sábado, 20 de setembro de 2025

Pacificador: arrumando o estrago

 



Pacificador: arrumando o estrago 

            O Universo DC andava bem mal das pernas — e das capas — e, ao que parece, James Gunn veio para tentar arrumar o estrago. No cinema, a empresa criadora do Superman havia conseguido a façanha de, nas mãos de Richard Donner e em conjunto com um roteirista ilustre, Mário Puzo (o escritor de O Poderoso Chefão, que virou filme sob a tutela de Francis Ford Coppola, com roteiro assinado também pelo próprio Puzo, que inclusive ganhou um Oscar por isso — e admito, vergonhosamente, que ainda não assisti, apesar de saber praticamente tudo o que acontece), emplacar a história do kryptoniano exilado na Terra após o colapso de seu planeta. Essa história se estendeu por mais três continuações, mas depois veio um hiato de vários anos sem grandes heróis. Tentaram reviver o Super em outros filmes que fracassaram, e quase a pá de cal definitiva veio com Snyder e seu Super-Cavill: um “farmador de aura” (postura de quem quer transmitir confiança, poder e masculinidade, mas acaba só na pose), que não se importava com ninguém e parecia uma paródia sombria do Homem de Aço que tanto conhecemos.

            Antes de entregar um projeto grandioso nas mãos de Gunn, talvez a DC quisesse testá-lo. O diretor já vinha de outros sucessos e, na concorrente Marvel, havia conseguido, com muito êxito, colocar os Guardiões da Galáxia na mira do público, trazendo humor e diversão em uma obra baseada em heróis de HQ. Então, sabe-se lá por qual motivo, deram o Pacificador para ele resgatar a partir de O Esquadrão Suicida de 2021 (já que o de 2016 não foi tão bem quanto esperavam). Escolhido o Pacificador, a série já começa mostrando a que veio, com uma abertura ridiculamente engraçada: todo o elenco dançando uma coreografia cafona ao som de “Do Ya Wanna Taste It”, da banda Wig Wam. O efeito é cômico e contagiante. O humor acompanha a série inteira, e até situações que poderiam parecer complicadas são usadas a favor de um roteiro ágil e divertido — também assinado por Gunn.

            Resumidamente: o Pacificador (John Cena) acaba de sair do hospital após a missão suicida imposta por Amanda Waller (Viola Davis), que comanda a A.R.G.U.S., uma organização do governo americano que coordena missões com super-humanos. Tentando retomar sua vida, ele, para não voltar à cadeia, aceita se unir à equipe para o misterioso Projeto Borboleta. Chris Smith, o verdadeiro nome do Pacificador, é um homem caótico, machista, sexista, racista — enfim, um clássico macho escroto. Não dá para rotulá-lo de “hetero top”, porque, em contradição a isso, ele é bissexual. Esse detalhe é colocado no roteiro com tanta naturalidade que funciona como um bálsamo: não ofusca a trama, só acrescenta mais camadas dramáticas a um personagem que, na origem, era raso demais, mas que aqui ganha um arco de desenvolvimento emocional bem interessante.

            Nessa nova missão, ele ainda precisa lidar com os fantasmas do passado: a morte do irmão e o pai, que além de odiá-lo é um supremacista branco e usa uma armadura tecnológica com chifres, se autodenominando Dragão Branco (Robert Patrick). Smith conta também com um amigo stalker, um maníaco lunático que se veste como uma espécie de ninja e usa as armas mais inusitadas que encontra, autointitulado Vigilante. Ele é surtado, um psicopata meio incel, com muitos parafusos soltos — e totalmente engraçado. Quem o interpreta é Freddie Stroma, que descobri, para minha surpresa, ter sido o jovem Córmaco McLaggen em Harry Potter e o Enigma do Príncipe — aquele que disputava o posto de goleiro com Rony no quadribol e ainda tentava ser par romântico da Hermione.

            Tudo funciona nessa série: a ação, o humor, as loucuras e absurdos em que o Pacificador se mete. Ironicamente, ele mata sem pestanejar — em contraste com seu nome de “herói”. Não posso deixar de mencionar sua águia-careca de estimação, Eagly, que é ao mesmo tempo feroz, mortal e uma fofura só. Eagly acaba sendo o apoio emocional de Chris, já que, como bom “macho” americano patriota, ele não pode “fraquejar” mostrando emoções para outros humanos. Mas isso logo desmorona, pois a série desconstrói justamente o mito do “homem” americano durão. E quem ganha com isso somos nós.

            A segunda temporada já estreou, mas até agora só assisti ao primeiro episódio. A primeira temporada, porém, é deliciosa de ver. Se eu me pego desligando da realidade e gargalhando, é sinal de que me agradou — e muito.


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Então, sou o ViGaMo / Vinícius Motta e uso este blog como uma forma de exercitar minha escrita e também de me expressar um pouco. Vim morar no interior de São Paulo e ando um pouco isolado, e o blog acaba sendo uma forma de “conversa”.

Sou formado em Letras – Português/Inglês e, devido a um desgaste e a uma grande crise de ansiedade, ainda não consegui retornar para a sala de aula — e, sinceramente, não ando muito animado para tal. Tenho outros anseios e receios e quero muito direcionar meus esforços para outros projetos. O blog me ajuda a ganhar um pouco de segurança e esperança.

Sou tutor de duas Shih-tzus de meia-idade canina e de três gatos, que me presenteiam todos os dias com um carinho e uma felicidade que somente quem tem um bichinho de quatro patas conhece. Também apadrinho uma família de gatos vira-latas que mora no fundo do meu quintal. Não desejo despejá-los de lá e acabo colocando ração para eles também.

Como já decidi há algum tempo fazer isso, deixei meu Pix para o caso de alguém querer contribuir com algo — isso ajudaria muito, e eu ficaria imensamente grato. Também deixo meu e-mail como forma de contato, quem sabe para futuras parcerias e colaborações.

E aguardem: ando planejando melhorar não só o conteúdo que preparo, como também evoluir para algo que possa ser levado a outras plataformas e redes sociais. Contudo, ainda tenho minhas limitações — sou bastante vergonhoso para fazer vídeos.

Obrigado por prestigiar o blog. Deixem comentários, sejam quais forem, e, quem sabe, sugestões. Fiquem à vontade.

Pix: vinimotta2012@gmail.com

(que também é meu e-mail de contato)

 Banco Inter — Vinícius Motta

sexta-feira, 19 de setembro de 2025

A hora do mal: mais um filme de terror que eu gostei esse ano


 A hora do mal


            Eu não gosto de terror; dito isso, eu gostei de “A Hora do Mal”. Demorei para assistir por causa do bloqueio que tenho com esse gênero. Quando começou a divulgação, achei a premissa interessante, afinal, quem não gosta do sumiço de um bando de alunos de uma mesma sala de aula? Eu já fui professor e desejei isso várias vezes, e não só com uma turma, mas com todas. Como não ando numa fase boa de saúde mental, algumas histórias só me causam desconforto, e não diversão. E diversão é o que me motiva assistir a um terror. Não gosto de sair da frente da tela com a sensação de que há um demônio ou espírito maligno me perseguindo, ou mesmo com uma crise existencial que me dá vontade de bater a cabeça na parede. Para mim, a diversão não passa pelo sentimento de aflição que a maioria dos filmes me causa. Essa aflição começou em 2003 com a clássica cena das toras caindo do caminhão na estrada e matando quase todo mundo no filme “Premonição 3” das piores maneiras. Eu realmente não gosto de ver gente sendo arregaçada, betoneirada, centrifugada, dilacerada, empalada, esquartejada, esmagada, envelopada, fatiada, garfada, hospitalizada, incendiada, judiada, liquidificada, moída, navalhada, obliterada, picada, queimada, ralada, seccionada, triturada, unhada, zumbificada... Por isso, a diversão tem que existir como algo primordial, através de uma boa produção e de um roteiro inteligente. Os últimos filmes dessa vertente só me causam desconforto, repugnância e aflição. Não digo que não possa haver cenas fortes, mas elas precisam ter propósito dentro da trama. Já os jump scares (sustos com aparições repentinas e som alto) são colocados em situações tão banais que causam mais ódio do que susto.

            Gostei deste filme porque ele vai passando por vários segmentos que remetem a diferentes nichos do terror. Começou até modorrento (sonolento), quase dormi no fim de tarde quente em que estava assistindo. Contudo, como é fragmentado em vários pontos de vista, isso dá outra dinâmica ao desenrolar da história. O filme vai nos dando perspectivas para entendermos aos poucos o que está acontecendo, sem entregar nada de bandeja. Começa com uma cena bonita, visualmente falando: as crianças saindo de casa às 2h17 da madrugada e sumindo na escuridão das árvores. Tanto que os pôsteres usam essa imagem. Ao mesmo tempo é desesperadora, pois elas estão desaparecendo e ninguém sabe o que aconteceu. O roteiro nos conduz habilmente ao clímax da história que, para mim, foi muito satisfatório. Não posso contar mais para não dar spoilers.

            O título em português é bem explicativo, pois se refere ao horário em que as crianças somem, 2h17. E como esse “dezessete” me causa arrepios... Já em inglês, o título original é “Weapons”, que significa “armas”. Realmente fica um pouco no ar a relação desse termo com o começo do filme, é necessário que se perceba, na pegada da trama, que as pessoas são usadas como armas, sendo colocadas umas contra as outras. Essa explicação só faz sentido assistindo ao filme até o fim para entender como isso acontece.

            O que mais gostei no filme foi que o mal acontece dentro de algo muito presente na nossa cultura, e nos sentimos envolvidos a cada parte, até finalmente chegar à catarse que somente um bom terror pode proporcionar. E, melhor ainda, tem um final definitivo, sem o gancho manjado para infinitas continuações, o que faz muito bem de vez em quando uma boa história fechada.

            Este ano, foi o terceiro terror que assisti e gostei. O primeiro foi “Pecadores”, fenomenal; o segundo, “Um Verão Infernal”, um slasher bem divertido; e agora este. Nos três não senti aflição ou desconforto por causa de cenas colocadas apenas para impressionar. Achei que todos foram, cada um à sua maneira, bem escritos e desenvolvidos dentro dos estilos a que se propuseram. São esses os terrores que eu gosto.

 

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Segue a chave pix, que é meu e-mail, pelo Banco Inter e está no meu nome Vinícius Motta:


Pix - vinimotta2012@gmail.com.br


Também aceito convites para trabalhos e o e-mail é o mesmo que está no pix. 


sábado, 13 de setembro de 2025

Wandinha X Wednesday

                                                    


Wandinha X Wednesday

  

        Começo perguntando: por que ainda se usa o nome “Wandinha” para “Wednesday”? Se a etimologia das palavras fossem pelo menos parecidas ou viessem do mesmo radical de uma palavra arcaica eu entenderia. “Wednesday” é “Quarta-feira” em inglês e vem de uma cantiga infantil que a personagem Mortícia gostava "Monday's Child" e que associava à personalidade de uma criança ao dia da semana que ela nasceu. O verso do poema sobre as Quartas-feiras é "Wednesday's child is full of woe" ("A criança de quarta-feira é cheia de aflições/desgosto") encaixando muito bem com a caracterização da personagem. Wanda ( Wandinha diminutivo) pode ter origem polaca ou germânica e significa andarilha, pastora, nome tribal dos vândalos e até mesmo uma pequena árvore. Eu acho que os responsáveis pelas versões brasileiras das produções estrangeiras não acreditam no potencial de entendimento e na capacidade de aprender de todos nós e inventam coisas que só ajudam a descontextualizar as obras. Eu como ex-professor (sim estou abandonando a sala de aula, não compensa o que o governo do Estado de São Paulo vem fazendo com a educação nos ultimos 30 anos, por acaso, se alguém tiver alguma indicação de trabalho estou aceitando pois não quero de jeito nenhum voltar a lecionar) acredito que é possível aprender qualquer coisa praticamente se houver interesse por parte de ambas as partes, sim os dois lados precisam quer. Então não faz sentido manter as terminologias desconexas.

        Quanto ao “que é canônico” na história da Família Addams, temos que enterder que quando Charles Addams publicou em 1938 pela primeira vez no “The New York Times” sua tirinha sobre uma família que tinha um senso de humor um tanto diferente e mórbido para os padrões da época e os caracterizando de forma peculiar ele tinha um claro intuito: satirizar o estilo de vida da família americana ideal da época. E isso se extendeu para uma série de televisão e animações e culminou para o sucesso de 1991 e depois 1993, uma continuação tão interessante quanto o primeiro. Entre tantos outros subprodutos para exploração comercial.

        Veio então as animações de de 2019 que manteve a essência mas já começou dar umas pitadas de desvio da mesma. E começou os rumores da série com Tim Burton dirigindo e a Jenna Ortega sendo a personagem título que estreou em 2022 a primeira temporada e a segunda agora em 2025. Deixo registrado que são produções bem redondinhas e divertidas. Se na primeira temporada recebemos as motivações e as apresentações necessárias dos novos atores aos personagens na segunda houve escolhas de roteito bem acertadas e atuações interessantes. O porém é a tentativa de encarxar os Addams, como produto, aos gostos de pessoas que claramente a concepção original critica. Parto da ideia que se todo mundo é um “excluído”, termo usado na série para justificar poderes e colocar dentro de uma escola especial, ninguém é excluido, pelo menos ali dentro. E principalmente se esses “excluídos” reproduzem a vibe “High School Musical” com ternos listrados de roxo e preto. Não é uma ideia ruim, só distorce o conceito do original. A família Addams era “excluida” por ser diferente do que era padronizado como ideal na época, o segundo filme trata muito bem isso quando Wandinha e o irmão vão para uma colônia de férias e subvertem todos os conceitos do lugar fazendo uma revolução e colocando a garota “perfeita” que era a grande líder pró-ativa toda vestida de tons rosa e floral sendo o contraponto da nefasta Wandinha. Ou mesmo a Debbie, que se casa com o “Tio Chico” ( Fester para Chico?), sendo uma vilã psicopata que com a frase icônica de Mortícia explica a ironia “Debbie... Tons pastéis?”. Nem vou falar da disputa de mãe e filha que se estabelece na história, as produções americanas adoram colocar a rivalidade feminina acontecendo, principalmente mãe contra filha, e aqui envolve mais a avó, Héster. Esse é um pilar básico e fundamental da família que não respeitaram. A Família Addams é a representação de uma família não convencional contra os padrões anglo-saxões, e é uma família unida. Por mais que possa haver tentativas de eletrocução, facadas, enforcamento não há rivalidades passivas-agressivas e tentativa de ”puxar o tapete”. Todos se respeitam e lutam pelos seus sem um ficar de joguinho contra o outro. O que acontece aqui com muita intensidade. A caracterização de Hester como uma senhora toda repaginada cheia de procedimentos estéticos acaba também fugindo da proposta. Não tem problema ela ser uma multimilionária, mas perder a aparência de bruxa descabelada faz o padrão se impor dentro da estética Addams. Poderia falar muita coisa. E esses pontos pareceu não incomodar ninguém. E como minha mãe dizia que eu não era todo mundo acho que eu posso ser só eu mesmo e não gostar de tudo isso na série.

        Tirando minha rabugice, espero não estar parecendo os viúvos do Superman do Snyder, eu admito que a série é boa. Gostosinha de assistir e tem um enredo muito bem enlaçado. Alguns personagens da primeira temporada voltam, quase todos, e tem um arco de finalização ou continuação adequada. Novos personagens se encaixam bem no contexto e a série entrega reviravoltas bem interessantes. Eu gostei mais da segunda parte da segunda temporada que muda todo o tom. Até me fez gostar le-ve-men-te de um zumbi... para quem não sabe eu odeio todos os zumbis de todas as histórias de terror de todos os tempos do mundo e por isso que não assisti “The Walking Dead” e outras produções. O-D-E-I-O. Já foi até assunto de uma sessão de terapia.

        No mais é isso. Tirando meu ranço por esses “deltalhes” eu gostei bastante de Wandinha e como tudo que vira um produto lucrativo para a massa acaba descaracterizando algumas coisas para atender ao público geral. O que é desnecessário pois manter a essencia só conecta mais ao ideal original que fez o público gostar da história. Mercado é assim.  



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