terça-feira, 28 de abril de 2026

Eles Vão te Matar: Divertido






 Eles Vão te Matar: Divertido

Quando apareceu para mim o trailer de Eles Vão te Matar pela primeira vez  eu já quis assistir o filme. Gosto bastante da Zazzie Beetz desde que a vi em Atlanta (série de 2016-2022) e logo em seguida no filme DeadPool 2 (1018) em que fazia a fantástica mutante Dominó que acho que tem um dos melhores poderes apelões da Marvel, ela tem o poder de manipular probabilidades causando para si sorte e para os inimigos azar. Minha terapeuta sabe o quanto esse "poder" precisa ser trabalhado em mim, principalmente por eu não ter poder nenhum, e se tivesse, ele estaria um pouco invertido no meu caso. E aqui nesse filme, que estou comentando, ela faz a Asia Reaves que é bem  parecida com a Dominó. 

No trailer eu percebi que iria ser uma farofada, algo meio humorístico, o que ficou muito evidente aos 28 minutos e 50 segundos do filme. Até o 19 minutos eu achei que estava indo até para um lado de suspense meio sério e nos 10 minutos seguintes começou a titubear para longe disso. E depois foi só ladeira a baixo na palhaçada e incrivelmente ladeira a cima  no quesito diversão. Nós nunca sabemos o quanto um filme é autoral ou uma homenagem a outro título.  Eu realmente senti em vários momentos de decepações de membros um misto de nostálgica recordação de Kill Bill (2004). 

Aqui acompanhamos a Asia Reaves entrando num hotel disfarçada para resgatar sua irmã desaparecida e lá se depara com um grupo que a quer como sacrifício ao deus, melhor,  demônio deles. Parece que eles fazem isso há décadas. E olha, mesmo tento mortes rocambolescas tudo faz total sentido e diverte. Diversão claramente é a motivação da história. Por mais que o roteiro seja bem amarrado tem os efeitos em sua maioria práticos. E isso dá uma graça maravilhosa. Claro que depois de tantos anos de cinema quando vamos assistir um filme sabemos que tudo é "mentira", contudo, o CGI acabou mais atrapalhando que ajudando nessa aparência de mostrar  "verdade". Com bons cortes de cenas, movimentos de câmera e luzes bem trabalhadas os efeitos práticos acabam dando aquele toque tosco que faz diferença. E esse filme brinca muito com cortes de pescoços, explosões de cabeça, facadas, membros tirados do lugar, uns andando por aí espionando e um monte de outras formas de retratar as mais diversas formas de machucar e matar alguém. E olha que tem um bônus, o sobrenatural se faz presente de um jeito bem assustador apesar do tom cômico. É que sou católico e perdi esse misticismo todo que os filmes exaltam tanto em relação ao capiroto, mas assustaria bem e, em outras épocas, não assistiria sozinho de noite nunca. Hoje evoluí, meus medos são outros: boletos. Nossa Senhora, só de lembrar até arrepia a espinha!

Realmente eu esperava um filme trasheira e bobo e veio com a diversão de brinde. Achei mesmo que iria para uma linha fácil de "final girl" no estilo Casamento Sangrento, que o 2 também tem estreia para esse ano. Eles Vão te Matar conta ainda com uma louca chefe dos empregados vivida por Patrícia Arquete e o eterno sonserino Tom Felton fazendo um dos perseguidores de Asia. Tudo tem que ser assistido com a premissa da diversão, assim, as cenas absurdas e violentas não só farão sentido, como, muitas vezes, elas são a piada da história.  

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They’re Going to Kill You: Fun

    When the trailer for They’re Going to Kill You first popped up for me, I immediately wanted to watch it. I’ve liked Zazie Beetz ever since I saw her in Atlanta, and soon after in Deadpool 2, where she played the fantastic mutant Domino. I think Domino has one of the best overpowered abilities in Marvel: she can manipulate probabilities, bringing herself good luck while giving her enemies bad luck. My therapist knows how much that “power” would need to be developed in me—especially since I have no powers at all, and if I did, mine would probably work in reverse. And here, in this film, she plays Asia Reaves, who is quite similar to Domino.

    From the trailer, I could tell it was going to be a wild, over-the-top ride with a comedic edge, something that becomes very clear around the 28-minute, 50-second mark. Up until about minute 19, I thought it was heading into more serious suspense territory, and then over the next ten minutes it started wobbling away from that. Afterward, it was all downhill into ridiculousness—and somehow uphill when it came to entertainment. We never really know how much a film is being original or paying homage to another title. In several moments of limbs being chopped off, I genuinely felt a nostalgic echo of Kill Bill: Volume 1.

    Here, we follow Asia Reaves as she sneaks into a hotel to rescue her missing sister, only to run into a group that wants to use her as a sacrifice for their god—or rather, demon. Apparently, they’ve been doing this for decades. And honestly, even with the outrageous deaths, everything somehow makes sense and remains entertaining. Fun is clearly the story’s main motivation. As tightly put together as the script is, most of the effects are practical, which gives the movie a wonderful charm. After so many years of cinema, we all know what we’re watching is “fake,” but CGI has often hurt more than helped when it comes to creating the illusion of truth. With clever editing, camera movement, and strong lighting, practical effects bring that delightfully cheesy touch that really matters. This movie has a blast with slit throats, exploding heads, stabbings, limbs ripped out of place, some of them wandering around spying, and plenty of other creative ways to injure and kill someone. And there’s a bonus: the supernatural element is genuinely creepy despite the comedic tone. I’m Catholic, so I’ve lost some of the mysticism movies love to give the devil, but it still would’ve scared me—and in other times, I’d never have watched this alone at night. Today I’ve evolved; my fears are different now: bills. Sweet Mother of God, just thinking about them sends chills down my spine.

    I truly expected a trashy, silly movie and instead got genuine fun as a bonus. I honestly thought it would follow the easy “final girl” route, in the style of Ready or Not, whose sequel is also set to release this year. They’re Going to Kill You also features a delightfully unhinged head of staff played by Patricia Arquette, along with the forever Slytherin Tom Felton as one of Asia’s pursuers. Everything has to be watched with fun as the premise. That way, the absurd and violent scenes not only make sense, but often become the punchline themselves.

domingo, 26 de abril de 2026

Força! Nakamura-kun!: meu primeiro BL






 Força! Nakamura-kun!: meu primeiro BL


Depois de saber que Rivalidade Ardente era uma adaptação de um livro intencionalmente erótico escrito para mulheres, eu fiquei muito curioso sobre essa possibilidade e fui pesquisar. Escancarando aqui, para quem não sabe, desejo muito escrever histórias ficcionais. Já tenho uns rascunhos que esbarram somente numa coisa que impede de finalizá-los: preguiça e circunstâncias da vida . Ambos se misturam intrinsecamente em minha existência. Sem entrar em explicações desnecessárias, eu gosto de estudar sobre processos criativos de textos literários. Já fui atrás de A Jornada do Herói (Joseph Campbell), do livro Sobre a Escrita, de Stephen King, Oficina de Escritores, de Stephen Koch, entre vários vídeos sobre o assunto e pesquisas variadas. Lembro de algo deles? Só do básico. Minha cabeça anda um tanto desconectada, e acabo não assimilando muito.

E assim que pesquisei mais sobre o assunto de histórias gays escritas por mulheres para mulheres, eu já me deparei com os BLs (Boys' Love), que são produções não necessariamente eróticas, girando sempre em torno de um romance homoafetivo entre homens, que surgiram no Japão e se estenderam pela Tailândia, Coreia e até China, que flerta com o gênero, mesmo que lá a homoafetividade seja desincentivada e camuflada com a representação do amor fraternal entre amigos. Iniciou-se com mangás, e foi um pulo para outros tipos de produções: filmes, séries e livros.

E o tema gera muita ojeriza aos homofóbicos de plantão. O que acho muito estranho, pois o brasileiro é extremamente homoafetivo, apesar de ser heterossexual, oficialmente. O que quer dizer isso? O objeto de afeto de vários homens não é uma mulher, é o amigo, o parça, o 'brother' que é do mesmo sexo. Quer dizer que ele seja homossexual, que faça sexo com pessoas do mesmo sexo? Não. Quer dizer que ele desloca o amor afetivo do amor erótico. Para o "parça", homem, ele dá o coração; para a namorada, esposa ou ficante, mulher, ele dá pau. Nem sempre afeto e sexo andam juntos. E podem espernear: não é algo que eu tirei da minha cabeça. Existe e alguns autores trabalham esse tema com seriedade. 

E por acaso acabei vendo um perfil no Instagram de um cara falando justamente de produções BLs e, depois, um vídeo no YouTube, e dei de cara com a indicação de Força! Nakamura-kun!. E, como não sou de assistir muita animação japonesa, decidi justamente escolher esse tipo para ser meu primeiro BL. E, acreditem, ele tem tudo o que eu não gosto: amor entre adolescentes ambientado em uma escola. Eu fui professor de escola pública, e isso explica meu desânimo com esses temas. Então, soma essas características ao estilo de mangá e anime e a uma certa inocência na forma de abordar o tema, e temos uma animação bem gostosinha. Força! Nakamura-kun! é, sim, uma animação gostosinha de assistir. Nela vemos Nakamura, um jovem que está iniciando seu ensino médio numa nova escola, já entende e aceita que gosta de meninos e se apaixona pelo seu colega de sala, Hirose, e todo o drama adolescente se instaura. E, como é uma produção japonesa, temos todas aquelas caras e bocas típicas e exageradas que permeiam o estilo mangá/anime.

A história toda é pelo ponto de vista do Nakamura, que está totalmente perdido com suas emoções e nem sempre sabe o que fazer, mas quer ser próximo do seu amigo no sentido mais romântico. Apesar de ser algo bem leve e não se pautar pelo erotismo, percebi que existem, sim, umas coisas implícitas. Afinal, é algo feito por adultos para adolescentes, sendo não recomendado para menores de 12 anos.

Para nós, que somos mais velhos, pode parecer um tanto mais infantilizado. Contudo, para outros, é algo que agrada muito. Muitos marmanjos gostam desse gênero mais juvenil. Como meu primeiro BL em forma de anime, eu até que gostei. E minha curiosidade é pelo formato em si. Agora quero assistir a algum filme ou série BL na versão com atores para entender melhor o estilo. E, nessa pesquisa, descobri que existe uma infinidade de subgêneros que está no mercado, é muito consumida e, por isso, merece, sim, uma conferida.


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Go For It, Nakamura!: My First BL


After finding out that Rivalidade Ardente was an adaptation of an intentionally erotic book written for women, I became very curious about that possibility and decided to look into it. Full disclosure here: for those who don’t know, I very much want to write fictional stories. I already have a few drafts that only run into one obstacle keeping me from finishing them: laziness and life circumstances. Both are deeply intertwined in my existence. Without getting into unnecessary explanations, I enjoy studying the creative processes behind literary writing. I’ve looked into The Hero with a Thousand Faces (Joseph Campbell), On Writing by Stephen King, The Modern Library Writer’s Workshop by Stephen Koch, along with many videos and assorted research on the subject. Do I remember much from them? Just the basics. My mind has felt somewhat disconnected lately, and I don’t absorb as much as I’d like.

So, as soon as I researched more about gay stories written by women for women, I quickly came across BLs (Boys’ Love), productions not necessarily erotic in nature, but almost always centered on a romantic relationship between men. They originated in Japan and spread through Thailand, Korea, and even China, which flirts with the genre, even if same-sex affection there is often discouraged and disguised as brotherly love between friends. It started with manga, and soon expanded into other forms of media: films, series, and books.

And the theme causes a lot of disgust among the usual homophobes. Which I find strange, because Brazilians are extremely homoaffectionate despite being, officially, heterosexual. What do I mean by that? For many men, the main object of affection is not a woman, but their male friend, their buddy, their “bro.” Does that mean he is homosexual or has sex with men? No. It means he separates emotional love from erotic love. For the male buddy, he gives his heart; for the girlfriend, wife, or fling, he gives sex. Affection and sex do not always walk together. People can protest all they want: this is not something I invented. It exists, and some authors explore this theme seriously.

By chance, I ended up seeing an Instagram profile of a guy talking precisely about BL productions, and later a YouTube video, where I came across a recommendation for Go For It, Nakamura!. Since I’m not someone who watches much Japanese animation, I decided this would be my very first BL. And believe me, it has everything I usually dislike: teenage love set in a school environment. I used to teach in public schools, which explains my lack of enthusiasm for these themes. So, combine those traits with manga/anime style and a certain innocence in the way the topic is approached, and you get a very charming little animation. Go For It, Nakamura! really is a delightful watch.

In it, we follow Nakamura, a young boy beginning high school at a new school. He already understands and accepts that he likes boys, and he falls for his classmate Hirose, setting all the adolescent drama in motion. And because it is a Japanese production, we get all those typical exaggerated expressions and antics that are part of the manga/anime style.

The whole story is told from Nakamura’s point of view. He is completely lost in his emotions and doesn’t always know what to do, but he wants to be close to his friend in the most romantic sense. Even though it is very lighthearted and not centered on eroticism, I noticed there are definitely some implicit undertones. After all, it is something made by adults for teenagers, and not recommended for children under twelve.

For those of us who are older, it may feel somewhat childish. But for others, it is something highly enjoyable. Plenty of grown men enjoy this more youthful genre. As my first anime BL, I actually liked it. And my curiosity is really about the format itself. Now I want to watch some live-action BL films or series to better understand the style. In doing that research, I discovered there is an endless variety of subgenres on the market, it is widely consumed, and for that reason alone, it is definitely worth checking out.

sexta-feira, 24 de abril de 2026

Hacks – Medíocres - polissemia e escrita




Hacks – Medíocres - polissemia e escrita


 Quando fiquei sabendo de Hacks, eu me deparei com o problema: onde assistir? E, cinco temporadas depois, com cerca de 12 Emmys ganhos, entre outros prêmios e indicações, consegui finalmente prestigiar essa produção. Eu ainda estou na primeira temporada e já dei meu veredito: é muito boa. Estou escrevendo isso me achando a última bolacha do pacote, como se eu fosse mudar a opinião mundial. Os prêmios falam por si mesmos.

 Eu me surpreendi um pouco, pois não esperava que ela fosse para o caminho que vai. Quando me interesso por algo, não fico me bombardeando com informações a respeito. Leio somente a sinopse, quando leio, ou assisto alguém que comentou, ou mesmo a propaganda em torno sem aprofundar muito no assunto. É o que acontece com várias produções, como, por exemplo, duas pelas quais fiquei muito curioso: He-Man e Street Fighter. Vi os trailers de divulgação e fui ver um pouco do elenco, parei aí. Quero deixar a curiosidade suspensa para quando assistir aproveitar melhor.

Com Hacks, eu tive essa mesma atitude. E agora que já iniciei a série, finalizei a primeira temporada e já estou engatilhado para as próximas. Uma coisa que só agora veio a compreensão é sobre a palavra “hacks” que é uma gíria na língua original que esbarra na polissemia que o nome dado em português não alcança: Medíocres. Polissemia é um fenômeno linguístico que explica como uma única palavra assume vários significados, dependendo do contexto em que é usada. Temos nosso coringa das palavras na nossa língua portuguesa que tem um significado tão polissêmico que é quase impossível classificar todos, a palavra “coisa”.

 “Hack”, enquanto palavra, pode ser usada como “corte” ou “picar” e, ainda, no meio digital, empresta sua raiz para a palavra “hacker”, que remete à pirataria cibernética. Na série, há o sentido de um escritor medíocre. Por esse motivo colocaram esse nome em português; contudo, o sentido real é muito mais encorpado do que nossa explicação alcança. A polissemia causa essa dificuldade em explicar o real sentido da palavra.

Então, podemos chegar a uma média de sentidos que seria "um escritor que perdeu o viço e entra no automático", descrevendo Deborah Vance (Jean Smart) perfeitamente. Deborah chegou a uma idade em que tudo está estagnado. O que não quer dizer que ela esteja na pior. Ela vai muito bem. Só que sua glória de comediante, que despontava para o sucesso de um talk show próprio, se desfez em acontecimentos pessoais. Caiu e se levantou, foi grande e agora é só algo comercial produzindo, no caso, textos ou conteúdos de humor meramente comerciais.

Uma outra leitura para “hack” poderia ser a de um escritor/roteirista que até tem talento, mas, por algum motivo, escreve só para ter retorno financeiro e acaba com produções medíocres, sendo o caso de Ava Daniels (Hannah Einbinder), uma roteirista mediana que faz um comentário nefasto numa rede social e, por isso, é cancelada a ponto de ninguém querer trabalhar com ela. Seu agente, aproveitando uma necessidade da comediante, tenta empurrar Ava para Deborah. E começa uma relação interessante e engraçada, não convencional, por sinal.

E, voltando à minha surpresa lá de cima, é que, para alguém como eu, que pretende escrever muito mais, a série dá pistas de como escrever, no caso, para um comediante stand-up. Não é a linha que pretendo seguir, mas acho muito curioso. Ainda mais quando o povo vive enfiando cursos de escrita criativa um tanto quanto difusos, confusos e sem objetividade. Ou mesmo escritores “hacks” que se apresentam em podcasts enfiando goela abaixo a jornada do herói que ninguém aguenta mais ver como virou um clichê batido. Eu sempre gostei de saber o processo de escrita ou mesmo de qualquer produção artística. Fico muito fascinado. E uma série abordar isso me deixa bem feliz.

 Lógico que não há uma intenção de ensinar a escrever realmente; há várias pistas para ir coletando, pelo menos nessa primeira temporada. Demorei a conseguir acessar essa série, mas valeu a espera.





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HacksMediocres – Polysemy and Writing

 When I first heard about Hacks, I ran into one problem: where could I watch it? And five seasons later, with around 12 Emmy wins, along with other awards and nominations, I finally managed to give this production the attention it deserved. I’m still on the first season, and I’ve already reached my verdict: it’s very good. I’m writing this as if I were the last cookie in the jar, like I’m about to change worldwide opinion. The awards speak for themselves.

 I was a little surprised, because I didn’t expect it to go in the direction it does. When I become interested in something, I don’t bombard myself with information about it. I only read the synopsis—when I read it at all—or watch someone talking about it, or just absorb the surrounding publicity without digging too deeply. That happens with many productions, such as two I’ve been very curious about: He-Man and Street Fighter. I watched the promotional trailers, looked up a little about the cast, and stopped there. I like to leave curiosity hanging so I can enjoy it better when I finally watch.

 With Hacks, I took that same approach. And now that I’ve started the show, finished the first season, and am already ready for the next ones, something finally clicked for me: the word “hacks.” It’s slang in the original language, and it bumps into a kind of polysemy that the Portuguese title doesn’t fully capture: Mediocres (Mediocre People). Polysemy is a linguistic phenomenon that explains how a single word can carry multiple meanings depending on the context in which it’s used. In Portuguese, we have our own wildcard word with so many meanings it’s almost impossible to classify them all: “thing.”

 “Hack,” as a word, can mean “to cut” or “to chop,” and in the digital world it lends its root to “hacker,” which evokes cyber piracy. In the series, it carries the sense of a mediocre writer. That’s why they chose that Portuguese title; however, the real meaning is much richer than our translation can convey. Polysemy creates this difficulty in explaining the true sense of the word.

 So we can arrive at an average of meanings that might be summed up as “a writer who has lost their spark and now works on autopilot,” which describes Deborah Vance (Jean Smart) perfectly. Deborah has reached an age where everything feels stagnant. That doesn’t mean she’s doing badly. She’s doing very well. But her glory as a comedian, once headed toward the success of having her own talk show, unraveled because of personal events. She fell and got back up, was once great, and now has become something merely commercial—producing, in this case, jokes and humorous content made only for commerce.

 Another reading of “hack” could be a writer or screenwriter who actually has talent but, for some reason, writes only for financial return and ends up producing mediocre work. That would fit Ava Daniels (Hannah Einbinder), an average writer who makes a nasty comment on social media and is canceled to the point that nobody wants to work with her. Her agent, taking advantage of Deborah’s need for help, tries to push Ava onto her. And so begins an interesting and funny relationship—an unconventional one, at that.

 And going back to my surprise from earlier: for someone like me, who intends to write much more, the series offers clues about how to write—specifically for a stand-up comedian. It’s not the path I intend to follow, but I find it fascinating. Especially in a world where people keep shoving vague, confusing creative writing courses at everyone, with little objectivity. Or where “hack” writers appear on podcasts forcing the hero’s journey down everyone’s throat—a formula nobody can stand anymore because it has become such a tired cliché. I’ve always loved learning about the writing process, or the process behind any artistic production. I find it deeply fascinating. And seeing a series explore that makes me very happy.

 Of course, there’s no real intention here to teach people how to write; but there are many clues to collect, at least in this first season. It took me a while to finally get access to this series, but it was worth the wait.

segunda-feira, 20 de abril de 2026

Meus primórdios neste blog






Meus primórdios neste blog


Todos sabem que escrevo sobre filmes e séries neste Blog. Tudo começou em 2012. De início, não usei esse tema. Na verdade, escrever sobre os filmes que assistia, ou séries, era um exercício para ganhar fluência na escrita. O real motivo inicial do meu Blog era “vomitar” o fel que tinha dentro de mim. Uma forma de processar algo que eu não conseguia naquela época. Daria certo se não esbarrasse em uma outra característica minha: morrer de vergonha de me expor. O que é uma besteira, pois isso é mais uma narrativa inventada por mim mesmo do que realidade. O que me ajudou muito a entender um pouco esas questões foi a terapia que iniciei em 2023. Essa narrativa, ter vergonha de me expor, me impede de evoluir em muitas coisas, e estou justamente tentando romper essa amarra que existe só em minha cabeça. Faz um tempo que ensaio escrever mais e fazer uns cursos de escrita criativa ou mesmo roteirização, mas fico me limitando por esses entraves que criei na minha cabeça. Por isso ando escrevendo textos mais pessoais quando possível. O último que o diga...

Eu postava os textos no mesmo Blog, contudo percebi que havia dois grupos distintos de leitores e decidi separar os assuntos. Isso foi dois anos depois. Os dois assuntos eram muito diferentes, e eu comecei a ter facilidade em escrever sobre produções audiovisuais. Já o outro assunto era pesado e, por vezes, dolorido. Saía cheio de veneno e realmente acabava me deixando mal. Faltava terapia.

E qual assunto tenebroso me fazia sentir mal só de recordar? O problema não foi o assunto em si. Foi ter me desvencilhado, de forma compulsória, dele três vezes, em três lugares e tempos diferentes. Simplificando: eu fui seminarista católico por cerca de oito anos não consecutivos. Eu tentei mesmo e achei que era um vocacionado, chamado por Deus, o que talvez fosse, pois a espiritualidade continuou me surpreendendo de maneiras muito assustadoras em vários outros momentos depois que abandonei de vez a possibilidade de voltar. Tanto que tentei três vezes. Três! Eu não achava justo sair do jeito que saí. Etodas as dificuldades provindas disso me deixaram muito amargo. E escrever sobre isso me parecia mesquinho e uma forma de machucar todos que me abandonaram de alguma forma. Nessas horas, o amor cristão falha. Agora, depois de tanto tempo, acho que estou conseguindo me acalmar sobre essa parte da vida e revendo muita coisa. E tenho certeza: foi a melhor coisa ter saído e não ser padre hoje em dia. A vida não está fácil, passo por um turbilhão de situações que preciso resolver. E se fosse sacerdote hoje isso seria muito negativo. Se é que eu seria feliz ou, pior, faria outros serem infelizes. As histórias que conheço me provam que meu caminho foi melhor. Mesmo que eu esteja numa pindaíba desabençoada.

Resolvi reler o meu primeiro texto e corrigir uma coisa ou outra. Precisava mesmo de uma boa edição, eu sou péssimo nisso. Como exercício de escrita e como exercício de superação de limitações, resolvi repostar. Vamos ver o que acontece. Quem sabe, se houver algum interesse, eu volte a postar os outros. Ou mesmo me anime a fazer algum outro projeto só com isso. Ando pensando muito no que fazer. Estou numa encruzilhada e tentando escolher qual caminho tomar. E olhar o passado talvez seja necessário.

Segue abaixo o texto integral que foi inicialmente postado em dezembro de 2012 e, depois, em novembro de 2015, retirei deste Blog e postei em outro, que estagnou e foi sendo esquecido. Mesmo assim conto, somando este, com cinquenta histórias escritas. E não escrevi nem metade do que passei em oito anos de seminarista.



Chatos


Estava cursando o terceiro ano de filosofia e o meu tédio crescia espantosamente. No meu caso, o tédio não era só um “não ter o que fazer”, que me deixava aborrecido, ou fazer algo chato que me deixava nesse estado de ânimo. Lá a conotação era mais específica. Algo que vinha do âmago, do interior de minhas capacidades de não suportar algumas atitudes humanas, juntamente com uma enorme tendência a não me surpreender com nada. Não me recordo ao certo, mas nesse período estava com uns 23 anos e julgava já ter visto de tudo (se achava!) e passado por várias situações. E o que não vivi tinha lido a respeito ou visto na internet. Já tinha estabelecido uma fama, ou melhor, um rótulo que acompanharia todo o período em que durasse o seminário. Ou você é o estudioso, ou o inteligente, ou o esforçado, ou o desmiolado, ou ainda o carismático (não de carisma pessoal, mas pertencente à Renovação Carismática). O meu rótulo era ser o “descolado”, o que para a Igreja era quase uma ofensa gravíssima. É, não era uma boa coisa para se ser num seminário.

Um dia desses, estava eu em um de meus surtos de tédio. E o mais sensato foi ficar no meu quarto tentando me entreter com algo legal, o que era quase impossível, ainda não tinha internet disponível nos quartos. Um dia vivi sem internet e não morri. Hoje, só cinco minutos longe de uma tela de qualquer coisa, serve até calculadora, e minha boca já começa a espumar e meus olhos insistem em girar nas órbitas. Não é preocupante até este estágio. Se eu alcançar o estágio “Megan”, de O Exorcista, saia correndo de perto o mais rápido possível. Se os sintomas forem mais para “Emily Rose”, então é tranquilo. Eu não arriscaria, mas é tranquilo. Resolvo dar uma voltinha pela casa. Vou ao quarto de Babychicken (os nomes estão alterados... Não sei se perceberam) e começo a jogar papo fora.

Uma coisa que percebi naquela época de seminário é que ninguém quase nunca ia ao meu quarto; eu ia ao quarto dos outros. Por isso consegui um brilho de dar inveja no meu chão: nenhum taco reluzia mais que os meus naquele lugar. Outra coisa que percebia é que todas as vezes que eu ia ao quarto alheio as pessoas estavam estudando. Nunca entendi como o povo estudava tanto. Eu, sem me esforçar muito, conseguia garantir minha média 8,5. Se estudasse como eles, tiraria 11 sempre. Como cada um é cada um, eu ficava na minha. Só de vez em quando fazia questão, junto com a Reginíssima (gordíssima, por isso o superlativo, porém já aviso que hoje, 2012, ela está finérrima, à base de sibutramina, diz ela que só, sem cirurgia nenhuma de redução, mas continua superlativa em tudo... Até no uso de Bala e Cetamina em boates que começou a frequentar assiduamente em São Paulo), de esfregar as nossas notas na cara da Fredina, “a magrela que se achava a filósofa” e dizia estudar horas e horas. E nós dois (apesar de achar que da parte de Reginíssima era um "trucão" enorme, pois ela estudava escondido), sem esforço e dormindo muito, conseguíamos mais nota que a magrela ou, no mínimo, a mesma nota sem estudar nada.

Com a Babychicken (apelido dado pelo próprio reitor do seminário), iniciei as conversas de sempre. Nem imaginem o que era esse “de sempre”. E conversa vai, conversa vem, ela diz que estava com uma coceira no saco, coisa que nem de longe pensei ouvir naquela hora. Eu, sem muita atenção, perguntei o que tinha, e ela disse que ter raspado todos os pelos e eles estarem pinicando. Achei estranho aquilo. Por mais asseada que a Babychicken fosse, ela não fazia o estilo de alguém que fizesse “brasileirinha” ou “bigodinho”. A conversa morreu por ali, mas eu zoei muito ela antes de sair.

Uma explicação, essa parte é da edição de agora, 2026, os tratamentos eram no feminino mesmo, pelo menos por trás da pessoa. Tinham alguns seminaristas que assumiam o alter ego feminino abertamente e só o dissimulava perto de quem fosse problemático. A mim mesmo me chamavam no feminino quando conversavam entre si, nunca na minha frente. Quando o faziam era de forma brincalhona para me irritar. Na época não gostava muito disso, achava desrespeitoso com as mulheres. E realmente era e continua sendo, mas, talvez fale algo polêmico aqui, havia uma misoginia bem pesada entre gays seminaristas que era reflexo dos padres. Quanto mais "assumido" mais misógino era o jeito de se expressar. Achei que era só dentro do contexto eclesiástico e seminarístico isso, estava bem enganado. Deixo isso para outro momento ou quem sabe outro projeto/texto.

Um dia depois, estava eu conversando com outra seminarista, da minha classe, e ela soltou que estava com o cú pinicando.

— Vai dizer que você raspou os pelos do cu, Cira? — disse na lata. Sutileza com as palavras nunca foi o meu forte, vocês perceberão.

Ela deu uma desculpinha e disse que resolveu raspar tudo. Naquele momento, somei dois mais dois e guardei o resultado no coração para confirmar em outro momento. Só para entenderem como meus neurônios reagiram, vou dar só esta informação: a Babychicken e a Cira (é a Cira que já veio com esse codinome de outro seminário) eram um dos casais constituídos dentro do seminário. Naquela época chegou ao número de três casais que todos tinham conhecimento, inclusive o reitor. Então imagine eu descobrir que uma raspou os pelinhos do saco e a outra, mais tarde, me fala que raspou os pelos do cu. Fiquei passado.

Sem interesse nenhum, fui à noite ao quarto de Babychicken de novo, e é verdade isso, pois era levemente, talvez um pouco mais que levemente, egocêntrico nessa época. Nada que não me afetasse diretamente eu considerava da minha conta. A não ser que fosse um bafão muito grande, pelo simples interesse da curiosidade pela vida alheia, o que era bem raro acontecer comigo. 

Outro fato para ajudar a entender melhor: desde o primeiro ano no seminário, eu mesmo lavava minhas cuecas, pois um dia desci até a lavanderia e vi que a funcionária colocava todas, eu repito, todas as cuecas em uma única bacia. Imagine o sopão, o caldo Knorr que virava. Eca! Para meu horror, vi umas “calcinhas” antes de serem colocadas na bacia. Eu não acreditava que uma virilha pudesse ser tão suja a ponto de encardir tanto umas peças íntimas como algumas estavam. Depois desse choque, nunca mais mandei cuecas e meias para a lavanderia. Eu mesmo lavava, e as outras roupas eu mandava com receio. Como não dava para eu lavar tudo, me resignei a dar jeito no que era possível.

A conversa com Babychicken se estendeu um pouco e, mais uma vez, ela fez menção à coceira que os pelos raspados causavam.

— Baby, como você raspa assim, sem mais nem menos, os pelos do saco, se sabe que ia pinicar? — joguei como se nada desconfiasse.

A Babychicken soltou uma risadinha, e tive certeza de que havia algo. Aguardei ela dizer:

— Não! Olha você, se eu te contar uma coisa, não fala para ninguém? — como éramos amigos, eu conhecia o tom com que ela estava falando; a coisa era séria.

— Claro! Não se preocupe. — Até senti a aréola brilhar neste momento em meu cocoruto, mas, no geral, sempre fui de guardar os segredos dos amigos. Vocês percebem por esses textos que escrevo.

— Eu não sei o que aconteceu e como foi — disse, justificando-se e com vergonha —, mas me deu uma carga de chato que eu não sei de onde peguei.

Como todo amigo que se preza, fiz o óbvio: comecei a gargalhar. Não me continha. Com a Babychicken também não tinha muito tempo ruim; ela começou a gargalhar também. E disse que a Cira também tinha pego e então ela raspara os pelos. Eu já sabia disso, mas não comentei. Como chato é uma coisa perniciosa, que se pega até sentado num lugar em que alguém empestiado tenha ficado, nem questionei a fidelidade de um dos lados. Pois já sabia que tanto a Babychicken quanto a Cira não eram tão fiéis uma à outra. Fiquei até sabendo mais tarde que havia um triângulo amoroso ali. O cateto oposto da hipotenusa do triângulo retângulo era uma primeiranista chamada Pãocomovo ou Durinha. Falo sobre ela em outro momento. Haverá oportunidades. 

Voltando ao meu quarto mais tarde, já pensei que, se dois estavam com chato, era possível que mais pessoas pudessem ter contraído. E nem fui maldoso achando que havia um troca-troca generalizado entre os seminaristas, coisa que havia de fato, e que um tinha passado para o outro.

Na verdade eu pensei, mas minhas preocupações foram em relação às roupas. E lembrei do sopão de cuecas, calcinhas e meias da lavadeira. Eu sabia, era evidente, que a lavadeira passava as calças, camisetas e outras peças. E passava muito bem. Ela era melhor passadeira que lavadeira. Porém, não sabia se ela passava as cuecas e, assim que tive oportunidade, conversei com ela, que me disse que não passava.

Aqui abro um parêntese: eu não era um compulsivo em ficar escarafunchando as coisas que aconteciam na casa. Pode parecer. Mas não era assim. Eu tinha, sim, a malícia de fazer uma pergunta certa, jogar um verde de vez em quando. Grande parte dos fatos chegava até mim sem meu esforço. E muitas vezes as informações vinham fragmentadas e por pessoas diferentes. Como uma contava o fato X, outra o fato Y e outra o fato Z, eu simplesmente juntava e tirava minhas conclusões. Essa vez, por exemplo, em que fui falar com a lavadeira não foi planejado. Eu precisei buscar as minhas roupas passadas e sempre dava uma palavrinha com ela. A L., usando abreviado o nome, era brava, mas comigo sempre foi simpática. E eu me lembrei dos acontecimentos e só perguntei, pois ela estava justamente naquele momento separando meias e cuecas e, não esqueçam, as “calcinhas”, para pôr nos montes de roupas prontas de cada seminarista.

Elementar foi eu achar que não seria impossível um surto geral de chatos. Se dois tinham, mais poderiam ter. A equação era clara para mim. Como disse acima, eu era egocentrado em mim mesmo, desculpem a redundância, e como eu me ocupava de minhas cuecas não havia perigo. Eu não estava com chato até aquele momento, então concluí que, se algum desses repugnantes seres grudentos agarrasse nas calças ou, num extremo de desespero por comida, nas camisetas, eles não sobreviveriam aos poderosos e vaporosos métodos de passar da L. Pronto: em minha cabeça, problema resolvido, problema esquecido. Bola pra frente.

Outra coisa interessante a se contar é que a cadeia dos fatos, boatos e fofocas girava em um esquema lógico. Ou melhor: seminaristicamente lógico. O que quer que acontecesse com um indivíduo, este, na sua inocência, contava para aquele que julgava ser seu melhor amigo. Este, que não o considerava amigo suficiente para guardar seu segredo, comentava com o seu suposto melhor amigo, outro. Em determinado momento, o ocorrido caía nos ouvidos de algum que tinha o prazer de informar a todos na casa. E alguns ainda tinham o disparate de não só contar, mas incriminar o seu informante. E todos, até o reitor, ficavam sabendo do ocorrido e ainda o culpado por espalhar a informação, que nunca era o verdadeiro propagador, mas o besta que contava e este.

Os eixos da fofoca eram conhecidos. De pouco mais de vinte seminaristas naquele ano, uns quatro eram ardilosamente perigosos com sua língua ferina: Reginíssima; Cira, com a alcunha de “Sua Vaca”, que contava tudo diretamente ao reitor; Mariajo, uma “loka” tresloucada que foi expulsa do seminário e, dizem, que começou a se prostituir em Araraquara após se entender como mulher transsexual. E alguns diziam que Vini Boy ou Garoto Vini, apelido dado pelo reitor também, era o outro. Se não perceberam, o Garoto Vini sou eu. E não era bem assim. Eu não contava as coisas aos outros. Eu apenas, enfatizo bem o “apenas”, soltava uma chicotada bem certeira quando alguém tentava me zoar ou então dar alguma alfinetada maldosa. Eu não deixava por menos e, na frente de todos que estivessem ali, soltava alguma pérola do bendito. E geralmente era sempre algum segredo que não devia ser exposto, ou ainda, algo que todos sabiam e só o dono do fato achava que não.

Lembro que toda vez que eu falava, em legítima defesa sempre, rasgava-se o véu do templo com todo o alvoroço que se fazia em torno disso. Praticamente seminaristas e padres são as piores pessoas para se contar um segredo. Tem uns que salvam, poucos, bem poucos. É que a confissão, se for quebrado o sigilo, tem punições severas; o padre pode até perder o seu estado clerical. Porém isso não impede a maioria dos padres de contar segredos de confissão em aulas ou conversas sem “identificar” os pecadores, pois assim é permitido falar do pecado alheio... “desde que não identifique” o pecador. 

Cerca de uma semana depois de minhas conjecturas, estava eu mais uma vez em meu quarto tentando afogar meu tédio no travesseiro quando ouço alguém bater à minha porta. O que era raridade. Poucos se atreviam a fazer isso com bobagens, pois eu colocava mesmo para correr. Atendi com meu tédio transformado em ódio; eu estava quase dormindo. Era a Reginíssima com uma cara preocupadíssima:

— Vinícius Motta, você já está sabendo da última? — quando me chamavam pelo nome completo, eu ficava sempre em sobreaviso.

— Depende de qual. — disse cinicamente, pois eram tantos acontecimentos que eu até me perdia.

— Você sabia, Vini, que há um surto de chato pela casa? — não sei se a intenção dele era me deixar indignado ou chocado.

— Sabia há umas semanas. — frustrei ela.

Reginíssima gaguejava um pouco quando o assunto era sério, antes de conseguir falar:

— Vo-você sabia, Vi-Vinícius Mo-Motta???? — sem esperar que eu respondesse. — Você sabia e não me contou nada? Por quê?

“Por saber que, se te contasse, a casa toda já estaria sabendo e eu levaria a fama de linguarudo no seu lugar”, apenas pensei.

— Eu soube, mas nem me preocupei muito — continuei abafando o pensamento. — Eu lavo minhas próprias cuecas. — E expliquei brevemente minha teoria das “calcinhas” e cuecas não passadas e das roupas passadas.

— Onde vamos parar desse jeito? — farfalhou pomposamente Reginíssima, concordando comigo e ficando mais tranquila, pois ele também lavava suas calcinhas, digo, cuecas, ou melhor, calçolas enquanto tomava banho. Demorava horrores só nessa função.

Virou as costas e foi em direção do seu quarto, ao lado do meu, e continuou:

— Onde vamos parar assim?

— Eu não faço ideia. Mas eu vou é para a minha cama agora. — Fechando a porta, ouvi abafado:

— Vai, viado... Vai dormir... Eu também vou... Só assim mesmo... Para “aguentar o tranco”.


Bom, retornando ao tempo presente de minha escrita. Esse foi o primeiro texto que resolvi contar sobre o seminário. Por mais que haja uma ordenação ficcionada os acontecimentos são os que me lembrei. Tem mais camadas que por cuidado não coloquei. E nem sempre ao se escrever nós lembramos de todos os meandros dos acontecimentos. Era relativamente recente minha última saída, então, tudo andava bem fresco em minha memória. O último texto sobre minha vida no seminário que postei foi em janeiro de 2019. Eu já dava sinais de minha ansiedade estar começando e o ritmo vertinginoso de minha vida não deixava muito tempo para escrever. E logo veio o divisor de águas mundial, a pandemia. Aí deixei tudo mesmo de lado até ano passado. 











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sexta-feira, 17 de abril de 2026

Manual Prático da Vingança Lucrativa: e a mim me cabe esperar





 Manual Prático da Vingança Lucrativa: e a mim me cabe esperar


 Os filmes de que eu mais gosto são aqueles sobre os quais não temos expectativa nenhuma e, “do nada”, eles nos divertem. Manual Prático da Vingança Lucrativa ou, em inglês, Huntington, foi um desses para mim. E outra coisa de que gosto muito é descobrir que ele tem algo mais interessante por trás.

 A primeira coisa que adorei foi o final, quando sobem os créditos. Uma música um tanto diferente do que eu esperava apareceu. Era o refrão de uma melodia bem divertida e animada, até que veio uma voz masculina, levemente conhecida de um passado distante: “Take Me Back to Piauí”. Para o resto do mundo, não sei como soa ouvir essa música, mas, sendo brasileiro, é uma pincelada de brasilidade que nunca se espera num filme desses. Era Juca Chaves. Para quem não conhece, foi um grande compositor, cantor e humorista brasileiro. O nome completo dele era Jurandyr Czackes Chaves. Será que temos aí o primeiro "Jurandir" da história? Talvez uma leve inspiração, tanto que ele mesmo usava, em suas piadas, o fato de ser feio. Se me lembro bem. Isso estou falando de memória, que não anda lá essas coisas. Ele foi alcunhado de Menestrel Maldito pelo poeta Vinícius de Moraes. E, segundo minha memória nada confiável, ele tinha muito cara de anos 1970. Não o achava engraçado. Era o verniz da infância que me impedia de entender a ironia e o sarcasmo sofisticados que ele colocava em suas composições. Hoje, como adulto, entendo melhor seu legado. Dentre várias músicas, ele tem uma pérola: “Presidente Bossa Nova”. Nessa música, que rasgava Juscelino Kubitschek, presidente do Brasil de 1956 a 1961, em crítica feroz. Então, ouvi-lo numa produção da A24, que é uma comédia misturada com suspense, ou um thriller, é muito, por falta de palavra apropriada, legal. E a música tem muita sintonia com o que o filme é.

 A segunda coisa que tornou o filme mais interessante foi que soube depois, em pesquisa aleatória, que ele é baseado em um filme de 1949, As Oito Vítimas. Infelizmente, não vou conseguir assistir no momento. E acho isso por considerar que me parecia faltar algo no enredo. Saber que se trata de uma adaptação deixou tudo muito coerente. Como, por exemplo, a pena de morte ser tão rápida e existir, sendo que tudo se passa no estado de Nova York. Contudo, tenho que me chamar atenção o tempo todo: liberdade narrativa serve para filmes também. É óbvio, contudo sempre esqueço.

 Na história, acompanhamos Becket Redfellow (Glen Powell), que está na cela onde aguarda sua pena de morte. Conta como chegou até ali para um padre que o conforta em seus últimos momentos. Sua mãe foi deserdada por não aceitar tirá-lo ainda na gestação e foi expulsa da família pelo patriarca, e ele acabou perdendo o direito à herança. Em promessa à mãe, de lutar pelo que é dele por direito, ele começa uma inusitada campanha de assassinatos por sua rede genealógica. E tudo descamba numa situação que o leva parar ali. Eu realmente não sei como esse filme vai afetar outras pessoas e admito que ele é muito divertido, mas comigo pegou em outra coisa bem específica e intimamente pessoal.

 Deixando bem claro: eu jamais pretendo matar alguém na minha vida. Ainda mais por dinheiro, mas assistir a esse filme neste momento da minha vida foi muito ironicamente inusitado. Sem dar muitos detalhes, eu tenho mais de 40 anos... E fui a vida toda “filho de mãe solteira”. E quem é sabe o peso que isso pode ter na vida. Minha mãe não queria contar quem é o pai, sei lá os motivos, o que é errado, pois era meu direito saber assim que me tornasse maior de idade. Em certo momento da minha infância, isso perdeu a importância e deixei para lá. Conforme fui crescendo, estudando e entendendo a vida, questão de classe social e questões financeiras, com a ajuda de um amigo entendi que era meu direito, sim, saber, por tudo que está envolvido, e deveria retomar essa questão. E comecei uma campanha para tirar essa informação de minha mãe. E ela era veemente em não querer me contar. Até achei que eu era fruto de uma traição escandalosa na microssociedade municipal do lugar em que ela sempre viveu. E não era. Depois de uns dez anos tentando, ela contou: sou fruto de um trelelê de carnaval com um cara que, um tempo depois, começou a namorar outra mulher e acabou se casando com ela. E eu só consegui, este ano, fazer os exames para confirmar o DNA. Como ela apontou só um homem, estou na expectativa de ser ele. E pode não ser também. Estou na espera dos resultados, que saem em duas semanas talvez; hoje é dia 17 de abril de 2026. Então, achei que o “destino” foi um pouco afrontoso em me dar esse filme justo nessa semana. Às vezes, Deus escreve torto mesmo ele estando certo nas linhas tortas dele. Enfim, não haverá uma herança milionária no meu caso. Essa sincronização dos acontecimentos de nossas vidas com coisas aleatórias me deixa um pouco espantado e reflexivo, para falar o mínimo. Vou levar no bom humor e seguir a vida. Afinal, o resultado pode dar negativo. A mim me cabe esperar.


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English


The original text was written without the use of any AI tools; however, the translation was carried out by ChatGPT, as the author does not yet master English grammar. Perhaps one day.

If there is anything that may be difficult to understand or that seems unclear to the reader, this may be due to certain textual constructions, sentence structures, or even references specific to regional Brazilian Portuguese and the culture of Brazil.

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How to Make a Killing: and all I can do is wait


 The films I like the most are the ones we have absolutely no expectations for and that, out of nowhere, end up entertaining us. How to Make a Killing was one of those for me. And another thing I really enjoy is discovering that it has something more interesting beneath the surface.

 The first thing I loved was the ending, when the credits roll. A song quite different from what I expected started playing. It was the chorus of a very fun and lively melody, until a male voice appeared, faintly familiar from a distant past: “Take Me Back to Piauí.” For the rest of the world, I don’t know how hearing that song sounds, but for a Brazilian, it is a touch of Brazilianness you would never expect in a film like this. It was Juca Chaves. For those unfamiliar with him, he was a great Brazilian composer, singer, and humorist. His full name was Jurandyr Czackes Chaves. Could this be the first “Jurandir” in history? Maybe a slight inspiration, especially since he himself used, in his jokes, the fact that he was unattractive. If I remember correctly. I’m saying all this from memory, which hasn’t been too reliable lately. He was nicknamed the Accursed Minstrel by the poet Vinícius de Moraes. And, according to my highly unreliable memory, he had a very 1970s kind of face. I didn’t find him funny back then. It was the varnish of childhood that kept me from understanding the irony and sophisticated sarcasm he put into his compositions. Today, as an adult, I understand his legacy much better. Among many songs, he has a gem: “Presidente Bossa Nova.” In that song, he tore into Juscelino Kubitschek, president of Brazil from 1956 to 1961, in a fierce critique. So hearing him in an A24 production, which is a comedy mixed with suspense, or a thriller, is very—lacking a better word—cool. And the song is deeply in tune with what the film is.

 The second thing that made the film more interesting was learning later, through random research, that it is based on a 1949 film, Kind Hearts and Coronets. Unfortunately, I won’t be able to watch it right now. And I say that because I felt something seemed to be missing from the plot. Knowing it is an adaptation made everything feel much more coherent. Like, for example, the death penalty being so swift and existing at all, considering everything takes place in New York State. Still, I have to remind myself all the time: narrative freedom applies to films too. It is obvious, yet I always forget.

 In the story, we follow Becket Redfellow (Glen Powell), who is in a prison cell awaiting execution. He tells a priest, who comforts him in his final moments, how he ended up there. His mother was disinherited for refusing to terminate her pregnancy with him and was cast out of the family by the patriarch, and he ended up losing his right to the inheritance. In a promise to his mother, to fight for what is rightfully his, he begins an unusual murder campaign throughout his family tree. And everything spirals into a situation that leads him there. I truly do not know how this film will affect other people, and I admit it is very entertaining, but with me it touched on something else, something deeply personal.

 To make one thing clear: I have absolutely no intention of killing anyone in my life. Especially not for money. Watching this film at this moment in my life was ironically unusual. Without giving too many details, I am over forty years old... And my whole life I have been the “child of a single mother.” And those who are know the weight that can carry in life. My mother did not want to tell me who my father was, for whatever reasons, which was wrong, because it was my right to know as soon as I became an adult. At a certain point in my childhood, it lost importance and I let it go. As I grew older, studied, and came to understand life, social class, and financial issues, with the help of a friend I realized it was indeed my right to know, because of everything involved, and that I should revisit the matter. So I began a campaign to get that information from my mother. And she was adamant about not telling me. I even thought I was the result of some scandalous affair in the tiny municipal micro-society of the place where she had always lived. But I wasn’t. After about ten years of trying, she finally told me: I was the result of a Carnival “trelelê” (a casual fling / romantic entanglement) with a man who, some time later, started dating another woman and eventually married her. And only this year was I able to take the tests to confirm the DNA. Since she named only one man, I am hoping it is him. But it may not be as well. I am waiting for the results, which may come out in two weeks; today is April 17, 2026. So I thought “fate” was being a bit provocative in giving me this film at exactly this week. Sometimes God really does write crooked, even while being right in His crooked lines. Anyway, there will be no millionaire inheritance in my case. This synchronization between the events of our lives and random things leaves me a little astonished and reflective, to say the least. I will take it in good humor and move on with life. After all, the result may come back negative. All I can do is wait.


quarta-feira, 15 de abril de 2026

Filmes antigos e vida que segue





 Filmes antigos e vida que segue


Acho que estou passando por uma ressaca cinematográfica. Faz um tempo que não me animo a assistir a nada. O último que assisti, um pouco “forçado”, foi A Noiva!, pois estava bem curioso desde o momento em que soube de sua divulgação. Fiz a resenha anterior sobre esse filme para quem quiser dar uma conferida. Geralmente, quando estou em entressafra de produções, eu aproveito e assisto a uma série de várias temporadas e também deixo uma novela brasileira como opção: Padre Brown e Sassaricando. São leves, sem grandes enredos e, cada uma ao seu modo, divertidas. Tem resenha também sobre as duas obras no blog.

Basicamente, faz uns oito dias que não assisto a nada e, principalmente, não escrevo aqui. Tenho escrito para um concurso de contos do qual vou participar. Não estou colocando muita esperança. Meu objetivo é me testar. Contudo, mesmo eu estando em um espaço de tempo sem um interesse específico em algo que estreia, ou que me desperte atenção, acabei assistindo a filmes mais antigos nesses últimos quarenta dias. Teve uma época em que estava assistindo a filmes “pipoca” da década de 1980. E me espantei ao perceber que os filmes ainda possuíam o poder de me divertir, mesmo que parecessem toscos diante dos efeitos especiais de hoje.

Não vou falar deles; vou falar dos filmes que assisti que são bem mais antigos. Dentre eles, o mais “novo” foi All That Jazz – O Show Deve Continuar (1979). Eu tinha visto um vídeo de uma influenciadora de cinema que falou dele. Eu já sabia da existência desse filme e ele estava na minha lista informal e inefável mental de obras a se assistir em um futuro indefinido. E eu consegui achá-lo para assistir. E é muito bom. Um musical que acompanha a vida — ou melhor, o fim dela — de um diretor e coreógrafo que está produzindo seu novo espetáculo. E que cara, ao mesmo tempo, charmoso e escroto. O diretor, desse filme, é Bob Fosse e, acreditem, esse é o primeiro dele que prestigio. Eu nunca tinha conseguido achar para assistir. E já emendei Cabaret e entendi o que é ser a grandiosa Liza Minnelli. Ela está fantástica nesse filme, mereceu tudo o que ganhou por ele. E muito me chamou a atenção o maravilhoso coadjuvante Joel Grey, que faz o Mestre de Cerimônias mais andrógino e imprevisível que já vi, dando o apoio na medida exata que a Liza precisa para fazer desse musical o que ele é, grandioso. E também mostra algo que Hollywood adora varrer para debaixo do tapete: a bissexualidade e a homossexualidade. A música Money, Money é uma das mais irritantes que eu já tinha ouvido — até assistir à cena contextualizada dentro da produção. É outro nível.

Como também estava disponível Festim Diabólico, resolvi reassistir. A primeira vez foi quando eu tinha meus 10 anos, na televisão, em um horário impróprio para uma criança. E dessa vez eu fiquei escandalizado, porque sempre me gabava de que minha memória sobre os filmes que assisti na infância era boa. O final que eu guardei com tanto carinho na minha memória afetiva — os dois camaradas que eram secretamente um casal se safavam do crime e a câmera focava no baú com o corpo do amigo deles, que tinham matado no começo do filme, enquanto uma poça de sangue escorria de um canto do móvel — simplesmente não existe. Eu sou uma fraude: esse não é o final do filme e nunca foi. Concluí que devo ter dormido e sonhado. Só pode. Contrariado depois de assistir ao final “novo”, para mim, fui dormir. 

Tentei, em outro dia, assistir a Os Pássaros, mas não finalizei. Preciso voltar e concluir. Em outra madrugada insone, encontrei Relíquia Macabra, ou como também é chamado, O Falcão Maltês. E achei bom, mesmo com algumas coisas que hoje soam bobas, mas dei um bom desconto, pois o filme é de 1941. Humphrey Bogart faz o esperto detetive Sam Spade, que dá nó em pingo d’água. Tonta a mocinha que cai na lábia dele — mas tudo certo, pois ela também estava tentando dar um golpe nele. Chumbo trocado não dói. Lembrei logo em seguida, assim que esse filme acabou, de um comentário do canal do YouTube Sociocrônica que falava de um subtexto um tanto inusitado de Casablanca. E, realmente, quando assisti pela primeira vez, não me dei conta de que a frase final do filme não é do Bogart com a Ingrid Bergman, e sim do Bogart com Claude Rains: “...acho que este é o começo de uma bela amizade.” Eu lembro que, quando trabalhei em uma locadora na adolescência, uma senhora sempre pegava filmes antigos e ela adorava Casablanca, achava tão romântico. Um filme em que o casal não fica junto no final, pois para eles "sempre haverá Paris."

E, por fim, assisti, dois dias atrás, Cléo das 5 às 7, da diretora Agnès Varda. E literalmente acompanhamos duas horas da vida da protagonista. Esse é o tempo que ela espera para ir atrás do resultado de um exame. Há uma suspeita de câncer, então nessas duas horas se condensa a angústia da espera em um dia totalmente comum em uma Paris de 1962. Fiquei chocado com a aparente normalidade dessas horas em que Cléo espera e vai fazer suas coisinhas de francesa pela cidade. É assustador e, ao mesmo tempo, inusitado. Uma das cenas mais nojentas que vi este ano foi justamente nesse filme. E olha que é em preto e branco e deveria causar menos impacto. UUUh!

Eu acabo assistindo a muito mais coisas do que reporto aqui no blog. Nem sempre quero escrever ou mesmo tenho tempo. E esses dias foram um pouco difíceis também. Existencialmente, foi tenso. Vida que segue — um filme ou episódio de série por vez.

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English


The original text was written without the use of any AI tools; however, the translation was carried out by ChatGPT, as the author does not yet master English grammar. Perhaps one day.

If there is anything that may be difficult to understand or that seems unclear to the reader, this may be due to certain textual constructions, sentence structures, or even references specific to regional Brazilian Portuguese and the culture of Brazil.

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Old Movies and Life Goes On


I think I’m going through a bit of a cinematic hangover. It’s been a while since I’ve felt excited to watch anything. The last thing I watched — somewhat “out of obligation” — was The Bride!, mostly because I’d been curious ever since it was announced. I wrote a review about it earlier for anyone who wants to check it out. Usually, when I hit a dry spell like this, I turn to long-running series, and I also keep a Brazilian soap opera as a backup: Father Brown and Sassaricando. They’re light, not too plot-heavy, and each one is entertaining in its own way. I’ve reviewed both of them on the blog as well.

Basically, it’s been about eight days since I last watched anything — and more importantly, since I last wrote here. I’ve been working on a short story for a contest I’m planning to enter. I’m not getting my hopes up too much. The goal is just to challenge myself. Still, even though I haven’t been particularly interested in any new releases lately, I ended up watching older films over the past forty days. At one point, I was on a streak of ‘80s popcorn movies, and I was honestly surprised by how entertaining they still are, even if their special effects look pretty dated by today’s standards.

I won’t talk about those, though — I want to focus on the even older films I watched. The most “recent” one among them was All That Jazz (1979). I came across it through a video by a film influencer. I’d already known about it — it had been sitting somewhere in my vague, ever-growing mental watchlist — and I finally managed to track it down. And it’s really good. A musical that follows the life — or rather, the end of it — of a director and choreographer working on his latest show. And what a character: charming and completely awful at the same time. The film is directed by Bob Fosse and, believe it or not, this was my first time watching one of his films. I’d never been able to find one before. Right after that, I watched Cabaret and finally understood what makes Liza Minnelli so extraordinary. She’s incredible in that film — absolutely deserving of every award she won. And Joel Grey really stood out to me as well, playing one of the most androgynous and unpredictable Emcees I’ve ever seen, supporting Liza’s performance with perfect precision. The film also brings to the surface something Hollywood has always preferred to sweep under the rug: bisexuality and homosexuality. And the song Money, Money — which I used to find incredibly annoying — hits on a completely different level when you see it in context.

Since Rope was also available, I decided to rewatch it. The first time I saw it, I was around 10 years old, watching it on TV at an hour that was definitely not meant for kids. And this time, I was shocked — because I’ve always prided myself on having a good memory for the movies I watched as a child. The ending I remembered so vividly — where the two friends, secretly a couple, get away with the crime, and the camera lingers on the chest holding their victim’s body while blood slowly drips from the corner — simply does not exist. I am a fraud. That’s not the ending, and it never was. I must have fallen asleep and dreamed it. That’s the only explanation. Frustrated after watching this “new” ending (at least new to me), I just went to bed.

On another day, I tried watching The Birds, but didn’t finish it. I need to go back and complete it. During another sleepless night, I found The Maltese Falcon (also known as Relíquia Macabra in Portuguese). I liked it, even if some elements feel a bit dated today — but I gave it a pass, considering it’s a 1941 film. Humphrey Bogart plays the sharp-tongued detective Sam Spade, who’s always one step ahead. The female lead falls for his charm — foolishly, perhaps — but fair enough, since she’s also trying to outplay him. Fair game.

Right after it ended, I remembered a comment from the YouTube channel Sociocrônica about a rather unusual subtext in Casablanca. And it’s true — when I first watched it, I didn’t realize that the film’s final line isn’t between Bogart and Ingrid Bergman, but between Bogart and Claude Rains: “...I think this is the beginning of a beautiful friendship.” I remember that when I worked at a video rental store as a teenager, there was a woman who would always come in to rent classic films, and she loved Casablanca. She thought it was so romantic — a film where the couple doesn’t end up together, because, for them, “we’ll always have Paris.”

And finally, two days ago, I watched Cléo from 5 to 7, directed by Agnès Varda. We literally follow two hours in the life of the protagonist. That’s how long she waits before going to get the results of a medical exam. There’s a suspicion of cancer, so within those two hours, all the anxiety of waiting is condensed into what otherwise seems like an ordinary day in 1962 Paris. I was struck by the apparent normalcy of it all — Cléo just going about her little routines around the city. It’s unsettling and, at the same time, oddly fascinating. One of the most disturbing scenes I’ve seen this year was in that film — and it’s in black and white, which you’d think would soften the impact. Nope.

I end up watching far more than I actually write about on the blog. Sometimes I just don’t feel like writing — or I don’t have the time. These past few days have also been a bit rough. Existentially speaking, things got heavy. But life goes on — one film, or one episode at a time.