Pequena justificativa injustificável: Como postei
outro dia aqui mesmo no blog meu notebook partiu desse plano físico. Sua
carcaça jaz sobre meus livros e materiais variados de escritório. Um exoesqueleto
daquilo que foi meu parceiro durante quase cinco anos. Não há perspectiva de
retorno. Nem a fé no redivivo consegue ressuscitá-lo. O ultimato já fora dado
na última formatação há mais de um ano e meio... Vá em paz com todos os meus
textos (que por sorte fiz backup) em seu coração e descanse no paraíso eterno
dos notebooks. Somado a isso acrescento mudanças drásticas nos meus horários no
trabalho (essa sempre me atrapalha muito) e a minha outra velha e não tão
querida companheira, a preguicinha, que insiste em causar tormentos perenes...
E por intermédio disso, não
iniciarei a temática de julho sem concluir junho. Ou vocês acham que perderia a
chance de jogar camadas e mais camadas de cores iridescentes no blog? Afinal a
causa é séria, o Brasil é um dos países mais intolerantes com a comunidade LGBTQIAPN+ do mundo. Umas das “siglas” que mais sofre é a “T” e nada é feito. Autoridades fecham
os olhos e fingem não notar.
E um caminho para mudança é
assumir que os problemas contra a comunidade LGBTQIAPN+ existem. E para reconhecer
que os problemas contra os LGBTQIAPN+ existem é necessário admitir que a comunidade LGBTQIAPN+ existe, é necessário mostrar,
divulgar, e não esconder e negar sua visibilidade. O reconhecimento cultural se
faz necessário. Bom, vamos ao comentário do filme da vez.
PS: Acabei de rever 31/03/2026 e, tiranando a sigla que eu atualizei, o restante continua basicamenta a mesma coisa.
Orações para Bobby
Algumas
coisas são tão clichês na vida real, porém nem sempre são representadas no
cinema, ou neste caso, na televisão. Ou quando são representadas não atingem o
status que mereceria. A temática de “Orações para Bobby” é muito clichê na vida
real. Tanto que a história se baseia em um fato real. E mesmo que não fosse,
milhares de outros casos similares dariam o aval de veracidade ao tema. Um jovem que nasce em uma boa família cristã
sabe que é gay e pressionado para se “curar” dessa “doença” (homossexualidade
não é doença) e por isso vai morar longe de todos. Sem o apoio necessário de seus entes
queridos devido sua sexualidade e ainda pressionado para se curar não consegue aguentar e suicida-se. A mãe tenta de todas as formas entender o
motivo de suas orações não surtirem efeito e Deus não “livrar” Bobby de sua
homossexualidade, algo repugnante condenado pela bíblia. A mãe Mary,
interpretada por uma ativista de peso, Sigourney Weaver, entra em crise e
percebe o óbvio: era melhor ter o Bobby vivo e gay do que morto através de um suicídio.
Não há pastor protestante que a conforte e sua única saída é começar a entender
melhor o que Bobby passou e, é aí que as orações que tanto tinha feito a Deus
surtem efeito, e aceitar que seu filho, independente da orientação sexual, era
só seu filho e merecia amor que ela não deu. Deus só queria que ela percebesse que
o amor suplanta tudo. E que se ela achava um “desvio” ser gay, isso não deveria
ser motivo para pressioná-lo. A tolerância também deveria ser atributo de bons
cristãos. Afinal é bíblico, se não me engano o “amar ao próximo” embarca essa
tolerância...
Como
Mary existem inúmeras mães que fazem o mesmo ou até pior. Conheço casos de
histórias dramáticas de incompreensão familiar devido a um livro de capa preta
mal interpretado. E “capa preta” não é o livro de magias de São Cipriano. É algo
que deveria celebrar a vida que tanto foi valorizada, supostamente, pelo ato de
um homem judeu, que diziam ter uma alma divina, se entregar numa cruz em
sacrifício.
“Orações
para Bobby” é um filme pequeno e um pouco piegas feito para a televisão, mas
que cumpre o papel de denúncia a uma atitude cristã, para variar, hipócrita. É absurdo
o número de pessoas religiosas que acreditam, como a mãe de Bobby, numa cura
para o a homossexualidade. Até existe uma cura, mas não para a
homossexualidade. A cura é para a intolerância e hipocrisia e se chama respeito.
E informação também ajuda.
Direção: Russell Mulcahy
Música composta por: Christopher Ward
Produção:
Damian Ganczewski
Elenco: Sigourney
Weaver, Ryan Kelley, Henry Czerny, Austin Nichols, Dan Butler.
Os verdadeiros Bobby e Mary
Em memória de Bobby!
















