Umberto
Eco, saudoso, filósofo, escritor, semiólogo, linguista, bibliógrafo e conhecedor
da de Idade Média realizou o romance “O Nome da Rosa”. Que tentei ler aos meus
14 anos e esbarrei na linguagem hermética do período medieval usado nas
descrições. Até que saiu o filme e assisti. Muitas explicações ou descrições
foram mostradas nas imagens, que para um leitor pouco desenvolto em período
medieval, como um adolescente normal, eu não alcancei o livro, o filme me
deixou instigado e maravilhado.
Esse primeiro livro de Eco é um romance policial aos moldes conhecidos. Ele só situa a ambientação num mosteiro. Lá assassinatos de monges sugerem a ação do demônio. E Guilherme de Baskerville, ou na versão em inglês Willian, acompanhado de seu fiel pupilo Adso de Melk vai investigar com os recursos mais modernos possíveis naquele período não muito ilustrado. Já vemos em Guilherme uma referência a Sherlock Holmes, o seu sobrenome é presente em um conto do famoso detetive “O Cão de Baskervilles”. Possivelmente não é coincidência.
A crítica está em vários âmbitos. Como já citei acima, vemos um povo empobrecido e faminto comendo restos de monges bem nutridos. Contudo o que mais é criticado é a forma que a Igreja manipulou a população para que não tivesse acesso ao conhecimento. Esta é a maior crítica. Através do mistério que será desvendado ao final, vemos como a Igreja age escondendo conhecimento e até matando quem queria ter acesso a ele.
Sean Connery faz o monge Guilherme e seu ajudante/noviço é interpretado por Christian Slater. Temos vários outros nomes menos ou mais conhecidos, ótimos atores assumindo a interpretação dos demais monges. A direção ficou com Jean-Jacques Annaud que deu ao filme uma alma europeia que tanto era necessária. E a “rosa” é uma referência ao feminino que foi tão perseguido e desprezado por esse clero que julgava o sexo como algo inferior ao celibato e castidade.
Contudo a real natureza humana vem como um fogo abrasador e causa uma marca no jovem Adso que o faz questionar tudo em sua vocação. Por isso talvez a castidade seja algo pouco praticado fora e, principalmente, dentro da Igreja ainda hoje. Por certo que há no clero pessoas que pratiquem o celibato e a castidade, principalmente os mais velhos, apesar do advento do Viagra...

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