sábado, 27 de junho de 2026

Avatar - O Último Mestre do Ar: Aprenda Disney

 



Avatar - O Último Mestre do Ar: Aprenda Disney

Em 2005 eu já estava bem descolado dos programas televisivos e tentando resolver as perebas da vida que não estava nem um pouco fácil de sarar. Se não me engano, eu mesmo só fui ter acesso à animação do Avatar alguns anos depois de sua estreia. E gostei. Uma história de um menino cheio de espíritos ancestrais que auxiliaria o mundo em um momento que o mesmo mais precisaria. E passou um tempo e apareceu o live action fatídico do M. Night Shyamalan que desagradou todo mundo. Eu achei ok, realmente, mas quem sou eu na fila do pão não é mesmo? A história era tão boa que não tinha como deixar o fracasso cinematográfico afundar. Então, entra a Netflix resgata e transforma em formato de série. E deu muito certo. Enquanto o filme escalou  atores brancos como o Jackson Rathbone, bem sem graça em seu Sokka, e errou muito nisso, a série acertou em pegar inúmeros atores e atrizes das mais variadas etnias asiáticas e indígenas. 

A primeira temporada foi o frescor que ajudou a resgatar a história quase perdida pelo filme e agradou bastante. E agora, a segunda temporada tem acertado na escalação e representação de vários outros personagens e em especial de uma muito querida da trama, a Toph, que é feita pela atriz Miya Cech. Se na primeira temporada vemos Sokka (Ian Ousley) e Katara (Kiawentiio) encontrando Aang, o avatar que sumiu misteriosamente (Gordon Cormier), perdido e congelado próximo da aldeia da Tribo da Água do Sul, e o ajudam a retomar sua missão de ser quem é. E nessa empreitada entram em confronto com uma nação inteira que está tentando dominar e se impor ao restante do mundo. 

Toda a produção não só convence como entrega o delicioso fan service necessário para acalmar e vibrar todos que amam essa história como é bem feita e bem atuada, guardadas as devidas limitações que é normal devida a experiência dos atores mais novos. É incrível ver as roupas tão bem traspostas e sendo elaboradas de forma "real" com atores de carne e osso e com cenários e animais fantásticos de CGI  de forma satisfatoria. Appa, o bisão voador e Momo, o lêmure voador, eram fundamentais na história toda e estão bem executados. E os lugares estão muito fiéis e com lindas cenas das paisagens que nem sempre existem no mundo real. 

E agora entro na minha maior bronca com as séries, continuidade e finalização. E sim, a terceira temporada além de estar confirmada já foi gravada. Então teremos uma finalização dessa história que é tão querida e simpática a todos nós. No original da animação houve um final, então, tudo está pronto no canal de origem, a Nickelodeon. E assim fico feliz com essa que história vai ter um final, o que tanto desejo sempre nas séries. E será que teremos Avatar: A Lenda de Korra em live action? Queremos também, afinal somos insaciáveis com as adaptações bem feitas de nossas histórias favoritas. Aprenda Disney. 



E estou escrevendo no Substack coisas que não estarão necessariamente aqui. Filmes continuam aqui e no LetterBoxd. 

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Quem quiser dar uma olhada lá, tenho pouca coisa ainda publicada. Por enquanto. 

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domingo, 21 de junho de 2026

Dia D: ET...Telefone...Minha Casa, Não Péra!

 






Dia D: ET...Telefone...Minha Casa, Não Péra!


Esses dias fiz um listamento comentado de dois diretores, Quentin Tarantino e Francis Ford Coppola, e aproveitei para preparar a do Steven Spielberg e me assustei bastante com o tanto de filmes que assisti desse diretor e ao mesmo tempo o quanto que ainda não assisti. O último visto por mim foi Lincoln em 2013, incluive tem resenha aqui no Blog. Depois eu não me interessei por nenhum até o momento. 

E também não estava tão animado por este, admito. E fui olhar os vídeos de dois críticos, de quem gosto muito, que tiveram opiniões tão opostas que me causou curiosidade e decidi assisti. E como 'é notório' o gosto do diretor, produtor e roteirista pelo tema de extraterrestres. Dos que assiti, Contatos Imediatos do Terceiro Grau e E.T. O Extraterrestre são mais inspirados que este, mas não deixa de ser divertido. Guerra dos Mundos  achei muito impessoal comparados a esses três por sua vez. 

O enredo direciona a uma hipotética revelação sobre a presença de seres que não são da Terra pelos canais televisivos. Para isso haverá uma grande corporação ligada ao governo tentando impedir que isso ocorra. Algumas coisas ficam um pouco estranhas, na época da Inteligência Artificial isso nem ser cogitado, tudo ir para a televisão primeiro e só depois para a internet e o velho colonialismo, "U-S-EI"  mostrado como o centro pleno da existência do universo e tudo acontece lá. Estamos precisando de uma nova revolução copernicana tirando o EUA do centro de todo o universo e dos multiversos. Enquanto eles não recebem esse chá revelação, o silêncio da China é ensurdecedor sobre esse tema, nós colonizados vamos consumindo o que eles produzem com  ou sem senso crítico e está tudo bem. Cada qual com cada seu. 

O filme devolve um pouco a sensação de diversão pipoca que, por sentir falta, talvez tenha me desanimado e afastado dos outros filmes que citei acima. Vou retomar principalmente por haver alguns títulos que me causaram uma certa curiosidade. Principalmente por esse diretor ser tão essencial e fundamental para o cinema atual. 

quarta-feira, 17 de junho de 2026

O Segredo de Widow's Bay: O Responsável Foi o Rhys




O Segredo de Widow's Bay: O Responsável foi o Rhys

Ano passado eu assisti Towards Zero uma minissérie da BBC One que é baseada no livro de mesmo nome da Agatha Christie, no Brasil A Hora Zero. E eu sou muito fã dessa autora contudo sempre achei ela bem rasa nos dramas humanos que colocava em seus livros. Até um dia ler algo que me fez mudar de perspectiva. Ela acaba sim suavizando alguns problemas sociais de sua época, mas várias críticas estão lá. Eu que não percebia tanto. Foi somente em uma matéria sobre uma adaptação de a Mansão Hollow que notei que nem tudo nos livros dessa autora era tão leve. Tudo que estava na sociedade de sua época ela tentou abordar, mulhers submissas, traições, ganâncias, paixões e ambições avassaladoras. Restrita por seu gênero literário ela só não pesou nos contornos desses assuntos. E, mesmo havendo uma mudança bem significativa na adaptação em Hora Zero para a série, o que mais me chamou a atenção, para além da história, foi a interpretação do Matthew Rhys fazendo o Inspetor Leach que, já no começo, tenta suicídio se jogando ao mar de um penhasco e graças a isso acaba por resolver o  assassinato da história. O peso dramático nos ombros do personagem me deixou muito admirado. E Rhys foi o reponsável.

Eu particularmente não gosto muito de terror por vários motivos. Um deles, é que não gosto de ver corpos sendo picados, amassados, moídos, triturados... Se me causa aflição e cai no gore eu não gosto. Todo choque visual que mostra a destruição de um ser vivo me incomoda muito.  Quando o terror é psicológico, insinua e não mostra, isso me deixa mais confortável, por pior, no bom sentido, que seja o desenrolar da história. E fui atrás de O Segredo de Widow's Bay e gostei da temática, mas como sou escaldado com os terrores estadunidenses notei qeu havia no elenco o Rhys que me fez dar uma chance a essa série. 

E estava certo, uma vila isolada, no caso numa ilha que possui um mistério ligado a um antepassado local. São as típicas representações de pessoas alienadas e odiosas de uma comunidade pequena. Não tem um personagem que eu simpatize. E para mim parecia tudo muito atípico. Até lembrar que eu cresci em uma cidade pequena onde todo mundo se conhecia, em sua maioria, e fingem que não e muitos acabam prejudicando os outros só por achar alguma coisa que nem sempre condiz com a verdade, mas na cabeça dela foi estabelecido que sim. Então meu ódio era ver algo que eu vivi, e pior, estou de novo sendo obrigado a vivenciar por ter voltado a morar no interior. Há pessoas fantáticas, como em todo lugar, mas aqui as pessoas odiosas estão muito próximas de você. É o vizinho que do nada joga na sua cara uma opinião hedionda ou na padaria uma vózinha fofa sendo intolerante e racista. Em cidade maior isso também acontece, contudo aqui, às vezes, essa vozinha foi sua professora no Ensino Médio. 

Tirando esse espelhamento e voltando para a série ela tem uma história um pouco arrastada no começo, o que nos faz conhecer melhor os personagens. Tanto que algo interessante mesmo só acontece  no episódio quatro e a temporada toda tem nove ao todo.  Contudo, há uma coisinha que me incomodou, não tenho muito como falar sem entregar spoiler, mas se puder dizer de forma geral, para o ato mágico acontecer há necessidade de total intenção e clareza de quem está executando algo. Não tem como invocar um demônio sem querer, nos filmes é possível por conveniência dos redatores. E aí as coisas vão virar um turbilhão de situações realmente mistériosas e interessantes. 

Rhys está fantástico como o covarde prefeito Tom que entende que só não vai embora dali por causa do medo de seu filho não sobreviver fora da ilha, existe uma lenda em torno disso. E com ele tem uma equipe de outros personagens, através da boa interpretação dos atores, totalmente desfuncionais que acabam encorpando o drama e horror dos mistérios que foram esquecidos pela população local. E talvez isso explique o fato de que quando me mudo para uma cidade diferente eu tento saber toda a história local para não ser pego de surpresa. Afinal, não tem nada mais assustador que a falta de conhecimento para lidar com o sobrenatural loca. Aprendi com a Samara Morgan que às vezes a entidade só quer ser ouvida.  


Um PS: Escrevi esse texto todo durante o período da tarde do dia 16 de junho de 2026. À noite na revisão decidi por a última frase. Continuei fazendo outras coisas quando vejo uma postagem no Instagram sobre a atriz Daveigh Chase ter falecido aos 35 anos. Ela interpretou Samara Morgan na versão estadunidense do filme O Chamado. Acho que a melhor vilã de filmes de terror dos últimos tempo.

R.I.P. Daveigh/Samara... Nunca mais olhei para um poço e para uma televisão de tubo com os mesmos olhos... E sempre atendo uma ligação de telefone apreensivo esperando não escutar "Seven days..."  

quinta-feira, 11 de junho de 2026

Mestres do Universo - Essa Resnha Não é Minha





 Mestres do Universo - Essa Resnha Não é Minha

Por mais que eu agora seja um homem crescido, na hora que apagaram as luzes e na tela apareceu o logo da Metro-Goldwyn-Mayer com um tigre verde rugindo abriu-se um portal direto para os anos de 1986-1989 e eu simplesmente deixei de ser adulto. 

Eu não sou uma pessoa nostálgica que vive com saudade do passado. Tirando pouquíssimas épocas pontuais de minha vida o restante eu vivi da forma mais intensa que pude e não. E fui uma criança de interior com quintal grande que ficava até certas horas pelas ruas, pois não havia perigos, pelo menos se julgava isso nessa época. Lembro de tudo e não gostaria de viver essa época de novo, só passou e guardo com carinho tudo dentro de mim.  

E foi esse garotinho, uma criancinha gorducha de covinhas na bochecha, que saía da escola correndo a tempo de assistir o episódio de He-Man antes do programa acabar que apareceu para assistir. Foi literalmente uma incorporação do meu eu-criança

Não tem como falar mal desse filme. Essa criança não vai deixar. Foi demais ver os nomes dos personagens, as roupas, os lugares. E essa criança era tão vidrada que assim que saiu os bonecos de brinquedo pediu para a mãe de presente. E tinha uma sorte de ter em outrubro o Dia das Crianças, um presente, no aniversário em novembro, outro presente, e Natal em dezembro, mais um. Eram três brinquedos seguidos, tudo bem que o restante do ano ficava sem. 

E essa criança ganhou um He-Man, um Aquático, um Tríclop, e o preferido Abelhão, que depois virou Zangão, além da nave Rotor. Não conseguiu ter o Equeleto. E sua frustração foi não conseguir a coleção toda. Filho de empregada doméstica que trabalhava fora em casa de família o dinheiro era curto. Enfim... E olha, esses brinquedos estão aqui, ainda hoje, e vocês não sabem o quanto eles estão desgastados pelo uso, pois aquela criança brincou o quanto pode e quis. 

Então, essa resenha não é do "eu-adulto", é daquela criança e ela ficou tão feliz de ter assistido finalmente uma história que resgatava o que ela imaginava para um live-action. Essa criança não liga que os tontos dos EUA não deram bilheteria suficiente ou se tem gente falando mal do filme. Ela adorou. E quem sou eu para contestar essa criança que ficou feliz por tudo o que viu? 

Só faltou um bolo Nega-Maluca, não critiquem, deixe justemente isso para outro momento, era o bolo preferido dessa criança que muitas vezes ela mesma fazia sozinha, pois aprendeu para compensar a mãe que trabalhava fora, e uma Coca-cola gelada. E tenho certeza que essa criança depois de assistir o filme e comer  ia pegar seus "hominhos" e ia reproduzir o filme todo do seu jeito em uma aventura pelo seu quintal cheio de lugares bons para construir fortalezas de tijolo e tábuas. 

Essa criança foi feliz e está feliz.  Vai contrariar ela? Eu não vou. 





Um aviso: Estou com já com um perfil no Letterboxd que é uma rede social voltada para cinéfilos e entusiastas do cinema. E como funciona também de dário estou passando todas as minhas resenhas para lá e possivelmente manterei aqui por um tempo também. Possui vários recursos mais interessantes para se usar. 

Meu nome lá está VIGAMO500


 

domingo, 7 de junho de 2026

Pillion: Felicidade e Cadeado

 



Pillion: Felicidade e Cadeado


Qualquer relação envolve alguns pilares bem básicos: comunicação aberta, respeito mútuo, confiança inabalável e individualidade. Se ambas as pessoas envolvidas forem maiores de idade, ainda assim precisam ter a capacidade de entender o que está acontecendo e ter liberdade emocional, intelectual e psicológica de consentir a mesma. E, dentro desses parâmetros, as pessoas envolvidas podem assumir acordos, contratos ou combinados. Um casamento civil e religioso com efeito civil é um contrato de consenso mútuo entre duas pessoas perante Deus e perante as famílias dos envolvidos, literalmente tem que se assinar um papel. Contratos precisam ser revistos o tempo todo, acordos mudam mediante as necessidades e expectativas humanas mudam. Por isso, um acordo pétreo e eterno, "até que a morte os separe", é improdutivo, e tantos casamentos terminam. Contudo, aqui é que entramos no filme resenhado, que mostra que há relações onde esses acordos e contratos não só são muito particulares, como podem até alterar ou reformular um ou mais pilares acima citados, com total adesão das partes.

Para além do BDSM, que são práticas sexuais e jogos eróticos consensuais focados em negociação, papéis de poder, restrição e estimulação sensorial, precisamos entender os termos que o compõem. O "B" é de bondage, o "D" de disciplina, o "S" é sadismo e o "M" é masoquismo. Fiquemos aqui só com a Dominação e Submissão, que perpassam todo o conceito de BDSM como se fosse uma cola, e o filme trata desse tipo de relação. De certa forma, essa produção, por ser o que é, trata de tudo como se acontecesse naturalmente, um fato após o outro. E vou chamar aqui de "D&S", "Dominação & Submissão", para abreviar. E tudo isso que disse até agora na "D&S" requer consensualidade e, para chegar a isso, é necessária muita conversa e definições claras de papéis aceitas por ambos. E isso é feito entre duas pessoas supostamente de mesmo nível social, econômico, psíquico e emocional, ou deveria ser. Abrindo uma ressalva aqui, temos que tomar cuidado com modelos de acordos sociais que só reforçam o status quo e as condições de domínio negativo e tóxico impostas pela cultura em que vivemos, senão vira apenas uma relação abusiva, coisa que o BDSM não é, ou não deveria ser. O prazer e o desejo não devem passar por cima de leis em primeiro lugar, e temos questões históricas e sociais a serem levadas em conta. E também não queremos cair em julgamentos, mas é bom analisar bem a situação em torno do que está acontecendo. No filme são dois homens adultos, apesar de um ser mais novo e inexperiente e o outro bem mais velho.

O filme Pillion é baseado num livro, Box Hill, do autor britânico Adam Mars-Jones, e estrelado por Harry Melling como Collin, o submisso, e Alexander Skarsgård como o dominador. É uma história de descobertas sobre si mesmo e sobre pessoas confusas com as próprias emoções. Eu não tinha visto o Skarsgård atuando antes, então não tenho como comparar, mas nesse papel ele me pareceu deslocado. Como se realmente o personagem não coubesse nele. Esteticamente ele é o padrão exato que muitas mulheres e homens desejam para si. Na atuação desse personagem, o Ray dele se mostrou alguém quebrado que se reveste de uma armadura pronta para se proteger dos perigos do mundo, e essa armadura de dominador serviu para isso. E foi justamente isso que fez a abordagem do Melling, como o jovem inexperiente, brilhar tanto. E está difícil não entregar algum spoiler, se falhar me desculpem. E vamos supor que a escolha de elenco e a escolha das nuances dos personagens tenham sido propositais, então temos uma relação de dominação e submissão inversamente proporcional à força interior que cada um demonstra ter na história.

Para quem não lembra do Melling, ele fez na franquia Harry Potter o caricato Duda Dursley e ficou bem meia-boca, como quase todas as crianças e depois adolescentes presentes ali. Contudo, recentemente eu assisti A Tragédia de Macbeth, do diretor Joel Coen, com um elenco de peso, Denzel Washington e Frances McDormand fazendo o fatídico casal de regicidas e a aterradora bruxa Kathryn Hunter, e ele foi escalado como Malcolm, o príncipe que é obrigado a fugir após a morte do pai para se autopreservar e arrumar alianças para destituir o assassino do pai que subiu ao trono. E ele faz uma interpretação muito digna em tela. O Duda cresceu e estudou muito, pelo visto. Certíssimo, tudo requer estudo e dedicação para melhoria pessoal e da profissão, e isto estou dizendo para mim mesmo mais do que para quem está lendo agora este texto. Então a interpretação dele como Collin é forte, não é um submisso que está quebrado por dentro. As pessoas confundem às vezes que um submisso é alguém que possui fraqueza interior. Pelo contrário, para abrir mão livre e conscientemente de algum pilar básico de um relacionamento convencional, em função não só de "obedecer" uma outra pessoa que irá dominar, mas em função de um desejo que se aplaca com uma renúncia de si mesmo, é necessária muita clareza e sinceridade consigo mesmo e vencer alguns medos, principalmente o de ser julgado por outras coisas. Seria algum distúrbio se tudo gerasse sofrimento desnecessário e degradação física, psicológica e social. E o filme aborda isso na metáfora que o próprio nome apresenta. "Pillion", em inglês, é o assento do carona na moto, e quem pilota a moto é o dominador sempre, e ele, o submisso, fica na garupa. Ambos precisam ter clareza no que querem e conversar sobre isso. E ambos precisam adaptar e rever sempre que for necessário os combinados. Se não se alinharem, que cada um siga seu caminho. Então ambos precisam ter a cabeça em ordem. Se um dos dois, numa relação "D&S", não estiver psicologicamente bem, alguém sai machucado. E, um spoiler da vida, quem se entende, se entrega de verdade aos próprios desejos e é honesto consigo mesmo e com os outros nunca sai enfraquecido. E vou repetir a frase que coloquei na resenha de Pela Metade, que li muito em comentários de postagens específicas do Instagram: "Pessoas confusas machucam pessoas". E ouso dizer que pessoas seguras, indiferente de serem dominadoras ou submissas, ou nem quererem chegar perto de uma relação BDSM, no mínimo terão maturidade e responsabilidade afetiva para tentar não machucar pessoas por sua confusão interna.

O filme lança uma luz para um tipo de relação que muitos nem sequer entendem e, assustadoramente, grupos machistas religiosos heterossexuais tentam cooptar para seus interesses escusos em relação ao controle do corpo feminino. E, principalmente, o filme mostra o florescer de uma pessoa que se entende no mundo e não desiste de ir atrás e buscar sua felicidade, mesmo nas adversidades e com um cadeado no pescoço.


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English

The original text was written without the use of any AI tools; however, the translation was carried out by ChatGPT, as the author does not yet master English grammar. Perhaps one day.

If there is anything that may be difficult to understand or that seems unclear to the reader, this may be due to certain textual constructions, sentence structures, or even references specific to regional Brazilian Portuguese and the culture of Brazil.

All subsequent texts will include this notice.

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Pillion: Happiness and a Padlock

Any relationship involves some very basic pillars: open communication, mutual respect, unwavering trust, and individuality. Even if both people involved are adults, they still need the ability to understand what is happening and have the emotional, intellectual, and psychological freedom to consent to it. Within those parameters, the people involved can establish agreements, contracts, or arrangements. A civil marriage and a religious marriage with civil recognition are contracts of mutual consent between two people before God and before the families involved; you literally have to sign a document. Contracts need to be reviewed constantly, agreements change according to needs, and human expectations change. That is why a rigid and eternal agreement, "till death do us part," is unproductive, and so many marriages end. However, this is where we enter the territory of the film being reviewed, which shows that there are relationships where these agreements and contracts are not only highly particular, but can even alter or reformulate one or more of the pillars mentioned above, with the full consent of both parties.

Beyond BDSM, which encompasses consensual sexual practices and erotic games focused on negotiation, power roles, restraint, and sensory stimulation, we need to understand the terms that compose it. The "B" stands for bondage, the "D" for discipline, the "S" for sadism, and the "M" for masochism. Let us focus here only on Domination and Submission, which runs through the entire concept of BDSM like a binding force, and is the kind of relationship addressed by the film. In a way, this production, by virtue of what it is, treats everything as if it unfolds naturally, one event after another. I will refer to it here as "D&S," "Domination & Submission," for short. Everything I have said so far about "D&S" requires consent, and reaching that point demands extensive conversation and clearly defined roles accepted by both parties. This is done between two people supposedly on the same social, economic, psychological, and emotional level, or at least it should be. As a side note, we need to be careful with social agreement models that merely reinforce the status quo and the negative, toxic power structures imposed by the culture in which we live, otherwise it becomes just another abusive relationship, something BDSM is not, or at least should not be. Pleasure and desire should not override laws in the first place, and there are historical and social issues that must be taken into account. We also do not want to fall into judgment, but it is important to carefully analyze the situation surrounding what is taking place. In the film, the relationship is between two adult men, although one is younger and inexperienced while the other is considerably older.

The film Pillion is based on the novel Box Hill by British author Adam Mars-Jones and stars Harry Melling as Collin, the submissive, and Alexander Skarsgård as the dominant. It is a story about self-discovery and about people confused by their own emotions. I had never seen Skarsgård act before, so I have no basis for comparison, but in this role he seemed out of place to me. As if the character simply did not fit him. Physically, he is the exact standard that many women and men desire for themselves. In his portrayal, his Ray comes across as someone broken who has wrapped himself in armor to protect himself from the dangers of the world, and the role of dominant serves as that armor. It was precisely this aspect that allowed Melling's performance as the inexperienced young man to shine so brightly. It is becoming difficult not to reveal spoilers, so if I slip up, forgive me. Let us assume that the casting choices and the nuances of the characters were intentional. If so, we have a relationship of domination and submission that is inversely proportional to the inner strength each character demonstrates throughout the story.

For those who do not remember Melling, he played the caricatured Dudley Dursley in the Harry Potter franchise and was rather mediocre, much like almost all of the children and later teenagers featured there. However, I recently watched The Tragedy of Macbeth, directed by Joel Coen, featuring a powerhouse cast, with Denzel Washington and Frances McDormand portraying the fateful regicidal couple and the terrifying witch Kathryn Hunter. Melling was cast as Malcolm, the prince forced to flee after his father's death in order to preserve himself and gather allies to overthrow the murderer who seized the throne. He delivers a very respectable performance on screen. Dudley grew up and studied hard, it seems. Quite right, everything requires study and dedication for personal and professional improvement, and I am saying that more to myself than to whoever is reading this text right now. His portrayal of Collin is powerful; he is not a submissive who is broken inside. People sometimes confuse submission with inner weakness. On the contrary, freely and consciously giving up one of the fundamental pillars of a conventional relationship, not only to "obey" another person who will take the dominant role, but also in pursuit of a desire that is fulfilled through a degree of self-renunciation, requires great clarity, honesty with oneself, and the courage to overcome certain fears, especially the fear of being judged for other reasons. It would be a disorder if it resulted in unnecessary suffering and physical, psychological, or social degradation. The film addresses this through the metaphor presented by its very title. In English, "pillion" is the passenger seat on a motorcycle, and the one who drives the motorcycle is always the dominant, while the submissive rides on the back. Both people need to be clear about what they want and communicate about it. Both must also adapt and revise their agreements whenever necessary. If they cannot align, each should follow their own path. Therefore, both need to have their minds in order. If one of the two people in a "D&S" relationship is not psychologically well, someone will get hurt. And here is a spoiler from life itself: those who understand themselves, truly surrender to their own desires, and are honest with themselves and others never come out weakened. I will repeat a phrase I used in my review of Pela Metade, one that I often saw in comments on specific Instagram posts: "Confused people hurt people." I would go further and say that secure people, whether dominant, submissive, or not interested in BDSM relationships at all, will at least possess the maturity and emotional responsibility to try not to hurt others because of their own internal confusion.

The film shines a light on a type of relationship that many people do not even understand and that, disturbingly, misogynistic heterosexual religious groups try to co-opt for their own questionable interests regarding control over women's bodies. Above all, the film portrays the blossoming of a person who understands himself in the world and refuses to give up on pursuing and finding his own happiness, even in the face of adversity and with a padlock around his neck.


sábado, 6 de junho de 2026

Spider-Noir: Rabugento e Alcoolista






Spider-Noir: Rabugento e Alcoolista


Em meados de abril, eu assisti a Relíquia Macabra, ou O Falcão Maltês, um filme noir que ajudou na popularidade do gênero. Esses filmes noir eram histórias de detetives cansados da vida, pessimistas e cínicos. As mulheres retratadas não eram inocentes e angelicais. Noir, via de regra, em francês quer dizer preto, e nas produções sugere uma estética mais carregada de densidade moral e misteriosa. O detetive não é um poço de virtude como antes. E Humphrey Bogart encarnou esse estereótipo de homem cansado que faz investigações por dinheiro, vivendo uma vida nos becos encardidos de uma cidade grande. Acaba por se deparar com uma femme fatale que o leva, de início, à perdição, mas, com muito jogo de cintura e esperteza, ele dá a volta em todo mundo que aparece na sua frente.

Quando Bogart fez seu Sam Spade em O Falcão Maltês, já contava com mais de quarenta anos e conseguiu imprimir uma aparência bem cansada ao personagem. Foi perfeito ter assistido a esse filme e logo sair a produção da série Spider-Noir, que me fez ter as referências necessárias para entender melhor. Eu não estava sabendo da produção dessa série sobre um dos Homens-Aranha do Aranhaverso. E muito me admirei em saber que quem faria essa versão do Homem-Aranha era Nicolas Cage, que já conta com seus 62 anos. Soube depois que ele já tinha feito a voz na animação. Então achei interessante ele ser escalado para a versão em live-action. Acostumado a ver a versão adolescente e jovem de um herói tão dinâmico quanto este, fiquei realmente curioso sobre como eles tratariam essa versão.

E admito que não esperava o que assisti. Nicolas Cage tem uma história pessoal bem interessante. Ele recebeu um golpe financeiro do seu contador e ficou devendo milhões para a Receita Federal de seu país. Processou o cara, fez um acordo com a Receita e pagou tudo. Para isso, passou um bom tempo fazendo filmes meramente comerciais ou de produtoras pequenas só para juntar logo o dinheiro e quitar as dívidas. E assim o fez. Agora restabeleceu suas finanças e voltou com a carreira para os trilhos mais assertivos e com boa recepção da crítica.

A história toda se passa num pós-guerra, onde pessoas foram usadas para experimentos ousados e acaba-se criando humanos com poderes. Até então, vamos descobrindo quem são as pessoas que possuem esses poderes. Ao mesmo tempo, temos na cidade um criminoso que consegue muito poder e dinheiro graças à Lei Seca em vigor e sofre uma tentativa de assassinato. E, no meio dos interesses desse criminoso, aparece Sam Reilly (Cage), que é um detetive particular típico de filmes como O Falcão Maltês, entrando nesse rolo todo. O vilão é o folclórico Cabelo de Prata (Brendan Gleeson), que não tem poder nenhum, a não ser aquele que o dinheiro e a ânsia por poder causam, mas que literalmente ele paga para ter. Sem entregar muito.

Todo o elenco está bem, e quem faz a femme fatale da vez é Cat Hardy (Li Jun Li, que esteve em Pecadores), usando um vestido mais bonito que o outro. Tem um azul royal todo plissado, com uma espécie de andorinha no ombro, e é fantástico o efeito que causa na cena.

É uma série cheia de reviravoltas e mistérios um pouco manjados, o que não tira seus méritos, além de contar com vários coadjuvantes interessantes. E ver eles usarem a idade de Nicolas Cage nas dores e lerdezas do Aranha é bem legal. Eles usam isso a favor do personagem, deixando-o mais limitado. Aqui, a tagarelice do jovem Homem-Aranha ganha a engraçada rabugice de um homem mais velho e alcoolista, o que deixa o personagem bem mais humano, por sinal.


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Spider-Noir: Grumpy and Alcoholic


In mid-April, I watched The Maltese Falcon, a film noir that helped popularize the genre. These noir films were stories about detectives worn down by life, pessimistic and cynical. The women portrayed were not innocent or angelic. Noir, generally speaking, means black in French, and in these productions it suggests an aesthetic loaded with moral ambiguity and mystery. The detective is no longer a paragon of virtue as he once was. Humphrey Bogart embodied this stereotype of the weary man who investigates for money, living among the grimy alleys of a big city. He eventually crosses paths with a femme fatale who initially leads him toward ruin, but through wit and street smarts, he manages to outmaneuver everyone who stands in his way.

When Bogart played Sam Spade in The Maltese Falcon, he was already over forty years old and managed to give the character a convincingly exhausted appearance. It was perfect timing for me to watch that film and then have the Spider-Noir series released shortly afterward, giving me the references I needed to better understand it. I had no idea this series about one of the Spider-Men from the Spider-Verse was in production. I was quite surprised to learn that Nicolas Cage, now 62 years old, would be playing this version of Spider-Man. Later, I found out that he had already voiced the character in the animated film. That made his casting in the live-action version even more interesting. Having grown accustomed to seeing the teenage and young-adult version of such a dynamic hero, I was genuinely curious about how they would handle this interpretation.

I admit I did not expect what I saw. Nicolas Cage has a rather interesting personal story. He was the victim of financial fraud by his accountant and ended up owing millions to the Internal Revenue Service. He sued the accountant, reached an agreement with the IRS, and paid everything back. To accomplish that, he spent a long period making mostly commercial films or working with small production companies simply to earn money quickly and eliminate his debts. And that is exactly what he did. Now that his finances are back in order, he has returned his career to a more deliberate path, one that has been well received by critics.

The entire story takes place in a post-war setting where people were subjected to daring experiments, resulting in the creation of humans with extraordinary abilities. As the plot unfolds, we gradually discover who possesses these powers. At the same time, a criminal rises to wealth and influence thanks to Prohibition and survives an assassination attempt. In the middle of this web of interests appears Sam Reilly (Cage), a private detective straight out of films like The Maltese Falcon, who finds himself entangled in the whole affair. The villain is the notorious Silvermane (Brendan Gleeson), a man with no superpowers whatsoever except those that money and the hunger for power can buy. Without giving too much away.

The entire cast performs well, and the femme fatale this time is Cat Hardy (Li Jun Li, who appeared in Sinners), wearing one stunning dress after another. There is a royal blue pleated dress with what looks like a swallow perched on the shoulder, and the visual effect it creates on screen is fantastic.

It is a series filled with twists and mysteries that may feel somewhat familiar, but that does not diminish its strengths, especially with such an interesting supporting cast. Watching them incorporate Nicolas Cage's age into Spider-Man's aches, pains, and slower movements is particularly enjoyable. They use it to the character's advantage, making him more limited and therefore more believable. Here, the nonstop chatter of the young Spider-Man is replaced by the amusing grumpiness of an older, alcoholic man, which, incidentally, makes the character feel much more human.


quarta-feira, 3 de junho de 2026

Pela Metade - Parte 2: Refeito Como Merece






Pela Metade - Parte 2: Refeito Como Merece

           ************************ CONTÉM MUITOS SPOILERS **************************


Contém muitos spoilers

Eu fiz uma "resenha" bem simples para uma série tão complexa quanto essa. Eu ainda insisto em fazer resenhas quando começo a assistir, e o correto é ir até o fim e depois escrever. Mordi a língua mais uma vez. Se na resenha anterior deixei entrever que era uma boa série, agora, com esta, eu falo que é uma ótima série.

Do episódio 1 ao 3 vemos a adolescência de Ruben e Niall sendo obrigados a manter uma convivência, mas já estabelecendo a dinâmica do que viria a ser a "relação" dos dois. E vamos usar os termos que estão tão em moda na boca dos homens brasileiros, e das mulheres também: um macho alfa e um betinha. Os dois representam a melhor coisa que pode acontecer na vida de alguém e, de partir o coração, a pior coisa também. Para essa fase temos Stuart Campbell, como Ruben, e Mitchell Robertson, como Niall. E já vemos a construção do personagem Ruben flertando com a homoerotização e impondo ao Niall escolher entre orbitar aquele universo de testosterona e ser sempre eclipsado e controlado por ele, ou realmente admitir que pode estar apaixonado e assumir sua homossexualidade ao improvável meio-irmão. Esse, imagino, que além de ser o caminho mais fácil, seria também o que possivelmente aconteceria no mundo real. Contudo, estamos numa obra artística, comercial, mas artística, que não quer desenvolvimento e finais fáceis. Então, Niall, por sua personalidade titubeante e confusa, resolve performar uma masculinidade que talvez não tenha para não só impressionar o Ruben, como para disfarçar a atração que nem ele mesmo entende naquele momento.

Suas mães moram juntas em uma relação estável em uma cidade próxima a Glasgow, na Escócia. Aqui, do lado de cá dos trópicos, os ânimos são diferentes e, se os homens fazem suas broderagens quando novos e levam a vida como se nada tivesse acontecido, reprimindo algum desejo homoerótico e, vez ou outra, aliviando essa pressão com alguma situação propícia, seja com vídeos, seja com sexo escondido na encolha, por lá a mentalidade pode ser um pouco diferente. Ainda hoje o assunto gera incômodo entre garotos, mesmo havendo uma tolerância um pouco maior que na época retratada. Eles estão em meados dos anos 1980 quando jovens. E é interessante que, no último episódio, questionado pelo Niall sobre estar bravo por ele estar se assumindo gay, Ruben fala que ele não era homofóbico. A mãe dele era lésbica, não tinha como ele ser homofóbico. Era o próprio Niall que era homofóbico consigo mesmo.

E aqui temos um ponto. Já cansei de ler isso no Instagram: "Pessoas confusas machucam pessoas" e, sinceramente, eu não sei se o Niall é confuso ou só burro mesmo, acho que os dois. Ruben não é só um adolescente problemático, ele é totalmente cheio de uma coisa que eu vou chamar de sensualidade, por falta de termo na minha cabeça. Ele transparece sua masculinidade só de existir. Ele vive por sua vontade e se encrenca muito por isso. Já muito novo, ele consegue ser quem realmente é, com o preço alto de exacerbar sua raiva, que não sabemos de onde vem. E como a maioria tende a julgar, ele é um homem com H maiúsculo em formação. Ou ainda a coisa mais idiota a se dizer: "ele tem muita testosterona", por isso faz o que faz. E antes de cair nessa mentira que é "homem de verdade é assim", não, somos educados para não sair socando ninguém por aí ou, no caso dele, pisando na cabeça dos outros em um acesso de fúria. Queremos às vezes? Querer não é poder, lembrem-se. Respiramos fundo e guardamos nosso réu primário para uma necessidade realmente necessária, o que não acontece com o Ruben. Ele se descontrola por uma coisa tão idiota que é quase um atestado de burrice maior que o Niall, que, por sua vez, reprime tudo o que começou a sentir, no caso a sua homossexualidade, para se provar tão homem quanto o Ruben, que acaba só fazendo tanta merda quanto o Ruben, mas a dele é daquelas que se empurra com a barriga, vai levando em banho-maria e se estende por anos. Ruben paga por seu crime, mas antes tenta se safar com uma mentira do Niall, que, na última hora, não consegue sustentar e entrega a verdade ao juiz.

E esse é o estopim para toda a burrada que acontece na segunda parte com os personagens adultos. Niall fica com tanto pavor de virar o próximo alvo da fúria do Ruben que vive em estado de pânico extremo e, como é uma pessoa não muito firme com os próprios sentimentos, decide fazer o que muitos fazem: continua reprimindo a sua homossexualidade, mas se entrega ao sexo desequilibrado e às drogas. Sua vida deteriora tanto que ele não se reconhece mais, do garoto estudioso que foi e com um futuro brilhante, a alguém passando dificuldades e sendo chantageado por ser filmado em atos obscenos em um banheiro de uma biblioteca pública. E obviamente, como é incapaz de assumir a própria culpa, joga nas costas de Ruben, que acaba saindo da cadeia e arrumando um bom emprego, consegue uma boa casa, um bom carro e uma esposa que o ama. E adivinha? Quem não se conforma com isso?

E aqui vemos o incrível episódio 4, com a atuação da fase adulta do Niall feita pelo fantástico Jamie Bell e Ruben sendo o próprio criador da série, Richard Gadd. É um embate de duas atuações poderosas. De um lado, o raivoso, explosivo e obsceno Ruben e, do outro, não menos obsceno, mas num polo oposto, um rancoroso e invejoso Niall. Dois atores e um ótimo texto despejando o fel que a masculinidade cultivou em todos aqueles anos de convivência, real ou imaginária. Tudo o mais é acessório. Os dois se rasgam em cena, metaforicamente, e depois desse duelo existe o impensável: uma centelha de compreensão entre os dois.

Vejam bem, antes de dizer que algum deles é realmente culpado ou não, ou um é isso e o outro aquilo, temos que ver que cada um, a seu modo e de acordo com sua personalidade, é vítima de um sistema cultural machista que não só coloca o homem como privilegiado de todos os direitos possíveis, como também o massacra sob um peso insuportável de um ideal de ser que é impossível de alcançar. E aqui pegamos o que a série quer discutir sobre o universo masculino no que tem de mais íntimo e criticável: essa busca em ser homem que não se sustenta com cursinho, com retiro, com vivência bíblica, com o que quer que o próprio homem decida fazer. Mesmo que tente fugir dessa imagem negando os próprios desejos ou reprimindo-os, só piora a situação. É a machosfera em seu pior sendo retratada nos dois personagens principais. Os dois caminhos que os dois personagens tomam não dão certo, pois essa masculinidade construída é uma mentira. Externalizando ou reprimindo essa masculinidade, ela só se mostrou tóxica e inviável. Sustentou-se antes por questões históricas, repressão social e até da mulher. Geralmente as produções mostram o resultado negativo numa relação machista com alguma mulher. Raramente o tema é abordado mostrando o homem na sua intimidade, o que pode gerar essa vivência de masculinidade forjada e doentia no próprio homem. Ruben chega até a fingir que está trabalhando e se enterra em dívidas para manter a sua aparência de homem provedor. Niall se afunda nas drogas primeiro por medo da vingança do meio-irmão, depois por não querer assumir que gosta de fazer sexo com homens, coisa que faz da pior forma possível, praticando sexo em parques, saunas e lugares públicos, escondido de si mesmo, mas no fundo se importando somente com o Ruben descobrir, pois todos os demais já sabem que ele é gay. Só ele mesmo não quer admitir isso. E nesse processo arruma uma namorada e a engravida. É uma tentativa de se autoafirmar e, ao que parece, se afirmar com o Ruben fictício que criou. Em paralelo, Ruben descobre ser estéril. Achando que a esposa o está traindo, em novo acesso de fúria, causado talvez propositalmente por Niall inventar que a esposa de Ruben saiu com outro cara, sendo que foi ele quem acabou fazendo sexo com ela, Ruben, em novo acesso de raiva, pisoteia o suposto amante e vai preso mais uma vez.

É um pandemônio de escolhas e ações péssimas guiadas por essa obsessão de ser homem. E, com essa prisão, Niall finalmente se apruma e consegue escrever sua história, ou melhor, a do seu meio-irmão. E o livro faz sucesso. Tanto sucesso que ele, como autor, é diminuído, pois ninguém quer saber dele e sim do personagem do livro, que é totalmente baseado em Ruben. E a luta dos dois continua, o submisso que tenta se impor ao dominante sem conseguir. Ele quer ser dominado e não quer ao mesmo tempo, então se pune e, nessa autopunição, acaba afetando o dominador, que tem seus próprios problemas para lidar. E a única coisa que o Niall realmente queria era a atenção e o reconhecimento do Ruben. E Ruben não tem como dar isso, pois era o próprio Niall que tinha essas travas na cabeça e dependia da aprovação do Ruben, sendo que o único que precisava se aprovar para si mesmo era o Niall. E ao mesmo tempo o invejava por ele conseguir ser quem era, por ele nunca ter conseguido ser.

E quando Niall se liberta de tudo isso, ele acaba apunhalando o Ruben nas costas, contando que saiu com a mulher que ele amava e a engravidou. Ruben achou que talvez fosse seu aquele filho, tinha a esperança de que fosse, pois, na cabeça de um homem, ter filho te faz um homem. E tudo isso depois deles se abrirem um ao outro de forma sincera e como desabafo. E vislumbramos o motivo da raiva exagerada de Ruben: ele foi abusado pelo pai e, sem entender, em vários momentos teve prazer enquanto a situação acontecia. Isso, sem o acompanhamento adequado, gerou mais confusão em sua mente, que se manifestava num sentimento de não ser um homem por inteiro, só pela metade, daí o nome da série.

E é interessante, esses modelos de homens não podem existir, apesar deles existirem, de várias formas, em vários países e culturas diferentes. Mas, sabiamente, Gadd, ao escrever seu roteiro, dá o final necessário a eles. Esses dois tipos de homens representados por Niall e Ruben literalmente se matam. E a vida lá fora continua.

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English


The original text was written without the use of any AI tools; however, the translation was carried out by ChatGPT, as the author does not yet master English grammar. Perhaps one day.

If there is anything that may be difficult to understand or that seems unclear to the reader, this may be due to certain textual constructions, sentence structures, or even references specific to regional Brazilian Portuguese and the culture of Brazil.

All subsequent texts will include this notice.

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Half Man – Part 2: Redone the Way It Deserves

I wrote a very simple "review" for a series as complex as this one. I still insist on writing reviews when I start watching something, when the right thing to do is to finish it first and only then write about it. Once again, I had to eat my words. If, in my previous review, I hinted that it was a good series, now I can say it plainly: it is a great series.

From episodes 1 through 3, we see Ruben and Niall's adolescence, forced into coexistence while already establishing the dynamic that would define their future "relationship." And let's use the terms currently so popular among Brazilian men, and women too: an alpha male and a beta male. Together, they represent both the best thing that can happen in someone's life and, heartbreakingly, the worst. For this phase, we have Stuart Campbell as Ruben and Mitchell Robertson as Niall. We can already see Ruben's character flirting with homoeroticism while forcing Niall to choose between orbiting that testosterone-filled universe and remaining forever eclipsed and controlled by it, or admitting that he might be in love and embracing his homosexuality with his unlikely half-brother. I imagine that, besides being the easier path, it would also be the one most likely to happen in real life. However, we are dealing with a work of art, commercial but still artistic, one that does not seek easy development or easy endings. So Niall, because of his hesitant and confused personality, decides to perform a masculinity he may not actually possess, not only to impress Ruben but also to disguise an attraction that he himself does not yet understand.

Their mothers live together in a stable relationship in a town near Glasgow, Scotland. Here, on this side of the tropics, attitudes are different. Men engage in their "brotherhood experiments" when young and then go on with their lives as though nothing happened, repressing homoerotic desires and occasionally relieving that pressure through convenient opportunities, whether through videos or secretive sexual encounters. Over there, the mindset may be somewhat different. Even today, the topic still causes discomfort among boys, despite there being slightly greater tolerance than during the period portrayed in the series. They are in the mid-1980s when young. It is interesting that, in the final episode, when Niall asks whether he is angry about him coming out as gay, Ruben replies that he was not homophobic. His mother was a lesbian; how could he be homophobic? It was Niall who was homophobic toward himself.

And here we reach an important point. I have lost count of how many times I've read this on Instagram: "Confused people hurt people." Honestly, I don't know if Niall is confused or simply stupid. I think he's both. Ruben is not merely a troubled teenager; he is overflowing with something I will call sensuality, for lack of a better term. He radiates masculinity simply by existing. He lives according to his own will and gets into trouble because of it. At a very young age, he manages to be who he truly is, paying the high price of amplifying a rage whose origins we never fully understand. And, as most people would judge, he is a capital-M Man in the making. Or, to use the most ridiculous explanation possible, "he has a lot of testosterone," therefore he does what he does. Before anyone falls for the lie that "real men are like that," no, we are taught not to go around punching people or, in Ruben's case, stomping on other people's heads during a fit of rage. Do we sometimes want to? Wanting is not the same as being able to. We take a deep breath and preserve our clean criminal record for an actual necessity, something Ruben never does. He loses control over something so absurdly trivial that it almost serves as a certificate of stupidity greater than Niall's. Meanwhile, Niall represses everything he begins to feel, namely his homosexuality, in order to prove himself as much of a man as Ruben. In the end, he creates just as much destruction as Ruben, except his damage is the kind that gets postponed, slowly simmering for years. Ruben pays for his crime, but first attempts to escape punishment through a lie told by Niall, who at the last moment cannot maintain it and tells the truth to the judge.

That becomes the spark for every bad decision that follows in the second half with the adult characters. Niall becomes so terrified of being the next target of Ruben's fury that he lives in a state of extreme panic. Since he is not particularly secure in his own feelings, he chooses the path many people do: he continues repressing his homosexuality while surrendering himself to reckless sex and drugs. His life deteriorates so drastically that he no longer recognizes himself. The studious boy with a bright future becomes someone struggling to survive and being blackmailed after being filmed performing obscene acts in the bathroom of a public library. And, naturally, because he is incapable of accepting responsibility, he places the blame on Ruben, who has left prison, found a good job, acquired a nice house, a good car, and a wife who loves him. And guess who cannot accept that?

Here we get the incredible Episode 4, featuring the adult Niall portrayed by the fantastic Jamie Bell and Ruben played by the series' creator himself, Richard Gadd. It is a clash of two powerful performances. On one side, the furious, explosive, and obscene Ruben. On the other, no less obscene, though at the opposite pole, the resentful and envious Niall. Two actors and an excellent script pouring out all the poison that masculinity has cultivated through years of coexistence, whether real or imagined. Everything else is secondary. The two metaphorically tear each other apart on screen, and after this duel, the unthinkable happens: a spark of understanding emerges between them.

Before declaring one of them guilty or innocent, or labeling one this and the other that, we must recognize that each, in his own way and according to his personality, is a victim of a patriarchal cultural system that not only places men in a privileged position but also crushes them beneath the unbearable weight of an impossible ideal. Here we reach what the series truly wants to discuss about the male experience in its most intimate and criticizable form: this relentless pursuit of manhood that cannot be sustained through courses, retreats, biblical experiences, or whatever methods men invent for themselves. Even when they try to escape this image by denying or repressing their desires, they only make things worse. The manosphere, at its worst, is embodied by these two protagonists. Neither path works because the masculinity they pursue is a lie. Whether externalized or repressed, it proves toxic and unsustainable. Historically, it survived through social repression and even through women's participation in maintaining those structures. Most productions show the harmful effects of sexism through its impact on women. Rarely do they explore what this forged and unhealthy masculinity does to men themselves.

Ruben even pretends to be working and buries himself in debt to maintain the appearance of being a provider. Niall sinks into drugs, first out of fear of his half-brother's revenge, then because he refuses to admit that he enjoys having sex with men. He pursues this in the worst possible way, seeking encounters in parks, saunas, and public spaces, hiding from himself while ultimately caring only about whether Ruben discovers it, because everyone else already knows he is gay. He is the only one who refuses to admit it. During this process, he gets a girlfriend pregnant. It is another attempt at self-affirmation and, apparently, at proving himself to the fictional version of Ruben he has created in his mind. Meanwhile, Ruben discovers he is sterile. Believing that his wife is cheating on him, in another fit of rage, perhaps deliberately provoked by Niall claiming that Ruben's wife had gone out with another man, when in fact Niall himself had slept with her, Ruben brutally attacks the supposed lover and ends up in prison once again.

It is a pandemonium of terrible choices and terrible actions driven by this obsession with being a man. And with this imprisonment, Niall finally pulls himself together and manages to write his story, or rather, his half-brother's story. The book becomes a success. Such a success, in fact, that he is diminished as an author because nobody cares about him. They care about the character, who is entirely based on Ruben. And so their struggle continues: the submissive man attempting to dominate the dominant one and failing. He wants to be dominated and does not want it at the same time, so he punishes himself. In doing so, he ends up affecting the dominator, who has his own problems to deal with. The only thing Niall truly wanted was Ruben's attention and recognition. Ruben could never provide that because those barriers existed only inside Niall's mind. He depended on Ruben's approval when the only approval he truly needed was his own. At the same time, he envied Ruben for being able to be himself, something Niall never managed to do.

And when Niall finally frees himself from all of this, he stabs Ruben in the back by revealing that he slept with the woman Ruben loved and got her pregnant. Ruben had hoped that child might be his. He wanted to believe it was because, in a man's mind, having children makes you a man. And all of this happens after they have opened up to each other sincerely, sharing their deepest confessions. It is then that we glimpse the source of Ruben's overwhelming rage: he was abused by his father and, without understanding it, experienced pleasure during parts of the abuse. Without proper support, this only deepened the confusion in his mind, manifesting as a feeling that he was not a whole man, only half a man, hence the title of the series.

It is interesting because these models of masculinity should not exist, despite existing in countless forms across different countries and cultures. Yet Gadd, wisely, gives them the ending they require. These two types of men, represented by Niall and Ruben, literally destroy each other. And life outside goes on.