sábado, 18 de julho de 2026

Barba Ensopada de Sangue





Em 2023, ainda trabalhava de professor, eu tinha sido assaltado pela quarta vez em menos de um ano. E não foi aqueles assaltos que a pessoa fica dando mole com o celular na mão tirando foto de algum lugar e passa alguém de bicicleta e o rouba. Eu fui abordado e em duas situações teve arma apontada para mim. E pelo menos três vezes foram antes das 20h em lugares "tranquilos".  Eu morava no cruzamento da Rua Aurora com a Rua do Arouche. Era um lugar que até hoje tenho saudades do apartamento. E como eu estava puto com os roubos, sem dinheiro e as férias iriam começar eu decidi não comprar nenhum celular até voltar ao trabalho de novo. Foram 45 dias mais ou menos sem celular. E foram dias muito produtivos. 

Entre minhas propostas estavam turistar no centro de São Paulo para conhecer os lugares históricos, museus, parques, bares, restaurantes e participar de eventos culturais que eu não tivera tempo até então para ir, eu tinha me mudado para ali somente há 7 meses. E também decidi voltar a ler. Devido a intensidade de trabalho não conseguia ler textos mais longos. A jornada de aulas convencionais e a mudança de escola todos os anos era cansativa. E a pandemia não me fez bem e me deixou muito mais ansioso. Voltei a ler da forma antiga, fiz minha fichinha na Biblioteca Mário de Andrade, que era próxima, e fui peganto os livrinhos gostosinhos. Li nesse período, sem o abjeto objeto me tirando a atenção, 8 livros mais várias HQs adultas. 

Um desses livros foi um enorme click bait dos infernos. O livro atendia meus requistos, ser de autores novos de nossa literatura nacional e que tinham uma boa repercução pois queria também entender como estavam os textos reconhecidos pela crítica. Em especial um livro vistoso de capa vermelha com um cachorro na capa me chamou a atenção, Até o Dia em que o Cão Morreu. Deixo claro que o livro foi muito bem escrito, mas o enredo me deu nos nervos. Um hetero top de quase trinta anos que não sabe o que fazer da vida e fica enrolando garotas que aparecem na vida dele. Ele trabalha dando aulas de inglês, o que achei um disparate que foi comparado a não fazer nada, e ele ainda não conseguia se manter, precisava da ajuda do pai, e olha que os professores que mais ganham são os de inglês. E o cachorro? Nem para ser um bom coadjuvante ele foi. Mal se falava do bicho E, na adaptação para o cinema que fizeram ficou mais claro que o cachorro era o cara. O filme se chamou Cão sem Dono. Com enredo tão insoso quanto o livro. 

E por qual motivo que estou escrevendo tudo isso aqui? É que o autor é o Daniel Galera, um queridinho da literatura nacional contemporânea e mais um livro dele se tornou filme, Barba Ensopada de Sangue. Aqui estou fazendo o caminho inverso. Assisto primeiro o filme e depois tento achar o livro. A biblioteca da cidade que estou morando não é tão atualizada como a Mário de Andrade. 

Eu achei o enredo muito melhor dessa vez. Porém, o ritmo do filme é meio arrastado. A atuação do Gabriel Leone é muito boa. Ele teve o cuidado com o sotaque. Me dá ódio de ver outras regiões do país com aquele r escarrdo do ator carioca que não faz seu trabalho de tentar reproduzir a variação linguística da região que seu personagem é. Pelo amor, só ter boa vontade. Isso é algo que critico muito nas produções brasileiras. Já a Thainá Duarte é outa coisa.... O restante do elenco está muito bem no contexto geral. E a história engata na reta final. Acompanhamos um cara chamado Gabriel que após o suicídio do pai vai morar na antiga casa do avô que é em uma praia  de passado baleeiro em Florianópolis. Instigado por seu pai, antes do ocorrido, ele fica sabendo que o avô foi assassinado lá. E tenta descobrir o que aconteceu. E tem uma cachorrinha na história, mais atuante que em Até o Dia que o Cão Morreu, a Beta. E imaginem o quanto eu fiquei preocupado com o destino da cachorrinha. E saibam, ela corre muito risco. Primeiro é por ser Florianópolis, sabemos que há moradores, principalmente ricos, que adoram fazer mal a cães. Somos todos Orelha! Segundo, o personagem se mete em complicações por seu avô ter sido odiado por todos. Não me importei muito com o pergonagem humano não. Com a Beta, meu coração apertou em alguns momentos. 

Eu geralmente não critico coisas relacionadas ao figurino ou adereços. Não tenho conhecimentos para isso. Me limito a apontar quando algo é muito discrempante ou eu que ache bem legal. Contudo quando um elemento é tão relevante a ponto de estar no título da obra e eu fui tenho que falar sim. E sou um "usuário" de barba e como tal eu entendo muito desse "acessório" masculino. Fizeram um aplique no ator que ficou parecendo aquelas barbas dos bonecos Falcon. Se não conhece dá um Google. Com tanta barba bonita por aí vão fazer aquilo? Tudo bem quererem muito usar o Leone para o papel, mas se não tem barba e ela é importe tente achar alguém com uma adequada. Barba falsa em 2026 não dá. Só isso estragou muito a minha experiência em asssistir esse filme. Só conseguia prestar ateção em quanto estava estranha. Tem quem não vá ligar ou perceber. Sejam felizes. Eu aprecio uma boa barba natural. 





sexta-feira, 17 de julho de 2026

Vida Privada




Vida Privada é uma delicinha que não sei por qual motivo deixei passar até a noite de ontem. Foi lançado em novembro do ano passado e mistura uma história de investigação de uma morte, misticismo, gente endoidando e muda tudo no final para algo oposto do que se propôs, tem a Jodie Foster como principal e é em francês. Quer coisa melhor que tudo isso? 

No filme acompanhamos uma psiquiatra americana que está radicada na França e vive sua vida em um apartamento que é meu sonho de consumo. Não importa que tenha um vizinho que escuta música alta atrapalhando seus atendimentos. Eu assumiria o risco de ter um vizinho desses para morar, com as condições para me mentar lá, naquele lugar. Se me irritasse muito eu colocaria um Brenno e Matheus "descendo para BC para morder os bombonzinho tudo..." e com certeza ele iria rever o comportamento. Em dado momento, um cliente entra em seu consultório e diz que fez hipnose e não vai mais fazer terapia com ela. Depois descobre que outra paciente cometeu suicídio e do nada começa a desaguar em um choro involuntário. E para resolver isso vai fazer hipinose contrariando tudo que acredita sobre esse procedimento que resvala na pseudociência. E ela despiroca total, deliciosamente. E no meio dessa bagunça percebemos que o problema é mais embaixo. E é muito bom. 

Primeiro tenho que deixar registrado o ódio que tive da Jodie Foster. Ela, que já é ótima interpretando em inglês, vai nos dar uma ótima atuação em francês. Eu não consigo sair do "Bonjour!". Outra coisa, é que é um filme europeu francês e dá aquele alívio desopilando o fígado dos enlatados hollywoodianos. E a história totalmente bem estruturada e bem amarrada em um bom roteiro. Os lugares são lindos, mas dá para ver que está frio daqui do nosso "pais tropical, abençoado por Deus e bonito por natureza, que beleza. E tem Carnaval..." De tudo só queria o apartamento mesmo. Só que eu queria que fosse na cidade de São Paulo ou em Santa Cecília, ou Consolação ou ainda no Bela Vista. Sonho. 

Eu particularmente gosto muito de ouvir o idioma francês e em um bom filme fica melhor. Fazia tempo que não assistia algo nesse idioma. Jodie Foster sempre nos presenteia com uma ótima interpretação e tinha cenas que ela parecia rejuvenescer anos na nossa frente. A última coisa que assisti dela foi na quinta temporada de True Detective - Night Country que é outra história fantástica. Ultimamente tenho avaliado as produções por ter tomado meu tempo e por ter um final coerente. Este filme não foi tempo perdido e o final é bem construído.  Vale o rolê todo com certeza. 

























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terça-feira, 14 de julho de 2026

O Gênio do Crime: Adaptação decepcionante




Quando decidiram adaptar O Escaravelho do Diabo da Lúcia Machado de Almeida eu realmente fiquei animado. Eu li esse livro quando era adolescente e consumia só livros infanto-juvenis e me animei muito por uma história de um asssassino que matava pessoas ruivas. E quando foi para a tela em formato de filme que decepção. Quem quiser a resenha sobre esse filme está aqui:

https://assuntocronicoviniciusmotta.blogspot.com/2016/06/o-escaravelho-do-diabo-adaptacao-que.html

E agora, um outro livro que li nessa fase virou filme e ocorreu o mesmo problema de O Escaravelho do Diabo. Ao tentarem atualizar as histórias para nossos dias eles perderam a grande sacada de fazer o uso do saudosismo de uma época. Foi mais ou menos o que Stranger Things aproveitou muito bem. Apesar da história das mortes de ruivos ser de 1953 e a outra, de um menino que investiga falsificação de figurinhas de futebol, de 1969 se usasse um denominador comum e colocasse no começo da década de 1980 todos ganhariam, principalmente nós. Entendo que uma produção dessas pode ficar com custos muitos altos e nosso cinema carece de maiores incentivos. 

E mais duas coisas que me irritam profundamente, a primeira é a escalação do elenco. As crianças escolhidas não possuem carísma suficiente. Os personagens do Gordo e da Berenice deveriam ser duas crianças encapetadas de espertas e de uma época que celular não existia e eles faziam e aconteciam numa cidade grande, como é São Paulo. Hoje? Os dois alecrins dourados não sairiam de casa e sequer olhariam o que quer que fosse a não ser uma tela de celular.  E aí, vou para outra coisa que me irrita muito mais, sotaque. O audiovisual brasileiro insiste em socar goela abaixo o sotaque carioca em tudo. Eu friso que não assisti a versão nova de Dona Beja por ódio de ouvir o sotaque carioca em todos os personagens. É um sacrilégio não ter o sotaque mineiro. E quando um ator faz um sotaque caricato? É pior, é só usar atores da região, e para isso ter boa vontade. Ou faça um bom treino de variação linguística regional. Há um apagamento sistemático de sotaques que não seja o carioca e o paulistano injustificável. Eu sou caipira de nascença e saí do interior com meus 20 anos e estou de volta agora, os sotaques, quando há, daqui do interior, são muito desleixados e caricatos. 

Bom, não tem muito que falar desse filme, os atores adultos até estão ali no limite da canastrice o que não é tão ruim, estamos acostumados com essa pegada devido as produções típicas de humor da Globo. A história em si não foi bem encaixada e por as figurinhas sendo pirateadas dos jogadores da Copa de 2026 já deixou a história datada em julho, o filme foi lançado em maio. Por sorte que não usaram o "garoto" de 34 anos que não faz nada de bom no campo nem na vida, usaram o Vini Jr. como figurinha mais falsificada da história. Perceba que nem vou dar o resumo da história pois não quero macular a minha memória afetiva referenciando  o filme no livro. Me recuso. 
















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domingo, 12 de julho de 2026

As Ovelhas Detetives: Ovelhas em Pele de Detetives




Eu acho que estou virando um molengão. Não estou mais me interessando em filmes "pesados" ou "esquisitos" com entidades, maldades demonícas, e roteiros construídos em tacar na nossa fuça um body horror só para chocar. Eu acho que há formas e formas de se contar uma história. Eu ando preferindo assitir coisas fofinhas, leves e divertidas. E As Ovelhas Detetives é bem isso. 

Temos aqui a velha história de detetive com todos os códigos possíveis desse tipo de narrativa. Contudo, o detetive, não é dos mais inteligentes e conta com a ajuda de um grupo inusitado de ovelhas. Ovelhas fofas e medrosas. E é fabuloso. É aquele descanso e sensação de calor no coração que só um final feliz, apesar das adversidades, causam em uma história justa e verossímel do começo ao fim.

Nos primeiros minutos de filme acompanhamos tranquilamente, mas sem nos entediarmos, a vida do pastor de ovelhas George Hardy (Hugh Jackman) que cuida com todo carinho de seu pasto e de seus animais. Dá remédio, tosa, vai na cidade brigar com um ou outro morador local. Aí já vemos umas discrepâncias nessa vida tranquila desse homem. Ao fim da tarde ele lê romances policiais para que suas ovelhas durmam melhor. E elas adoram. Até ficam bravas em um momento por ele parar na melhor parte. Quem nunca teve uma pessoa lendo uma história para você antes de dormir, não sabe como é emocionante. Fizeram um pouco disso em casa, mas isso é para outra história que não cabe aqui no blog. Quem sabe lá no Substack. Após sua noite de sono restaurador as ovelhas encontram o George morto no gramado em frente ao trailer que ele morava. E começa uma investigação muito divertida. As ovelhas se fazem valer dos truques mais engaçados e se metem em situações bem inusitadas. 

Temos um elenco que é uma belezinha. Tanto fazendo os humanos quanto as vozes das ovelhas que nos dá participações especiais bem interessante, pena que se perdem na dublagem. Elas não falam com os humanos, só deixando claro, o que deixa a história mais engraçada. 

Fazia um tempo que não assistia algo tão leve e bobo sem ser idiota. Há sacadas bem inteligentes na construção da história toda. Esse tipo de filme entra naquela categoria que eu mais gosto, puro entretenimento despretencioso, mas que não parte do princípio que somos incapazes de entender algo ou ainda descambando para a idiotice e falta de inteligência dos personagens. Bom, há um bem burrinho, mas é incrível que um livro pode fazer na vida de uma pessoa. 

Aqui temos uma linda e contemporânea fábula "em pele de" história de detetives que enternece e ainda reforça a importancia da leitura de um bom livro. E essa história é uma adaptação de um livro de Leonie Swann. Cada vez mais dá vontade de escrever inspirados em histórias assim. 












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sábado, 11 de julho de 2026

Substack, Reacts e Livros

             





        Gente, eu não tenho assistido nada nesses dias. Como eu descobri o Substack eu tenho dado uma atenção a ele. Caso queiram dar uma olhada o meu é este https://substack.com/@vigamo.  E até este momento ele tem contemplado meus desejos de escrever várias coisas diferenciadas em uma plataforma não muito defasada. Também tenho feito um curso online de escrita de roteiro e, pasmem, estou lendo compulsivamente. Algo que estava emperrado desde que voltei a morar no interior de São Paulo. Só para ter uma noção, estou planejando ler Torto Arado desde ano passado e só agora consegui. E em janeiro iniciei ler A Cabeça do Santo. Finalizei semana passada. e o livro tem menos de 180 páginas. Mas minha saúde mental não estava das melhores. Não que esteja totalmente recuperado. mas melhorei. 

    E outra coisa que ando bem desgostoso aqui é que não consigo monetizar o conteúdo. Li todas as regras e eu não entendo por qual motivo não libera a monetização. São 14 anos aqui, por mais que tenha os hiatos de tempo sem postar, não são dois meses. E o Substack dá para monetizar, ou melhor, ter assinaturas e ajudas ao escritor. Algo que já tentei aqui de outra forma, e não houve adesão. Nem retorno nenhum de alguma crítitica ou comentário que ajudaria num retorno e melhora pessoal eu consigo. Virou apenas a um lugar que as pessoas acessam, comentam e, se interessarem, ajudam o escritor de alguma forma. Pelo menos há a possibilidade.

    Estou pensando ainda o que fazer. Possivelmente deixarei de base para continuar postanto os meus conteúdos de filmes e talvez coloque alguma coisa ou outra neste blog. Meu maior interesse era ter um meio de me manter escrevendo e treinar a escrita e esse blog ajudou muito. E convenhamos, tenho mais de 500 postagens aqui, se considerar os que eu desvinculei da época que escrevia sobre minha vida pessoal num contexto específico. De filmes e séries são mais de 350. E como quero ganhar para escrever e viver de escrtia, um sonho meio difícil de concretizar aqui, e no Brasil, eu pretendo realmente focar nesses recursos. Eu também estou postando sobre filmes no https://letterboxd.com/vigamo500/, contudo percebi que lá é um tanto obscuro. Então possivelmente vou postar concomitantemente nos dois lugares os mesmo textos sobre os filmes. Série lá não contempla       

        E também culpo a safra atual de produções. Supergirl, Obsessão e Minions e os Monstros estão na fila, contudo, realmente não consegui me convencer a assistí-los. Série piorou. Acho que isso me empurrou, óh que vida cruel, para a leitura. E vou admitir um novo vício aqui, estou adorando assistir react de gringos assistindo coisas brasileiras, de shows, clips de músicas a filmes. Nossa me deu um vigor novo. É interessantíssimo perceber o quanto nossa cultura é admirada fora do Brasil. Algumas vezes assisto algo nosso com a tendência de não dar o valor real, se é nosso desvalorizamos pelo viés do complexo do vira-latas. Querendo ou não ainda nos influencia essa forma de menosprezo de nossa cultura. E como é nossa cultura nem sempre enxergamos algo como que chame tanta atenção, pois é como se fosse tão comum que não causa emoção. Só um exemplo foi assistir reacts sobre músicas da Marília Mendonça. Não acho que o sertanejo atual tome os melhores caminhos artísticos possíveis, sendo que dinheiro e patrocínio eles possuem para fazê-lo, e não fazem por comodismo. É um gênero que ficou raso e comercial de uma forma escancarada. Contudo, não tem como esquecer que os profissionais lá são bons, tirando um ou outro, mas no geral são vozes muito boas, e nem toda música é tão ruim assim, não tem muita diversidade. Então amortecido emocionalmente eu assistia uma coisa ou outra sem nenhuma comoção e ver um gringo de boca aberta com nossa saudosa cantora de sertenejo, a Marília, é muito interessante. É como se eu reconhecesse a emoção que eu deveria ter pelos olhos do outro. E, as vezes é isso, estamos amortecidos e precisamos ver outra pessoa para entender o que deveríamos sentir. E com isso assisti reacts de gringos assistinto Central do Brasil, Lisbela e o Prisioneiro, Auto da Compadecida, Tropa de Elite, Ainda Estou Aqui e outros. E foi muito interessante perceber a emoção do pessoal assistindo. Uma emoção que nem sempre eu tive, sendo eu brasileiro. Ainda não supereei esse novo interesse. Logo, como outros, ele vai parar, mas no momento essa prática tira o tempo de assistir outras coisas. Também estou assistindo Beta Boechat e seu programa no meio do dia. Nem só de filme vive um ser humano. 

    E também não estou trabalhando e isso me deixa um pouco angustiado, pois os boletos chegam. Também estou morando no interior e eu odeio aqui. Só não mudei daqui pois estou esperando vender a casa que estou morando para poder comprar o meu "quitineti" dos sonhos em São Paulo, ou outro lugar que decidir morar. Tenho estudado para concursos, bom, essa parte eu admito que tenho me enganado bastante, mas a bendita matemática que não entra nessa cachola de uma pessoa das Linguagens me deixa patinando nos estudos. 

    Bom, é isso. Aqui abaixo vou colocar o primeiro texto ficcional que estou postando no Substack, já estou no quanto texto, são curtos e tentam contar uma hitórinha simples. É um experimento para me testar e sentir o que os leitores acham. E é justo postar algo de lá aqui, pois vários textos daqui foram para lá. 

    Segue o texto.


 Projeto: A Cidade Amaldiçoada - I - O Começo (1)

Eu não lembro de minha infância, quer dizer, tenho reminiscências vagas. Se isso fosse uma sessão psicanalítica saberia dizer pouco a respeito. Tenho clarões de momentos, um aniversário, uma roupa que eu gostava muito de usar, um passeio para ir tomar sorvete, dias sentado em carteiras duras de sala de aula. Lembro muito dos conteúdos das aulas, principalmente das matérias que eu gostava dos professores. Da minha casa lembro de tudo que tinha nela, lembro dos cheiros, texturas e cores de objetos, livros, plantas. Lembro das comidas, isso eu amava. Passava um tempo brincando com a comida. Fazia uma boa argamassa com o feijão, arroz, o molho da carne cozida com as batatas que eram esmagadas para fazer parte de forma uniforme. Essa massa de comida era moldada no formato mais redondo possível e alto que eu pudesse fazer. A carne era mantida de lado como uma preciosa prenda final. Somente depois de satisfeito com a execução dessa obra que eu me permitia comer. Em casa não se comia na mesa, se comia com o prato na mão sentado no sofá assistindo televisão. Eu pegava uma mesa de centro que ficava de castigo num canto da sala e era usada só por mim para o que quer que eu precisasse. E as relações em casa eram calmas. Dificilmente acontecia uma briga, então aproveitava minha paz e assistia televisão ou brincava. Eu realmente entrava em um mundo só meu nesses momentos. Da TV evoluí para filmes e séries que ainda estão bem presentes em minha vida me levando por uma janela para lugares variados. Da brincadeira eu só tenho a sensação de missão cumprida. Eu gastei meus brinquedos. Eu tenho os poucos remanescentes ainda comigo e existe sim um desgaste do tempo que passou guardado, mas o encardume é de uso intensivo.

Começo a ter mais lembranças relevantes da minha adolescência. Foi quando meus avós morreram. Eu senti falta deles, mas entendi. Eles foram com poucos dias de diferença e continuaram presentes nos meus sonhos por anos. Não fui um garoto rebelde, mas fui bem mal humorado em casa, na rua com os amigos era até engraçadinho demais. Tive vários amigos na escola e depois prestei serviço militar e basicamente conhecia todo mundo da minha cidade que era relevante. Admito que até uns bem irrelevantes de outras idades também. Tirando os dramas adolescentes, tudo normal. Até senti em algum momento que pudesse ser algum tipo de escolhido ou um ser iluminado. A realidade mostrou veementemente que não. Eu tive curiosidade por algumas coisas que hoje entendo como esotéricas. Não foi nada religioso em si ou sobrenatural. O único lugar que via algo sobrenatural era nos filmes. Na época a internet não era opção para pesquisas, não tinha o uso difundido ainda. Então tudo era muito limitado. Ou se tinha material próprio em casa, ou ia-se na biblioteca, se houvesse algo lá, ou então se dependia de bancas de jornais e revistas. Eu mesmo nunca tive coragem de comprar alguns livros que apareceram aleatoriamente por lá. Eu acabava pegando coisas mais leves, segundo meu julgamento. Então li muito sobre signos. Achava seguro o suficiente para não causar medo. E eu não entendia direito o que era o medo então o evitava. Até que, anos depois, eu li um livro que falava melhor sobre como os sentimentos humanos tinham origem na necessidade de sobrevivência e como precisaríamos controlar essas emoções a nosso favor. Ajudou muito, pois joguei tudo na conta dessa ideia. Me apeguei o quanto pude a ela.

Minha família não tinha tantas condições e mesmo assim eu dei um jeito de sair daquela cidade. Consegui uma bolsa de estudos paga com minha saúde mental. Não estava preparado para a pressão que foi. Fiquei 12 anos enrolado com essa tentativa que claramente não deu certo. Parecia que vivia internado num sanatório. Só parecia, a verdade era até pior, eu estava vivendo a vida real de bolsista que tinha que dar conta do que estava estudando. E eu não gostava do que tinham me dado para estudar. Aquela situação parecia tentáculos lovecraftianos me puxando e segurando e direcionando para uma boca tentando me devorar e eu relutando até que, quando finalmente cedi, eu fui cuspido para fora. Quando decidi seguir aquele caminho foi encerrada minha bolsa sem nenhuma justificativa válida, eu só não tinha mais o perfil que eles procuravam. Foi o que disseram fechando as portas e guardando os apêndices grotescos que me seguravam. Eu desmoronei, mas não voltei para a cidade da minha família. Eles me apoiaram no que puderam, puderam pouco. E eu fui tentar viver o que queria viver à força. Como se eu laçasse um boi bravo sem saber como. Com custo, esforço, quebrando a cara aqui e ali eu fui me estabelecendo e me ajeitando. Arrumei uma dúzia de empregos bostas, para um dia conseguir um emprego bom, para logo perder esse emprego e tentar outras coisas. Consegui um financiamento do governo e fui estudar o que tanto queria, bom não queria tanto, mas dentre as possibilidades é o que apareceu: História. Achei que estudar a história do mundo poderia preencher as lacunas que julgava ter sobre a minha própria história. Acordava às cinco horas da manhã para estar no trabalho às sete horas e de saída às 17 horas. A faculdade era às 19 horas e nesse meio tempo eu aproveitei fazer musculação, tomava banho na academia e ia para a aula sempre atrasado. E foram quatro anos com cinco dias por semana nessa toada. Sábado desmaiava até o almoço e aproveitava com o que conseguia o restante do fim de semana. Quando me formei as coisas ficaram um pouco mais confortáveis. Comecei a dar aulas em escolas mais próximas a minha casa e o salário deu uma melhorada, bastava para aquele momento. Alguns anos me ajeitando aqui e ali.

Minha vida amorosa era tenebrosa. Quase não me apegava a ninguém tempo suficiente e quando apegava eu era obrigado a desapegar compulsoriamente. Sofria pois ninguém me queria, perceba o drama de novo, mas sofria pois eu não queria ninguém também. Namorei uma, duas vezes... Na sexta vez até pensei em morar junto, mas não deu certo. Eram tantas incompatibilidades reais e inventadas que não tinha pressa, estava novo. Era só uma falsa sensação de que eu teria todo o tempo do mundo por ser jovem, mesmo quando me dei conta do meu aniversário de 40 anos. Só que essa jovialidade era contestada o tempo todo por minha coluna e joelhos desde os 26, mas na minha cabeça eu era o moçoilo pimpão. Iludido.

A vida de professor de História de ensino público não foi tão fácil. E alguns sinais começaram a aparecer. Na verdade, escarafunchando minhas lembranças, o que não é tão simples para mim, imagino que já havia sinais bem antes do trabalho e eu nunca percebi. E veio o que ninguém esperava: 2020.

E eu colapsei.


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sábado, 27 de junho de 2026

Avatar - O Último Mestre do Ar: Aprenda Disney

 



Avatar - O Último Mestre do Ar: Aprenda Disney

Em 2005 eu já estava bem descolado dos programas televisivos e tentando resolver as perebas da vida que não estava nem um pouco fácil de sarar. Se não me engano, eu mesmo só fui ter acesso à animação do Avatar alguns anos depois de sua estreia. E gostei. Uma história de um menino cheio de espíritos ancestrais que auxiliaria o mundo em um momento que o mesmo mais precisaria. E passou um tempo e apareceu o live action fatídico do M. Night Shyamalan que desagradou todo mundo. Eu achei ok, realmente, mas quem sou eu na fila do pão não é mesmo? A história era tão boa que não tinha como deixar o fracasso cinematográfico afundar. Então, entra a Netflix resgata e transforma em formato de série. E deu muito certo. Enquanto o filme escalou  atores brancos como o Jackson Rathbone, bem sem graça em seu Sokka, e errou muito nisso, a série acertou em pegar inúmeros atores e atrizes das mais variadas etnias asiáticas e indígenas. 

A primeira temporada foi o frescor que ajudou a resgatar a história quase perdida pelo filme e agradou bastante. E agora, a segunda temporada tem acertado na escalação e representação de vários outros personagens e em especial de uma muito querida da trama, a Toph, que é feita pela atriz Miya Cech. Se na primeira temporada vemos Sokka (Ian Ousley) e Katara (Kiawentiio) encontrando Aang, o avatar que sumiu misteriosamente (Gordon Cormier), perdido e congelado próximo da aldeia da Tribo da Água do Sul, e o ajudam a retomar sua missão de ser quem é. E nessa empreitada entram em confronto com uma nação inteira que está tentando dominar e se impor ao restante do mundo. 

Toda a produção não só convence como entrega o delicioso fan service necessário para acalmar e vibrar todos que amam essa história como é bem feita e bem atuada, guardadas as devidas limitações que é normal devida a experiência dos atores mais novos. É incrível ver as roupas tão bem traspostas e sendo elaboradas de forma "real" com atores de carne e osso e com cenários e animais fantásticos de CGI  de forma satisfatoria. Appa, o bisão voador e Momo, o lêmure voador, eram fundamentais na história toda e estão bem executados. E os lugares estão muito fiéis e com lindas cenas das paisagens que nem sempre existem no mundo real. 

E agora entro na minha maior bronca com as séries, continuidade e finalização. E sim, a terceira temporada além de estar confirmada já foi gravada. Então teremos uma finalização dessa história que é tão querida e simpática a todos nós. No original da animação houve um final, então, tudo está pronto no canal de origem, a Nickelodeon. E assim fico feliz com essa que história vai ter um final, o que tanto desejo sempre nas séries. E será que teremos Avatar: A Lenda de Korra em live action? Queremos também, afinal somos insaciáveis com as adaptações bem feitas de nossas histórias favoritas. Aprenda Disney. 





























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domingo, 21 de junho de 2026

Dia D: ET...Telefone...Minha Casa, Não Péra!

 






Dia D: ET...Telefone...Minha Casa, Não Péra!


Esses dias fiz um listamento comentado de dois diretores, Quentin Tarantino e Francis Ford Coppola, e aproveitei para preparar a do Steven Spielberg e me assustei bastante com o tanto de filmes que assisti desse diretor e ao mesmo tempo o quanto que ainda não assisti. O último visto por mim foi Lincoln em 2013, incluive tem resenha aqui no Blog. Depois eu não me interessei por nenhum até o momento. 

E também não estava tão animado por este, admito. E fui olhar os vídeos de dois críticos, de quem gosto muito, que tiveram opiniões tão opostas que me causou curiosidade e decidi assisti. E como 'é notório' o gosto do diretor, produtor e roteirista pelo tema de extraterrestres. Dos que assiti, Contatos Imediatos do Terceiro Grau e E.T. O Extraterrestre são mais inspirados que este, mas não deixa de ser divertido. Guerra dos Mundos  achei muito impessoal comparados a esses três por sua vez. 

O enredo direciona a uma hipotética revelação sobre a presença de seres que não são da Terra pelos canais televisivos. Para isso haverá uma grande corporação ligada ao governo tentando impedir que isso ocorra. Algumas coisas ficam um pouco estranhas, na época da Inteligência Artificial isso nem ser cogitado, tudo ir para a televisão primeiro e só depois para a internet e o velho colonialismo, "U-S-EI"  mostrado como o centro pleno da existência do universo e tudo acontece lá. Estamos precisando de uma nova revolução copernicana tirando o EUA do centro de todo o universo e dos multiversos. Enquanto eles não recebem esse chá revelação, o silêncio da China é ensurdecedor sobre esse tema, nós colonizados vamos consumindo o que eles produzem com  ou sem senso crítico e está tudo bem. Cada qual com cada seu. 

O filme devolve um pouco a sensação de diversão pipoca que, por sentir falta, talvez tenha me desanimado e afastado dos outros filmes que citei acima. Vou retomar principalmente por haver alguns títulos que me causaram uma certa curiosidade. Principalmente por esse diretor ser tão essencial e fundamental para o cinema atual. 



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