Comentário de Livros - Contos de H. P.
Lovecraft em nossas vidas
O tempo passou e quando tive em mãos
um livro do mestre do terror aconteceu do dinheiro faltar. E passou mais um
tempo até que tive acesso a uma HQ, que ficarei devendo o autor, em pdf que
possuía o conto adaptado mais famoso “O Chamado de Cthulhu”. Já sabia do que se
tratava, mas não tinha a história na integra. Li e adorei. Logo mais eu acharia
perdida nos recôncavos da internet o texto integral do celebrado conto. E assustado
li cada palavra com o prazer de alguém que consegue o que quer depois de muito
tempo. E uma pontazinha de angústia percorreu meu coração. Eu não entendi
direito a grandiosidade daquele conto naquele momento. Enquanto estava em
imagens, da HQ, ou em comentários inflamados de fãs eu conseguia perceber o
óbvio. Com o texto na mão não. Deixei por isso mesmo. Passou o tempo,
conhecimento adquirido em várias áreas, muita leitura feita de variados estilos
literários. Eu percebi em certo momento que muita coisa que eu achava “chata”
ou “difícil” não estava mais tão chata ou tão difícil. E que alguns textos que jamais enfrentaria antes estava desbravando
com prazer e principalmente facilidade. Consegui perceber que havia composto em
minha vida uma grade de conhecimento que permitia compreender melhor as coisas.
E a leitura foi fundamental para isso. E como eu gosto de vários assuntos e sempre “dou Google” despreocupadamente eu fui melhorando meu repertório pessoal de
informações.
E notei que era mais influenciado por esse autor que imaginava. Filmes cults como “Alien” alguns grupos de rock, teorias da conspiração mostravam algo em sua essência que se iniciou com Lovecraft. Sem contar os inúmeros filmes baseados em suas obras. Até um escritor como Stephen King sorveu de seus textos e foi influenciado por suas ideias para construir suas próprias histórias. Lovecraft ficou popular através da influência que exerceu, apesar de muitos ainda não o terem lido. Porém os grandes adoradores de terror o mastigaram para colocar na argamassa da cultura pop que vivemos hoje.
E notei que era mais influenciado por esse autor que imaginava. Filmes cults como “Alien” alguns grupos de rock, teorias da conspiração mostravam algo em sua essência que se iniciou com Lovecraft. Sem contar os inúmeros filmes baseados em suas obras. Até um escritor como Stephen King sorveu de seus textos e foi influenciado por suas ideias para construir suas próprias histórias. Lovecraft ficou popular através da influência que exerceu, apesar de muitos ainda não o terem lido. Porém os grandes adoradores de terror o mastigaram para colocar na argamassa da cultura pop que vivemos hoje.
Ele fala do inominável, de criaturas dos
abismos aquáticos, de seres vindos de outras dimensões ou mundos, todos com um
apavorante senso de destruição ou dominação. Fala de magia, e não uma magia
inventada, em vários momentos ele cita livros de ocultismos bem presentes em
qualquer site de grandes livrarias para venda. Ele transforma tudo em algo
palatável e inquietantemente próximo.
Passado um tempo da primeira leitura
do texto integral do “Chamado de Cthulho” eu o reli e percebi tudo isso acima.
E percebi como ele se tornou um mestre da narrativa. Descrevendo e elaborando a
ambientação para nos jogar num sufocante clímax que nos faz ter um arrepio só
com a possibilidade daquilo poder acontecer. Ele é exímio em contar sem revelar
nada de fato. É absurda sua maestria em dizer o que quer sem realmente mostrar
(com palavras). Logo após “Cthulho” fui jogado pelo acaso ao “O Caso de Charles
Dexter Ward” (considerado seu único romance, porém pode ser descrito também
como um conto longo), agora com uma ótima tradução, que me deixou transpassado
de o mais puro desejo de continuar lendo algo parecido. Senti um profundo pesar
por ter terminado a história e ter ficado órfão. O que encanta é o estilo
narrativo do autor. Sempre. E não mais que depressa comecei a adquirir outras
histórias do mesmo. E caiu em mãos uma coletânea de contos que ando apreciando
deliciosamente em doses homeopáticas. Se falta algo interessante para ler corro
para suas páginas e nunca me desaponto.
O grande problema de Lovecraft é que, por ter escrito muitos contos, não se consegue todos ao mesmo tempo em um único volume. Já ouvi boatos que iriam editar um volume único ou algo do tipo. Ainda desconheço, porém, sei que pode existir. Desculpem a preguiça, mas não fui pesquisar sobre isso. Meu interesse está em fazer apologia a esse admirável autor que não foi reconhecido em vida, para variar. Mesmo colocando algumas informações que não fazem parte do conhecimento médio do grande público, acho sua leitura bem fácil. Principalmente se a edição contar com uma tradução mais atualizada. Os tradutores antigos gostavam de complicar. E suas histórias não são para ficar parando o tempo todo para ver no dicionário o que tal palavra significa. Isso quebra totalmente o ritmo que foi dado ao texto.
O grande problema de Lovecraft é que, por ter escrito muitos contos, não se consegue todos ao mesmo tempo em um único volume. Já ouvi boatos que iriam editar um volume único ou algo do tipo. Ainda desconheço, porém, sei que pode existir. Desculpem a preguiça, mas não fui pesquisar sobre isso. Meu interesse está em fazer apologia a esse admirável autor que não foi reconhecido em vida, para variar. Mesmo colocando algumas informações que não fazem parte do conhecimento médio do grande público, acho sua leitura bem fácil. Principalmente se a edição contar com uma tradução mais atualizada. Os tradutores antigos gostavam de complicar. E suas histórias não são para ficar parando o tempo todo para ver no dicionário o que tal palavra significa. Isso quebra totalmente o ritmo que foi dado ao texto.
Eu gosto muito de terror. Porém os
filmes andam muito interessados em zumbis, mutilações e possessões demoníacas.
Haja saco para só isso. Lovecraft nos dá algo mais instigante. Até existe
mortes em seus contos, nem sempre descritas de formas claras, mas o que mais
aparece em suas histórias é algo mais tenebroso, a perda da sanidade mental.
Ninguém está totalmente seguro de ficar louco em suas histórias. E o pior, ou
melhor, é que também vamos perdendo um pouco da nossa sanidade mental a cada
palavra que lemos. Pelo menos de uma forma bem segura ao entrar na mente de
seus personagens pela leitura.
Leia H. P. Lovecraft, mesmo que não
goste do gênero, é necessário conhecer pelo menos duas ou três histórias desse
mestre. Além das duas já citadas eu me deliciei com “O Medo à Espreita”,
“Dagon” e “O Horror em Red Hook”, “O Templo”, “O Pântano Lunar” e “A Maldição
de Sarnath”. Pequenas pérolas do nefasto. Só não leia durante a noite. Pode causar
pesadelos aos mais sensíveis.
Nota de 2026: Quando escrevi eu já tinha percebido, mas sei lá, não pensei muito a respeito e acabei perdendo a oportunidade de achincalhar esse exímio epítome do preconceito racista, explorada de forma irônicamente deliciosa na série Lovecraft Country. Os seus monstruosos deuses de eras diferentes ou mesmo alienígenas de outras dimensões são tão fáceis de matar, ou fazer dormir. Tudo vira uma bolha gosmenta nojenta depois de uma batidazinha com um navio ou um evento aleatório Deus ex machina, tudo se resolve fácil por intervenção do deus verdadeiro da história, o autor. É isso. Mas, não vamos julgar o coleguinha com anacronismos. Parece que todo mundo esquece disso. Não deveria julgar ninguém do passado pelas nossas réguas morais, históricas e ideológicas. Quem somos nós, não é mesmo??? Isso não quer dizer que não devemos ser críticos e conseguir separar as coisas. Condenamos o que é passível de condenar, mas aceitamos a obra e sua relevância. Pois se for condenar nem a Bíblia se salva e caimos numa coisa bem perigosa: censura.

Nenhum comentário:
Postar um comentário