Filmes baseados nas obras de Agatha Christie
Eu posso dizer, sem sombra de dúvidas, que minha transição de livros infantis ou juvenis para o universo de histórias adultas foi Agatha Christie, com Um crime adormecido, onde conheci a incrível Miss Marple. E como saber a pronúncia certa numa época em que a professora de inglês mal ia dar aula na escola pública em que eu estudava? Depois veio O caso dos dez negrinhos, que, pelos anos seguintes, foi mudando de nome devido à questão do racismo a que o título remete. De “negrinhos”, mudou para “indiozinhos” e parece que se fixou em “soldadinhos”. Não entrarei no mérito sobre isso, mas me parece que agora está tudo certo e o antigo nome não é mais usado: hoje é E não sobrou nenhum. Entrega o fim do livro, contudo não gera debates sobre etnia e raça que o título anterior poderia eclipsar da história.
Infelizmente, quanto aos filmes, tudo era muito limitado. A televisão aberta era tão imprevisível em relação aos filmes que eu realmente queria assistir que eu precisava contar com a sorte para ter acesso a algum baseado nesses livros. Por exemplo, Assassinato no Expresso do Oriente eu só consegui assistir recentemente: tanto a versão maravilhosa de 1974, com aquele elenco espetacular, quanto a de 2017, que deu abertura para Kenneth Branagh retomar, com uma superprodução, essa mesma história e mais dois filmes em sequência, Morte no Nilo e Noite das Bruxas. E mesmo nas locadoras as “fitas” eram raras.
Vários filmes ficaram de fora e, este ano, eu tive a oportunidade de assistir a três produções no formato de minissérie para televisão: A casa torta (2017), Os crimes ABC (2018) e E não sobrou nenhum (2015).
São produções bem competentes; contudo, a que menos me agradou foi Os crimes ABC, que conta com Hercule Poirot interpretado por John Malkovich — e não combinou nada. Ele faz um detetive em baixa, saudosista de um passado glamoroso que não volta mais, cansado. Um assassino começa a matar pessoas seguindo um guia ferroviário “ABC”, eliminando vítimas em ordem alfabética. O roteiro é frio e distancia muito a atuação do espírito do personagem principal. E, como curiosidade, Rony Wesley — Rupert Grint — faz um inspetor arrogante que menospreza Poirot. Eu lembrava muito pouco desse livro.
Um dos meus preferidos é justamente aquele que ganhou adaptações horríveis, de baixo orçamento: E não sobrou nenhum. Só produção barata e interpretações duvidosas. Porém, essa versão de 2015, além de contar com bons atores, teve uma produção mais caprichada. A história se passa numa ilha onde dez pessoas são convidadas para passar o fim de semana, sem contato com a costa. E, após uma gravação acusar cada uma de um crime do passado, um assassino obscuro começa a eliminá-las, um por um, em consonância com uma estatueta que representa uma cantiga infantil, na qual cada crime é inspirado. Aqui, a curiosidade fica por conta da minha imaginação, que elaborou uma ilha cheia de mata cerrada, como são nossas florestas aqui; eu não tinha a chave de leitura necessária na época em que consumi o livro pela primeira vez, para saber que a costa inglesa não é tão exuberante quanto a nossa. É a importância de como vemos o mundo e quais chaves de leitura temos para entender melhor uma obra.
Quanto a A casa torta, eu já havia achado, quando li, que seria difícil fazer uma boa adaptação, mas que ficaria excelente se conseguissem, pois sempre considerei o final muito original, configurando-se como uma das minhas histórias favoritas. O enredo é básico: uma família muito rica e aristocrática tem seu patriarca assassinado misteriosamente. O que realmente impacta nessa obra é o assassino — ousado para a época, na minha opinião. O filme é bem competente e traz um elenco muito bom; entre os atores, temos Glenn Close como uma poderosa Lady Edith. Fantástica.
As produções têm melhorado bastante; contudo, continuam focadas no formato televisivo, e só Branagh conseguiu transpor essas histórias para as telas de cinema. Não há previsão para um quarto filme sob sua tutela, pois o último, Noite das Bruxas, não teve uma boa performance na bilheteria.
Enquanto isso, ando garimpando em um streaming aqui e ali alguns filmes antigos ou mesmo dando uma olhada no YouTube, que, por incrível que pareça, tem alguns títulos por lá, meio perdidos. Vale conferir.
**** Gente do céu, eu simplesmente esqueci de acrescentar A hora zero, que em inglês é Towards Zero que faz referência a um momento que se inicia uma jogada, no caso no tênis, para se conseguir marcar o ponto necessário. E eu idealizei esse texto quando consegui assistir esse filme, eu já tinha visto A casa torta e só depois assisti aos outros. E esqueci de citar esse. Minha cabeça não está 100% ainda... O elenco encabeçado pela Anjelica Huston que faz a matriarca podre de rica que mora à beira mar, mas não sai do próprio quarto desde de que viu seu marido morrendo afogado ao longe pela janela, Lady Tressilian. Acho que é o nome mais chique que a Agatha Christie já elaborou. E é justamente ela que vai de arrasta num plano elaborado que justifica o referido ponto zero. Gostei bastante, o elenco está bem inspirado e é em formato de série de três episódios como os outros. Vale bastante dar uma conferida para quem gosta de história de detetives.
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E caso puderem contribuir com o autor do Blog que neste fim de ano teve um presentão do acaso, o celular pifou... Especificamente neste dia 29 de dezembro. Que data fabulosa para se ter um equipamento de uso necessário quebrado. Estava divulgando as resenhas no Instagram, então, nesse momento fico por um tempo impossibilitado.
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Vinícius Motta - Banco Inter.
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