quarta-feira, 20 de agosto de 2025

Superman vs. Perpétuas

 Superman 





            A DC errou muito com Zack Snyder que adora exclusivamente “farmar aura” em personagens “fodões”. Na época que assisti não percebi isso, mas todos os sinais estavam. Em “Watchman” de 2009, como não tive acesso a obra original antes e não tinha comparativo, até achei o filme bacana, com aquela superexaltação da figura mítica do herói, e a obra original, uma HQ, mostrava justamente o contrário, era uma critíca contundente aos heróis convencionais e o possível horror que eles poderiam causar no mundo. E para quem não sabe o que é “farmar aura” é o “construir uma imagem desejável, admirável através de postura, aparência, roupas” em outras palavras aquilo que macho hetero top acha que é importante para impressionar uma mulher, mas no fundo é só casca externa onde ele externaliza sua insegurança, frustração e seu homoerotismo em ralação a outro homem sem ser julgado como homossexual, o que é uma besteira, mas sociedade machista admirar outro homem é inadmissível, o que só reforça justamente o contrário. 

            Como o assunto não é o Snyder, vamos para o James Gunn. Este por sua vez conseguiu chegar no ponto exato da imagem do Superman. Os baba-ovos de “farmadores de aura” estão incorformados que o ator fetiche deles, símbolo máximo de virilidade que faz todos eles sentirem vontade de usar calcinha só para os elásticos arrebentarem, Henry Cavill, não interpretou o personagem mais uma vez. Parecem todos um bando de Perpétuas amarguradas de perder o grande amor da vida dela e guardar numa caixa o que mais lhe causava saudades... O “farmar aura” é a caixa misteriosa da Perpétua com o membro empalhado do falecido. E obviamente não fazia sentido usar o mesmo ator se era necessário refazer o universo todo que o Snyder não deu conta. E com isso mais que justo o David Corenswet assumir o posto: tem a virilidade necessária e a doçura nerd de um bom moço do interior do Kansas, se é que podemos dizer que com essa onda assustadora de absursos que os EUA têm nos contemplado exista “bons moços” no interior desse país. Vamos acreditar que sim. E uma surpresa boa que vi foi a Lois Lane interpretada pela Rachel Brosnahan que eu simplesmente não tinha reconhecido, ela faz a protagonista de uma série que gosto muito “A maravilhosa Sra, Maisel”.  E não é só os principais que estão bem, todos os coadjuvantes estão em seus momentos bem colocados e dando o tom certo aos personagens atribuidos a eles. São vários, do Lanterna Verde do Natan Fillion, passando pelo Jimmy Olsen “garoto piranho” feito pelo Skyler Gisondo e indo para a Eve Teschmacher de Sara Sampaio não há quem não brilhe em seu momento. Alguns falam da falta de grandes lutas do Superman, contudo há inúmeros momentos interessantes. E o que mais chama atenção é a necessidade quase maníaca do Homem de Aço em salvar o máximo de vida possível. Era algo que faltava na franquia do Snyder. Em contrapartida temos o Lex do Nicholas Hoult que transborda inveja do único que ele não poderá nunca superar, por mais inteligente que se ache. É realmente absurda a interpretação da inveja transformada em ódio por uma pessoa. Por mais que o Gene Hackman, em 1978, tenha feito um ótimo trabalho, e o Jesse Eisenberg tenha sido quase obliterado do filme de 2017, aqui neste filme ele toma a proporção megalomaníaca de um bilionário corrompido por seu maior defeito: a inveja. Aqui não tenho como não lembrar do personagem de Shakespeare mais ardiloso e astuto em minha opinião que é o Iago de “Otelo, o mouro de Veneza”. Se em “Otelo” Iago desfere todo seu fel verde de possuir tudo o que foi dado ao ‘mouro’ do qual se acha o real merecedor e desencadeia uma sucessão de artimanhas para o incriminar e envenenar seu relacionamento com Desdêmona, Luthor faz o mesmo, sem Desdêmona, Luthor, usa a opinião pública para tentar seu intuito. 

            Se na internet os viúvos de Cavill, assim como a Perpétua,  choram o falecido e entram em brigas acirradas dizendo que esse Superman é fraco, que não luta que é bonzinho demais o que mais me impressionou foi a crítica no subtexto. Lex é um bilionário que não poupa esforços para se beneficiar, mente, manipula, usa sua empresa para ter lucro e fabricar armas para oferecer ao governo, cria seu inimigo, manipula as redes sociais e a opinião pública, usa a política com ferramente de interesse, prende todos que julga ser inimigos, escolhe seu inimigo por ele ser um “imigrante e refugiado” de outro planeta, cria situações perigoras para usar como contina de fumaça para atintir o seus objetivos... Se isso não é uma retratação nua e crua da realidade na metáfora de uma História em Quadrinho transposta na tela não sei o que mais pode ser. 

         


         Eu tive mistos de sentimentos, surpresa, satisfação, me diverti e me alarmei pela crítica social pontual.  E é isso que estava faltando em várias produções. Superman é um filme de herói que voltou ao seu espírito de entretenimento puro e, pode ter desagradado aos que amam um macho bonitão e viril “farmando aura” o tempo todo,  mas ganha em simpatia e leveza. E em falando em leveza, eu só assiti o filme por causa do Krypto. Sério, não estava pondo fé nesse filme e quando vi os primeiros trailers eu senti que precisava assistir. Por resgatar o Krypto merecia minha olhada e me surpreendi. O Supercão é sensacional e compõem um elemente muito interessante e crucial na diversão na trama. O filme não se leva a sério e tenta entreter e isso ele faz bem feito. Com “pouca aura” Gunn acerta mais uma vez.  


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Então, sou o ViGaMo / Vinícius Motta e uso este blog como uma forma de exercitar minha escrita e também de me expressar um pouco. Vim morar no interior de São Paulo e ando um pouco isolado, e o blog acaba sendo uma forma de “conversa”.

Sou formado em Letras – Português/Inglês e, devido a um desgaste e a uma grande crise de ansiedade, ainda não consegui retornar para a sala de aula — e, sinceramente, não ando muito animado para tal. Tenho outros anseios e receios e quero muito direcionar meus esforços para outros projetos. O blog me ajuda a ganhar um pouco de segurança e esperança.

Sou tutor de duas Shih-tzus de meia-idade canina e de três gatos, que me presenteiam todos os dias com um carinho e uma felicidade que somente quem tem um bichinho de quatro patas conhece. Também apadrinho uma família de gatos vira-latas que mora no fundo do meu quintal. Não desejo despejá-los de lá e acabo colocando ração para eles também.

Como já decidi há algum tempo fazer isso, deixei meu Pix para o caso de alguém querer contribuir com algo — isso ajudaria muito, e eu ficaria imensamente grato. Também deixo meu e-mail como forma de contato, quem sabe para futuras parcerias e colaborações.

E aguardem: ando planejando melhorar não só o conteúdo que preparo, como também evoluir para algo que possa ser levado a outras plataformas e redes sociais. Contudo, ainda tenho minhas limitações — sou bastante vergonhoso para fazer vídeos.

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(que também é meu e-mail de contato)

 Banco Inter — Vinícius Motta

terça-feira, 12 de agosto de 2025

Um Verão Infernal - Eu odeio filmes Slashers.

 Um Verão Infernal




 

          Para deixar claro o primeiro ponto: eu odeio filmes Slashers. Nunca gostei de ver ninguém estripado, fatiado, moído, triturado ou mesmo liquidificado. Quando criança esses filmes se popularizaram demais e lembro de vários amigos serem fãs deles, até um que estudou comigo desenhava muito o Jeson Voorhess, que é homenageado através do nome de um dos protagonistas no filme. Não gostava do Michel Myers, do Freddy Krueger, o que odiva mais que todos, pois ele não era só um pedófilo, ele se achou no direito de se vingar dos pais de suas vítimas, que o queimaram vivo por ele ter feito coisa pior com as crianças, atrávés dos sobreviventes que ele não conseguiu predar. É muito FdP. Felca, “tamo junto”. E para ser justo com os filmes Slashers eu na verdade não gosto muito de quase nenhum filme de terro. Só agora depois de adulto que eu fiz as pazes com vários filmes que não suportava, só não consigo aguentar ainda zombies. Meu trauma cinematográfico de infância, “A volta dos Mortos-vivos 2” juntamente com o clásico “Poltergeist - O Fenômeno”. Com espíritos resolvi o assunto através de entender melhor os “paranauês”.

          Dito isso, vamos para o “Verão Infernal”. Eu tive interesse nele por ter lido em algum lugar que o Finn Wolfhard, o Mike de “Strange Things”, seria o diretor do filme. E para variar, o que me irrita um pouco, a matéria não falava que ele tinha dirigido e roteirizado o filme em parceria com Billy Bryk que participou de tantas produções quanto o próprio Finn. E, eu fiz algo que não gosto muito, mas não me contive dessa vez, que foi dar uma lida em críticas da internet. Encontrei pouca coisa nacional ainda e na gringa não existe consenso. Muitos falam que apesar da obra não ser boa dá margem a se pensar nos futuros projetos dos dois. Ou seja, tem potencial para melhorar, vamos ficar de olho neles.

          Como disse acima, eu não sou nem um pouco fã desse tipo de filme mas me forcei a assistir depois de um longo e exaustivo dia de aborrecimentos burocráticos e uma certa incapacidade de atendimento assertivo de pessoas prestadoras de serviço. Imagina o ódio que eu estava. E justamente pensei “Vou assistir um filme com muito sangue e dilacerações para expurgar esse entimento assassino que está me corroendo!”, afinal uma das funções que mais admiro na arte, seja qual for o tipo, é a função catártica, onde através da arte, conseguimos liberar alguma emoção que esteja reprimida ou mesmo só circunstancial. E por mais que eu ame essa função, ela não tem aparecido há um tempo. Por vários fatores pessoais eu não ando desligando fácil do mundo para ficar imerso na história do filme. Há muito tempo isso não acontecia,o último que realmente lembro foi “Comer, rezar e amar” (2010) e com “Deadpool & Wolverine”, recentemente. E “Verão Infernal” eu consegui mergulhar de cabeça na história. Uma das críticas do povo lá fora foi que não mostrava muito as mortes de forma explícita e foi isso que me acalmpou. Não gosto de sentir aflição ao ver um filme com uma fratura ou um corte milimetricamente filmado em toda sua extensão. É um tanto doentio isso, os EUA que o digam, a sociopatia come solta lá. Outro ponto positivo foi o teor cômico da produção. E não achei que fosse um humor forçado mas decorrente das presepadas que só um adolescente consegue se colocar.

          


         E o filme conta justamente com personagens rasos, que eu aqui até achei bem trabalhados, pelo menos alguns, os principais, e há um jogo de temáticas bem contemporâneas como a garota vegana que tem uma crise e vai comer um hamburger escondida, ou o cara alérgico a amendoim que usa sua condição para militar o quanto é ofensivo alguém comer perto dele uma simples barrinha de cereal, temos a esquisita sensitiva trevosa, temos o casalzinho descolado e bonito, temos o bonitinho que quer provar que é importante e pegar todas as garotas possíveis mas só esquece que é um idiota, o aspirante a ser ator que que é gay e o desconstruído sonho das meninas, que por ironia é bem feioso, o quase adulto que não quer crescer, e a interesseria que escolhe o feioso pois é mais rico. Num Slasher convensional eles todos seriam bem descartáveis e não são, pelo menos nem todos. E vamos nos simpatizando com os que ficam, conforme vão morrendo os menos interessantes. Tem cenas hilárias e aqui destaco o Fred Hechinger (“Thelma” e “The White Lotus - 1ª Temporada) que faz um Jason todo estabanado, ele quer aproveitar ao máximo sua estadia no acampamento de verão, onde tudo ocorre. Contudo ele já está além de uma idade adequada para continuar no local, mas ele tem a fantasia de trabalhar para sempre por lá. E com isso ele puxa para si a responsabilidade de ser o chefe responsável por todos e tudo vira uma palhaçada, no sentido bom, quando por um motivo mais besta ainda todos desconfiam que ele é o assassino. Temos também o próprio Bryk que faz seu personagem Bobby irritantemente humano mas totalmente sem noção. Ele quer ser notado e aceito mais pelo ego enorme que vive sendo ferido do que por ser realmente quem é, nem isso ele sabe.

          Eu ri bastante, coisa que também acontece pouco comigo, e o terror sanguinolento foi na medida certa para meus padrões de sensibilidade. É interessante que o filme estreou no Festival de Toronto em 2023 mas só lançaram ele este ano. Então perceber que o Bryk e o Wolfhard fizeram tudo com pelo menos dois anos a menos deixa o empreendimento mais interessante. Eu com a idade deles não dava conta de ler nem “O Capital” do Marx na faculdade. Não espere um filme fabuloso e inovador, ele flerta com o que já foi exaustivamente feito nos anos de 1980, mas dá uma roupagem bem hodierna e interessante aos adolescentes chatos que só servem para o assassino mascarado empilhar no final do filme. É diversão de fim de tarde, ou no meu caso de um dia chato de burocracias e atendimentos irritantes.



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