Orações para Bobby
Algumas
coisas são tão clichês na vida real, porém nem sempre são representadas no
cinema, ou neste caso, na televisão. Ou quando são representadas não atingem o
status que mereceria. A temática de “Orações para Bobby” é muito clichê na vida
real. Tanto que a história se baseia em um fato real. E mesmo que não fosse,
milhares de outros casos similares dariam o aval de veracidade ao tema. Um jovem que nasce em uma boa família cristã
sabe que é gay e pressionado para se “curar” dessa “doença” (homossexualidade
não é doença) e por isso vai morar longe de todos. Sem o apoio necessário de seus entes
queridos devido sua sexualidade e ainda pressionado para se curar não consegue aguentar e suicida-se. A mãe tenta de todas as formas entender o
motivo de suas orações não surtirem efeito e Deus não “livrar” Bobby de sua
homossexualidade, algo repugnante condenado pela bíblia. A mãe Mary,
interpretada por uma ativista de peso, Sigourney Weaver, entra em crise e
percebe o óbvio: era melhor ter o Bobby vivo e gay do que morto através de um suicídio.
Não há pastor protestante que a conforte e sua única saída é começar a entender
melhor o que Bobby passou e, é aí que as orações que tanto tinha feito a Deus
surtem efeito, e aceitar que seu filho, independente da orientação sexual, era
só seu filho e merecia amor que ela não deu. Deus só queria que ela percebesse que
o amor suplanta tudo. E que se ela achava um “desvio” ser gay, isso não deveria
ser motivo para pressioná-lo. A tolerância também deveria ser atributo de bons
cristãos. Afinal é bíblico, se não me engano o “amar ao próximo” embarca essa
tolerância...
Como
Mary existem inúmeras mães que fazem o mesmo ou até pior. Conheço casos de
histórias dramáticas de incompreensão familiar devido a um livro de capa preta
mal interpretado. E “capa preta” não é o livro de magias de São Cipriano. É algo
que deveria celebrar a vida que tanto foi valorizada, supostamente, pelo ato de
um homem judeu, que diziam ter uma alma divina, se entregar numa cruz em
sacrifício.
“Orações
para Bobby” é um filme pequeno e um pouco piegas feito para a televisão, mas
que cumpre o papel de denúncia a uma atitude cristã, para variar, hipócrita. É absurdo
o número de pessoas religiosas que acreditam, como a mãe de Bobby, numa cura
para o a homossexualidade. Até existe uma cura, mas não para a
homossexualidade. A cura é para a intolerância e hipocrisia e se chama respeito.
E informação também ajuda.
Direção: Russell Mulcahy
Música composta por: Christopher Ward
Produção:
Damian Ganczewski
Elenco: Sigourney
Weaver, Ryan Kelley, Henry Czerny, Austin Nichols, Dan Butler.
Os verdadeiros Bobby e Mary
Em memória de Bobby!



Nenhum comentário:
Postar um comentário