motivos. Um deles, é que não gosto de ver corpos sendo picados, amassados, moídos, triturados... Se me causa aflição e cai no gore eu não gosto. Todo choque visual que mostra a destruição de um ser vivo me incomoda muito.  Quando o terror é psicológico, insinua e não mostra, isso me deixa mais confortável, por pior, no bom sentido, que seja o desenrolar da história. E fui atrás de O Segredo de Widow's Bay e gostei da temática, mas como sou escaldado com os terrores estadunidenses notei qeu havia no elenco o Rhys que me fez dar uma chance a essa série. 

E estava certo, uma vila isolada, no caso numa ilha que possui um mistério ligado a um antepassado local. São as típicas representações de pessoas alienadas e odiosas de uma comunidade pequena. Não tem um personagem que eu simpatize. E para mim parecia tudo muito atípico. Até lembrar que eu cresci em uma cidade pequena onde todo mundo se conhecia, em sua maioria, e fingem que não e muitos acabam prejudicando os outros só por achar alguma coisa que nem sempre condiz com a verdade, mas na cabeça dela foi estabelecido que sim. Então meu ódio era ver algo que eu vivi, e pior, estou de novo sendo obrigado a vivenciar por ter voltado a morar no interior. Há pessoas fantáticas, como em todo lugar, mas aqui as pessoas odiosas estão muito próximas de você. É o vizinho que do nada joga na sua cara uma opinião hedionda ou na padaria uma vózinha fofa sendo intolerante e racista. Em cidade maior isso também acontece, contudo aqui, às vezes, essa vozinha foi sua professora no Ensino Médio. 

Tirando esse espelhamento e voltando para a série ela tem uma história um pouco arrastada no começo, o que nos faz conhecer melhor os personagens. Tanto que algo interessante mesmo só acontece  no episódio quatro e a temporada toda tem nove ao todo.  Contudo, há uma coisinha que me incomodou, não tenho muito como falar sem entregar spoiler, mas se puder dizer de forma geral, para o ato mágico acontecer há necessidade de total intenção e clareza de quem está executando algo. Não tem como invocar um demônio sem querer, nos filmes é possível por conveniência dos redatores. E aí as coisas vão virar um turbilhão de situações realmente mistériosas e interessantes. 

Rhys está fantástico como o covarde prefeito Tom que entende que só não vai embora dali por causa do medo de seu filho não sobreviver fora da ilha, existe uma lenda em torno disso. E com ele tem uma equipe de outros personagens, através da boa interpretação dos atores, totalmente desfuncionais que acabam encorpando o drama e horror dos mistérios que foram esquecidos pela população local. E talvez isso explique o fato de que quando me mudo para uma cidade diferente eu tento saber toda a história local para não ser pego de surpresa. Afinal, não tem nada mais assustador que a falta de conhecimento para lidar com o sobrenatural loca. Aprendi com a Samara Morgan que às vezes a entidade só quer ser ouvida.  


Um PS: Escrevi esse texto todo durante o período da tarde do dia 16 de junho de 2026. À noite na revisão decidi por a última frase. Continuei fazendo outras coisas quando vejo uma postagem no Instagram sobre a atriz Daveigh Chase ter falecido aos 35 anos. Ela interpretou Samara Morgan na versão estadunidense do filme O Chamado. Acho que a melhor vilã de filmes de terror dos últimos tempo.

R.I.P. Daveigh/Samara... Nunca mais olhei para um poço e para uma televisão de tubo com os mesmos olhos... E sempre atendo uma ligação de telefone apreensivo esperando não escutar "Seven days..."  

quinta-feira, 11 de junho de 2026

Mestres do Universo - Essa Resnha Não é Minha





 Mestres do Universo - Essa Resnha Não é Minha

Por mais que eu agora seja um homem crescido, na hora que apagaram as luzes e na tela apareceu o logo da Metro-Goldwyn-Mayer com um tigre verde rugindo abriu-se um portal direto para os anos de 1986-1989 e eu simplesmente deixei de ser adulto. 

Eu não sou uma pessoa nostálgica que vive com saudade do passado. Tirando pouquíssimas épocas pontuais de minha vida o restante eu vivi da forma mais intensa que pude e não. E fui uma criança de interior com quintal grande que ficava até certas horas pelas ruas, pois não havia perigos, pelo menos se julgava isso nessa época. Lembro de tudo e não gostaria de viver essa época de novo, só passou e guardo com carinho tudo dentro de mim.  

E foi esse garotinho, uma criancinha gorducha de covinhas na bochecha, que saía da escola correndo a tempo de assistir o episódio de He-Man antes do programa acabar que apareceu para assistir. Foi literalmente uma incorporação do meu eu-criança

Não tem como falar mal desse filme. Essa criança não vai deixar. Foi demais ver os nomes dos personagens, as roupas, os lugares. E essa criança era tão vidrada que assim que saiu os bonecos de brinquedo pediu para a mãe de presente. E tinha uma sorte de ter em outrubro o Dia das Crianças, um presente, no aniversário em novembro, outro presente, e Natal em dezembro, mais um. Eram três brinquedos seguidos, tudo bem que o restante do ano ficava sem. 

E essa criança ganhou um He-Man, um Aquático, um Tríclop, e o preferido Abelhão, que depois virou Zangão, além da nave Rotor. Não conseguiu ter o Equeleto. E sua frustração foi não conseguir a coleção toda. Filho de empregada doméstica que trabalhava fora em casa de família o dinheiro era curto. Enfim... E olha, esses brinquedos estão aqui, ainda hoje, e vocês não sabem o quanto eles estão desgastados pelo uso, pois aquela criança brincou o quanto pode e quis. 

Então, essa resenha não é do "eu-adulto", é daquela criança e ela ficou tão feliz de ter assistido finalmente uma história que resgatava o que ela imaginava para um live-action. Essa criança não liga que os tontos dos EUA não deram bilheteria suficiente ou se tem gente falando mal do filme. Ela adorou. E quem sou eu para contestar essa criança que ficou feliz por tudo o que viu? 

Só faltou um bolo Nega-Maluca, não critiquem, deixe justemente isso para outro momento, era o bolo preferido dessa criança que muitas vezes ela mesma fazia sozinha, pois aprendeu para compensar a mãe que trabalhava fora, e uma Coca-cola gelada. E tenho certeza que essa criança depois de assistir o filme e comer  ia pegar seus "hominhos" e ia reproduzir o filme todo do seu jeito em uma aventura pelo seu quintal cheio de lugares bons para construir fortalezas de tijolo e tábuas. 

Essa criança foi feliz e está feliz.  Vai contrariar ela? Eu não vou. 





Um aviso: Estou com já com um perfil no Letterboxd que é uma rede social voltada para cinéfilos e entusiastas do cinema. E como funciona também de dário estou passando todas as minhas resenhas para lá e possivelmente manterei aqui por um tempo também. Possui vários recursos mais interessantes para se usar. 

Meu nome lá está VIGAMO500