sábado, 8 de agosto de 2026

Good Boy - Terapia de Choque





Bom, procurem o que vocês conseguirem achar. Com ajuda do poster talvez. Está confusa a difulgação desse filme. Não sei se eles esbarraram em algum problema, eu acho que "Bom Garoto" como título estaria perfeito, mas temos um deliciosinho filme de terror com esse mesmo título, em português e o equivalente em inglês de um cachorrinho que percebe uma entidade sobrenatural incomodando seu dono. E Terapia de Choque é um título explicativo contudo não atinge a essência do filme. E nesse filme o buraco é mais embaixo.

Eu não sabia muito do filme, e admito, estou com uma fixação, talvez não muito saudável em "correntes" prendendo uma coleira de ferro em um pescoço... Tsc-tsc-tsc-tsc-tsc-tsc-tsc...Como dizia eu me interessei pelo filme por curiosidade ao ver o cartaz pequeninho no menu de escolha do streaming. E depois de acopanhar por uns 10 minutos o Anson Boon interpretando um Tommy que é um adolescente heterossexual escroto demais, bebe, fuma, cheira, toma bala, transa com a amiga da menina que está afim dele na frente dela, mija onde não deve, se masturba no banheiro coletivo do lado de uma garota, vomita, briga, cheira mais, bebe mais, se perde dos amigos que estão indo embora e ele quer curtir mais em outro lugar, acaba cambaleando pela rua sozinho, quase desmaiando e é sequestrado pelo Chris. E foi aqui que vi que seria uma jornada bem interessante. O ator que faz o Chris é Stephen Graham. Não lembra? Ele fez o pai em estado de choque por seu filho adolescente fofo ser acusado da morte de uma menina da turma dele da escola na série Adolescência. Aí eu vi que talvez fosse para outro caminho. E foi. 

Nada é explicado sobre os motivos que Chris tem de levar um adolescente que é uma escória do mundo além de "querer ajudar". Tommy é levado para o porão de uma casa enorme nos interiores de Londres e numa metodologia parecida a de Laranja Mecânica, só que bem amadora, ele é "estimulado" a se recuperar. E isso dentro do seio familiar, um tanto estranho e perturbador, de Chris com sua esposa Kathryn (Andrea Riseborough) que parece ser uma fada frágil e deprimida. Fazia tempo que não via um semblante tão triste e uma alma tão quebrada e em sofrimento quanto essa atriz mostra na sua composição de personagem. Talvez, só em um lugar eu vi alguem nesse estado de penúria existencial, quando olho para o espelho, todos os dias. Em telas faz tempo. E junto a isso um garoto de seus 13 anos todo cuidadoso em ser o melhor filho do mundo, Jonathan (Kit Rakusen) e só sendo o que consegue ser naquele contexto esquisito. Para ajudar, Chris chama uma mulher que parece estar fugindo de algum passado perturbador. E aqui, numas poucas falas percebemos, nunca sabemos nada definitivamente, só percebemos insinuações no roteiro, que eles são de alguma família rica, tradicional e poderosa com contatos no governo. Ele sabe o passado inteiro dessa mulher, Rina (Monika Frajczyk), e a acaba aceitando o trabalho mesmo ela sendo obrigada a assinar um termo de confidencialidade e ficar horrorizada com o garoto no porão preso pelo pescoço. 

E aí você vai ter um suspense dramático com um final um tanto quanto inusitado. Não vou falar muito, mas o filme todo levanta várias questões e muitas destas não há respostas. É quase uma alegoria bem sintomática de nossos tempos. Eu gostaria de apontar uma situação para dizer como a vida do Tommy é miserável, não tem como, daria spoiler. Assista, esse foi um filme que me surpreendeu positivamente. E um aviso, ele é lento. Não espere cortes frenéticos e ação e plots e mais ação. Vá e contemple.  

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