O Pequeno Buda
Tecnicamente o mês de Abril acabou e eu
deveria já me preparar para o tema de Maio. Contudo, lembrando que me
atrapalhei no começo do mês, eu vou discorrer sobre mais dois filmes que
estavam previsto e já posto. Como a intenção era fazer um “crescente” entre os
filmes cristãos, passando do “devocionismo”, indo pela hipocrisia, resvalando
na criticidade, subvertendo com filmes de outras religiões, eu continuo nessa
perspectiva.
O
condicionamento dessa linha de pensamento vai ser limitada pela meu espaço de
divulgação, pelo tempo, por meu conhecimento e também por meu gosto. Poderia
colocar inúmeros filmes que abordam religiões diversas, porém muitas não
compartilho afeto. Tanto que iniciei com a cristã pois faz parte de meu
repertório de crença. E aqui eu coloco um filme que eu simpatizo muito, não só
com a película em si como pela ideologia da religião abordada.
Se
Scorcese faz filmes crus aqui temos um Bertolucci que já consegue “assar” mais
os filmes e deixa-los suculentos. Vários filmes dele tenho no coração, mesmo
faltando tantos outros para assistir. No geral, em sua carreira sólida, ele conseguiu
tanto prestígio quanto seu colega de “A Última Tentação de Cristo”. Apesar de
recentemente levantarem uma polêmica sobre Maria Schneider e Marlon Brando no
set de filmagens de “Último Tango em Paris” com sua conivência. Em outro momento, se for oportuno retomo esse
acontecimento, apesar de não ter assistido.
Até
então, na estreia desse filme, eu estava “preso” em uma cidade do interior de
São Paulo onde o viés das informações passavam somente pelo crivo da televisão
e da cultura dominante. Por sorte fui uma criança e um adolescente não envolto
por uma família ferrenhamente religiosa. Pouco se ia a igreja, pouco se falava
de Deus em casa. E muito se acreditava em algo maior sem partidarismo.
Então
“O Pequeno Buda” foi meu primeiro contato com o budismo. Por ele conheci alguns
preceitos e também a história fantástica de iluminação de Siddhartha Gautama,
Príncipe hindu que não conhecia o sofrimento e a miséria e inicia uma busca de
autorrevelação para iluminar-se através da mendicância inicialmente. E consegue
estabelecer princípios que vigoram até hoje nessa religião.
No
filme há um paralelo entre os dias de hoje e a época de Siddhartha. Enquanto os
ensinamentos são abordados através da história do Buda acompanhamos a vida do
pequeno Jesse que é identificado como a nova encarnação de um lendário e
místico Lama (líder espiritual dos budistas no Nepal). E os pais de Jesse acabam
convencidos a levar o garoto até o distante país para a verificação.
É
um filme extremamente simpático e gostoso de se assistir. Até didático demais.
É interessante notar como vários ensinamentos de Buda já estão incorporados em
nossa cultura. O que incomoda um pouco é a necessidade de colocar um americano
como “iluminado”. Claro que se o personagem não fosse americano não haveria
como os produtores aceitarem a realização do filme ou ainda uma fatia do
mercado, bem relevante, se sentir interessado por assisti-lo.
Data de lançamento: 1 de dezembro
de 1993 (França)
Direção: Bernardo Bertolucci
Música composta por: Ryuichi
Sakamoto
Autor: Bernardo Bertolucci
Edição: Pietro Scalia
Elenco: Keanu Reeves, Bridget
Fonda, Chris Isaak, Ying Ruocheng, Alex Wiesendanger.

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