O último azul - “E velho lá tem futuro?”
Daniel Mascaro é o diretor de O último azul e também um dos responsáveis pelo roteiro e, ao colocar esta frase na boca da personagem Tereza (Denise Weinberg) — “E velho lá tem futuro?” —, abre a discussão sobre o nosso próprio futuro, que é a velhice. Como tratamos nossos idosos?
Ele imagina um Brasil de um futuro indeterminado, onde pessoas que atingem a idade da aposentadoria são levadas para uma colônia e ali passam o restante da vida, longe da sociedade. Não é diferente do que já fazemos, em certo grau, com nossos idosos. E é bom pensar no assunto, principalmente, porque todos nós, se tudo der certo, um dia nos tornaremos idosos e o número desse grupo social tem aumentado. Alguns alarmistas dirão que o país vai quebrar pois a prirâmide de arrecadação está invertendo pois a população não está com tanta natalidade assim e o povo está se tornando longevo. Só lembrando que estão preconizando a quebra do país desde a abolição da escravatura.
Chega o momento de Tereza, e ela não quer ir para a colônia de idosos ao mesmo tempo que já não se conecta com a própria filha. Ela quer, pelo menos, fazer algumas coisas que não pôde fazer, pois nunca teve tempo ou dinheiro suficientes. O interessante no filme é que ele não se passa em um centro urbano sofisticado, mas em uma comunidade ribeirinha na Amazônia, e isso deixa tudo ainda mais interessante. Ela consegue despistar os agentes do governo e, com a ajuda de Cadu (Rodrigo Santoro), segue de barco até um lugarejo onde, teoricamente, poderia finalmente voar.
No meio do caminho, aparece um caramujo de baba azul que tem o poder místico de revelar o futuro apenas pingando a baba nos olhos. Tereza não faz uso da baba, que Cadu prontamente coloca nos próprios olhos, iniciando suas reações: febre, delírios e visões.
Após a normalidade restabelecida, ela consegue chegar ao vilarejo, onde há um sujeito com um aeroplano, mas que precisa de conserto; ele apenas tira o dinheiro dela, se embebeda, e Tereza resolve ir embora. Nesse percurso, conhece Roberta (Miriam Socarrás), que tem um barco, é missionária e vende bíblias digitais. Ela não acredita em Deus; apenas vende o produto para conseguir dinheiro e possui uma carta de “alforria”, que a libera da obrigatoriedade de ir para a colônia de idosos. As duas vivem um romance e acabam se esbarrando novamente com o caracol. Alucinada, Tereza resolve jogar tudo o que tem em um cassino à beira d’água e consegue ganhar dinheiro suficiente para comprar sua própria carta de “alforria”. Indiferente ao que o futuro lhe reservava, Tereza construiu o seu futuro.
É interessante notar que idosos sempre são retratados em função de algum personagem mais novo. Aqui Tereza é a personagem que importa, que está apagada pela vida e somente quando perde o direito de estar na sociedade que a fustigou e maltratou tanto é que ela realmente vive. Um amor com outra mulher da mesma idade. E isso deve nos atentar que há sim uma vida afetivo-sexual na terceira idade. Ela acontece indiferente nós sabermos ou não. E Tereza não foge do que suas escolhas propiciam, ela decide viver da melhor forma possível sua vida.
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