terça-feira, 25 de março de 2025

Adolescência - Estarrecedor sem ser terror

 

Adolescência - Estarrecedor sem ser terror





 

          O primeiro acerto dessa série da Netflix é o próprio roteiro que divide em tudo em quatro episódios, de cerca de uma hora cada, e cada um descasca as camadas sociais das etapas do que acontece. Vemos na história que um adolescente de 13 anos é acusado de matar uma colega da escola. A família toda é acordada com a polícia entrando com aquela brutalidade que alguns filmes mostram, contudo, logo em seguida um certo polimento excessivo me fez atentar para que a série podia não ser americana. E não era para nosso bem. Isso faz toda diferença pois o que é abordado não é captado fácil pelas produções americanas. Levado para a delegacia acompanhamos o desenrolar da acusação, coleta de dados, as burocracias e a primeira entrevista com o advogado junto, e o pai embasbacado sem entender como aquilo pode estar acontecendo, sem acreditar que o filhinho seria capaz de uma coisas daquela. No segundo episódio os detetives do caso vão à escola e falham miseravelmente com os jovens. Tanto que uma informação primordial aparece do próprio filho de um dos investigadores que estudava lá. É aí que vemos um do problemas denunciado pela série: a falta de diálogo que há entre as gerações. E como a escola é bagunçada e permissiva. Parece totalmente desgovernada. E o celular em todos os lugares, isso também é outro ponto de denúncia da série. No terceiro episódio, o centro da história, temos a entrevista de uma psicolaga contratada pela defeza para dar um parecer. É incrivel a perfeição desse episódio. É a cabeça do jovem colocada num raio-x para um adulto entender o que se passa lá, por mais que no filme haja um crime por trás, aquilo é estarrecedoramente plausível e real. Quem trabalhou com jovens sabe. Por fim, vemos as consequências desse suposto crime na família no último episódio. E tudo feito em plano sequência, seria como se gravassem tudo sem nenhum corte, em cena contínua, sem parar a atuação, para quem não sabe.


          Outro acerto é o elenco. Saindo do óbvio de nomes badalados eles acham o meio termo necessário para atores interpretarem o tipo de pessoa que acho mais difícil, pessoas comuns. O criador da série Stephen Grahan faz o estupefato pai do garoto Jamie que também interpretado pelo fabuloso novato Owen Cooper. Mas ninguém fica para trás, a atriz que faz a psicóloga, Erin Doherty, é abursa tentando mostrar sua máscara de neutralidade profissional e entregando uma sutileza que beira o brilhantismo. As cenas mais aterradoras, se pudermos falar isso, lembrando que não é uma série de terror, são com ela.

                 Talvez essa série leve os pais de hoje discutir e repensarem as próprias atitudes em relação aos filhos, uso de celular e façta de acompanhar de verdade a juventude. Eu fui professor do estado e sei o quanto um pai pode ser omisso, obtuso, ou ainda negar que o filho seja capaz de fazer algo errado. Já ouvi pais defendendo os filhos “Mas em casa ele não dá trabalho...”, claro, dá um celuar na mão e deixa ele lá no mundo da internet e ele não dá trabalho mesmo. E é sobre isso a série: Internet, Instagram, comunidades virtuais e os crimes que muitos cometem no virtual e no real.

                Se não assistiu, corre, eu assiti de uma sentada pois, tinha tempo e não conseguia me desgrudar da tela. Só uma dica, indiquem para aquele amigo Red pills sem falar nada. Apesar que acho que ele não vai ver problema nenhum ou entender.

                      



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Então, sou o ViGaMo / Vinícius Motta e uso este blog como uma forma de exercitar minha escrita e também de me expressar um pouco. Vim morar no interior de São Paulo e ando um pouco isolado, e o blog acaba sendo uma forma de “conversa”.

Sou formado em Letras – Português/Inglês e, devido a um desgaste e a uma grande crise de ansiedade, ainda não consegui retornar para a sala de aula — e, sinceramente, não ando muito animado para tal. Tenho outros anseios e receios e quero muito direcionar meus esforços para outros projetos. O blog me ajuda a ganhar um pouco de segurança e esperança.

Sou tutor de duas Shih-tzus de meia-idade canina e de três gatos, que me presenteiam todos os dias com um carinho e uma felicidade que somente quem tem um bichinho de quatro patas conhece. Também apadrinho uma família de gatos vira-latas que mora no fundo do meu quintal. Não desejo despejá-los de lá e acabo colocando ração para eles também.

Como já decidi há algum tempo fazer isso, deixei meu Pix para o caso de alguém querer contribuir com algo — isso ajudaria muito, e eu ficaria imensamente grato. Também deixo meu e-mail como forma de contato, quem sabe para futuras parcerias e colaborações.

E aguardem: ando planejando melhorar não só o conteúdo que preparo, como também evoluir para algo que possa ser levado a outras plataformas e redes sociais. Contudo, ainda tenho minhas limitações — sou bastante vergonhoso para fazer vídeos.

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 Banco Inter — Vinícius Motta



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