quinta-feira, 27 de agosto de 2026

O Convite



Sabe aquele filme que tem tanto "molho' que até um ator sem graça como Edward Norton consegue um salzinho e uma pimenta? O Convite é esse filme que tem molho. Eu fui pesquisar e vi que é baseado numa peça de teatro de um autor catalão, Cesc Gay. E entenda bem, estadunidenses são ótimos em vários textos e produções, contudo o tempero latino faz diferença. E esse texto tão profundo e sensual que insinua até uma situação que eles não gostam de admitir e, sequer abordar de forma séria em filmes heterossexuais, em suas produções, o prazer anal masculino, não podia mesmo partir deles. E descobri que além da peça de teatro há um filme espanhol com o título Sentimental, de 2020, que já deu uma boa adaptação para tal empreitada. Colocando atores homens mais condizentes com a proposta. 

Aqui tudo é dirigido pela Oliva Wilde, que me surpreendeu duplamente. Pela direção e pelo papel da dona de casa nervosa Olivia Wilde que é casada com o desanimado Joe, que foi outra surpresa a atuação do Seth Rogen, que decidem receber um casal que mora no andar de cima do predio, vizinhos. E quem são os vizinhos? O charmoso e sedutor Hawk, o já citado Edward Norton, e a hipnótica Pina, Penélope Cruz. Só os quatro dentro de um apartamento fazendo o turbilhão de emoçãos jorrar para todos os lados. Bem resumidamente, Joe não gosta de ninguém e vive incomodado com tudo e todos e Angela convida os vizinhos Pina e Hawk para um jantar. Que vai de mal a pior, principalmente com a desconexão do casal anfitrião que tentam esconder os próprios problemas, porém não dá muito certo. Joe não faz tanta questão de esconder nada e não é simpático aos convidados. Até que descobrem que os vizinhos gostam de umas brincadeiras bem safadas e gostosas com outros casais. Aí, mais complicação e quando tudo parece que vai dar certo, dá mais errado ainda. 

O roteiro é uma delícia, ando estudando sobre isso, e percebi que um filme desses, além de ser de falas é de interpretações. E todos estão muito bem. Wild e Rogen realmente alcançam o patamar interpretativo muito elevado dando o tom do desastre cômico e nervoso que se forma nas situações.

Eu fiquei com vontade de assistir uma montagem teatral com esse texto, imagino o quanto seria potente ao vivo. O filme é muito bem executado  e  cada cena de falas boas. Fazia um tempo que não via algo assim. Um filme para casais, não necessariamente swingueiros. 

Nenhum comentário:

Postar um comentário