domingo, 7 de dezembro de 2025

Bom Menino - Terror da perspectiva de um cachorrinho



Bom Menino - Terror da perspectiva de um cachorrinho

            Bom Menino acabou sendo a tradução de Good Boy — não foi para         Bom Garoto — e escolheram “menino” justamente para se distinguir da produção que fala de petplay, um fetiche em que pessoas se vestem com máscaras de animais para simular seus comportamentos. Estranhamos, mas não julgamos... Muito antes dos filmes, o underground paulistano já mostrava isso em algumas festas que eu frequentei.

            Quando Quatro Vidas de um Cachorro (2017) foi lançado, desanimei completamente depois de uma nota jornalística dizendo que um dos animais havia sofrido maus-tratos no set de filmagem. Não assisti ao filme. E, se você acha exagero minha reação, basta acompanhar qualquer postagem em que algum bicho é maltratado — a galera cai matando em cima mesmo.

            Quando soube deste novo filme, fiquei dividido entre duas situações: primeiro, não queria assistir a nada que tivesse colocado um animal em risco; segundo, a possibilidade de a entidade matar o cachorro também me desanimava. Aos poucos, fui lendo uma informação ou outra que me acalmou. O diretor, Ben Leonberg, que também escreve o roteiro e idealizou a história, usou seu próprio cachorro de forma totalmente segura. As imagens foram coletadas em momentos reais de convívio entre os dois, e até o sangue que aparece — todo cênico — era uma mistura inofensiva. Isso me tranquilizou. Restava lidar com a segunda possibilidade: o cachorro morrer no final. Quanto a isso, deixo vocês conferirem.

            A história é um típico terror sobre uma entidade misteriosa que assombra alguém em uma casa isolada. Todd (Shane Jensen), que sofre de uma doença pulmonar que o faz tossir sangue, sabendo que não vai viver muito, decide fazer o que muitos estadunidenses consideram de bom senso: se isolar numa casa no meio da floresta. A casa era do avô dele, que também morreu lá. Todd tem como fiel companheiro o Indy e, antes que vocês achem que é um vira-latinha caramelo, desculpem dizer: de vira-lata ele não tem nada, é um Duck Tolling Retriever da Nova Escócia. Antes mesmo de Todd perceber que está assombrado por uma entidade lamacenta, quem percebe é o seu cachorrinho fofo. E, gente, aqui está o ponto alto do filme: tudo é mostrado pela perspectiva dele. Os rostos humanos quase nem aparecem. O terror crescente que Indy sente é tão visível no rostinho peludo que realmente impressiona o quanto conseguiram extrair dessa “interpretação” sem causar sofrimento ao animal.

            E usar essa sensibilidade animal para evidenciar uma entidade é algo bem interessante, e ainda pouco explorado de forma eficiente. Tenho uma cachorrinha extremamente sensível e, de vez em quando, ela se assusta sem motivo aparente, olha para o nada... Mas foi ela quem me alertou, uma vez, em um prédio onde morei, sobre uma cascata de água que descia da caixa d’água lá em cima. Eu estava no escritório, escrevendo, achando que era só uma chuva inesperada. Agora mesmo ela está aqui aos meus pés enquanto termino meus afazeres e escrevo esta resenha — toda dorminhoca depois do remédio que dei por conta de uma alergia que não sara.

            Para amantes de cães, ver um bichinho como Indy sofrer como sofre pode ser difícil. Mas isso me faz pensar: o verdadeiro terror de um animal não seria justamente o que Indy está vivendo? Acompanhar seu tutor sofrendo por uma doença que pode matá-lo? Temos que lembrar que, quando um cão escolhe seu líder de matilha, aquela pessoa se torna seu mundo. Na natureza, numa matilha de verdade, ainda existe o conforto dos outros membros. Mas nós, que os tiramos disso para cuidar dentro de uma casa ou apartamento, isolados de outros bichos e sozinhos, nos tornamos literalmente tudo o que eles têm. Então será que ver o seu mundo morrer não é o maior terror que qualquer cão poderia viver, sem considerar aqui situações de maus-tratos?


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Então, sou o ViGaMo / Vinícius Motta e uso este blog como uma forma de exercitar minha escrita e também de me expressar um pouco. Vim morar no interior de São Paulo e ando um pouco isolado, e o blog acaba sendo uma forma de “conversa”.

Sou formado em Letras – Português/Inglês e, devido a um desgaste e a uma grande crise de ansiedade, ainda não consegui retornar para a sala de aula — e, sinceramente, não ando muito animado para tal. Tenho outros anseios e receios e quero muito direcionar meus esforços para outros projetos. O blog me ajuda a ganhar um pouco de segurança e esperança.

Sou tutor de duas Shih-tzus de meia-idade canina e de três gatos, que me presenteiam todos os dias com um carinho e uma felicidade que somente quem tem um bichinho de quatro patas conhece. Também apadrinho uma família de gatos vira-latas que mora no fundo do meu quintal. Não desejo despejá-los de lá e acabo colocando ração para eles também.

Como já decidi há algum tempo fazer isso, deixei meu Pix para o caso de alguém querer contribuir com algo — isso ajudaria muito, e eu ficaria imensamente grato. Também deixo meu e-mail como forma de contato, quem sabe para futuras parcerias e colaborações.

E aguardem: ando planejando melhorar não só o conteúdo que preparo, como também evoluir para algo que possa ser levado a outras plataformas e redes sociais. Contudo, ainda tenho minhas limitações — sou bastante vergonhoso para fazer vídeos.

Obrigado por prestigiar o blog. Deixem comentários, sejam quais forem, e, quem sabe, sugestões. Fiquem à vontade.

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(que também é meu e-mail de contato)

 Banco Inter — Vinícius Motta

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