sábado, 11 de julho de 2026

Substack, Reacts e Livros

             





        Gente, eu não tenho assistido nada nesses dias. Como eu descobri o Substack eu tenho dado uma atenção a ele. Caso queiram dar uma olhada o meu é este https://substack.com/@vigamo.  E até este momento ele tem contemplado meus desejos de escrever várias coisas diferenciadas em uma plataforma não muito defasada. Também tenho feito um curso online de escrita de roteiro e, pasmem, estou lendo compulsivamente. Algo que estava emperrado desde que voltei a morar no interior de São Paulo. Só para ter uma noção, estou planejando ler Torto Arado desde ano passado e só agora consegui. E em janeiro iniciei ler A Cabeça do Santo. Finalizei semana passada. e o livro tem menos de 180 páginas. Mas minha saúde mental não estava das melhores. Não que esteja totalmente recuperado. mas melhorei. 

    E outra coisa que ando bem desgostoso aqui é que não consigo monetizar o conteúdo. Li todas as regras e eu não entendo por qual motivo não libera a monetização. São 14 anos aqui, por mais que tenha os hiatos de tempo sem postar, não são dois meses. E o Substack dá para monetizar, ou melhor, ter assinaturas e ajudas ao escritor. Algo que já tentei aqui de outra forma, e não houve adesão. Nem retorno nenhum de alguma crítitica ou comentário que ajudaria num retorno e melhora pessoal eu consigo. Virou apenas a um lugar que as pessoas acessam, comentam e, se interessarem, ajudam o escritor de alguma forma. Pelo menos há a possibilidade.

    Estou pensando ainda o que fazer. Possivelmente deixarei de base para continuar postanto os meus conteúdos de filmes e talvez coloque alguma coisa ou outra neste blog. Meu maior interesse era ter um meio de me manter escrevendo e treinar a escrita e esse blog ajudou muito. E convenhamos, tenho mais de 500 postagens aqui, se considerar os que eu desvinculei da época que escrevia sobre minha vida pessoal num contexto específico. De filmes e séries são mais de 350. E como quero ganhar para escrever e viver de escrtia, um sonho meio difícil de concretizar aqui, e no Brasil, eu pretendo realmente focar nesses recursos. Eu também estou postando sobre filmes no https://letterboxd.com/vigamo500/, contudo percebi que lá é um tanto obscuro. Então possivelmente vou postar concomitantemente nos dois lugares os mesmo textos sobre os filmes. Série lá não contempla       

        E também culpo a safra atual de produções. Supergirl, Obsessão e Minions e os Monstros estão na fila, contudo, realmente não consegui me convencer a assistí-los. Série piorou. Acho que isso me empurrou, óh que vida cruel, para a leitura. E vou admitir um novo vício aqui, estou adorando assistir react de gringos assistindo coisas brasileiras, de shows, clips de músicas a filmes. Nossa me deu um vigor novo. É interessantíssimo perceber o quanto nossa cultura é admirada fora do Brasil. Algumas vezes assisto algo nosso com a tendência de não dar o valor real, se é nosso desvalorizamos pelo viés do complexo do vira-latas. Querendo ou não ainda nos influencia essa forma de menosprezo de nossa cultura. E como é nossa cultura nem sempre enxergamos algo como que chame tanta atenção, pois é como se fosse tão comum que não causa emoção. Só um exemplo foi assistir reacts sobre músicas da Marília Mendonça. Não acho que o sertanejo atual tome os melhores caminhos artísticos possíveis, sendo que dinheiro e patrocínio eles possuem para fazê-lo, e não fazem por comodismo. É um gênero que ficou raso e comercial de uma forma escancarada. Contudo, não tem como esquecer que os profissionais lá são bons, tirando um ou outro, mas no geral são vozes muito boas, e nem toda música é tão ruim assim, não tem muita diversidade. Então amortecido emocionalmente eu assistia uma coisa ou outra sem nenhuma comoção e ver um gringo de boca aberta com nossa saudosa cantora de sertenejo, a Marília, é muito interessante. É como se eu reconhecesse a emoção que eu deveria ter pelos olhos do outro. E, as vezes é isso, estamos amortecidos e precisamos ver outra pessoa para entender o que deveríamos sentir. E com isso assisti reacts de gringos assistinto Central do Brasil, Lisbela e o Prisioneiro, Auto da Compadecida, Tropa de Elite, Ainda Estou Aqui e outros. E foi muito interessante perceber a emoção do pessoal assistindo. Uma emoção que nem sempre eu tive, sendo eu brasileiro. Ainda não supereei esse novo interesse. Logo, como outros, ele vai parar, mas no momento essa prática tira o tempo de assistir outras coisas. Também estou assistindo Beta Boechat e seu programa no meio do dia. Nem só de filme vive um ser humano. 

    E também não estou trabalhando e isso me deixa um pouco angustiado, pois os boletos chegam. Também estou morando no interior e eu odeio aqui. Só não mudei daqui pois estou esperando vender a casa que estou morando para poder comprar o meu "quitineti" dos sonhos em São Paulo, ou outro lugar que decidir morar. Tenho estudado para concursos, bom, essa parte eu admito que tenho me enganado bastante, mas a bendita matemática que não entra nessa cachola de uma pessoa das Linguagens me deixa patinando nos estudos. 

    Bom, é isso. Aqui abaixo vou colocar o primeiro texto ficcional que estou postando no Substack, já estou no quanto texto, são curtos e tentam contar uma hitórinha simples. É um experimento para me testar e sentir o que os leitores acham. E é justo postar algo de lá aqui, pois vários textos daqui foram para lá. 

    Segue o texto.


 Projeto: A Cidade Amaldiçoada - I - O Começo (1)

Eu não lembro de minha infância, quer dizer, tenho reminiscências vagas. Se isso fosse uma sessão psicanalítica saberia dizer pouco a respeito. Tenho clarões de momentos, um aniversário, uma roupa que eu gostava muito de usar, um passeio para ir tomar sorvete, dias sentado em carteiras duras de sala de aula. Lembro muito dos conteúdos das aulas, principalmente das matérias que eu gostava dos professores. Da minha casa lembro de tudo que tinha nela, lembro dos cheiros, texturas e cores de objetos, livros, plantas. Lembro das comidas, isso eu amava. Passava um tempo brincando com a comida. Fazia uma boa argamassa com o feijão, arroz, o molho da carne cozida com as batatas que eram esmagadas para fazer parte de forma uniforme. Essa massa de comida era moldada no formato mais redondo possível e alto que eu pudesse fazer. A carne era mantida de lado como uma preciosa prenda final. Somente depois de satisfeito com a execução dessa obra que eu me permitia comer. Em casa não se comia na mesa, se comia com o prato na mão sentado no sofá assistindo televisão. Eu pegava uma mesa de centro que ficava de castigo num canto da sala e era usada só por mim para o que quer que eu precisasse. E as relações em casa eram calmas. Dificilmente acontecia uma briga, então aproveitava minha paz e assistia televisão ou brincava. Eu realmente entrava em um mundo só meu nesses momentos. Da TV evoluí para filmes e séries que ainda estão bem presentes em minha vida me levando por uma janela para lugares variados. Da brincadeira eu só tenho a sensação de missão cumprida. Eu gastei meus brinquedos. Eu tenho os poucos remanescentes ainda comigo e existe sim um desgaste do tempo que passou guardado, mas o encardume é de uso intensivo.

Começo a ter mais lembranças relevantes da minha adolescência. Foi quando meus avós morreram. Eu senti falta deles, mas entendi. Eles foram com poucos dias de diferença e continuaram presentes nos meus sonhos por anos. Não fui um garoto rebelde, mas fui bem mal humorado em casa, na rua com os amigos era até engraçadinho demais. Tive vários amigos na escola e depois prestei serviço militar e basicamente conhecia todo mundo da minha cidade que era relevante. Admito que até uns bem irrelevantes de outras idades também. Tirando os dramas adolescentes, tudo normal. Até senti em algum momento que pudesse ser algum tipo de escolhido ou um ser iluminado. A realidade mostrou veementemente que não. Eu tive curiosidade por algumas coisas que hoje entendo como esotéricas. Não foi nada religioso em si ou sobrenatural. O único lugar que via algo sobrenatural era nos filmes. Na época a internet não era opção para pesquisas, não tinha o uso difundido ainda. Então tudo era muito limitado. Ou se tinha material próprio em casa, ou ia-se na biblioteca, se houvesse algo lá, ou então se dependia de bancas de jornais e revistas. Eu mesmo nunca tive coragem de comprar alguns livros que apareceram aleatoriamente por lá. Eu acabava pegando coisas mais leves, segundo meu julgamento. Então li muito sobre signos. Achava seguro o suficiente para não causar medo. E eu não entendia direito o que era o medo então o evitava. Até que, anos depois, eu li um livro que falava melhor sobre como os sentimentos humanos tinham origem na necessidade de sobrevivência e como precisaríamos controlar essas emoções a nosso favor. Ajudou muito, pois joguei tudo na conta dessa ideia. Me apeguei o quanto pude a ela.

Minha família não tinha tantas condições e mesmo assim eu dei um jeito de sair daquela cidade. Consegui uma bolsa de estudos paga com minha saúde mental. Não estava preparado para a pressão que foi. Fiquei 12 anos enrolado com essa tentativa que claramente não deu certo. Parecia que vivia internado num sanatório. Só parecia, a verdade era até pior, eu estava vivendo a vida real de bolsista que tinha que dar conta do que estava estudando. E eu não gostava do que tinham me dado para estudar. Aquela situação parecia tentáculos lovecraftianos me puxando e segurando e direcionando para uma boca tentando me devorar e eu relutando até que, quando finalmente cedi, eu fui cuspido para fora. Quando decidi seguir aquele caminho foi encerrada minha bolsa sem nenhuma justificativa válida, eu só não tinha mais o perfil que eles procuravam. Foi o que disseram fechando as portas e guardando os apêndices grotescos que me seguravam. Eu desmoronei, mas não voltei para a cidade da minha família. Eles me apoiaram no que puderam, puderam pouco. E eu fui tentar viver o que queria viver à força. Como se eu laçasse um boi bravo sem saber como. Com custo, esforço, quebrando a cara aqui e ali eu fui me estabelecendo e me ajeitando. Arrumei uma dúzia de empregos bostas, para um dia conseguir um emprego bom, para logo perder esse emprego e tentar outras coisas. Consegui um financiamento do governo e fui estudar o que tanto queria, bom não queria tanto, mas dentre as possibilidades é o que apareceu: História. Achei que estudar a história do mundo poderia preencher as lacunas que julgava ter sobre a minha própria história. Acordava às cinco horas da manhã para estar no trabalho às sete horas e de saída às 17 horas. A faculdade era às 19 horas e nesse meio tempo eu aproveitei fazer musculação, tomava banho na academia e ia para a aula sempre atrasado. E foram quatro anos com cinco dias por semana nessa toada. Sábado desmaiava até o almoço e aproveitava com o que conseguia o restante do fim de semana. Quando me formei as coisas ficaram um pouco mais confortáveis. Comecei a dar aulas em escolas mais próximas a minha casa e o salário deu uma melhorada, bastava para aquele momento. Alguns anos me ajeitando aqui e ali.

Minha vida amorosa era tenebrosa. Quase não me apegava a ninguém tempo suficiente e quando apegava eu era obrigado a desapegar compulsoriamente. Sofria pois ninguém me queria, perceba o drama de novo, mas sofria pois eu não queria ninguém também. Namorei uma, duas vezes... Na sexta vez até pensei em morar junto, mas não deu certo. Eram tantas incompatibilidades reais e inventadas que não tinha pressa, estava novo. Era só uma falsa sensação de que eu teria todo o tempo do mundo por ser jovem, mesmo quando me dei conta do meu aniversário de 40 anos. Só que essa jovialidade era contestada o tempo todo por minha coluna e joelhos desde os 26, mas na minha cabeça eu era o moçoilo pimpão. Iludido.

A vida de professor de História de ensino público não foi tão fácil. E alguns sinais começaram a aparecer. Na verdade, escarafunchando minhas lembranças, o que não é tão simples para mim, imagino que já havia sinais bem antes do trabalho e eu nunca percebi. E veio o que ninguém esperava: 2020.

E eu colapsei.



sábado, 27 de junho de 2026

Avatar - O Último Mestre do Ar: Aprenda Disney

 



Avatar - O Último Mestre do Ar: Aprenda Disney

Em 2005 eu já estava bem descolado dos programas televisivos e tentando resolver as perebas da vida que não estava nem um pouco fácil de sarar. Se não me engano, eu mesmo só fui ter acesso à animação do Avatar alguns anos depois de sua estreia. E gostei. Uma história de um menino cheio de espíritos ancestrais que auxiliaria o mundo em um momento que o mesmo mais precisaria. E passou um tempo e apareceu o live action fatídico do M. Night Shyamalan que desagradou todo mundo. Eu achei ok, realmente, mas quem sou eu na fila do pão não é mesmo? A história era tão boa que não tinha como deixar o fracasso cinematográfico afundar. Então, entra a Netflix resgata e transforma em formato de série. E deu muito certo. Enquanto o filme escalou  atores brancos como o Jackson Rathbone, bem sem graça em seu Sokka, e errou muito nisso, a série acertou em pegar inúmeros atores e atrizes das mais variadas etnias asiáticas e indígenas. 

A primeira temporada foi o frescor que ajudou a resgatar a história quase perdida pelo filme e agradou bastante. E agora, a segunda temporada tem acertado na escalação e representação de vários outros personagens e em especial de uma muito querida da trama, a Toph, que é feita pela atriz Miya Cech. Se na primeira temporada vemos Sokka (Ian Ousley) e Katara (Kiawentiio) encontrando Aang, o avatar que sumiu misteriosamente (Gordon Cormier), perdido e congelado próximo da aldeia da Tribo da Água do Sul, e o ajudam a retomar sua missão de ser quem é. E nessa empreitada entram em confronto com uma nação inteira que está tentando dominar e se impor ao restante do mundo. 

Toda a produção não só convence como entrega o delicioso fan service necessário para acalmar e vibrar todos que amam essa história como é bem feita e bem atuada, guardadas as devidas limitações que é normal devida a experiência dos atores mais novos. É incrível ver as roupas tão bem traspostas e sendo elaboradas de forma "real" com atores de carne e osso e com cenários e animais fantásticos de CGI  de forma satisfatoria. Appa, o bisão voador e Momo, o lêmure voador, eram fundamentais na história toda e estão bem executados. E os lugares estão muito fiéis e com lindas cenas das paisagens que nem sempre existem no mundo real. 

E agora entro na minha maior bronca com as séries, continuidade e finalização. E sim, a terceira temporada além de estar confirmada já foi gravada. Então teremos uma finalização dessa história que é tão querida e simpática a todos nós. No original da animação houve um final, então, tudo está pronto no canal de origem, a Nickelodeon. E assim fico feliz com essa que história vai ter um final, o que tanto desejo sempre nas séries. E será que teremos Avatar: A Lenda de Korra em live action? Queremos também, afinal somos insaciáveis com as adaptações bem feitas de nossas histórias favoritas. Aprenda Disney. 



E estou escrevendo no Substack coisas que não estarão necessariamente aqui. Filmes continuam aqui e no LetterBoxd. 

https://letterboxd.com/vigamo500/


Quem quiser dar uma olhada lá, tenho pouca coisa ainda publicada. Por enquanto. 

https://substack.com/@vigamo



domingo, 21 de junho de 2026

Dia D: ET...Telefone...Minha Casa, Não Péra!

 






Dia D: ET...Telefone...Minha Casa, Não Péra!


Esses dias fiz um listamento comentado de dois diretores, Quentin Tarantino e Francis Ford Coppola, e aproveitei para preparar a do Steven Spielberg e me assustei bastante com o tanto de filmes que assisti desse diretor e ao mesmo tempo o quanto que ainda não assisti. O último visto por mim foi Lincoln em 2013, incluive tem resenha aqui no Blog. Depois eu não me interessei por nenhum até o momento. 

E também não estava tão animado por este, admito. E fui olhar os vídeos de dois críticos, de quem gosto muito, que tiveram opiniões tão opostas que me causou curiosidade e decidi assisti. E como 'é notório' o gosto do diretor, produtor e roteirista pelo tema de extraterrestres. Dos que assiti, Contatos Imediatos do Terceiro Grau e E.T. O Extraterrestre são mais inspirados que este, mas não deixa de ser divertido. Guerra dos Mundos  achei muito impessoal comparados a esses três por sua vez. 

O enredo direciona a uma hipotética revelação sobre a presença de seres que não são da Terra pelos canais televisivos. Para isso haverá uma grande corporação ligada ao governo tentando impedir que isso ocorra. Algumas coisas ficam um pouco estranhas, na época da Inteligência Artificial isso nem ser cogitado, tudo ir para a televisão primeiro e só depois para a internet e o velho colonialismo, "U-S-EI"  mostrado como o centro pleno da existência do universo e tudo acontece lá. Estamos precisando de uma nova revolução copernicana tirando o EUA do centro de todo o universo e dos multiversos. Enquanto eles não recebem esse chá revelação, o silêncio da China é ensurdecedor sobre esse tema, nós colonizados vamos consumindo o que eles produzem com  ou sem senso crítico e está tudo bem. Cada qual com cada seu. 

O filme devolve um pouco a sensação de diversão pipoca que, por sentir falta, talvez tenha me desanimado e afastado dos outros filmes que citei acima. Vou retomar principalmente por haver alguns títulos que me causaram uma certa curiosidade. Principalmente por esse diretor ser tão essencial e fundamental para o cinema atual. 

quarta-feira, 17 de junho de 2026

O Segredo de Widow's Bay: O Responsável Foi o Rhys




O Segredo de Widow's Bay: O Responsável foi o Rhys

Ano passado eu assisti Towards Zero uma minissérie da BBC One que é baseada no livro de mesmo nome da Agatha Christie, no Brasil A Hora Zero. E eu sou muito fã dessa autora contudo sempre achei ela bem rasa nos dramas humanos que colocava em seus livros. Até um dia ler algo que me fez mudar de perspectiva. Ela acaba sim suavizando alguns problemas sociais de sua época, mas várias críticas estão lá. Eu que não percebia tanto. Foi somente em uma matéria sobre uma adaptação de a Mansão Hollow que notei que nem tudo nos livros dessa autora era tão leve. Tudo que estava na sociedade de sua época ela tentou abordar, mulhers submissas, traições, ganâncias, paixões e ambições avassaladoras. Restrita por seu gênero literário ela só não pesou nos contornos desses assuntos. E, mesmo havendo uma mudança bem significativa na adaptação em Hora Zero para a série, o que mais me chamou a atenção, para além da história, foi a interpretação do Matthew Rhys fazendo o Inspetor Leach que, já no começo, tenta suicídio se jogando ao mar de um penhasco e graças a isso acaba por resolver o  assassinato da história. O peso dramático nos ombros do personagem me deixou muito admirado. E Rhys foi o reponsável.

Eu particularmente não gosto muito de terror por vários motivos. Um deles, é que não gosto de ver corpos sendo picados, amassados, moídos, triturados... Se me causa aflição e cai no gore eu não gosto. Todo choque visual que mostra a destruição de um ser vivo me incomoda muito.  Quando o terror é psicológico, insinua e não mostra, isso me deixa mais confortável, por pior, no bom sentido, que seja o desenrolar da história. E fui atrás de O Segredo de Widow's Bay e gostei da temática, mas como sou escaldado com os terrores estadunidenses notei qeu havia no elenco o Rhys que me fez dar uma chance a essa série. 

E estava certo, uma vila isolada, no caso numa ilha que possui um mistério ligado a um antepassado local. São as típicas representações de pessoas alienadas e odiosas de uma comunidade pequena. Não tem um personagem que eu simpatize. E para mim parecia tudo muito atípico. Até lembrar que eu cresci em uma cidade pequena onde todo mundo se conhecia, em sua maioria, e fingem que não e muitos acabam prejudicando os outros só por achar alguma coisa que nem sempre condiz com a verdade, mas na cabeça dela foi estabelecido que sim. Então meu ódio era ver algo que eu vivi, e pior, estou de novo sendo obrigado a vivenciar por ter voltado a morar no interior. Há pessoas fantáticas, como em todo lugar, mas aqui as pessoas odiosas estão muito próximas de você. É o vizinho que do nada joga na sua cara uma opinião hedionda ou na padaria uma vózinha fofa sendo intolerante e racista. Em cidade maior isso também acontece, contudo aqui, às vezes, essa vozinha foi sua professora no Ensino Médio. 

Tirando esse espelhamento e voltando para a série ela tem uma história um pouco arrastada no começo, o que nos faz conhecer melhor os personagens. Tanto que algo interessante mesmo só acontece  no episódio quatro e a temporada toda tem nove ao todo.  Contudo, há uma coisinha que me incomodou, não tenho muito como falar sem entregar spoiler, mas se puder dizer de forma geral, para o ato mágico acontecer há necessidade de total intenção e clareza de quem está executando algo. Não tem como invocar um demônio sem querer, nos filmes é possível por conveniência dos redatores. E aí as coisas vão virar um turbilhão de situações realmente mistériosas e interessantes. 

Rhys está fantástico como o covarde prefeito Tom que entende que só não vai embora dali por causa do medo de seu filho não sobreviver fora da ilha, existe uma lenda em torno disso. E com ele tem uma equipe de outros personagens, através da boa interpretação dos atores, totalmente desfuncionais que acabam encorpando o drama e horror dos mistérios que foram esquecidos pela população local. E talvez isso explique o fato de que quando me mudo para uma cidade diferente eu tento saber toda a história local para não ser pego de surpresa. Afinal, não tem nada mais assustador que a falta de conhecimento para lidar com o sobrenatural loca. Aprendi com a Samara Morgan que às vezes a entidade só quer ser ouvida.  


Um PS: Escrevi esse texto todo durante o período da tarde do dia 16 de junho de 2026. À noite na revisão decidi por a última frase. Continuei fazendo outras coisas quando vejo uma postagem no Instagram sobre a atriz Daveigh Chase ter falecido aos 35 anos. Ela interpretou Samara Morgan na versão estadunidense do filme O Chamado. Acho que a melhor vilã de filmes de terror dos últimos tempo.

R.I.P. Daveigh/Samara... Nunca mais olhei para um poço e para uma televisão de tubo com os mesmos olhos... E sempre atendo uma ligação de telefone apreensivo esperando não escutar "Seven days..."  

quinta-feira, 11 de junho de 2026

Mestres do Universo - Essa Resnha Não é Minha





 Mestres do Universo - Essa Resnha Não é Minha

Por mais que eu agora seja um homem crescido, na hora que apagaram as luzes e na tela apareceu o logo da Metro-Goldwyn-Mayer com um tigre verde rugindo abriu-se um portal direto para os anos de 1986-1989 e eu simplesmente deixei de ser adulto. 

Eu não sou uma pessoa nostálgica que vive com saudade do passado. Tirando pouquíssimas épocas pontuais de minha vida o restante eu vivi da forma mais intensa que pude e não. E fui uma criança de interior com quintal grande que ficava até certas horas pelas ruas, pois não havia perigos, pelo menos se julgava isso nessa época. Lembro de tudo e não gostaria de viver essa época de novo, só passou e guardo com carinho tudo dentro de mim.  

E foi esse garotinho, uma criancinha gorducha de covinhas na bochecha, que saía da escola correndo a tempo de assistir o episódio de He-Man antes do programa acabar que apareceu para assistir. Foi literalmente uma incorporação do meu eu-criança

Não tem como falar mal desse filme. Essa criança não vai deixar. Foi demais ver os nomes dos personagens, as roupas, os lugares. E essa criança era tão vidrada que assim que saiu os bonecos de brinquedo pediu para a mãe de presente. E tinha uma sorte de ter em outrubro o Dia das Crianças, um presente, no aniversário em novembro, outro presente, e Natal em dezembro, mais um. Eram três brinquedos seguidos, tudo bem que o restante do ano ficava sem. 

E essa criança ganhou um He-Man, um Aquático, um Tríclop, e o preferido Abelhão, que depois virou Zangão, além da nave Rotor. Não conseguiu ter o Equeleto. E sua frustração foi não conseguir a coleção toda. Filho de empregada doméstica que trabalhava fora em casa de família o dinheiro era curto. Enfim... E olha, esses brinquedos estão aqui, ainda hoje, e vocês não sabem o quanto eles estão desgastados pelo uso, pois aquela criança brincou o quanto pode e quis. 

Então, essa resenha não é do "eu-adulto", é daquela criança e ela ficou tão feliz de ter assistido finalmente uma história que resgatava o que ela imaginava para um live-action. Essa criança não liga que os tontos dos EUA não deram bilheteria suficiente ou se tem gente falando mal do filme. Ela adorou. E quem sou eu para contestar essa criança que ficou feliz por tudo o que viu? 

Só faltou um bolo Nega-Maluca, não critiquem, deixe justemente isso para outro momento, era o bolo preferido dessa criança que muitas vezes ela mesma fazia sozinha, pois aprendeu para compensar a mãe que trabalhava fora, e uma Coca-cola gelada. E tenho certeza que essa criança depois de assistir o filme e comer  ia pegar seus "hominhos" e ia reproduzir o filme todo do seu jeito em uma aventura pelo seu quintal cheio de lugares bons para construir fortalezas de tijolo e tábuas. 

Essa criança foi feliz e está feliz.  Vai contrariar ela? Eu não vou. 





Um aviso: Estou com já com um perfil no Letterboxd que é uma rede social voltada para cinéfilos e entusiastas do cinema. E como funciona também de dário estou passando todas as minhas resenhas para lá e possivelmente manterei aqui por um tempo também. Possui vários recursos mais interessantes para se usar. 

Meu nome lá está VIGAMO500


 

domingo, 7 de junho de 2026

Pillion: Felicidade e Cadeado

 



Pillion: Felicidade e Cadeado


Qualquer relação envolve alguns pilares bem básicos: comunicação aberta, respeito mútuo, confiança inabalável e individualidade. Se ambas as pessoas envolvidas forem maiores de idade, ainda assim precisam ter a capacidade de entender o que está acontecendo e ter liberdade emocional, intelectual e psicológica de consentir a mesma. E, dentro desses parâmetros, as pessoas envolvidas podem assumir acordos, contratos ou combinados. Um casamento civil e religioso com efeito civil é um contrato de consenso mútuo entre duas pessoas perante Deus e perante as famílias dos envolvidos, literalmente tem que se assinar um papel. Contratos precisam ser revistos o tempo todo, acordos mudam mediante as necessidades e expectativas humanas mudam. Por isso, um acordo pétreo e eterno, "até que a morte os separe", é improdutivo, e tantos casamentos terminam. Contudo, aqui é que entramos no filme resenhado, que mostra que há relações onde esses acordos e contratos não só são muito particulares, como podem até alterar ou reformular um ou mais pilares acima citados, com total adesão das partes.

Para além do BDSM, que são práticas sexuais e jogos eróticos consensuais focados em negociação, papéis de poder, restrição e estimulação sensorial, precisamos entender os termos que o compõem. O "B" é de bondage, o "D" de disciplina, o "S" é sadismo e o "M" é masoquismo. Fiquemos aqui só com a Dominação e Submissão, que perpassam todo o conceito de BDSM como se fosse uma cola, e o filme trata desse tipo de relação. De certa forma, essa produção, por ser o que é, trata de tudo como se acontecesse naturalmente, um fato após o outro. E vou chamar aqui de "D&S", "Dominação & Submissão", para abreviar. E tudo isso que disse até agora na "D&S" requer consensualidade e, para chegar a isso, é necessária muita conversa e definições claras de papéis aceitas por ambos. E isso é feito entre duas pessoas supostamente de mesmo nível social, econômico, psíquico e emocional, ou deveria ser. Abrindo uma ressalva aqui, temos que tomar cuidado com modelos de acordos sociais que só reforçam o status quo e as condições de domínio negativo e tóxico impostas pela cultura em que vivemos, senão vira apenas uma relação abusiva, coisa que o BDSM não é, ou não deveria ser. O prazer e o desejo não devem passar por cima de leis em primeiro lugar, e temos questões históricas e sociais a serem levadas em conta. E também não queremos cair em julgamentos, mas é bom analisar bem a situação em torno do que está acontecendo. No filme são dois homens adultos, apesar de um ser mais novo e inexperiente e o outro bem mais velho.

O filme Pillion é baseado num livro, Box Hill, do autor britânico Adam Mars-Jones, e estrelado por Harry Melling como Collin, o submisso, e Alexander Skarsgård como o dominador. É uma história de descobertas sobre si mesmo e sobre pessoas confusas com as próprias emoções. Eu não tinha visto o Skarsgård atuando antes, então não tenho como comparar, mas nesse papel ele me pareceu deslocado. Como se realmente o personagem não coubesse nele. Esteticamente ele é o padrão exato que muitas mulheres e homens desejam para si. Na atuação desse personagem, o Ray dele se mostrou alguém quebrado que se reveste de uma armadura pronta para se proteger dos perigos do mundo, e essa armadura de dominador serviu para isso. E foi justamente isso que fez a abordagem do Melling, como o jovem inexperiente, brilhar tanto. E está difícil não entregar algum spoiler, se falhar me desculpem. E vamos supor que a escolha de elenco e a escolha das nuances dos personagens tenham sido propositais, então temos uma relação de dominação e submissão inversamente proporcional à força interior que cada um demonstra ter na história.

Para quem não lembra do Melling, ele fez na franquia Harry Potter o caricato Duda Dursley e ficou bem meia-boca, como quase todas as crianças e depois adolescentes presentes ali. Contudo, recentemente eu assisti A Tragédia de Macbeth, do diretor Joel Coen, com um elenco de peso, Denzel Washington e Frances McDormand fazendo o fatídico casal de regicidas e a aterradora bruxa Kathryn Hunter, e ele foi escalado como Malcolm, o príncipe que é obrigado a fugir após a morte do pai para se autopreservar e arrumar alianças para destituir o assassino do pai que subiu ao trono. E ele faz uma interpretação muito digna em tela. O Duda cresceu e estudou muito, pelo visto. Certíssimo, tudo requer estudo e dedicação para melhoria pessoal e da profissão, e isto estou dizendo para mim mesmo mais do que para quem está lendo agora este texto. Então a interpretação dele como Collin é forte, não é um submisso que está quebrado por dentro. As pessoas confundem às vezes que um submisso é alguém que possui fraqueza interior. Pelo contrário, para abrir mão livre e conscientemente de algum pilar básico de um relacionamento convencional, em função não só de "obedecer" uma outra pessoa que irá dominar, mas em função de um desejo que se aplaca com uma renúncia de si mesmo, é necessária muita clareza e sinceridade consigo mesmo e vencer alguns medos, principalmente o de ser julgado por outras coisas. Seria algum distúrbio se tudo gerasse sofrimento desnecessário e degradação física, psicológica e social. E o filme aborda isso na metáfora que o próprio nome apresenta. "Pillion", em inglês, é o assento do carona na moto, e quem pilota a moto é o dominador sempre, e ele, o submisso, fica na garupa. Ambos precisam ter clareza no que querem e conversar sobre isso. E ambos precisam adaptar e rever sempre que for necessário os combinados. Se não se alinharem, que cada um siga seu caminho. Então ambos precisam ter a cabeça em ordem. Se um dos dois, numa relação "D&S", não estiver psicologicamente bem, alguém sai machucado. E, um spoiler da vida, quem se entende, se entrega de verdade aos próprios desejos e é honesto consigo mesmo e com os outros nunca sai enfraquecido. E vou repetir a frase que coloquei na resenha de Pela Metade, que li muito em comentários de postagens específicas do Instagram: "Pessoas confusas machucam pessoas". E ouso dizer que pessoas seguras, indiferente de serem dominadoras ou submissas, ou nem quererem chegar perto de uma relação BDSM, no mínimo terão maturidade e responsabilidade afetiva para tentar não machucar pessoas por sua confusão interna.

O filme lança uma luz para um tipo de relação que muitos nem sequer entendem e, assustadoramente, grupos machistas religiosos heterossexuais tentam cooptar para seus interesses escusos em relação ao controle do corpo feminino. E, principalmente, o filme mostra o florescer de uma pessoa que se entende no mundo e não desiste de ir atrás e buscar sua felicidade, mesmo nas adversidades e com um cadeado no pescoço.


******************************************************************************************

Obrigado por prestigiar o blog. 

E-mail: vinimotta2012@gmail.com ( e PIX, ajudem o escritor, sempre presicamos de incentivo) 

Instagram: @vigamo500


*********************************************************************************************

English

The original text was written without the use of any AI tools; however, the translation was carried out by ChatGPT, as the author does not yet master English grammar. Perhaps one day.

If there is anything that may be difficult to understand or that seems unclear to the reader, this may be due to certain textual constructions, sentence structures, or even references specific to regional Brazilian Portuguese and the culture of Brazil.

All subsequent texts will include this notice.

Contact: vinimotta2012@gmail.com

Instagram: @vigamo500


Pillion: Happiness and a Padlock

Any relationship involves some very basic pillars: open communication, mutual respect, unwavering trust, and individuality. Even if both people involved are adults, they still need the ability to understand what is happening and have the emotional, intellectual, and psychological freedom to consent to it. Within those parameters, the people involved can establish agreements, contracts, or arrangements. A civil marriage and a religious marriage with civil recognition are contracts of mutual consent between two people before God and before the families involved; you literally have to sign a document. Contracts need to be reviewed constantly, agreements change according to needs, and human expectations change. That is why a rigid and eternal agreement, "till death do us part," is unproductive, and so many marriages end. However, this is where we enter the territory of the film being reviewed, which shows that there are relationships where these agreements and contracts are not only highly particular, but can even alter or reformulate one or more of the pillars mentioned above, with the full consent of both parties.

Beyond BDSM, which encompasses consensual sexual practices and erotic games focused on negotiation, power roles, restraint, and sensory stimulation, we need to understand the terms that compose it. The "B" stands for bondage, the "D" for discipline, the "S" for sadism, and the "M" for masochism. Let us focus here only on Domination and Submission, which runs through the entire concept of BDSM like a binding force, and is the kind of relationship addressed by the film. In a way, this production, by virtue of what it is, treats everything as if it unfolds naturally, one event after another. I will refer to it here as "D&S," "Domination & Submission," for short. Everything I have said so far about "D&S" requires consent, and reaching that point demands extensive conversation and clearly defined roles accepted by both parties. This is done between two people supposedly on the same social, economic, psychological, and emotional level, or at least it should be. As a side note, we need to be careful with social agreement models that merely reinforce the status quo and the negative, toxic power structures imposed by the culture in which we live, otherwise it becomes just another abusive relationship, something BDSM is not, or at least should not be. Pleasure and desire should not override laws in the first place, and there are historical and social issues that must be taken into account. We also do not want to fall into judgment, but it is important to carefully analyze the situation surrounding what is taking place. In the film, the relationship is between two adult men, although one is younger and inexperienced while the other is considerably older.

The film Pillion is based on the novel Box Hill by British author Adam Mars-Jones and stars Harry Melling as Collin, the submissive, and Alexander Skarsgård as the dominant. It is a story about self-discovery and about people confused by their own emotions. I had never seen Skarsgård act before, so I have no basis for comparison, but in this role he seemed out of place to me. As if the character simply did not fit him. Physically, he is the exact standard that many women and men desire for themselves. In his portrayal, his Ray comes across as someone broken who has wrapped himself in armor to protect himself from the dangers of the world, and the role of dominant serves as that armor. It was precisely this aspect that allowed Melling's performance as the inexperienced young man to shine so brightly. It is becoming difficult not to reveal spoilers, so if I slip up, forgive me. Let us assume that the casting choices and the nuances of the characters were intentional. If so, we have a relationship of domination and submission that is inversely proportional to the inner strength each character demonstrates throughout the story.

For those who do not remember Melling, he played the caricatured Dudley Dursley in the Harry Potter franchise and was rather mediocre, much like almost all of the children and later teenagers featured there. However, I recently watched The Tragedy of Macbeth, directed by Joel Coen, featuring a powerhouse cast, with Denzel Washington and Frances McDormand portraying the fateful regicidal couple and the terrifying witch Kathryn Hunter. Melling was cast as Malcolm, the prince forced to flee after his father's death in order to preserve himself and gather allies to overthrow the murderer who seized the throne. He delivers a very respectable performance on screen. Dudley grew up and studied hard, it seems. Quite right, everything requires study and dedication for personal and professional improvement, and I am saying that more to myself than to whoever is reading this text right now. His portrayal of Collin is powerful; he is not a submissive who is broken inside. People sometimes confuse submission with inner weakness. On the contrary, freely and consciously giving up one of the fundamental pillars of a conventional relationship, not only to "obey" another person who will take the dominant role, but also in pursuit of a desire that is fulfilled through a degree of self-renunciation, requires great clarity, honesty with oneself, and the courage to overcome certain fears, especially the fear of being judged for other reasons. It would be a disorder if it resulted in unnecessary suffering and physical, psychological, or social degradation. The film addresses this through the metaphor presented by its very title. In English, "pillion" is the passenger seat on a motorcycle, and the one who drives the motorcycle is always the dominant, while the submissive rides on the back. Both people need to be clear about what they want and communicate about it. Both must also adapt and revise their agreements whenever necessary. If they cannot align, each should follow their own path. Therefore, both need to have their minds in order. If one of the two people in a "D&S" relationship is not psychologically well, someone will get hurt. And here is a spoiler from life itself: those who understand themselves, truly surrender to their own desires, and are honest with themselves and others never come out weakened. I will repeat a phrase I used in my review of Pela Metade, one that I often saw in comments on specific Instagram posts: "Confused people hurt people." I would go further and say that secure people, whether dominant, submissive, or not interested in BDSM relationships at all, will at least possess the maturity and emotional responsibility to try not to hurt others because of their own internal confusion.

The film shines a light on a type of relationship that many people do not even understand and that, disturbingly, misogynistic heterosexual religious groups try to co-opt for their own questionable interests regarding control over women's bodies. Above all, the film portrays the blossoming of a person who understands himself in the world and refuses to give up on pursuing and finding his own happiness, even in the face of adversity and with a padlock around his neck.


sábado, 6 de junho de 2026

Spider-Noir: Rabugento e Alcoolista






Spider-Noir: Rabugento e Alcoolista


Em meados de abril, eu assisti a Relíquia Macabra, ou O Falcão Maltês, um filme noir que ajudou na popularidade do gênero. Esses filmes noir eram histórias de detetives cansados da vida, pessimistas e cínicos. As mulheres retratadas não eram inocentes e angelicais. Noir, via de regra, em francês quer dizer preto, e nas produções sugere uma estética mais carregada de densidade moral e misteriosa. O detetive não é um poço de virtude como antes. E Humphrey Bogart encarnou esse estereótipo de homem cansado que faz investigações por dinheiro, vivendo uma vida nos becos encardidos de uma cidade grande. Acaba por se deparar com uma femme fatale que o leva, de início, à perdição, mas, com muito jogo de cintura e esperteza, ele dá a volta em todo mundo que aparece na sua frente.

Quando Bogart fez seu Sam Spade em O Falcão Maltês, já contava com mais de quarenta anos e conseguiu imprimir uma aparência bem cansada ao personagem. Foi perfeito ter assistido a esse filme e logo sair a produção da série Spider-Noir, que me fez ter as referências necessárias para entender melhor. Eu não estava sabendo da produção dessa série sobre um dos Homens-Aranha do Aranhaverso. E muito me admirei em saber que quem faria essa versão do Homem-Aranha era Nicolas Cage, que já conta com seus 62 anos. Soube depois que ele já tinha feito a voz na animação. Então achei interessante ele ser escalado para a versão em live-action. Acostumado a ver a versão adolescente e jovem de um herói tão dinâmico quanto este, fiquei realmente curioso sobre como eles tratariam essa versão.

E admito que não esperava o que assisti. Nicolas Cage tem uma história pessoal bem interessante. Ele recebeu um golpe financeiro do seu contador e ficou devendo milhões para a Receita Federal de seu país. Processou o cara, fez um acordo com a Receita e pagou tudo. Para isso, passou um bom tempo fazendo filmes meramente comerciais ou de produtoras pequenas só para juntar logo o dinheiro e quitar as dívidas. E assim o fez. Agora restabeleceu suas finanças e voltou com a carreira para os trilhos mais assertivos e com boa recepção da crítica.

A história toda se passa num pós-guerra, onde pessoas foram usadas para experimentos ousados e acaba-se criando humanos com poderes. Até então, vamos descobrindo quem são as pessoas que possuem esses poderes. Ao mesmo tempo, temos na cidade um criminoso que consegue muito poder e dinheiro graças à Lei Seca em vigor e sofre uma tentativa de assassinato. E, no meio dos interesses desse criminoso, aparece Sam Reilly (Cage), que é um detetive particular típico de filmes como O Falcão Maltês, entrando nesse rolo todo. O vilão é o folclórico Cabelo de Prata (Brendan Gleeson), que não tem poder nenhum, a não ser aquele que o dinheiro e a ânsia por poder causam, mas que literalmente ele paga para ter. Sem entregar muito.

Todo o elenco está bem, e quem faz a femme fatale da vez é Cat Hardy (Li Jun Li, que esteve em Pecadores), usando um vestido mais bonito que o outro. Tem um azul royal todo plissado, com uma espécie de andorinha no ombro, e é fantástico o efeito que causa na cena.

É uma série cheia de reviravoltas e mistérios um pouco manjados, o que não tira seus méritos, além de contar com vários coadjuvantes interessantes. E ver eles usarem a idade de Nicolas Cage nas dores e lerdezas do Aranha é bem legal. Eles usam isso a favor do personagem, deixando-o mais limitado. Aqui, a tagarelice do jovem Homem-Aranha ganha a engraçada rabugice de um homem mais velho e alcoolista, o que deixa o personagem bem mais humano, por sinal.


**********************************************************************************************

Obrigado por prestigiar o blog. 

E-mail: vinimotta2012@gmail.com ( e PIX, ajudem o escritor, sempre presicamos de incentivo) 

Instagram: @vigamo500


*********************************************************************************************


English

The original text was written without the use of any AI tools; however, the translation was carried out by ChatGPT, as the author does not yet master English grammar. Perhaps one day.

If there is anything that may be difficult to understand or that seems unclear to the reader, this may be due to certain textual constructions, sentence structures, or even references specific to regional Brazilian Portuguese and the culture of Brazil.

All subsequent texts will include this notice.

Contact: vinimotta2012@gmail.com

Instagram: @vigamo500


Spider-Noir: Grumpy and Alcoholic


In mid-April, I watched The Maltese Falcon, a film noir that helped popularize the genre. These noir films were stories about detectives worn down by life, pessimistic and cynical. The women portrayed were not innocent or angelic. Noir, generally speaking, means black in French, and in these productions it suggests an aesthetic loaded with moral ambiguity and mystery. The detective is no longer a paragon of virtue as he once was. Humphrey Bogart embodied this stereotype of the weary man who investigates for money, living among the grimy alleys of a big city. He eventually crosses paths with a femme fatale who initially leads him toward ruin, but through wit and street smarts, he manages to outmaneuver everyone who stands in his way.

When Bogart played Sam Spade in The Maltese Falcon, he was already over forty years old and managed to give the character a convincingly exhausted appearance. It was perfect timing for me to watch that film and then have the Spider-Noir series released shortly afterward, giving me the references I needed to better understand it. I had no idea this series about one of the Spider-Men from the Spider-Verse was in production. I was quite surprised to learn that Nicolas Cage, now 62 years old, would be playing this version of Spider-Man. Later, I found out that he had already voiced the character in the animated film. That made his casting in the live-action version even more interesting. Having grown accustomed to seeing the teenage and young-adult version of such a dynamic hero, I was genuinely curious about how they would handle this interpretation.

I admit I did not expect what I saw. Nicolas Cage has a rather interesting personal story. He was the victim of financial fraud by his accountant and ended up owing millions to the Internal Revenue Service. He sued the accountant, reached an agreement with the IRS, and paid everything back. To accomplish that, he spent a long period making mostly commercial films or working with small production companies simply to earn money quickly and eliminate his debts. And that is exactly what he did. Now that his finances are back in order, he has returned his career to a more deliberate path, one that has been well received by critics.

The entire story takes place in a post-war setting where people were subjected to daring experiments, resulting in the creation of humans with extraordinary abilities. As the plot unfolds, we gradually discover who possesses these powers. At the same time, a criminal rises to wealth and influence thanks to Prohibition and survives an assassination attempt. In the middle of this web of interests appears Sam Reilly (Cage), a private detective straight out of films like The Maltese Falcon, who finds himself entangled in the whole affair. The villain is the notorious Silvermane (Brendan Gleeson), a man with no superpowers whatsoever except those that money and the hunger for power can buy. Without giving too much away.

The entire cast performs well, and the femme fatale this time is Cat Hardy (Li Jun Li, who appeared in Sinners), wearing one stunning dress after another. There is a royal blue pleated dress with what looks like a swallow perched on the shoulder, and the visual effect it creates on screen is fantastic.

It is a series filled with twists and mysteries that may feel somewhat familiar, but that does not diminish its strengths, especially with such an interesting supporting cast. Watching them incorporate Nicolas Cage's age into Spider-Man's aches, pains, and slower movements is particularly enjoyable. They use it to the character's advantage, making him more limited and therefore more believable. Here, the nonstop chatter of the young Spider-Man is replaced by the amusing grumpiness of an older, alcoholic man, which, incidentally, makes the character feel much more human.