Heated Rivalry - Rivalidade Ardente
Um amigo de um primo que é irmão da cunhada do tio da vizinha da irmã do padeiro, que trabalha na cidade onde o sogro da fisioterapeuta de uma conhecida mora, me contou que assistiu a essa série e que ela é muito boa. E ainda não está disponível no Brasil, por isso vou ter que acreditar no que me falaram. (Risos)
A série é baseada no livro de mesmo nome da escritora Rachel Reid, que é o segundo volume da série de livros esportivos e quentes Game Changers. Pelo que vi com alguns influenciadores que falam sobre esse assunto, os produtores da série escolheram fazer uma produção independente de grandes produtoras para manter o controle criativo e deixar tudo o mais próximo possível da alma do livro. Sem as censuras hipócritas dos estadunidenses, por isso tudo é feito no Canadá e depois distribuído para o streaming de forma não unificada. Cada lugar teve um contrato fechado com um serviço diferente. E a America latina, em consequência o Brasil ficou de fora até a HBO Max bater o martelo e pagar pelos direitos… Particularmente, acho que demorou; só estreará oficialmente por aqui em fevereiro desse ano.
E realmente a história coloca um romance entre dois homens dentro de um universo muito masculino: a liga esportiva de hóquei, que, assim como o universo do futebol no Brasil, é um lugar de muita “macheza”. A autora dos livros trabalha com estereótipos, e a versão em série segue essa linha. Na história usada para a adaptação vemos dois jogadores que são opostos em tudo. De um lado, Shane Hollander (Hudson Williams), um asiático-canadense todo certinho, com uma família estruturada que preza muito pela sua imagem comercial e que, apesar de competitivo, é bem submisso e passivo na cama. Do outro, temos o russo Ilya Rosanov, com família disfuncional, um irmão que o explora, pai com lapsos de memória, órfão de mãe e todo malvadão — dotado, ele faz questão de falar a metragem em certo momento — e ativão dominador e fumante.
Heated Rivalry, que eu ainda não consegui pronunciar direito com meu inglês capenga, ganhou uma tradução um tanto brega: “Rivalidade Ardente”, nome que não estão usando muito para designar a série. Essa tradução faz parecer um título das antigas e famosas séries de romances picantes Bianca, Sabrina e Júlia. Daí o motivo das descrições tão específicas pouco acima. Era bem a cara desses livros que se compravam em banca de jornal. Só dando os créditos, essa comparação com Bianca, Sabrina e Júlia é do @andredoval lá no Instagram (E parece que deu rebuliço com o diretor geral da HBO, enfim, confiram lá o vídeo dele que é mto bom) E, no fundo, é isso mesmo: um livro picante, só que gay. E a série conseguiu colocar muita sensualidade nas cenas de amor entre os personagens. Um macho hétero de família tradicional cristã ficaria incomodado com tamanhas ousadias que ele finge não existir (e muitas vezes, um ou outro, vivencia com o parça dos jogos de quarta-feira enquanto a esposa fica em casa cuidando das crianças). Agora, se tiver mente aberta — o que não é piada —, o homem heterossexual até vai gostar, mas só se não tiver masculinidade frágil a ponto de não conseguir ver dois homens se beijando, o que acontece com certa frequência.
A série também trabalha o arco do romance entre outro jogador, Scott Hunter (François Arnoud), impetuoso, assertivo e direto, e o barman Kip Grady (Robbie Graham-Kunts), meigo, inseguro, pobre, baixinho e fofo. Percebem os estereótipos comendo solto por aqui? Eles agradam o público feminino em certo ponto e o masculino em todos os pontos.
Indiferente aos clichês homoeróticos envolvidos, eu achei a série um respiro nessa onda de produções pesadas, elaboradas e superproduzidas, com apelo global. É só um romancezinho, com momentos fofos e uns bumbuns aparecendo aqui e ali...Tá, quase em todo episódio tem muito bumbum. E, em ambos os casais, o amor entre duas pessoas vai sendo elaborado e conduzido de acordo com o meio em que desenvolvem seus trabalhos como esportistas, um meio ainda muito machista. Contudo, e dou total crédito a autora do material original, Rachel Reid, que conseguiu colocar muitas camadas psicológicas nos personagens.
Algumas cenas aparecem soltas na timeline das redes sociais. Eu mesmo fiquei sabendo da série pelo Instagram. E realmente é um refresco diante de tanta coisa que andamos assistindo por aí. É curioso chamarem de série — sei que é pelo formato —, mas ela tem uma carinha de novelinha das 19h, um pouco proibida para menores de 18 anos. E, sem dar spoiler, há uma das cenas mais bonitas que já vi sobre expressar o amor: é do personagem Ilya, que, após uma situação específica, está muito abalado, e o Shane pede para ele falar tudo o que quiser, mas em russo, mesmo ele não entendendo a língua, só para que o outro se sinta bem, já que não consegue se expressar tanto em inglês. Ilya diz tudo o que não tinha coragem de falar e faz uma declaração muito fofa e piegas e o Shane sem entender nada só sentido o tom de voz embargado de emoção. Se não tiver preconceito nenhum, assista. Amor é sempre bonito de ser ver quando celebrado e vivenciado, mesmo que seja através de uma tela.
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