quinta-feira, 3 de setembro de 2026

"Au revoir les enfants" (Adeus, crianças)



(A imagem é só ilustrativa, e um dos filmes que mais gostei quando jovem, só para manter uma imagem mesmo, e o nome é bem propício)



"Au revoir les enfants"

Bom, gente, valeu, desde 2012 por aqui e nesse último ano tentei várias vezes monteizar isso aqui e não rolou. Sempre tem algo que não está de acordo com as regras, mesmo você seguindo tudo a risca. Então, se não querem facilitar, não nos querem aqui. Simples, vamos então nós mesmos para outro lugar, outros cantos.

Também tentei por o pix aqui, para uma ajuda, afinal, quem escreveu tanta coisa e foi tão lido uma gorjeta pelo menos para o café de vez em quando o escritor teria direito. Nem isso. 

Mas, quem estiver com saudades de meus textos estou no Substack. Só que possivelmente não falarei de filme mais, talvez no LetterBoxd, mas ainda estou pensando. 

Desde já coloco todos os textos indisponíveis deixando só o site como arquivo até conseguir realocar todos os textos em outro lugar. 

Quem sabe outros projetos aconteçam. 

Até mais ver e obrigado pela leitura e prestigio do meu trabalho, desinibi muito minha escrita aqui. Uma pena que visualizão sem monetização seja só lucrativa para o próprio Blogger. E ficar criando coisa para a plataforma ganhar sem retorno era divertido antes dela mesma se tornar essa potência toda que se tornou. Trabalhar de graça para eles ganharem? Parece o empresário brasileiro que quer voltar ao tempo da escravidão, todo avanço corre o risco de quebrá-los e pior, quebrar o país. Bolsas para auxílio de pobre não pode, mas todos os benefícios que os ricos recebem ninguém fala nada. O tanto de financiamento que recebem... 

E já deu, não é mesmo. Tb bloqueei o acesso ao meu Instagram, só deixei poucos amigos lá, manterei como perfil pessoal. Se abrir outro, possivelmente vcs nem se lembrarão de mim. Então, é isso. Bjos de luz a todos você. 

E para mim, que busco o sucesso, que eu o alcance e tenha muito dinheiro na conta por conta disso.


 https://substack.com/@vigamo

E vai que vcs se compadeçam não é mesmo. Duvido um pouco. 


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terça-feira, 28 de julho de 2026

Projeto: A Cidade Amaldiçoada - II - O Despertar (1)



  ESTOU DEIXANDO ISSO AQUI POR UM TEMPO. PARA VER SE HÁ ACESSOS E TUDO O MAIS. EU JÁ ESTOU COM MAIS COISAS PUBLICADAS NO SUBSTACK. E COMO DISSE, AQUI NÃO MONETIZA ENTÃO NÃO FAZ SENDIDO EU MANTER UMA PRODUÇÃO CONSTANTE DE ALGO QUE QUERO USAR COMO TRABALHO E NÃO TER REMUNERAÇÃO PARA MIM, MAS O SITE GANHA. ENTÃO, ANISANDO POSSIBILIDADES, E ENQUANTO NÃO TIRO TODOS OS OUTROS TEXTOS DAQUI, SÃO MAIS DE 400, ESTÃO CONVERTIDOS PARA RASCUNHO PARA TIRAR O ACESSO A ELES. 

CASO HAJA ALGUMA ADESÃO DE ACESSO OU MESMO DE PIX EU MANTENHO. MAS REALMENTE ESTOU BUSCANDO OUTRO CANAL QUE NÃO O BLOGGER. 

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Eu lembro de ir na casa de um colega da escola após o almoço para brincar. Sua mãe fazia salgadinhos, doces e balas de coco para festas de aniversários. Eu nunca comia nada a não ser a bala. Geralmente eu não prestava atenção na feitura só sentindo o cheiro adocicado pelo ar e, de longe, em meio a qualquer brincadeira que fosse, eu via uma panela sendo levada para a mesa de pedra e seu conteúdo despejado e escutava sempre que nós nos aproximávamos:

- Cuidado que tá quente!

O aviso era contundente, pois pelo brilho de nossos olhos, se percebia que aquilo nos encantava. Era de início um líquido viscoso que logo ia encorpando e virando uma espécie de vídro de puro açúcar. Em algum momento aquilo ficava frio o suficiente para aquela mulher corpulenta pegá-lo com as mãos e a mágica acontecia. Ela colocava num grande parafuso que ficava na batente da porta num ângulo que não enroscava em ninguém acima da altura do ombro de alguém alto. O bolo daquela massa colocado enroscado ali e era puxado para baixo e se esticava  novamente, era ajuntado, enroscado e puxado sem parar várias vezes. A massa vítrea começava embranquecer e ficar totalmente opaca. Era um estica,  puxa, enrosca, estica, puxa e enrosca infinito. Até que ela já colocava na mesa e ia fazendo rum rolinho comprido com as mãos e roliço, feito meu dedo do meio, e cortava na porção própria para por no papel e embrulhar posteriormente. Agora, além dos olhos das crianças que estavam presentes brilharem a saliva quase escapava da boca de tanto que juntava. Ela percebendo, separava os feios que não servia tanto para embalar e nos dava. Ao colocar na língua ele esquentava e a saliva envolvia aquele cilindo branco e derretia quase que instantaneamente. Quanto maior a qualidade da bala e mais bem feita mais rápido derretia. Eu realmente mal sentia o gosto do coco, mas era gostoso mesmo assim. 

E como aquela bala eu estava sendo puxado e esticado para todos os lados possíveis. E sem um doce na boca que vivia amarga de remédios. Assim que acordei minha reabilitação começou. Exames e fisioterapia tomaram conta do estado semi-vegetativo de dorme e acorda sem uma consciência firme. Vendo minha cara de dor ao me fazer esticar a perna a fiseoterapeuta deu uma folga e disse que eu estava indo muito bem. 

Bala de coco! - disse meio desajeitado precisava também me recuperar de uma sequela por ter batido a cabeça em uma mureta quando fui arremessado por um carro que perdeu a direção ao tentar desviar de um caminhão que vinha em direção contrária. O motorista, fiquei sabendo, teve um mal súbto. Ele sobreviveu. Uma senhora que estava passando próximo não.  A fisioterapeuta me olhou curiosa tentando entender o contexto e expliquei que estava pensando em como as balas eram puxadas para ficarem na consitência que conhecemos. E eu me sentia  igual. 

- Nossa, faz tanto tempo que eu não como uma bala de coco, desde a faculdade. Uma garota de outra turma vendia. - Disse ela animada. Eu ainda não me comuniquei tão fluente e claro como ela. Eu tinha dificuldades motoras e a reabilitação era para isso. Todos os médicos estavam, aparentemente, otimistas com minha evolução. 

- Se você terminar o resto dos exercícios sem careta nenhuma eu tento arrumar umas balas de coco e trago na próxima sessão. - E já inciou outra série daqueles movimentos que eram dolorosíssimos. 

Eu resmunguei qualquer coisa e continuei nas caretas exagerando ainda mais. Ela só disse que daquele jeito não ia trazer nada. 

- Pelo menos... Eu... Não tô pedindo... Para parar! - disse com muita dificuldade. 

Deu um sorriso concordando e continuou seu trabalho. 

Eu não sei como faria se não fosse nosso sistema de saúde. Sei que muita gente reclama de demoras pontuais, contudo, ali dentro do hospital que estava, eu não tinha muito que reclamar. Talvez, se eu fosse muito chato, e sou, reclamaria do tanto de gente que entrava e saía. E convenhamos, fiquei sabendo umas semanas depois, quando já estava melhor para entender as coisas, que tínhamos saído de uma pandemia. O sistema só não colapsou pois as equipes de saúde fizeram o possível e o impossível para dar conta. As internações cresceram drasticamente, os doentes lotaram os Pronto-socorros, logo os leitos e por fim as UTIs. Eu, pela minha condição, já estava no hospital e não tenho ideia de como aconteceu. Muita coisa fiquei sabendo depois e a gravidade real só quando já estava fora do hospital em recuperação em casa. Somente nesse momento que vi o verdadeiro show de horrores que políticos cometeram diante de um desastre dessa proporção. Teve político das três esferas, federal, estadual e municiapal que se dividiram em negar tudo e em tentar resolver o máximo possível da demanda que aparecia. Principalmente por parte de quem era negacionista da situação de calamindade usando a desculpa de salvar a economia. A morte espreitou o mundo masssivamente por meses. A economia que esperasse. Epidemias que tinha estudado ou lido à respeito que ceifaram milhões de vida. Elas  pareciam tão distantes de minha realidade  nos livros. E agora, isso estava acontecendo de novo, e eu lá feito a princesa Aurora. O mundo com um dragão demoníaco feito de vírus e desinformação e eu "sonhando um sonho" Disney. Se bem que o que sonhava parecia mais um conturbado conto de fadas sem fadas. 

Como meu caso era grave, de início não se cogitou mudar para o hospital da cidade que minha família morava. Depois, quando a pandemia começou até levaram em consideração rever minha situação, contudo como as cidades do interior ainda estavam com menos casos relatados num primeiro momento,  achou-se melhor me deixar onde estava, principalmente por estarem entendendo como a doença evoluía naquele instante e se eu realmente corresse o risco de contrair. Claro que se contraísse, possivelmente eu já debilitado pelo acidente, não sobreviveria. 

- Seu guia é muito poderoso e forte - me disse uma vez uma enfermeira em tom confidencial como se contasse um segredo baixinho para ninguém ouvir - Ele está com você desde que você teve uma piora e quase te perdemos e nunca mais saiu do seu lado. Vai cuidar disso quando sair daqui, rapaz. 

Eu não entendi muito bem o que ela quis dizer com o "Vai cuidar disso quando sair daqui, rapaz". Intuí que era para ir em um Centro Espírita para eles me ajudarem. Percebam que sou muito perspicaz, feito um jiló. Se fosse analisar naquela época eu não era religioso. Pelo contrário. Estava vivendo um conveniente ateísmo prático. Era católico de família, batizado à minha revelia, obrigado a frequentar a catequese e comungar aos domingos com a família toda que ia na missa por tradição. Eu, deixando bem frisado, por imposição. Crisma também fui, dessa vez motivado pelos meus amigos que fariam e, se eles estavam lá, teria bagunça e diversão. Não teve, e no dia do rito achei bem desagradável aquele dedão branco do bispo melecado de óleo na minha testa. Assim que saí da frente dele já limpei aquilo com a mão mesmo. E depois que saí da cidade para estudar fora nunca mais pus meus pés em uma igreja para qualquer coisa a não ser visitar por interesse histórico e artístico. 

O quadro era assustador o suficiente para eu ter que ir atrás de um lugar que lidava com espíritos. Claro que não ia. Sou brasileiro, e se algo dá medo nós vamos em direção oposta, é cultural. Costumo dizer que não existe terror no Brasil por isso. Bom, costumava dizer isso. 

O verdadeiro terror para mim já era o quadro que a pandemia tinha promovido no mundo. Contudo na minha família tinha causado um verdadeiro massacre: um primo, duas tias, minha avó e meu pai morreram. Meu avô estava com sequelas e minha mãe estava despedaçada por dentro e acabada por fora de tanto sofrimento que enfrentou. E eu, sendo um dos motivos desse sofrimento, sem poder dar qualquer apoio a ela. 









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quarta-feira, 22 de julho de 2026

Projeto: A Cidade Amaldiçoada - I - O Começo (3)

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Eu lembro que sentia tanto frio nos pés e mãos e não conseguia me aquecer, não conseguia pedir uma meia, ou ajuda. E todas as vezes que olhava para minhas pernas elas estavam debaixo de um cobertor suspeito. Eu acordava e dormia. Mal conseguia resmungar. Tinha dias que eu via em torno de mim várias pessoas, outros dias apenas uma. Alguém animado demais sempre tocava minhas mãos e eu sentia o gostosinho do calor dar um alento. Era fechar os olhos e sumia para voltar e ver que estava entrando alguém, ou saindo alguém, ou alguém falando comigo, ou falando com outra pessoa, ou preocupada ou aliviada, era um vai e volta constante que me deixava zonzo. 

Uma dor aguda na cabeça, no estômago, na garganta. Voltava a dormir, voltava acordar e a dor mudava. Só o frio permanecia e logo sumia como tudo à volta de novo. Não havia sonhos só escuridão. Acordei com choro, riso, acordei com solavanco. Acordei com silêncio. E sempre havia luz quando abria os olhos. E o que eu escutava não fazia sentido. Parecia um monte de pessoas assistindo um jogo numa algazarra infernal. Tinha vez que todos comemoravam, outras, parecia que que havia discórdia. Se fosse uma novela que estava comovendo o público eu não saberia dizer.  

Não vi túnel, não vi vulto, não vi nada além de formas de pessoas que chegavam até mim e saiam. Se era noite ou dia a luz não deixava saber. Era uma luz branca tão fria quanto o que eu sentia nas extremidades de meu corpo. E toda vez que sentia algo mais desagradável, de ânsia de vômito à qualquer dor, eu apagava. Era uma falta de certeza que tonteava minha cabeça. Eu imaginava que se levantasse eu cairia. Tentava me segurar no colchão e não tinha força para pegar sequer no lençol. 

Havia momentos que alguém manipulava meu corpo, colocava de lado, e virava para outro lado, sentia mexer minha perna violentamente, sentia uma catilagem, uma vertebra ou a pele reclamar . Umas pontadas de dor aguda onde não conseguia localizar. Só sentia. O estômago sempre embrulhado, evacuar e mijar eu não saberia dizer se estava acontecendo ou não. Frio, barulho, só tínha calma na escuridão que sempre aparecia. Plácida e profunda. 

Um dia estava de lado e olhava uma parede bege e sem nada na frente. Outro dia estava virado e via outras camas depois de uma cortina que me protegia. Vi gente de máscara. Vi gente vestido de algo que lembrava sacos azuis. Eu não entendi o que acontecia lá. Tudo parecia muito estranho era um olhar e não reconhecer, o tempo passava brecando o prórprio tempo. E de repente avançava para brecar de novo. 

Algumas vezes eu acordava e permanecia de olhos fechados. Sentia a luz mesmo com a palpebra protegendo. Sabia que tinha uma luz lá. Contudo, em uns momentos era um breu só. Nenhuma luz eu conseguia localizar e nesses dias eu notava outra luz, difusa, que parecia um sobretom por cima do preto que eu achava enxergar, esse sobretom ia lentamente virando um marrom escuro, depois clareava e ia a um avermelhado bordô e não passava disso. Bem no centro da escuridão, como se eu olhasse para frente e tentasse enchergar eu via um ponto diminuto de um vermelho vivo esfumaçado. E, aí eu acho que alucianava demais, em outros momentos eu parecia ver as veias que existem na pele que me cerrava e protegia os olhos. Eram finas e delicadas, mais escuras que o resto, se destavavam pela textura. E voltava ao breu inconsciente. E depois de um tempo, isso tudo continuava, mas só quando eu estava consciente de olhos fechados, eu sentia uma luz forte, por trás da minha cabeça, como se estivesse de costas para uma lampada na altura do cocoruto. À esquerda ficava mais avermelhada e preta, como se luz pudesse ser preta,  um contrasenso, mas era o que me parecia e quando à direita era sempre branca perolada e aconchegante. 

Teve outra vez antes de acordar definitivamente, e não faço ideia de quanto tempo, eu estava numa posição na cama que deixava o tronco levemente levantado, como se fosse sentado. Abri os olhos e vaguei a visão por onde podia. Vi que estava num canto e havia camas do meu lado, mais do outro e mais duas em um recuo que seria na direção de minhas pernas continuando a parede que estava à minha esquerda. Todas as camas tinham sua proteção de cortina de plásico. Nunca tinha visto aquilo. Estranhamente eu escutava muito barulho de conversa e não via ninguém conversando, só os bururinhos. Três ou quatro enfermeiras, se houvesse médico não diferenciava, atarantadas entre um leito e outro. E aos pés do último leito, que ficava na direção esqueda, tinha uma mesa onde outro enfermeiro anotava com atenção plena algo importante. Ao seu lado, uma porta fechada que dava para um corredor que virava em L para à direita e perdia a vista. O chão azul, as paredes de um bege bem claro. 

Pode parecer o óbvio, mas só conseguir chegar a seguinte conclusão na minha cabeça "Ah, estou no hospital, e meu rocambole?" Eu estava atordoado e foi a única coisa que consegui elaborar na minha cabeça sem gerar estranheza e desconexão. E vejo no fim do corredor um vulto, de um branco que não brilhava. Não roubava luz de nada, não dava para ver o que era. Era uma massa disforme que vinha em minha direção pulsando. Desabava a massa branca sobre si mesma e pulsava viva e disforme. Me fez lembrar um fígado sendo manipulado, um estranho fígado branco viscoso, pulsava e caía sobre si mesmo. Não firmava forma nenhuma. Vinha na minha direção, parecia tocar um chão que não era o azul ao mesmo tempo que não flutuava, estava bem apoiado nesse chão invisível. Foi chegando, chegando, passou pela porta, que era de vai e vem, se esgueirou pelas frestras de cerca de menos de um dedo. A porta chegou a mexer levemente. Por pouco não esbarra na mesa que o enfermeiro estava. Ele, bem na hora que aquilo pasava, pareceu perceber e deixou de olhar a planilha que preenchia no computador e encara bem o meio da massa branca disforme. Olha ao redor, olha para as outras enfermeiras e percebe o nada. Coloca as mão sobre a testa, até parece fazer uma oração ou só manifestava um cansaço justificado. A massa não se detém e continua no seu caminho invísível e para aos pés de minha cama. E fica ali caindo sobre si mesma e suponho que me encarasse. E ficou ali pelo tempo que meus olhos ficaram abertos. 

E logo se fechou pela última vez para aquela escuridão inconsciente. 

E quando abri novamente, após sei lá quanto dias,  foi quando saí do coma definitivamente. 








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segunda-feira, 20 de julho de 2026

Projeto: A Cidade Amaldiçoada - I - O Começo (2)

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Vou por aqui a segunda parte da história que estou escrevendo no Substack, não sei se colocarei todas as partes aqui. Vai depender de muita coisa. O link está no fim do texto. 


Projeto: A Cidade Amaldiçoada - I - O Começo (2)


Quando saía da escola, no fim do expediente, após pegar o ônibus e chacoalhar por uns quinze minutos de pé mesmo, chegava no meu ponto descia e em alguns dias passava na padaria que havia na esquina. Comprava uns pães, bolo ou quaquer coisa que crescia meus olhos. E em um dias desses comprei um rocambole que fez não só meu olho crescer como encheu minha boca de água. Eu já tinha comido uma vez então sabia que era muito bom. Todas as coisas ali eram gostosas. Ele veio na minha sacolinha junto com presunto, queijo e pães de leite. Tinha acabado de atravessar a rua e desci a quadra para poder ir para minha casa que era em um predinho de de quatro andares sem elevador com quatro apartamentos por andar. Minha cabeça trocava o tempo todo de ideia para não focar na vontade que estava de comer aquele quitute. Senão iria comer ali mesmo, tacar a mão na sacola e abrir a embalagem de plástico rígido e pegar um naco com os dedos. O que era fácil de acontecer, mas queria comer algo salgado primeiro. Para afastar a comida da cabeça pensei nas provas que precisava eleborar, nos gatos do vizinho que eram fofinhos, no cachorro da casa que estava passando em frente, mal encarado, mas balançava o rabinho. A fome fazia meu estômago roncar. O dia foi corrido e eu não consegui comer direito, só uma coxinha e um caçulinha e durante todo o período três litros de café. Teria dificuldade de dormir foi o que pensei. Quando escutei uma pancada e buzina.

Escuro, só escuro.

Eu sei que tentei abrir os olhos sem entender o que aconteceu e uma mulher idosa me olhava, vagamente familiar e me disse:

“Você vai ficar bem e vai enxergar o que não via.”

- Ãh? - estava difícil de conseguir falar e eu estava no chão e até pensei que pudesse ter desmaiado e debilmente tentei sentir a sacola na mão - E meu rocambole?

A senhora não respondeu e parecia estranhamente distante. Escurei vozes entrecortadas, uma bagunça e algo pesava na minha cabeça, alguém chegou perto e tentou encostar em mim e eu tentei protestar pois não achei adequado aquilo naquele momento. Outra pessoa chegou e falou bem alto e dessa vez não ouvi nada.

Escuro de novo.



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sábado, 11 de julho de 2026

Projeto: A Cidade Amaldiçoada - I - O Começo (1) - Substack, Reacts e Livros

             ESTOU DEIXANDO ISSO AQUI POR UM TEMPO. PARA VER SE HÁ ACESSOS E TUDO O MAIS. EU JÁ ESTOU COM MAIS COISAS PUBLICADAS NO SUBSTACK. E COMO DISSE, AQUI NÃO MONETIZA ENTÃO NÃO FAZ SENDIDO EU MANTER UMA PRODUÇÃO CONSTANTE DE ALGO QUE QUERO USAR COMO TRABALHO E NÃO TER REMUNERAÇÃO PARA MIM, MAS O SITE GANHA. ENTÃO, ANISANDO POSSIBILIDADES, E ENQUANTO NÃO TIRO TODOS OS OUTROS TEXTOS DAQUI, SÃO MAIS DE 400, ESTÃO CONVERTIDOS PARA RASCUNHO PARA TIRAR O ACESSO A ELES. 

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Também é meu contato pessoal. 





        Gente, eu não tenho assistido nada nesses dias. Como eu descobri o Substack eu tenho dado uma atenção a ele. Caso queiram dar uma olhada o meu é este https://substack.com/@vigamo.  E até este momento ele tem contemplado meus desejos de escrever várias coisas diferenciadas em uma plataforma não muito defasada. Também tenho feito um curso online de escrita de roteiro e, pasmem, estou lendo compulsivamente. Algo que estava emperrado desde que voltei a morar no interior de São Paulo. Só para ter uma noção, estou planejando ler Torto Arado desde ano passado e só agora consegui. E em janeiro iniciei ler A Cabeça do Santo. Finalizei semana passada. e o livro tem menos de 180 páginas. Mas minha saúde mental não estava das melhores. Não que esteja totalmente recuperado. mas melhorei. 

    E outra coisa que ando bem desgostoso aqui é que não consigo monetizar o conteúdo. Li todas as regras e eu não entendo por qual motivo não libera a monetização. São 14 anos aqui, por mais que tenha os hiatos de tempo sem postar, não são dois meses. E o Substack dá para monetizar, ou melhor, ter assinaturas e ajudas ao escritor. Algo que já tentei aqui de outra forma, e não houve adesão. Nem retorno nenhum de alguma crítitica ou comentário que ajudaria num retorno e melhora pessoal eu consigo. Virou apenas a um lugar que as pessoas acessam, comentam e, se interessarem, ajudam o escritor de alguma forma. Pelo menos há a possibilidade.

    Estou pensando ainda o que fazer. Possivelmente deixarei de base para continuar postanto os meus conteúdos de filmes e talvez coloque alguma coisa ou outra neste blog. Meu maior interesse era ter um meio de me manter escrevendo e treinar a escrita e esse blog ajudou muito. E convenhamos, tenho mais de 500 postagens aqui, se considerar os que eu desvinculei da época que escrevia sobre minha vida pessoal num contexto específico. De filmes e séries são mais de 350. E como quero ganhar para escrever e viver de escrtia, um sonho meio difícil de concretizar aqui, e no Brasil, eu pretendo realmente focar nesses recursos. Eu também estou postando sobre filmes no https://letterboxd.com/vigamo500/, contudo percebi que lá é um tanto obscuro. Então possivelmente vou postar concomitantemente nos dois lugares os mesmo textos sobre os filmes. Série lá não contempla       

        E também culpo a safra atual de produções. Supergirl, Obsessão e Minions e os Monstros estão na fila, contudo, realmente não consegui me convencer a assistí-los. Série piorou. Acho que isso me empurrou, óh que vida cruel, para a leitura. E vou admitir um novo vício aqui, estou adorando assistir react de gringos assistindo coisas brasileiras, de shows, clips de músicas a filmes. Nossa me deu um vigor novo. É interessantíssimo perceber o quanto nossa cultura é admirada fora do Brasil. Algumas vezes assisto algo nosso com a tendência de não dar o valor real, se é nosso desvalorizamos pelo viés do complexo do vira-latas. Querendo ou não ainda nos influencia essa forma de menosprezo de nossa cultura. E como é nossa cultura nem sempre enxergamos algo como que chame tanta atenção, pois é como se fosse tão comum que não causa emoção. Só um exemplo foi assistir reacts sobre músicas da Marília Mendonça. Não acho que o sertanejo atual tome os melhores caminhos artísticos possíveis, sendo que dinheiro e patrocínio eles possuem para fazê-lo, e não fazem por comodismo. É um gênero que ficou raso e comercial de uma forma escancarada. Contudo, não tem como esquecer que os profissionais lá são bons, tirando um ou outro, mas no geral são vozes muito boas, e nem toda música é tão ruim assim, não tem muita diversidade. Então amortecido emocionalmente eu assistia uma coisa ou outra sem nenhuma comoção e ver um gringo de boca aberta com nossa saudosa cantora de sertenejo, a Marília, é muito interessante. É como se eu reconhecesse a emoção que eu deveria ter pelos olhos do outro. E, as vezes é isso, estamos amortecidos e precisamos ver outra pessoa para entender o que deveríamos sentir. E com isso assisti reacts de gringos assistinto Central do Brasil, Lisbela e o Prisioneiro, Auto da Compadecida, Tropa de Elite, Ainda Estou Aqui e outros. E foi muito interessante perceber a emoção do pessoal assistindo. Uma emoção que nem sempre eu tive, sendo eu brasileiro. Ainda não supereei esse novo interesse. Logo, como outros, ele vai parar, mas no momento essa prática tira o tempo de assistir outras coisas. Também estou assistindo Beta Boechat e seu programa no meio do dia. Nem só de filme vive um ser humano. 

    E também não estou trabalhando e isso me deixa um pouco angustiado, pois os boletos chegam. Também estou morando no interior e eu odeio aqui. Só não mudei daqui pois estou esperando vender a casa que estou morando para poder comprar o meu "quitineti" dos sonhos em São Paulo, ou outro lugar que decidir morar. Tenho estudado para concursos, bom, essa parte eu admito que tenho me enganado bastante, mas a bendita matemática que não entra nessa cachola de uma pessoa das Linguagens me deixa patinando nos estudos. 

    Bom, é isso. Aqui abaixo vou colocar o primeiro texto ficcional que estou postando no Substack, já estou no quanto texto, são curtos e tentam contar uma hitórinha simples. É um experimento para me testar e sentir o que os leitores acham. E é justo postar algo de lá aqui, pois vários textos daqui foram para lá. 

    Segue o texto.


 Projeto: A Cidade Amaldiçoada - I - O Começo (1)

Eu não lembro de minha infância, quer dizer, tenho reminiscências vagas. Se isso fosse uma sessão psicanalítica saberia dizer pouco a respeito. Tenho clarões de momentos, um aniversário, uma roupa que eu gostava muito de usar, um passeio para ir tomar sorvete, dias sentado em carteiras duras de sala de aula. Lembro muito dos conteúdos das aulas, principalmente das matérias que eu gostava dos professores. Da minha casa lembro de tudo que tinha nela, lembro dos cheiros, texturas e cores de objetos, livros, plantas. Lembro das comidas, isso eu amava. Passava um tempo brincando com a comida. Fazia uma boa argamassa com o feijão, arroz, o molho da carne cozida com as batatas que eram esmagadas para fazer parte de forma uniforme. Essa massa de comida era moldada no formato mais redondo possível e alto que eu pudesse fazer. A carne era mantida de lado como uma preciosa prenda final. Somente depois de satisfeito com a execução dessa obra que eu me permitia comer. Em casa não se comia na mesa, se comia com o prato na mão sentado no sofá assistindo televisão. Eu pegava uma mesa de centro que ficava de castigo num canto da sala e era usada só por mim para o que quer que eu precisasse. E as relações em casa eram calmas. Dificilmente acontecia uma briga, então aproveitava minha paz e assistia televisão ou brincava. Eu realmente entrava em um mundo só meu nesses momentos. Da TV evoluí para filmes e séries que ainda estão bem presentes em minha vida me levando por uma janela para lugares variados. Da brincadeira eu só tenho a sensação de missão cumprida. Eu gastei meus brinquedos. Eu tenho os poucos remanescentes ainda comigo e existe sim um desgaste do tempo que passou guardado, mas o encardume é de uso intensivo.

Começo a ter mais lembranças relevantes da minha adolescência. Foi quando meus avós morreram. Eu senti falta deles, mas entendi. Eles foram com poucos dias de diferença e continuaram presentes nos meus sonhos por anos. Não fui um garoto rebelde, mas fui bem mal humorado em casa, na rua com os amigos era até engraçadinho demais. Tive vários amigos na escola e depois prestei serviço militar e basicamente conhecia todo mundo da minha cidade que era relevante. Admito que até uns bem irrelevantes de outras idades também. Tirando os dramas adolescentes, tudo normal. Até senti em algum momento que pudesse ser algum tipo de escolhido ou um ser iluminado. A realidade mostrou veementemente que não. Eu tive curiosidade por algumas coisas que hoje entendo como esotéricas. Não foi nada religioso em si ou sobrenatural. O único lugar que via algo sobrenatural era nos filmes. Na época a internet não era opção para pesquisas, não tinha o uso difundido ainda. Então tudo era muito limitado. Ou se tinha material próprio em casa, ou ia-se na biblioteca, se houvesse algo lá, ou então se dependia de bancas de jornais e revistas. Eu mesmo nunca tive coragem de comprar alguns livros que apareceram aleatoriamente por lá. Eu acabava pegando coisas mais leves, segundo meu julgamento. Então li muito sobre signos. Achava seguro o suficiente para não causar medo. E eu não entendia direito o que era o medo então o evitava. Até que, anos depois, eu li um livro que falava melhor sobre como os sentimentos humanos tinham origem na necessidade de sobrevivência e como precisaríamos controlar essas emoções a nosso favor. Ajudou muito, pois joguei tudo na conta dessa ideia. Me apeguei o quanto pude a ela.

Minha família não tinha tantas condições e mesmo assim eu dei um jeito de sair daquela cidade. Consegui uma bolsa de estudos paga com minha saúde mental. Não estava preparado para a pressão que foi. Fiquei 12 anos enrolado com essa tentativa que claramente não deu certo. Parecia que vivia internado num sanatório. Só parecia, a verdade era até pior, eu estava vivendo a vida real de bolsista que tinha que dar conta do que estava estudando. E eu não gostava do que tinham me dado para estudar. Aquela situação parecia tentáculos lovecraftianos me puxando e segurando e direcionando para uma boca tentando me devorar e eu relutando até que, quando finalmente cedi, eu fui cuspido para fora. Quando decidi seguir aquele caminho foi encerrada minha bolsa sem nenhuma justificativa válida, eu só não tinha mais o perfil que eles procuravam. Foi o que disseram fechando as portas e guardando os apêndices grotescos que me seguravam. Eu desmoronei, mas não voltei para a cidade da minha família. Eles me apoiaram no que puderam, puderam pouco. E eu fui tentar viver o que queria viver à força. Como se eu laçasse um boi bravo sem saber como. Com custo, esforço, quebrando a cara aqui e ali eu fui me estabelecendo e me ajeitando. Arrumei uma dúzia de empregos bostas, para um dia conseguir um emprego bom, para logo perder esse emprego e tentar outras coisas. Consegui um financiamento do governo e fui estudar o que tanto queria, bom não queria tanto, mas dentre as possibilidades é o que apareceu: História. Achei que estudar a história do mundo poderia preencher as lacunas que julgava ter sobre a minha própria história. Acordava às cinco horas da manhã para estar no trabalho às sete horas e de saída às 17 horas. A faculdade era às 19 horas e nesse meio tempo eu aproveitei fazer musculação, tomava banho na academia e ia para a aula sempre atrasado. E foram quatro anos com cinco dias por semana nessa toada. Sábado desmaiava até o almoço e aproveitava com o que conseguia o restante do fim de semana. Quando me formei as coisas ficaram um pouco mais confortáveis. Comecei a dar aulas em escolas mais próximas a minha casa e o salário deu uma melhorada, bastava para aquele momento. Alguns anos me ajeitando aqui e ali.

Minha vida amorosa era tenebrosa. Quase não me apegava a ninguém tempo suficiente e quando apegava eu era obrigado a desapegar compulsoriamente. Sofria pois ninguém me queria, perceba o drama de novo, mas sofria pois eu não queria ninguém também. Namorei uma, duas vezes... Na sexta vez até pensei em morar junto, mas não deu certo. Eram tantas incompatibilidades reais e inventadas que não tinha pressa, estava novo. Era só uma falsa sensação de que eu teria todo o tempo do mundo por ser jovem, mesmo quando me dei conta do meu aniversário de 40 anos. Só que essa jovialidade era contestada o tempo todo por minha coluna e joelhos desde os 26, mas na minha cabeça eu era o moçoilo pimpão. Iludido.

A vida de professor de História de ensino público não foi tão fácil. E alguns sinais começaram a aparecer. Na verdade, escarafunchando minhas lembranças, o que não é tão simples para mim, imagino que já havia sinais bem antes do trabalho e eu nunca percebi. E veio o que ninguém esperava: 2020.

E eu colapsei.


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