Quando um filme relativamente simples, em sua feitura, mas com um ótimo roteiro, direção inspirada e atores que abraçam e entendem a essência de seus personagens se juntam nós temos o êxtase puro.
Em primeiro lugar, quando falo de “feitura simples” é que ele não se utiliza de recursos mirabolantes que um CGI proporciona. Aqui quem torna tudo possível é a montagem, que por sinal ganhou Oscar, é absurda o tanto de coisa que foi possível executar com uma boa montagem. E quem assistiu sabe que não é uma história simples. "Tudo em todo lugar ao mesmo tempo" toma um assunto complexo por um víes que não seja o universo do MCU da Marvel, o multiverso. Para longe de heróis com super poderes vemos inúmeras possibilidades de pessoas simples que poderiam ser as possiblidades de qualquer um de nós. Contudo há sim poderes que acabam surgindo, mas nenhum lidado a um altruísmo idealizado das HQs.
Agora, o que mais deixa o filme interessante é que essa abordagem toda através de pessoas simples/comuns, que estão tendo um momento difícil. Como o filme brinca, a pior versão da Evelyn que pode dar certo. Ela é dona de uma lavanderia com problemas com a Receita Federal e em crise familiar, o marido tenta pedir o divórcio, e não consegue, e sua filha a vê como um objeto de outro mundo, o que de fato é, vinda de outro pais sua filha criada aos moldes dos EUA, o "american way of life" acaba gerando conflitos. E, esse conflito ecoa em todas as realidades possíveis. O melhor de tudo é que tanto Michelle Yeoh, que interpreta Evelyn, quanto Ke Huy Quan, que faz Waymond, seu marido acertam no tipo de personagem mais difícil que eu acho de se interpretar: a pessoa comum. Claro que eles multiplicam as interpretações nas variantes mas fazer o Waymond e a Evelyn que são pessoas plausíveis e possíveis sem nenhum atrativo a não ser a condição que surge depois e deixar eles com uma comparação glamurosa de outra variação deles de outro universo só para mostrar sua condição comum, e papel para poucos. Com tantos procedimentos invasivos e tanta busca de uma imagem perfeita, os atores, em menos grau, e as atrizes, expostas aos extremos às vezes, perdem uma essencia e tentam a todo custo escapar da idade. E Michelle e Ke Huy assumem suas inperfeições e rugas em função dos seus papéis e se despem da empáfia de alguns têm em se achar belos demais. Não há praticamente glamour em nenhum dos personagens, talvez somente na vilã do filme Jobu Tupaki, que propositalmente muda o tempo todo de roupa, todas espalhafatosas e fashionistas. Um outro exemplo de despir de sua vaidade para que o personagem fosse pequeno é a surpreendente Jemie Lee Curtis, sempre uma figura emblemática e vaidosa em muitos de seus filmes assume uma bela pancinha que insiste em sair da calça e um cabelo com o corte tão feio e mal cuidadeo que eu diria não existir se não tivesse visto com os próprios olhos várias versões dele em várias mulheres por aí. Não é à toa que esse trio de ouro levou todos os prêmios possíveis por onde passou. E mais que merecido, interpretam com autenticidade mesmo o filme descanbando muitas vezes para o pastelão.
Complexo, mas fácil de entender, e por isso delicioso "Tudo em todo o lugar ao mesmo tempo" sai da mesmice hollywoodiana previsível dando um frescor ao cançasso que muitos filmes considerados “ótimos”, mas que são um copia/cola, nos causam. Elenco afiado e história interessante e filosófica questiona muita coisa, mesmo que através da compreensão que tudo é uma rosquinha.
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Então, sou o ViGaMo / Vinícius Motta e uso este blog como uma forma de exercitar minha escrita e também de me expressar um pouco. Vim morar no interior de São Paulo e ando um pouco isolado, e o blog acaba sendo uma forma de “conversa”.
Sou formado em Letras – Português/Inglês e, devido a um desgaste e a uma grande crise de ansiedade, ainda não consegui retornar para a sala de aula — e, sinceramente, não ando muito animado para tal. Tenho outros anseios e receios e quero muito direcionar meus esforços para outros projetos. O blog me ajuda a ganhar um pouco de segurança e esperança.
Sou tutor de duas Shih-tzus de meia-idade canina e de três gatos, que me presenteiam todos os dias com um carinho e uma felicidade que somente quem tem um bichinho de quatro patas conhece. Também apadrinho uma família de gatos vira-latas que mora no fundo do meu quintal. Não desejo despejá-los de lá e acabo colocando ração para eles também.
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